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terça-feira, 11 de março de 2025

O BALDE

Título Original: Yi Ge Tong
Diretor: Jia Zhang-ke
Ano: 2019
País de Origem: China
Duração: 6min
Nota: 7

Sinopse: Preocupada com o retorno de seu filho para a cidade, após o Ano Novo Chinês, uma mãe lhe prepara um presente a ser transportado em um misterioso e pesado balde.
 
Comentário: Curta metragem simples em que o diretor retrata símbolos importantes para o povo chinês como o respeito a família, tradições e a resiliência. Mas o que mais chama a atenção nos poucos 6 minutos é que tudo é filmado utilizando um iPhone XS, e as imagens que o diretor consegue capturar utilizando este aparelho (que é o mesmo qe eu tenho) são impressionantes. Eu nunca consegui tirar nem sequer uma única foto que chegue aos pés de um segundo deste curta. Jia Zhang-ke é um diretor que estou começando a mergulhar na obra agora e confesso que já estou absolutamente maravilhado com ele.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

GAZA

Título Original: Gaza
Diretores: Garry Keane & Andrew McConnell
Ano: 2019
País de Origem: Palestina
Duração: 91min
Nota: 9

Sinopse: Um belo retrato dos cidadãos de Gaza, levando vidas significativas além dos escombros de conflitos perenes.
 
Comentário: Indicado para melhor documentário do Festival de Sundance. Avassalador é a melhor palavra para descrever o sentimento de ver essas vidas passando pela nossa tela, tentar entender como é que é possível a humanidade chegar nesse ponto. Mesmo tendo cenas nitidamente ensaiadas (como quando o taxista vai comprar um café, por exemplo) a essência do que realmente importa está ali e não é nem um pouco parte de um script. O comércio local destruído pela falta de energia elétrica, a dificuldade de acesso a água e a condições dignas de sobrevivência. Há quem possa apontar o dedo para o sujeito pobre com 3 esposas e 40 filhos, mas é as mazelas da pobreza não tão diferente do Brasil. As cenas com o enfermeiro e os relatos dele são os melhores e achei os mais autênticos. Um filme necessário neste momento de genocídio que vivemos. Fico pensando quais personagens conseguiram permanecer vivos depois desse cerco de Israel. PS: cadastrei o filme como palestino, apesar de ser uma produção irlandesa, porque não achei que faria sentido um filme cadastrado aqui como irlandês que se passa inteiro em Gaza.

domingo, 2 de julho de 2023

COMO SEGURAR UMA NUVEM NO CHÃO

Título Original: Como Segurar Uma Nuvem no Chão
Diretor: Marco Aurélio Gal
Ano: 2019
País de Origem: Brasil
Duração: 18min
Nota: 10

Sinopse: Quando chega a um novo mundo, Isabela recebe a missão de se desfazer de toda a bagagem que trouxe de sua última viagem e descobrir sua verdadeira essência. Observada pela Sombra, a guardiã desse estranho mundo, Isabela encontra outros viajantes e reavalia suas memórias, relações e sentimentos.
 
Comentário: Que curta mais delicioso de assistir, ao mesmo tempo que tem um lado lúdico e infantil, também é cheio de significados e denso. A cenografia e os artifícios usados como efeitos deram um tom magnífico para a experiência do espectador. É quase uma mistura entre Tim Burton fazendo algo com Amélie Poulain com estilos de Suassuna. O desfecho é bem legal e faz com que a gente pense em nossas memórias, no passado e na família. Diretor está de parabéns, quero mais. Viva o nosso cinema nacional.

sábado, 11 de fevereiro de 2023

OLLA

Título Original: Olla
Diretor: Ariane Labed
Ano: 2019
País de Origem: França
Duração: 27min
Nota:  7

Sinopse: Uma romancista visita uma livraria administrada por uma jovem colega que não tem mais contato há algum tempo e depois caminha com um diretor de cinema e sua esposa. Ela conhece uma atriz e tenta convencê-la para que façam um filme juntas.
 
