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domingo, 8 de junho de 2025

ELES FUGIRAM

Título Original: He Ovat Paenneet
Diretor: J.-P. Valkeapää
Ano: 2014
País de Origem: Finlândia
Duração: 101min
Nota: 7

Sinopse: Dois adolescentes rejeitados fogem de uma casa de recuperação e embarcam em uma jornada pelo país.
 
Comentário: Indicado a um prêmio fora da competição principal no Festival de Veneza. Roosa Söderholm, a atriz principal é quem segura o filme nas costas, que na minha opinião, se perde completamente quando vai chegando ao final. O ator Teppo Manner também trabalha muito bem, mas seu papel é muito fraco, não dão espaço para o personagem dele crescer muito durante o filme. A direção é linda, Valkeapää parece conseguir pegar mais enquadramentos lindos aqui do que no seu filme posterior (Cães Não Usam Calças), mas confesso que preferi o outro a este filme. Parece que a narrativa se perde quando o roteiro resolve pesar a mão e violência gratuita que não aprofunda em nada a história jorra na cara do espectador pura e simplesmente para querer chocar. Não indico não, apesar de ser um bom filme.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

PHOENIX

Título Original: Phoenix
Diretor: Christian Petzold
Ano: 2014
País de Origem: Alemanha
Duração: 98min
Nota: 7

Sinopse: A cantora de cabaré judia alemã Nelly sobreviveu a Auschwitz, mas teve que passar por uma cirurgia reconstrutiva porque seu rosto ficou desfigurado. Sem reconhecer Nelly, seu ex-marido Johnny pede que ela o ajude a reivindicar a herança de sua esposa. Para ver se ele a traiu, ela concorda, tornando-se sua própria sósia.
 
Comentário: Petzold é um dos meus diretores contemporâneos preferido, todos os filmes dele que eu tinha visto até aqui são obras de arte da mais alta qualidade, mas confesso que este é o mais fraco dos que vi, não que seja ruim, muito longe disto, mas faltou algo. O desfecho é simplesmente maravilhoso e o grande ponto alto do filme, mas o meio parece tudo meio preso em um limbo. Phoenix é o nome do bar em que ela encontra o marido pela primeira vez depois de sair do campo de concentração, mas também remete ao pássaro mítico que renasce das cinzas e do fogo, o que faz todo o sentido dentro da narrativa. É um filme acima da média, que funciona ao seu propósito, mas que fica uma pontinha de decepção única e exclusivamente porque todo os outros filmes recentes do diretor beiram a perfeição.

domingo, 3 de novembro de 2024

A SAPIÊNCIA

Título Original: La Sapienza
Diretor: Eugène Green
Ano: 2014
País de Origem: Itália
Duração: 105min
Nota: 9

Sinopse: Alexandre, um arquiteto bem-sucedido, vai para a Itália trabalhar num livro acompanhado de Alienor, sua esposa, que sente o casamento abalado.
 
Comentário: Indicado ao Leopardo de Ouro no Festival de Locarno. Eu realmente não sei explicar muito bem o porque gostei tanto deste filme. Obviamente que a parte técnica toda é soberba, enquadramentos, música, edição, paleta de cores... milimetricamente perfeito. Os personagens são meio mecânicos, como em um filme do Kaurismäki, e isto gera um pouco de estranhamento no começo, depois tudo vai fluindo se der uma chance. Obviamente que não é o tipo de filme para um público grande, é um filme de nicho, mas que é muito belo. Christelle Prot está belíssima e o encontro dela com o senhor caldeu, interpretado pelo próprio diretor, é uma das passagens mais bonitas do filme.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

SEM CORAÇÃO

Título Original: Sem Coração
Diretores: Nara Normande & Tião
Ano: 2014
País de Origem: Brasil
Duração: 26min
Nota: 8

Sinopse: Leo sai de férias para o litoral na casa de seu primo, em uma vila de pescadores. Lá, ele conhece uma garota que atende pelo apelido de Sem Coração por quem se apaixona.

Comentário: Vencedor de um prêmio de curtas do Festival de Cannes. Este curta metragem é o que deu origem ao filme lançado em 2023. Resolvi assistir este antes de ver o longa. É uma história bem simples, com foco naquela época que marca o fim da infância e o começo da adolescência. Durante o curta, tenho que confessar que nada me chamou muito a atenção, nada havia me cativado ou me emocionado de nenhuma forma. O desfecho, no entanto, é sensacional. É o final que fez o curta valer a pena para mim. Me deslocou no tempo e fez eu rever as primeiras vezes que me apaixonei e os pedaços de nossos corações que acabamos deixando para trás. Não consigo imaginar isso como um longa, pois não vi tantas camadas para ser trabalhado em tanto tempo em tela, mas há quem esteja exaltando o filme, portanto verei muito em breve.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

PESSOAS-PÁSSARO

Título Original: Bird People
Diretor: Pascale Ferran
Ano: 2014
País de Origem: França
Duração: 128min
Nota: 8

Sinopse: Num hotel próximo a um aeroporto de Paris, dois desconhecidos tentam encontrar algum sentido em suas existências. O norte-americano Gary, engenheiro de informática, submetido a fortes pressões profissionais e afetivas, decide mudar radicalmente sua vida. Algumas horas mais tarde, a realidade de Audrey, uma jovem camareira do hotel, é totalmente transformada depois que ela passa por uma estranha experiência.
 
