domingo, 4 de agosto de 2024

O CONCIDADÃO

Título Original: Hamshahri
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1983
País de Origem: Irã
Duração: 51min
Nota: 3

Sinopse: Neste documentário, um policial tenta, numa rua de Teerão, controlar o trânsito e não permitir que as pessoas infrinjam a lei, o que as leva a reagir de diferentes formas gerando todo tipo de situações.

Comentário: Jamais imaginei que daria uma nota tão baixa para algo do Kiarostami, mas realmente não gostei deste. Pode ser interessante como recorte antropológico daquele tempo, mas a insistência na repetição de situações por tanto tempo é algo que torna a experiência de assisti-lo chata. Não há nenhum aprofundamento, uma entrevista com o policial ou com os cidadãos sobre o que acham do novo plano de trânsito na cidade, ou maiores impactos que isto está gerando nas pessoas. Para que quase uma hora disso? Podia ter uns 20 minutos e seria um filme regular, ninguém gosta de ficar preso no trânsito, assistir isso é tão ruim quanto. Galera em Teerã buzinam demais.

sábado, 3 de agosto de 2024

O QUE VEMOS QUANDO OLHAMOS PARA O CÉU?

Título Original: Ras vkhedavt, rodesac cas vukurebt?
Diretor: Aleksandre Koberidze
Ano: 2021
País de Origem: Geórgia
Duração: 151min
Nota: 4

Sinopse: Um encontro casual numa esquina faz com que Lisa e Giorgi se apaixonem à primeira vista, mas um feitiço maligno é lançado sobre eles. Será que eles se encontrarão novamente?

Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Berlim. A ideia do filme foi ótima, a execução não funcionou tão bem para mim. O filme se estende demais, há cenas longas que não funcionam, a distância do telespectador para com os personagens não ajuda ao filme a se desenvolver. A situação que os personagens passam é surreal e o diretor não aproveita nem um momento para trabalhar o psicológico dos personagens, não há questionamentos, não há uma mãe tentando localizar um filho ou uma filha que simplesmente sumiu. O filme não sabe aproveitar a história que resolve contar. A sala de edição simplesmente não foi usada como deveria, dava para enxugar mais de meia hora de filme fácil. Não funcionou comigo. Quando estive em Tiblisi notei que era cheia de cães na rua, não vi nenhum gato, talvez seja uma característica de todo o país, logo a história dos cachorros é o que mais cativa em toda a película.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

GABBEH

Título Original: Gabbeh
Diretor: Mohsen Makhmalbaf
Ano: 1996
País de Origem: Irã
Duração: 72min
Nota: 9

Sinopse: Quando um casal de idosos lava o gabbeh, um tipo de tapete persa, uma jovem aparece magicamente e conta a história de sua vida.

Comentário: Indicado ao prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Tenho esse filme desde 2008 e nunca tinha assistido, mais de uma década depois resolvi assistir voltando de Teerã. Adorei a narrativa, os diálogos entre o casal de idosos e a Gabbeh, mesmo a história principal sendo um pouco simplista demais, são esses elementos que dão o tom que o filme precisa, fazendo ele ser tão bem visto até hoje. É a maneira de se contar a história e aproveitando os recursos lúdicos e fantásticos que somos conquistados pelo que está na tela. Um filme curtíssimo que nos mantém grudados na tela e serve para dialogar sobre tantas coisas: amor, envelhecimento, cultura, juventude... há uma infinidade de coisas. Muito gostoso de assistir.

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

AS ACÁCIAS

Título Original: Las Acacias
Diretor: Pablo Giorgelli
Ano: 2011
País de Origem: Argentina
Duração: 82min
Nota: 8

Sinopse: A pedido de seu chefe, um caminhoneiro aceita levar com ele uma mulher e um bebê de Assunção, Paraguai até Buenos Aires, Argentina, mas tenta ignorá-los durante a viagem.