Comentário: Concorreu em festivais como Cannes e Sundance. A diretora é casada com Yorgos Lanthimos e mostra, que pelo menos no quesito técnico, não deixa em nada devendo para o marido. Apesar da história que cativa, mais propriamente pelo carisma da atriz Romanna Lobach que está muito bem no papel, parece que o filme demandava mais tempo para conectar o espectador. Falta algo de essencial e a romantização do empoderamento da prostituição feminina não ajuda. Mas o curta tem mais qualidades do que defeitos. Os enquadramentos são dignos de um Wes Anderson.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

SOBRE O AMOR

Título Original: About Love
Diretor: Archana Phadke
Ano: 2019
País de Origem: Índia
Duração: 91min
Nota:  8

Sinopse: Três gerações da família Phadke vivem juntas em sua casa em Mumbai. Cruel e cômico em igual medida, mostra os caprichos do afeto entre as gerações desta família, unidos por algo mais estranho que o amor.

Comentário: O filme é bem legal e flui de maneira agradável, mas obviamente deve ter um peso muito maior para a diretora do que para qualquer outro telespectador. O filme é uma carta de amor dela para com a família e isto é a força que existe em cada cena filmada. O avô incomoda e confesso que o jeito chato dele cansou em determinado momento. Mas quando chegamos no final parece que há uma integração entre o telespectador e a família. Queremos incentivar a mãe que gosta de escrever, queremos desejar felicidades a Rohan e Gurbani e pedir para Sagarika largar a porra do celular. Não assisto muito documentários, acabei assistindo este porque ia sair do catálogo do Mubi, não me arrependi.

domingo, 16 de outubro de 2022

ISSO NÃO É UM ENTERRO, É UMA RESSURREIÇÃO

Título Original: This Is Not a Burial, It's a Resurrection
Diretor: Lemohang Jeremiah Mosese
Ano: 2019
País de Origem: Lesoto
Duração: 116min
Nota:  10

Sinopse: Quando sua aldeia é ameaçada de realocação forçada devido à construção de um represa, uma viúva de 80 anos encontra uma nova vontade de viver e acende o espírito de resiliência dentro de sua comunidade.
 
Comentário: Que filme! É até difícil falar. Vencedor de dezenas de prêmios em festivais e com provavelmente a melhor atuação do ano, Mary Twala simplesmente leva o filme nas costas... e olha que nem precisava, porque a película tem uma condução digna de um Bergman ou Tarkovski. O filme é o mais necessário impossível em uma sociedade capitalista agressiva como vivemos hoje e nos bombardeia com discussões profundas em vários sentidos diferentes. O início é meio inebriante, um ritmo que te hipnotiza, você acha que não vai entrar na vibe do filme e quando vê já está lá no Lesoto. Paralelos com o Brasil são extensos, país de terceiro mundo explorado por europeus parecem sofrer da mesma sina. Um filme que quero revisitar no futuro, mas que não é para quem está acostumado a somente Hollywood.

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

ME LEVE PARA UM LUGAR LEGAL

Título Original: Take Me Somewhere Nice
Diretor: Ena Sendijarevic
Ano: 2019
País de Origem: Bósnia e Herzegovina
Duração: 91min
Nota:  7

Sinopse: No começo da vida adulta, Alma (Sara Luna Zoric) deixa a casa da mãe na Holanda e viaja para sua terra natal, a Bósnia, para encontrar o pai que nunca conheceu. Mas desde o início, nada corre como planejado. Seu primo Emir (Ernad Prnjavorac) não é receptivo e zomba da vida fácil da jovem na Holanda. Ao mesmo tempo, uma forte atração sexual leva a jovem a se relacionar com o melhor amigo de Emir, o problemático Denis (Lazar Dragojevic). À medida que os obstáculos aumentam, Alma segue determinada a achar o pai. Ela só precisará conhecer a si mesma antes.
 
