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terça-feira, 8 de outubro de 2024

LABRADOR

Título Original: Labrador
Diretor: Frederikke Aspöck
Ano: 2011
País de Origem: Dinamarca
Duração: 70min
Nota: 8

Sinopse: Em uma ilha desolada e varrida pelo vento, Stella e Oskar, um jovem casal, visitam o pai dela, Nathan, que vive uma vida simples e solitária na companhia de seu cão labrador. No entanto, o relacionamento de Stella e Nathan não é exatamente normal.
 
Comentário: Indicado ao prêmio Câmera de Ouro no Festival de Cannes. O filme prova que qualquer história, por mais simples que seja, se bem escrita, pode se tornar algo realmente muito bom. É exatamente isto o que acontece neste filme. Os diálogos, as situações, tudo o que acontece em cena desperta algum sentimento, bom ou ruim, nos faz questionar os personagens e a nós mesmos. "O que faríamos em uma situação dessa?" é uma pergunta constante. O filme é curto e vai direto ao ponto, com um poder de síntese preciso, não há enrolação. Stephanie Leon, além de muito bonita mostra um talento de sobra interpretando Stella, consegue cativar desde que aparece até o fim. Os filmes da premiação Câmera de Ouro do Festival de Cannes sempre conseguem me surpreender no quesito qualidade. Vale a assistida.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

O MISANTROPO

Título Original: Misantropen
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1974
País de Origem: Dinamarca
Duração: 102min
Nota: 7

Sinopse: Alceste odeia a humanidade porque há muita hipocrisia, engano e falsa bajulação no mundo. O amor por Éliante vindo em contramão parece prometer piorar a situação. Adaptação da peça escrita por Molière.
 
Comentário: Filme inusitado de Bergman, onde ele filme a peça em que dirige na Dinamarca. Achei que eu não ia gostar muito pela proposta (Não acho que a linguagem do teatro consegue ser passada para se assistir na tela de uma TV tão facilmente), porém a história conseguiu me prender muito bem. Me vi profundamente em Alceste em quase tudo e isso foi meio assustador, me parece que a vida em solidão é a única saída em muitos momentos. Há diálogos ótimos e é interessante como algumas reações da plateia te contagia em momentos pontuais cômicos e isso me remeteu a uma entrevista dada pelo Ken Loach durante o Festival de Berlim este ano de 2024. A direção de Bergman some pela força do elenco que  consegue segurar a atenção do espectador muito bem. Valeu a assistida.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

MAIS UMA RODADA

Título Original: Druk
Diretor: Thomas Vinterberg
Ano: 2020
País de Origem: Dinamarca
Duração: 116min
Nota:  6

Sinopse: Quatro professores, com problemas em suas vidas, testam a teoria de que ao manter um nível constante de álcool em suas correntes sanguíneas suas vidas irão melhorar. De início, os resultados são animadores, porém, no decorrer da experiência, eles percebem que nem tudo é tão simples assim.
 
Comentário: Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em um ano fraquíssimo, também estava na seleção de Cannes que foi cancelada devido a pandemia. É um filme com pontos fortes, mas que quanto mais pensamos sobre ele menos gostamos. A direção é excelente, o elenco é magistral e a condução da história é muito boa, portanto quando o filme termina dá um sentimento de dever cumprido, de que ele foi bem satisfatório. Mas qual a mensagem do filme? Nisso a película é confusa e se perde completamente, parece que quer criticar o álcool em certo ponto, mas depois parece que não... enfim. Achei de péssimo tom várias cenas, eu que já tive problemas sérios com álcool, tive uma suspeita de cirrose antes dos 30 anos e hoje estou livre de deixar este vício ir levando minha vida. Portante me incomodou. A Europa, onde moro, tem uma relação tóxica com muitas drogas (sejam legais ou ilegais) que me assusta, é uma geração cada vez mais perdida, cada vez mais vazia, cada vez mais tosca... talvez seja essa a mensagem.

domingo, 12 de setembro de 2021

SUBMARINO

Título Original: Submarino
Diretor: Thomas Vinterberg
Ano: 2010
País de Origem: Dinamarca
Duração: 110min
Nota: 7

Sinopse: Uma história sobre dois irmãos separados, marcada por uma infância sombria. Eles foram separados um do outro quando eram jovens depois de uma tragédia que dividiu a família. Hoje, a vida de Nick está encharcada de álcool e atormentada pela violência, enquanto seu irmão mais novo, um pai solteiro, luta como um viciado para dar a seu filho uma vida melhor. Seus caminhos se cruzam, tornando o confronto inevitável, mas a redenção ainda é possível?

Comentário: Filme indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Não sou um grande conhecedor dos filmes do Vinterberg, falha minha, mas lembro de assistir o seu cultuado Festa de Família lá no final dos anos noventa e lembro que foi um filme que mexeu bastante comigo. Este não foi diferente no quesito mexer comigo, mas está longe de chegar perto da obra prima do diretor. O decorrer é lento e de em alguns momentos parece que o filme não nos leva a lugar nenhum e tenta ficar nos chocando com situações que talvez não precisasse, mas o final foi catártico para mim por puro motivo pessoal mesmo. Lágrimas brotaram do meus olhos meio que de maneira inconsciente, de um jeito diferente que de outros filmes. Talvez haja algumas falhas na narrativa, lacunas que poderiam ser mais exploradas, mas o resultado final é acima da média, com excelentes atuações que revezam o protagonismo e com a direção competente do Vinterberg que é a cereja no bolo. As ligações de eventos que se entrelaçam nas duas histórias foi uma sacada muito boa, dá pra ir construindo a linha do tempo das coisas. Talvez o fato de estar morando na Europa e ver tanto usuário de drogas pesadas e injetáveis, que parece ser comum por aqui, tenha me aproximado mais do filme.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