Comentário: Vencedor da Câmera de Ouro no Festival de Cannes e de outros dois prêmios em premiações paralelas. O filme é muito bom, e isso se deve muito ao elenco, todos estão ótimos, inclusive a bebezinha, que é a coisa mais simpática do mundo. Eu gosto de histórias assim, que se constrói no silêncio, nos detalhes, nas entrelinhas e gestos. Há uma infinidade de histórias não contadas com os personagens e nos simpatizamos com eles por serem tão parecidos conosco, pessoas comuns em situações comuns. O diretor sabe aproveitar de maneira muito competente o que tem em mãos e sabe o que está fazendo. Um filme que não precisa se estender, curto e direto, às vezes eu acho que falta esse poder de síntese no cinema hoje em dia. Vale a pena, mas tem que curtir este estilo, senão vai achar que é um filme monótono.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

UMA LUZ NA NEBLINA

Título Original: Cheraghi Dar Meh
Diretor: Panahbarkhoda Rezaee
Ano: 2008
País de Origem: Irã
Duração: 104min
Nota: 4

Sinopse: Rana e o pai vivem sozinhos e ganham a vida consertando lamparinas e fazendo carvão em uma casa rústica em um local perdido no Irã. O pai sugere que ela se case com Rahmat, um vizinho distante.

Comentário: O filme é experimental demais, não funcionou muito comigo. Há cenas lindas, mas ao mesmo tempo há cenas que não conseguem captar a beleza do norte do Irã. O filme foi feito na cidade de Mazandaran, que eu não conheço, entendo que a neblina faz parte da narrativa no contexto de que os personagens trabalham com lamparinas e carvões (algo que gera luz), mas há lugares maravilhosos no norte do Irã que tornariam o filme mais palatável, pelo menos no que diz respeito a contemplação: Chalous, Ramsar ou Rasht, por exemplo. Não sou muito o público para essas coisas experimentais, gosto de narrativa, diálogos, história. Esperava algo mais.

terça-feira, 30 de julho de 2024

DA VIDA DAS MARIONETES

Título Original: Aus Dem Leben der Marionetten
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1980
País de Origem: Alemanha
Duração: 104min
Nota: 8

Sinopse: Peter Egerman é um executivo bem sucedido que vive um casamento conturbado com Katarina. Dias depois de ter um sonho no qual mata a esposa, Peter sai com uma prostituta e a mata. Qual seria a explicação dessa tragédia?


Comentário: Um filme fora da curva do cineasta, achei muito bom pela maneira que a narrativa consegue contar a história. Temos o evento principal no início e depois os flashbacks do passado indo de um tempo distante se aproximando do evento e flashforwards sendo apresentados de uma maneira se afastando do evento principal para o futuro. O elenco é competente, a mão do Bergman nunca falha, porém o final me pareceu muito leviano, os motivos apresentados pelo psiquiatra não convencem da maneira que deveria, acho que não precisava explicar tão mastigado tudo, o bom do Bergman é deixar esse tipo de coisa no ar para ser interpretada de diferentes maneiras pelos telespectadores. Um filme que receberia uma nota menor se comparasse só entre as obras do diretor, mas que funciona se não comparar tanto.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

EM SEGREDO

Título Original: Grbavica
Diretora: Jasmila Zbanic
Ano: 2006
País de Origem: Bósnia e Herzegovina
Duração: 90min
Nota: 7

Sinopse: Mulher e filha adolescente vivem em Sarajevo, no pós-guerra dos Balcãs. Assim como a cidade, tentam reconstruir suas vidas depois da violência que sofreram. A menina pensa que seu pai é um herói de guerra, mas a verdade sobre ele vem à tona.


Comentário: Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Confesso que esperava mais, já que o outro filme que assisti da diretora (Quo Vadis, Aida?) é um dos filmes mais arrebatadores que assisti na minha vida. É muito inferior ao filme mais recente da diretora, há cenas e narrativas que funcionam muito bem, mas há coisas que parecem perdidas e que não acrescentam nada. Filme de estreia da Luna Zimic Mijovic, que chegou até a quebrar a perna fazendo a cena da briga no futebol, ela realmente um dos pontos altos. A história do filme tem muito haver com alguém que me envolvi na minha vida, por isso acho que me tocou mais do que a maioria dos espectadores. O "segredo" do filme é muito óbvio desde o começo, portanto achei desnecessário deixar a revelação só para o final, podiam ter trabalhado mais o debate de tudo. Um bom filme, já mostrava a competência que a diretora iria atingir.

domingo, 28 de julho de 2024

UM COPO DE CÓLERA

Título Original: Um Copo de Cólera
Diretor: Aluizio Abranches
Ano: 1999
País de Origem: Brasil
Duração: 70min
Nota: 7

Sinopse: O tórrido caso de amor entre um homem que vive isolado do mundo, em seu sítio perto de São Paulo, e uma jornalista politicamente engajada. Tudo vem abaixo quando ele tem um ataque de cólera ao notar que as formigas saúvas fizeram um rombo na sua cerca viva.