Comentário: O filme é pseudocult? É! Tem inúmeras incongruências narrativas? Têm! Mas dizer que o filme é vazio e chato acho exagero. A estética é linda, mas é óbvio que foi feito pensando em um público acostumado a filmes mais americanizados de festival (Não a toa o título original é em inglês ou a fita cassete no carro de um cara que mora isolado em uma área rural da Bósnia vai ter Sonic Youth gravado). Mas é um filme bem interessante do ponto de vista sobre a imigração, já que se trata de um país dentro da Europa, portanto de europeus, que vivem à parte por não serem integrantes do bloco econômico da União Europeia. Alma provavelmente tem uma vida de merda na Holanda, sem identidade, uma europeia imigrante dentro da Europa, conheço vários assim por aqui (vivo no Reino Unido). O diálogo onde o motorista diz "O que a Holanda fez por nós?" e continuam com várias perguntas apontando outros países é sensacional, demonstra bem esses países abandonados a própria sorte no mesmo continente. Há inúmeras cenas como essa em conta gotas durante toda a película. Um filme sobre a identidade, acho que tem muito mais força para quem vive como imigrante. O final é interessante, pois remete a um diálogo no filme (não quero dar spoiler), mas deixa um pouco a desejar. Achei acima da média de um modo geral e apreciei bastante.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

OS MISERÁVEIS

Título Original: Les Misérables
Diretor: Ladj Ly
Ano: 2019
País de Origem: França
Duração: 104min
Nota:  9

Sinopse: Stéphane (Damien Bonnard) é um jovem que acaba de se mudar para Montfermeil e se junta ao esquadrão anti-crime da comuna. Colocado no mesmo time de Chris (Alexis Manenti) e Gwada (Djibril Zonga), dois homens de métodos pouco convencionais, ele logo se vê envolvido na tensão entre as diferentes gangues do local.
 
Comentário: Vencedor do Prêmio do Juri no Festival de Cannes, dividindo-o com Bacurau. O filme parece não trazer nada de novo até certo ponto, até dar uma guinada completa nos eventos que levam ao incrível desfecho simplesmente arrebatador. O tanto de discussões que ele escancara com um murro direto na cara do espectador são incontáveis, o próprio policial novato que somos levados de maneira muito bem conduzida a nos identificar, não passa de um passador de pano em linhas gerais. O problema da imigração para a Europa é tratada aqui da maneira crua como é, pois de quem é a culpa da pobreza na África se não dos próprios europeus? Quem melhor para pagar esta conta agora? Sem tirar o mérito do filme brasileiro com o qual dividiu o prêmio, achei este mais direto ao ponto, mais visceral e bem construído, mas o mais interessante é como os dois filmes dialogam muito bem entre si, fazendo deles quase irmãos separados por diferentes continentes. Vale muito a assistida... e que final! QUE FINAL!

domingo, 31 de julho de 2022

LITTLE JOE

Título Original: Little Joe
Diretor: Jessica Hausner
Ano: 2019
País de Origem: Inglaterra
Duração: 105min
Nota:  7

Sinopse: Uma planta geneticamente modificada espalha suas sementes e parece causar mudanças incomuns nas criaturas vivas. Os aflitos parecem estranhos, como se fossem substituídos - especialmente para aqueles que estão próximos a eles. Ou é tudo apenas imaginação?
 
Comentário: Filme indicado a Palma de Ouro e que deu o prêmio de melhor atriz para Emily Beecham no Festival de Cannes. Não tem como assistir e não comparar com o Invasores de Corpos, e quando comparamos não tem como não enxergar que o filme está abaixo, mas isso não tira os méritos do mesmo. Há conveniências demais no roteiro, mas é interessante a estética e algumas discussões que aborda. se fossemos feliz deixaríamos de ser quem somos? O filme peca em ficar em cima do muro quando não deveria e de descer do muro quando deveria ficar lá em cima. Acho que podiam ter deixado mais aberto o lance do "será que tudo isso é real ou ela está ficando louca?", mas acho também que o filme devia ter decidido mais se queria ser um drama ou suspense. Falando assim, parece que o filme tem mais defeitos que acertos, mas também não é bem assim. Quanto ao prêmio de melhor atriz em Cannes, eu ainda acho que Noémie Merlant merecia mais naquele ano. A mensagem que fica é: muita coisa se resolveria melhor na vida com um coquetel molotov.

domingo, 24 de julho de 2022

SOBRE A ETERNIDADE

Título Original: Om Det Oändliga
Diretor: Roy Andersson
Ano: 2019
País de Origem: Suécia
Duração: 76min
Nota:  9

Sinopse: Uma reflexão sobre a vida em toda sua beleza e crueldade, seu esplendor e banalidade. Entre um caleidoscópio da condição humana, o filme mistura o presente com o passado e nos conduz por diferentes histórias por meio de uma narração.
 
