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sexta-feira, 13 de junho de 2025

MUNDO DE GLÓRIA

Título Original: Härlig är Jorden
Diretor: Roy Andersson
Ano: 1991
País de Origem: Suécia
Duração: 16min
Nota: 8

Sinopse: Após testemunhar um ato de violência sem precedentes sem sequer pestanejar, um corretor imobiliário emocionalmente entorpecido visita sua mãe doente no hospital e, em seguida, no cemitério. Haverá um pingo de felicidade nesta vida cruel e curta?
 
Comentário: Acho engraçado a tentativa frustrada de tentar se criar uma sinopse com algum fio narrativo quando não existe um. Roy Andersson é sempre impressionante de se assistir, mas seus filmes não são fáceis e não nos conduz a uma história a ser contada na maioria das vezes. São cenas, cada cena conta algo, um momento, um sentimento, uma crítica ou até uma comédia. Este curta não foge a regra, e impressiona assim como tudo do diretor que já tenha assistido. Cada cena é um quadro, lindamente pintado pela fotografia perfeita, mas um quadro em movimento. Para quem gosta do diretor eu super indico. Desconcertante e profundo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

LESTE

Título Original: Ostwärts
Diretor: Christian Petzold
Ano: 1991
País de Origem: Alemanha
Duração: 23min
Nota: 6

Sinopse: Pouco depois da reunificação alemã, três residentes de uma zona tranquila a norte de Berlim falam sobre os seus planos e tentativas de novos começos econômicos no meio das mudanças trazidas pela queda do Muro de Berlim.
 
Comentário: Único documentário de Petzold, que estava no começo da carreira, e mostra a visão da unificação da Alemanha pela visão de pessoas que estavam no lado da RDA. A primeira personagem a aparecer, a maquiadora facial, é a que trás mais peso ao curta, suas divagações e suas percepções e análises a respeito das duas Alemanhas faz a gente ter uma visão completamente diferente daquela vendida pelo lado propagandista pelo mundo ocidental. O segundo personagem não trás nada de muito interessante para a discussão, porém o terceiro faz uma ponte com o passado e liga com o medo e a esperança que há no futuro, fiquei pensando no que será que aconteceu com seu negócio. É interessantíssimo do ponto de vista histórico e antropológico. O impacto que toda a obra do diretor terá com assuntos que são trazidos aqui também fazem deste curta ter uma importância relevante em sua cinebiografia.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

O COLAR PERDIDO DA POMBA

Título Original: Tawk Al-Hamama Al-Mafkoud
Diretor: Nacer Khemir
Ano: 1991
País de Origem: Tunísia
Duração: 90min
Nota: 9

Sinopse: Hassan, um estudante ingênuo de caligrafia na Andaluzia do século XI, busca o amor através de livros e poesia. Ele se depara com um fragmento de página de um livro de poemas e fica obcecado em encontrar o resto. Em sua busca para encontrar os pedaços perdidos dos manuscritos, Hassan conta com a ajuda do seu pequeno amigo Zin.
 
Comentário: Indicado ao Leopardo de Ouro e vencedor do Prêmio do Juri no Festival de Locarno. Segundo filme da trilogia do deserto do diretor Nacer Khemir, que mantém o mesmo lirismo do filme anterior (Andarilhos do Deserto). Apesar de dar a mesma nota, preferi o primeiro filme, acho que consegui tirar mais informações que faziam sentido para mim dele. Acho que neste há mais simbolismos nos detalhes, mensagens em ações que não parecem tão importantes. Para mim, o mais importante de toda a história são as tartarugas no quintal, que representam o tempo, pois é ele que figura como protagonista. Elenco afiado e a parte técnica é lindíssima de se ver. Um filme sensorial.

sábado, 23 de dezembro de 2023

A DUPLA VIDA DE VÉRONIQUE

Título Original: La double vie de Véronique
Diretor: Krzysztof Kieślowski
Ano: 1991
País de Origem: França
Duração: 97min
Nota: 10

Sinopse: Duas histórias paralelas sobre duas mulheres idênticas; uma morando na Polônia e outra na França. Elas não se conhecem, mas suas vidas estão profundamente conectadas.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor dos prêmios de Melhor Atriz e do Prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Cannes. Para mim é um pecado muito grande terem dado a Palma de Ouro para o Barton Fink, este filme é muito superior e parece ter envelhecido como vinho. É um filme sensorial, muito mais do que narrativo, apesar da narrativa estar ali presente, como coadjuvante. É tudo tão real e ao mesmo tempo tão fantástico que é difícil descrever. Apesar da referência para o Amélie Poulain ser real, também não acho tanto assim. Acho que não deve agradar uma geração Netflix acostumada a filmes mastigados enfiados em catálogos pré-fabricados diretos em seus cérebros. Tudo no filme funcionou para mim, da fotografia à música, do elenco (Irène Jacob é uma das mulheres mais maravilhosas do mundo) ao roteiro e, principalmente, o sentimento doce e amargo que fica.