Comentário: Indicado ao prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Um filme relativamente simples, onde pouca coisa acontece, mas é como o diretor orquestra tudo que dá o tom certo para a película e faz com que funcione. As propagandas de várias marcas que vão aparecendo, que incomoda no início, acaba servindo para a narrativa muito bem no sentido de mostrar como os personagens estão presos a uma vida de que não precisam. A fantasia que ocorre na reta final do filme serve para dar o gás que faltava e prende a gente muito bem na tela, se estendesse demais perderia o sentido. Os atores são competentes, a cena da conversa pelo laptop foi uma das coisas que mais gostei, baita diálogo. Achei a cena final um pouco desnecessária, não precisava. Um filme que impregna na cabeça depois de assistido.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

A HISTÓRIA DE UM URSO

Título Original: Historia de un Oso
Diretor: Gabriel Osorio Vargas
Ano: 2014
País de Origem: Chile
Duração: 10min
Nota: 10

Sinopse: Um velho e solitário urso conta a história de sua vida por meio de um diorama mecânico.
 
Comentário: Vencedor do Oscar de Melhor Curta de Animação. Que curta maravilhoso! Se interpretarmos pela visão da escravidão animal já é perfeito, afinal de contas tenho estudado conforme consigo sobre ecosocialismo e abolicionismo animal. Porém tem todo o lado político nas entrelinhas, onde a ideia é criticar a abominação que foi o governo de Pinochet na ditadura chilena, esse contraponto acaba colocando muito mais força e camadas dentro da história. Simplesmente impressionante o que o diretor conseguiu fazer com tanta profundidade em apenas 10 minutos. Sem contar a qualidade técnica. Uma verdadeira obra de arte, uma obra prima, merece ser visto e revisto. Me senti despedaçado.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

JIMMY'S HALL

Título Original: Jimmy's Hall
Diretor: Ken Loach
Ano: 2014
País de Origem: Irlanda
Duração: 109min
Nota: 8

Sinopse: A história de Jimmy Gralton, figura-chave do Grupo de Trabalhadores Revolucionários que deu origem ao atual Partido Comunista Irlandês. Gralton gerou discórdia ao inaugurar um espaço para as pessoas debaterem, aprenderem e sobretudo, dançarem. A trama retoma o período em que o rapaz volta a seu país natal, após ter passado dez anos em Nova York.

Comentário: O filme foi indicado a Palma de Ouro em Cannes, mas chega a ser quase um filme esquecido do Loach, talvez por estar entre os mais reconhecidos Ventos da Liberdade e Eu, Daniel Blake. Temos aqui uma espécie de Footloose na Irlanda dos anos 30, e baseado em fatos reais. Achei que o roteiro se acovarda um pouco ao retratar Jimmy Gralton, que pra quem assiste ao filme não fica muito claro suas convicções políticas. [início da piada] O filme chega a ser extremamente fantasioso ao mostrar uma chuva na Irlanda só pra parte final (quem já morou naquela ilha de lama sabe do que eu estou falando) [fim da piada]. De resto, o filme não trás nada de muito novo, mas críticas e pensamentos que sempre são muito pertinentes, já que a humanidade parece não querer enxergar essas obviedades. Em linhas gerais, como a religião e o pensamento conservador servem como freios para a evolução do próprio ser humano como espécie. Mais um filme denúncia de Loach, quase um Chomsky da sétima arte. PS: Odeio quando não traduzem os títulos, obviamente a película tinha que chamar O Salão de Jimmy, sim!

domingo, 23 de agosto de 2020

VENTOS DE AGOSTO

Título Original: Ventos de Agosto
Diretor: Gabriel Mascaro
Ano: 2014
País de Origem: Brasil
Duração: 75min
Nota: 6

Sinopse: Um estranho pesquisador de som de ventos alísios chega numa pequena vila costeira. Agosto trás o mar revolto e os ventos fortes. Sua chegada tem impacto na relação de dois jovens habitantes da vila, Shirley e Jeison. O filme narra um sutil duelo entre a vida e a morte, a perda e a memória, o vento e o mar.