Comentário: Vencedor do Leão de Prata no Festival de Veneza. Acho que por estar mais acostumado ao estilo do diretor, pude aproveitar muito mais este filme do que o seu anterior (Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre A Existência) que me pegou de surpresa. Adorei, consegui sentir diferentes sentimentos e reflexões ao longo do filme, que mantém a estética asséptica e extraordinária do diretor, como quadros em movimento que vamos assistindo em uma galeria de arte. Lógico que no meio de um turbilhão de histórias, vamos nos identificando mais com umas do que com outras, mas a genialidade do diretor vai até na duração do filme, que deixa o espectador com um gostinho de queria mais ao invés de adentrar em um clima cansativo. Teve momentos que ri muito, outros fiquei abalado, outros são lindos demais.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

O QUE ARDE

Título Original: O Que Arde
Diretor: Oliver Laxe
Ano: 2019
País de Origem: Espanha
Duração: 82min
Nota:  7

Sinopse: Amador foi condenado à prisão por ter provocado um incêndio. Após cumprir a pena, ele sai da cadeia, mas não há ninguém à sua espera. Amador volta à sua cidade natal, uma pequena vila nas montanhas da Galícia, para morar com a mãe e três vacas. O cotidiano se arrasta, acompanhando o ritmo da natureza. Até que, em uma noite, um incêndio começa a devastar a região.
 
Comentário: Vencedor do prêmio do juri na categoria Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Filmado na região da Galícia da Espanha e inteiro falado em galego, o filme é lindíssimo de se ver, gostei de como ele passa pela tela de maneira bucólica e hipnótica sem se tornar massante. A senhora que faz o papel da mãe é de uma ternura de se ver na tela. Mas apesar de tudo falta algo, não sei bem dizer o que, mas o desenvolvimento do personagem ou até completar o destino na cachorra, mas o filme termina com um sentimento de que ficou devendo algo mais. Para mim valeu muito a assistida, mas entendo que não deva funcionar para uma grande maioria. Ainda assim, achei bem acima da média e trouxe reflexões ótimas.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

EMA

Título Original: Ema
Diretor: Pablo Larraín
Ano: 2019
País de Origem: Chile
Duração: 107min
Nota:  9

Sinopse: Ema é uma dançarina magnética e impulsiva em um grupo de reggaeton. Seu casamento tóxico com o coreógrafo Gastón acaba depois que ambos decidiram desistir do filho adotivo Polo. A missão de Ema é recuperar Polo, sem se importar com quem terá que enfrentar, seduzir ou destruir.

Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza, chega a ser até patético terem dado o prêmio para o Coringa, mas esse festival tem dessas. Confesso que apesar de ter outros três filmes do Larraín aqui na fila para assistir, este foi o meu primeiro do diretor, e simplesmente amei. Mariana Di Girólamo consegue ofuscar qualquer outro ator que está no filme, e não é tarefa fácil frente a Gael García Bernal e Santiago Cabrera (este último mais conhecido para os fãs de Star Trek como eu como o Capitão Rios). O filme tem um ritmo excelente, parte técnica excepcional e até as músicas (que eu não gosto) caíram de forma perfeita. O discurso sobre reggaeton que o personagem de Bernal faz em um momento do filme é exatamente minha opinião e eu ri muito dessa minha conexão com o personagem. O desfecho é fantástico e bizarro, das coisas que faz a gente ficar pensando.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

O JOVEM AHMED

Título Original: Le Jeune Ahmed
Diretor: Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
Ano: 2019
País de Origem: Bélgica
Duração: 84min
Nota:  9

Sinopse: Ahmed (Idir Ben Addi) é um menino muçulmano de 13 anos de idade que vive na Bélgica. Quando ele interpreta de maneira radical o Alcorão, o livro sagrado do islamismo, ele começa a montar um plano para assassinar seu professor.

