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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

EU SEI QUE VOU TE AMAR

Título Original: Eu Sei Que Vou Te Amar
Diretor: Arnaldo Jabor
Ano: 1986
País de Origem: Brasil
Duração: 102min
Nota: 9

Sinopse: Um jovem casal recém-separado se encontra na casa onde viviam juntos e começam a discutir seu relacionamento anterior.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. Depois que nossa Fernanda Torres ganhou o prêmio no Globo de Ouro me toquei que nunca tinha visto ao filme que ela havia faturado em Cannes. Resolvi tirar ele da fila e não me arrependi nem um pouco. O filme é maravilhoso e me trouxe vários gatilhos de relacionamentos passados, e achei excelente como a narrativa muda a todo momento do drama para o trágico e para a comédia. Ambos os atores estão sensacionais, se entregam demais, os diálogos são como facas. Única coisa que me incomodou foram coisas pontuais que se identifica a impressão digital do Jabor, pensamentos burgueses e conservadores travestidos de descolados. Mas o fato do diretor ser uma das pessoas mais desprezíveis da mídia brasileira das últimas décadas, estranhamente isto não afeta em nada ao filme, que continua maravilhosamente bem  quase 40 anos depois. Vale muito a assistida. E Fernanda Torres é gigante!

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

AS VIOLETAS SÃO AZUIS

Título Original: Violets are Blue
Diretor: Jack Fisk
Ano: 1986
País de Origem: EUA
Duração: 85min
Nota: 9

Sinopse: Depois de quinze anos viajando ao redor do mundo, Gussie, uma famosa fotógrafa, retorna a região costeira de Maryland, onde cresceu. Ela reencontra seu namorado do ensino médio, Henry, que agora é casado e dirige o jornal local que herdou de seu pai. Segue-se um romance inusitado e cheio de tensão.
 
Comentário: Assisti este filme com minha irmã quando eu tinha mais ou menos 10 anos de idade, lembro que não gostei, achei bobo e nunca entendi porque minha irmã adorava. Reassisti agora, em 2024, no aniversário de três anos do falecimento dela, meio que para me sentir mais próximo. Filmes eram algo que nos conectava, assisti ao Charada neste mesmo tipo de ritual em outro ano. Hoje, obviamente, o filme é outro. É preciso viver e ter uma carga emocional para entendê-lo, coisa que uma criança de 10 anos não tem. O filme me tocou profundamente, acho que só quem teve um amor assim vai entender, e a frase "É assim que escolhemos, Gussie. Nós deixamos acontecer" é pra entrar nas melhores da história do cinema. O filme diz tanto sobre mim e sobre minha vida, chega até a ser engraçado isso. Me impressiona como minha memória é boa, lembrava de várias coisas, principalmente para o final. Um filme modesto, mas muito subestimado. O título faz alusão a uma famosa rima popular estadunidense que faz alusão a amor e afeto.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

OS ABENÇOADOS

Título Original: De Två Saliga
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1986
País de Origem: Suécia
Duração: 82min
Nota: 6

Sinopse: Uma professora de meia-idade sofre de delírios paranoicos. Seu marido é aos poucos puxado para sua condição. O amor a tornou vulnerável e ciumenta e lentamente seu casamento é transformado de maneira sombria a uma loucura.
 
Comentário: Um especial para a TV sueca que Bergman realizou depois de sua aposentadoria anunciada do cinema. O ritmo atrapalha bastante, não me senti em nenhum momento muito conectado ao filme, tudo vai acontecendo de maneira muito quebrada. Os atores estão muito bem, há diálogos fantásticos (afinal de contas é um Bergman) e momentos interessantes, mas não trás a grandiosidade da filmografia do diretor. Um filme de momentos, mas que no geral fica devendo. Todos sabem que sou avesso a remakes, acho algo desnecessário, mas aqui seria interessante ver um releitura no Brasil atual: casal de idosos que começam a ficar malucos devido a fake news espalhadas pelo whatsapp e começam a rezar para pneus... melhor não, acho que todo brasileiro já viu este filme, mas é o que melhor resume o que acontece aqui.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

VELUDO AZUL

Título Original: Blue Velvet
Diretor: David Lynch
Ano: 1986
País de Origem: EUA
Duração: 120min
Nota: 10

Sinopse: A descoberta de uma orelha humana encontrada em um campo leva um jovem a uma investigação relacionada a uma bela cantora e a um grupo de criminosos que sequestraram seu filho.
 
Comentário: Filme esnobado pelo Oscar com apenas uma indicação para Melhor Diretor. Acho que a última vez que assisti foi quando comprei o DVD uns vinte anos atrás. Não lembrava absolutamente nada do final do filme, então foi quase como assistir pela primeira vez. Que filmaço! O clima noir misturado com todo o estilo lynchiano casam de maneira perfeita. Assisti pela primeira vez muito novo e não devo ter entendido muita coisa, mas lembro de ter gostado muito. Agora o filme me parece ainda muito melhor do que antes, há tantas sutilezas e um certo deboche do american way of life que Lynch foi usar em Twin Peaks. Apesar de inconstante, a atuação de Kyle MacLachlan tem seus grandes momentos como o desconforto em ter que dizer "I love you too" para a personagem de Laura Dern enquanto dançam. Filme obrigatório, dos maiores filmes americanos da década de 80, que não envelheceu nada mal. Acho que seria redundante falar sobre a Isabella Rossellini, né?

terça-feira, 14 de março de 2023

O SACRIFÍCIO

Título Original: Offret
Diretor: Andrei Tarkovsky
Ano: 1986
País de Origem: Suécia
Duração: 148min
Nota:  10

Sinopse: No início da Terceira Guerra Mundial, um homem procura uma maneira de restaurar a paz no mundo e descobre que deve dar algo em troca.
 
Comentário: Vencedor do Grande Prêmio do Juri no Festival de Cannes e o derradeiro canto do cisne de um dos maiores diretores de todos os tempos. Concordo quando dizem que é o filme mais "Bergman" do diretor russo, os paralelos são vários. Sempre prorroguei em assistir porque depois que o fizesse não teria mais nada de novo para ver do diretor, havia chegado a hora finalmente e sinto esse vazio existencial por vários motivos além do filme. O filme é brilhante, as mensagens são inúmeras. A morte, o vazio, a fé, o medo que permeava a humanidade nos anos 80 de uma guerra nuclear, está tudo aí na película. Nunca vou entender esse sentimento de "temos que salvar a humanidade", não consigo ver nenhum motivo para salvá-la, inclusive acho que já durou demais; então mesmo com essa dificuldade em entender os motivos o filme ainda teve muito a dialogar comigo, muito a refletir e a ponderar. Filme bom é assim!