EM UM MUNDO MELHOR

Título Original: Hævnen
Diretor: Susanne Bier
Ano: 2010
País de Origem: Dinamarca
Duração: 117min
Nota: 9

Sinopse: Anton (Mikael Persbrandt) é um médico que trabalha em um campo de refugiados em um lugar qualquer da África. Na Dinamarca, seu país natal, estão sua mulher Marianne (Trine Dyrholm) e seus dois filhos, Elias (Markus Rygaard) e Morten (Toke Lars Bjarke). Paralelamente, acompanhamos a história do garoto Christian (William Jøhnk Nielsen) que emigra para a Dinamarca, ao lado de seu pai Claus (Ulrich Thomsem) logo após a morte da mãe. Dois mundos distintos que irão se cruzar.

Comentário: Vencedor do Oscar e do Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro, um prêmio que acho merecidíssimo. Dos filmes deste ano, achei este o melhor entre todos eles, porque mesmo com uma linguagem mais comercial, consegue abranger uma infinidade de coisas pertinentes para a história e para o espectador: luto, bullying, comportamento social, guerra, vingança, sociopatia, até onde o ser humano chega para romper com seus princípios, e por aí vai... é tanta coisa que o filme passa que posso escrever um texto de páginas. Cópia Fiel, do Kiarostami, por exemplo, tem um roteiro bem mais elaborado em alguns aspectos, mas não conseguiu me atingir como este. E que soco no queixo que é este filme. Ulrich Thomsen, em um papel menor, consegue mostrar o quão gigante é fazendo qualquer coisa. Uma pena que a diretora, que fez recentemente o Caixa de Pássaros para o Netflix, tenha se rendido aos filmes comerciais americanos, podia ter tido uma carreira mais interessante. Um filme forte, pesado e que cumpre muito bem o que propõe. Recomendo.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

TERRA DE MINAS

Título Original: Under Sandet
Diretor: Martin Zandvliet
Ano: 2015
País de Origem: Dinamarca
Duração: 101min
Nota: 9

Sinopse: Um grupo de jovens prisioneiros de guerra alemães, outrora combatentes nazistas, recebem uma nova tarefa ao fim da Segunda Guerra Mundial: precisam escavar e remover com as próprias mãos 2 milhões de minas terrestres em "terras inimigas", mesmo que alguns deles não tivessem sequer experiência na guerra, para compensar sua contribuição com o regime de Hitler.

Comentário: O filme começa com um erro grosseiro de continuidade, onde o general dinamarquês arranca a bandeira de seu país das mãos de um alemão, durante a ação a bandeira desaparece das suas mãos, para milagrosamente aparecer de novo e sumir mais uma vez e assim sucessivamente. Imaginei que ia assistir a um filme mal feito, mas estava completamente enganado, os erros do filme pararam por ali. O filme foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. A fotografia é muito bonita, mas é o roteiro que é poderoso, uma história onde nada é preto no branco, cheia de áreas cinzentas sobre a moralidade da guerra. Há vários clichês ao longo do filme, mas o roteirista consegue usar eles ao seu favor. O personagem do general dinamarquês vivido pelo ator Roland Møller cresce muito durante o filme e nos coloca em situações de identificação mesmo quando não está sendo bonzinho. O ator Louis Hofmann, mais conhecido como o Jonas da série Dark, consegue mostrar que tem potencial como um bom ator, coisa que a série não conseguiu aproveitar. Um excelente filme para entendermos que nem todo alemão era um monstro nazista e que a maioria dos soldados estavam apenas em um fogo cruzado sem entender muito bem porque. Conseguiu me emocionar.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

NINJA XADREZ

Título Original: Ternet Ninja
Diretores: Thorbjørn Christoffersen & Anders Matthesen
Ano: 2018
País de Origem: Dinamarca
Duração: 82min
Nota: 5

Sinopse: Alex é um jovem que cursa o oitavo ano do colégio e que precisa lidar com dramas comuns aos adolescentes: o relacionamento com o irmão postiço e o padrasto, a paixão pela colega Jessica e o bullying que sofre de Glenn na escola. Um dia, Alex ganha um presente curioso de seu tio, que viajou à Tailândia: um boneco ninja com roupa xadrez. Logo, ele descobre que o boneco está vivo, e o brinquedo o ajuda a resolver seus problemas cotidianos. mas tudo piora quando o garoto nota que o boneco, na verdade, está possuído por um espírito antigo do japão e que tem a missão tenebrosa de se vingar de Phillip Eppermint, responsável pela morte de uma criança na Tailândia.

Comentário: O filme começa muito bem e vai decaindo conforme vai chegando ao fim, não que ele não cative, mas a história vai ficando mirabolante demais sem necessidade nenhuma. Os diálogos durante os créditos são de péssimo gosto que me deixaram com um sentimento de "WTF?!?!". O começo choca, escancara o problema do trabalho infantil em regimes de escravidão que existe por todo o mundo e é explorado por países ricos, daí você pensa que o filme vai ser assim, cru, de um jeito que te pega meio de guarda baixa... mas chega ao ápice do nonsense na conversa do tio ensinando o moleque a comprar drogas ou o nerd se dando bem com a menina idiota chata pra caralho. Um filme que fica dentro da média, mas que poderia ser muito melhor, tinha um baita potencial, pelo menos.