Comentário: Ganhador do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, acho que ele é bem mal interpretado por quem o assiste. Vejo pessoas falando que é sobre como surge um extremista e outros dizem que o filme pegou leve com o islamismo. O filme não é sobre nada disso, é sobre a raiva que surge da perda da própria identidade e do preconceito que essas pessoas, na maioria das vezes obrigadas a sair de seus países por políticas predatórias de países de primeiro mundo, tem que enfrentar. Moro na Europa e vejo isso todos os dias, jovens negros, por exemplo, de família nigeriana que nasceram na Inglaterra, cresceram na Inglaterra, tem como a língua única e exclusivamente o inglês, mas são vistos como nigerianos. O filme é sobre essas pessoas e a busca constante por suas identidades, um garoto que nasceu na Bélgica, de família árabe e que é visto como um árabe. Ele busca então se identificar com sua cultura, porém sofre esse desrespeito em vários momentos do filme. Ao ser obrigado a cumprimentar tocando a professora, por exemplo, poucos veem o enorme desrespeito cultural (tendem a ver somente o machismo dessa cultura) e tudo entra em uma espiral de sentimentos da nossa cultura ocidental julgando outra. O filme é excelente neste aspecto, uma pena que poucos conseguiram ver por essa ótica.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

O SOUVENIR

Título Original: The Souvenir
Diretor: Joanna Hogg
Ano: 2019
País de Origem: Inglaterra
Duração: 119min
Nota:  5

Sinopse: Situado nos anos 80, o longa conta a história de uma jovem estudante de cinema, que se envolve em seu primeiro caso de amor sério e tenta separar os fatos da ficção no relacionamento com um homem complicado e pouco confiável.

Comentário: Filme premiado no Festival de Sundance, mas que não caiu muito no meu gosto não. Por um lado o filme é perfeito, se contarmos só a parte técnica. Direção, trilha sonora, cada tomada é uma obra de arte, ótimas atuações... enfim, perfeição! Daí a gente pode até entender o prêmio, mas quando o assunto é o roteiro e o decorrer do filme, daí eu não consegui salvar muita coisa. Até agora eu não consegui entender se no começo do filme os personagens já são namorados ou isso acontece durante a película, porque não há nenhum tipo de conexão emocional entre eles por praticamente todo o filme. Tudo bem que o inglês é um povo esquisito, mas assim já é demais. A cena em que ela descobre que o namorado usa heroína é patética, tipo, quantos anos ela tem no filme? Sete? Uma estudante de arte que discute filmes franceses nunca ouviu falar de furos no braço pelo uso de heroína? Na faculdade de arte em plenos anos oitenta? O livro Junkie do Burroughs já era super conhecido há mais de vinte anos nessa época. Achei superestimado, achei inclusive que a diretora tenta pagar de cult de uma maneira meio enfadonha superintelectualizada que estraga a experiência. Confesso que foi difícil ficar acordado.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

O TRAIDOR

Título Original: Il Traditore
Diretor: Marco Bellocchio
Ano: 2019
País de Origem: Itália
Duração: 151min
Nota: 9

Sinopse: No início dos anos 80, uma guerra generalizada eclode entre os chefes da Máfia Siciliana pelo controle do tráfico de heroína. Tommaso Buscetta, um integrante de alto escalão, foge para se esconder no Brasil. Na Itália, os acertos de contas acontecem enquanto Buscetta assiste de longe seus filhos e irmãos sendo assassinados em Palermo, sabendo que poderá ser o próximo. Preso pela polícia brasileira e extraditado para a Itália, Buscetta toma uma decisão que irá mudar os rumos da máfia italiana: ele decide se encontrar com o Juiz Giovanni Falcone e trair o voto eterno que fez à Cosa Nostra.