Comentário: Achei que é um bom filme, galera diz que o que vale é a cena de sexo, mas achei muito mais interessante a verborragia da discussão, que tem momentos que é difícil acompanhar para onde o casal está levando, mas que faz nosso cérebro desencadear um monte de pensamentos malucos tentando entender. Não estava gostando da atuação no começo, mas o negócio vai se desenvolvendo muito bem até um show de ambos os atores (mas a Julia Lemmertz é foda demais, um espetáculo da natureza da atuação). Talvez se tivesse um texto um pouco menos literário funcionasse melhor, pudesse trazer um pouco mais de realismo e proximidade com o público. Um filme que termina muito rápido, acho que tinha mais pano para a manga.

sábado, 27 de julho de 2024

TÁXI TEERÃ

Título Original: Taxi
Diretor: Jafar Panahi
Ano: 2015
País de Origem: Irã
Duração: 81min
Nota: 8

Sinopse: Jafar Panahi foi proibido de fazer filmes pelo governo iraniano. Ele finge ser um motorista de táxi e faz um filme sobre os desafios sociais no Irã.

Comentário: Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Assisti dois dias depois de voltar de Teerã, lugar que eu amo, fiquei procurando lugares conhecidos ao fundo sem sucesso. Provavelmente foi filmado em partes afastadas da cidade, porque o trânsito está muito leve. Panahi é um gênio, mas apesar do filme ser muito bom, não dá para comprar a ideia de um documentário. O filme foi feito com atores amadores que não foram identificados para que não tivessem problemas com o governo, já que o diretor estava proibido de filmar. Há cenas que transmitem um realismo e outras que há uma encenação plástica descarada. Nunca estive em Teerã em 2015, quando foi filmado, mas de cinco anos atrás para cá eu nunca vi um táxi pegando pessoas diferentes pelo caminho, o que faz o filme parecer um produto para ser vendido ao mercado internacional com uma visão não tão realista. Mas é essa fábula imaterial que faz o filme funcionar também, como as senhoras que carregam os peixes. Um típico filme do diretor, confesso que preferi muito mais o 3 Faces ou o Sem Ursos dele, mas este não deixa de manter o nível. A sobrinha dele no filme fazendo o papel dela mesma é o ponto mais alto, o talento parece estar na genética da família Panahi. Faz dias que estou longe de Teerã e a saudades só aumenta, contando os dias para voltar.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

MINHA MÃE

Título Original: Mia Madre
Diretor: Nanni Moretti
Ano: 2015
País de Origem: Itália
Duração: 107min
Nota: 9

Sinopse: Margherita (Margherita Buy) é uma diretora de cinema que está prestes a iniciar as filmagens de seu novo longa-metragem, que será protagonizado pelo galanteador astro internacional Barry Hughins (John Turturro). Paralelamente, ela precisa lidar com vários problemas em sua vida pessoal, como o fim de um relacionamento e a doença da mãe (Giulia Lazzarini), que está internada no hospital.

Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Segundo filme que assisto do diretor e novamente ele consegue me arrebatar, que filmaço! Todo o elenco está simplesmente fantástico, inclusive o diretor que eu adoro ver atuando, Turturro contagiante, mas são os papéis femininos de mãe e filha que são o coração do filme. Faz a gente refletir sobre muita coisa e no final eu derramei lágrimas sem imaginar que o filme iria conseguir me tocar tanto assim, pois vai fluindo sem todo aquele clichê que existe em histórias desse tipo. Toda a discussão social, importante, fica em segundo plano para a contemplação da alma humana, da vida e da morte. Moretti consegue mais uma vez fazer um dos melhores filmes do ano sem se vender ao cinema pipoca. Recomendo para qualquer um.