Comentário: Acho que fui assistir esperando demais do filme, mas confesso que decepcionou um pouco. O filme é um primor na qualidade técnica, fotografia, direção e até mesmo as atuações se destacam. Parece que estamos vendo mais um documentário sobre o local do que um filme onde atores interpretam, pelo menos em parte. Dandara de Morais é de uma beleza tão natural que já nos conquista já no começo, mas que é muito mal aproveitada pelo roteiro sem um fio narrativo que podia fazer muita mais pelo filme do que fez. Acho que é exatamente o roteiro o ponto fraco do filme, este tipo de roteiro muito aberto e abstrato funciona em alguns filmes, mas neste, para o tipo de lugar e personagens acaba tropeçando. Gostei de assistir, mas tinha um potencial muito maior.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O PORTÃO DE PARTIDA

Título Original: The Gate of Departure
Diretor: Karim Hanafy
Ano: 2014
País de Origem: Egito
Duração: 66min
Nota: 6

Sinopse: Uma meditação sobre tristeza, morte e aprisionamento psicológico que dispensa diálogo e narrativa para uma experiência visual que quebra as convenções.

Comentário: É um filme experimental que foge completamente do tipo de narrativa que as pessoas estão habituadas. Me remeteu um pouco da experimentação do filme Cartas Para Paul Morrissey, mas o filme escorrega na falta de um fio condutor na narrativa e isto atrapalha bastante o telespectador. O filme se mostra bastante pessoal para o diretor, que aborda o tema do suicídio da mãe em uma espécie de caleidoscópio de sentimentos auto-biográficos e esta entrega que ele faz vale a assistida. Há momentos poéticos que me lembraram O Espelho do Tarkovski, mas o geral da obra fica bem aquém do mestre russo. É um filme de cenas e sentimento, onde é possível se emocionar em pequenos detalhes. Gostei bastante da parte técnica, assistiria outro filme do diretor para ver sua evolução.

domingo, 14 de junho de 2020

14 ESTAÇÕES DE MARIA

Título Original: Kreuzweg
Diretor: Dietrich Brüggemann
Ano: 2014
País de Origem: Alemanha
Duração: 110min
Nota: 10

Sinopse: Maria, uma garota de 14 anos, é uma católica fundamentalista, que vive sua vida de um jeito moderno, porém seu coração pertence a Jesus. Ela quer se tornar santa e alcançar o paraíso. Ninguém, nem mesmo um garoto pelo qual se interessa, conseguirá convencê-la do contrário.

Comentário: Vencedor do Urso de Prata e do Juri Ecumênico no Festival de Berlin. O filme mostra uma família que segue a fictícia ordem Fraternidade Sacerdotal São Paulo, que na verdade nada mais é do que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, o diretor provavelmente mudou o nome para não ter problema com eles. O filme é maravilhoso, mostra didaticamente como a religião é uma coisa tóxica e autodestrutiva do ser humano. Em pensar que muitas pessoas ainda vivem isso em pleno século XXI, quando já era para termos nos desprendidos destas velhas crendices sem embasamento nenhum em nada. Não é um filme fácil de ver, dá uma certa angústia, são 14 cenas que traça o paralelo entre cenas cotidianas de Maria com momentos da crucificação de Cristo. O filme é de uma genialidade tremenda, qualidade técnica impecável e que nos faz refletir sobre muitas coisas sobre o assunto. Filme obrigatório neste momento em que evangélicos deitam e rolam no nosso país.

domingo, 28 de abril de 2019

QUE HORAS SÃO NO SEU MUNDO?

Título Original: Dar Donya ye to Saat Chand Ast?
Diretor: Safi Yazdanian
Ano: 2014
País de Origem: Irã
Duração: 96min
Nota: 8

Sinopse: De uma hora pra outra, Goli decide regressar ao Irã, depois de 20 anos vivendo na França. Ao pousar em Rasht, sua cidade natal, ela é recebida por Farhad, um fabricante de molduras. Ele parece conhecê-la muito bem, mas Goli não tem absolutamente nenhuma lembrança dele.

Comentário: Um filme que precisa de uma maturação depois de assistir, e ainda assim muitas pessoas talvez não consigam digerir tão bem pelo choque cultural envolvido. Um filme com muitos valores, costumes e detalhes que são completamente despercebidos para nós, do ocidente, onde o amor é retratado de uma forma que não estamos habituados. Muitos podem caracterizar Farhad como um louco, stalker ou obcecado, quando na verdade nos é apresentado um amor de uma forma pura de difícil compreensão para o grande público deste lado do globo. Leila Hatami está excelente como sempre e a direção e a narrativa de Safi Yazdanian estão soberbas para o seu filme de estréia, mas é Ali Mosaffa, no papel do enigmático Farhad, que carrega o filme nas costas fazendo com que não saibamos lidar com ele. O trabalho sobre memória e identidade de toda uma cultura que vê seus filhos terem que abandonar um país, que vive momentos difíceis desde a revolução de 1979, para tentar a sorte no exterior, que tendo sucesso ou não, nunca é fácil.