Comentário: Lembro de crescer (em meio a uma família italiana) ouvindo falar sobre Tommaso Buscetta em almoços de família, mas nunca soube exatamente a importância dele nos rumos da Itália. Hoje, para quem não sabe, a Cosa Nostra é praticamente extinta no país, salvo na região de Nápoles onde ainda desfruta de alguma influência, mas o mais importante é ver como a própria organização criminosa deu corda para se enforcar pela ganância ao abraçar o comércio de drogas. Qualquer pessoa que assistiu o Poderoso Chefão sabe que as drogas foi uma divisão de águas dentro dela, pois muitos mafiosos não aceitaram o estrago que ela vinha fazendo dentro da sociedade. O filme é longo, mas não achei nem um pouco cansativo, Favino leva nas costas com sua excelente atuação. Uma das melhores cenas para mim, que talvez muita gente vai ficar perdida por não falar italiano é a cena em que Salvatore Contorno começa a falar em dialeto siciliano durante o julgamento, não me aguentei de rir. As cenas no Brasil ficaram com um áudio ruim, provavelmente devido a mudança de equipamento. Maria Fernanda sempre linda. Um filme que vale a assistida.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

O OFICIAL E O ESPIÃO

Título Original: J'Accuse
Diretor: Roman Polanski
Ano: 2019
País de Origem: França
Duração: 131min
Nota:  9

Sinopse: Paris, final do século XIX. O capitão francês Alfred Dreyfus (Louis Garrel) é um dos poucos judeus que faz parte do exército. No dia 22 de dezembro de 1884, seus inimigos alcançam seu objetivo: conseguem fazer com que Dreyfus seja acusado de alta traição. Pelo crime, julgado à portas fechadas, o capitão é sentenciado à prisão perpétua no exílio. Intrigado com a evolução do caso, o investigador Picquart (Jean Dujardin) decide seguir as pistas para desvendar o mistério por trás da condenação de Dreyfus.

Comentário: Fui assistir sem saber nada sobre o filme, queria ver porque era um Polanski, mas me surpreendi que fosse sobre o caso Dreyfuss, já que eu estava pesquisando a vida de Paty de Clam para um conto que estou escrevendo. No filme ele quase não aparece, pois foi personagem central de eventos que ocorrem antes dos eventos aqui narrados. O filme é muito bem orquestrado, de uma qualidade típica do diretor. Achei todo o desenrolar muito bom, galera que reclama que o ritmo é lento tem algum problema de deficit de atenção (essa geração digital é um porre!). Talvez peque por ser um filme muito didático, com um padrão até meio hollywoodiano de filmes desse gênero. Mas achei que se destaca mesmo em comparação. O final é cru, como uma navalha. Não é o melhor Polanski, mas está bem acima do mediano.

terça-feira, 15 de março de 2022

O PARAÍSO DEVE SER AQUI

Título Original: It Must Be Heaven
Diretor: Elia Suleiman
Ano: 2019
País de Origem: Palestina   
Duração: 102min
Nota:  9

Sinopse: Elia Suleiman deixa sua terra natal da Palestina e viaja pelo mundo apenas para encontrar, por onde ele passa, os mesmos problemas que encontrava lá. De Paris à Nova York, por onde suas viagens o levam, ele encontra problemas com a polícia, racismo, controle de imigração. Tentando deixar sua nacionalidade para trás, mas sempre sendo lembrado dela, ele questiona o significado de identidade e o lugar que se pode chamar de lar.

Comentário: Fui assistir não esperando muito, mas que surpresa boa! A atuação de Suleiman é perfeita, quase um Chaplin pós-moderno. As críticas sociais do mundo ocidental (mais especificamente França e EUA) caem como uma luva, cada momento me lembrava um tirinha da Laerte, pois são extremamente profundas, cada pessoa vai tirar uma coisa, sentir algo, interpretar de diferentes formas. Arte pura! Teve cenas que gargalhei alto, e fazia tempo que um filme não me tirava um sorriso sincero. A cena com o Gael García Bernal é uma das melhores criticas ao cinema pasteurizado Hollywoodiano. O filme tem um ritmo bem diferente, quem não está acostumado pode não gostar, mas eu achei bem acima da média, melhor inclusive que Bacurau, que ganhou o prêmio do Juri em Cannes naquele ano.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

LA GOMERA - A ILHA DOS ASSOBIOS

Título Original: La Gomera
Diretor: Corneliu Porumboiu
Ano: 2019
País de Origem: Romênia
Duração: 97min
Nota:  8

Sinopse: História de um policial romeno que tem a missão de libertar um empresário desonesto da prisão, que envolve o aprendizado da linguagem local codificada, conhecida como El Silbo.

Comentário: Que filme divertido, me espantou ver tanta gente falando mal. Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes, não se encaixa muito no perfil da premiação e talvez por isso o pessoal tenha torcido o nariz. Tem uma linguagem mais de filmes comerciais, porém é muito bem construído, com um ritmo que nao decepciona e contado de maneira não linear, com um pé em Tarantino, mas nem um pouco pretensioso. Vlad Ivanov está muito bem no papel do policial corrupto e Catrinel Marlon parece saída de um filme do 007. Acho que o final podia ter ficado mais aberto, em um estilo "Antes do Amanhecer", talvez o desfecho fechado seja o pior que o filme entrega, mas valeu a assistida para mim. Belíssima trilha sonora!

sábado, 5 de fevereiro de 2022

CÃES NÃO USAM CALÇAS

Título Original: Koirat Eivät Käytä Housuja
Diretor: J.-P. Valkeapää
Ano: 2019
País de Origem: Finlândia
Duração: 100min
Nota:  8

Sinopse: Juha perdeu sua esposa em um acidente de afogamento. Anos depois ele ainda se sente entorpecido e incapaz de se conectar com as pessoas. Conhecer Mona, uma dominatrix, muda tudo..

Comentário: O filme me lembrou bastante o mexicano Ano Bissexto, apesar de ser uma versão mais pop, pois sua contraparte latina é mais crua, pesada e triste. Não significa que este filme não tenha seus momentos de crueza, peso e tristeza, mas é esteticamente mais bonito, tem um certo padrão de filme americano. As cenas de Juha tentando se prender as memórias da esposa são tristíssimas. Os atores fazem o filme funcionar, a dupla, por mais estranha que pareça conseguiu forjar uma química legal. Há muita coisa que ficou aberta e que podia ser mais bem trabalhada em inúmeros pontos, a relação de Juha com a filha é só uma delas. O desfecho me deixou com sentimentos divididos, mas deu pra entrar no clima. O filme só se perde quanto tenta emular alguns pontos do cinema hollywoodiano, no restante fez um bom filme. Krista Kosonen rouba as cenas em que aparece, uma atriz que merece muito mais do que ser figurante de Blade Runner.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

O LAGO DO GANSO SELVAGEM

Título Original: Nan Fang Che Zhan De Ju Hui      
Diretor: Yi'nan Diao
Ano: 2019
País de Origem: China
Duração: 111min
Nota:  8

Sinopse: Quando o líder de uma gangue de motoqueiros decide fugir da guerra sangrenta entre gangues em que estava envolvido, ele conhece uma mulher que o entende perfeitamente. Uma prostituta, e ela daria qualquer coisa para recuperar sua liberdade. Ambos em um momento sem saída, eles se unem e apostam com o destino uma última vez na vida.

Comentário: Belo filme indicado ao Palma de Ouro no Festival de Cannes. O diretor brinca com vários gêneros que vão de ação, drama, noir e romance. A parte técnica é perfeita e o ritmo ajuda bastante. É engraçado como durante a película esquecemos completamente que o personagem principal não é bem um mocinho, mas sim um criminoso sem muitos escrúpulos, e este é um trunfo bem interessante do filme, pois ele manipula intencionalmente a percepção do espectador. As atuações são ótimas, mas é um filme de imagens, mesmo quando a iluminação é escura. Há alguns clichês durante todo o filme, mas o ritmo ajuda a amenizar isso. Gostei bastante.