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sábado, 30 de novembro de 2024

DEDE

Título Original: Dede
Diretor: Mariam Khatchvani
Ano: 2017
País de Origem: Geórgia
Duração: 92min
Nota: 8

Sinopse: Uma mulher. Três homens. Dina pode desafiar as duras tradições das profundas montanhas do Cáucaso. Mas o espírito dela sobreviverá?
 
Comentário: Filme sobre os recônditos do Cáucaso da Geórgia, que faz a gente pensar na merda que é o patriarcado. Bem, pelo menos se você não for um machista de merda, mas acho que um misógino não chega nem perto de ter a oportunidade na vida de assistir a um filme desses. O filme é dirigido por uma mulher: o que faz toda a diferença. Natia Vibliani está exuberante no papel principal, consegue cativar muito, seu marido consegue tomar a pior decisão da história do cinema, se alguém souber de alguém que tire este "prêmio" dele, por favor se manifeste. Vejo um monte de gente horrorizada em como este povo "primitivo" toma as decisões como se em regiões afastadas do Brasil fosse muito diferente. Um filme muito bom, pena que o povo só assiste coisas comerciais.

terça-feira, 4 de junho de 2024

FORTUNATA

Título Original: Fortunata
Diretor: Sergio Castellitto
Ano: 2017
País de Origem: Itália
Duração: 102min
Nota: 8

Sinopse: A história de uma jovem mãe (Jasmine Trinca) com um casamento fracassado, que diariamente luta para conquistar o seu sonho de abrir um salão de beleza, em uma tentativa de libertar-se, ganhar a sua independência e o direito de ser feliz.

Comentário: Indicado ao prêmio Um Certo Olhar e vencedor do de Melhor Atriz na categoria no Festival de Cannes. Jasmine Trinca é o grande trunfo do filme, que atuação, que presença, que baita entrega ao papel. Há situações forçadas, não gostei muito do personagem do psicólogo, mas no geral, a mensagem principal do filme soa muito bem no final, gera reflexão e acho que vai tocar cada pessoa de maneira diferente. O ex-marido dá vontade de pegar na porrada e deixar sem uma perna, no mínimo. Faz a gente pensar em quantas mulheres vivem em situação tão parecida e em como existe homem babaca nesse mundo. A cópia que eu tinha para assistir estava com vários problemas na reprodução da imagem, ficava travando, mas deu para assistir relativamente bem. Acho que se fosse dirigido por uma mulher seria bem melhor.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

ME CHAME PELO SEU NOME

Título Original: Call Me by Your Name
Diretor: Luca Guadagnino
Ano: 2017
País de Origem: Itália
Duração: 132min
Nota:  7

Sinopse: Verão de 1983, norte da Itália. Elio Perlman (Timothée Chalamet), um jovem ítalo-americano de 17 anos, passa as férias na vila de sua família, um antigo casarão do século XVII. Seus dias são repletos de composições ao piano e flertes com sua amiga Marzia. Um dia, Oliver (Armie Hammer), um charmoso estudante mais velho, chega para ajudar o pai de Elio em sua pesquisa sobre cultura greco-romana. Sob o sol do verão italiano, Elio e Oliver descobrem a beleza do despertar de novos desejos que irão mudar as suas vidas para sempre.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim e vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Achei o filme muito superestimado, eu esperava bem mais pelo que já tinha ouvido falar, a primeira uma hora é só linguiça, um joguete bobo sem química nenhuma entre os dois personagens principais, depois que o romance engrena o filme até melhora, mas não convence. Muito aquém do amor arrebatador de O Segredo de Brokeback Mountain, por exemplo. Achei tudo muito vazio, tudo muito forçado. A direção e a entrega do elenco é o que o filme tem de melhor, muitas cenas funcionam, mas achei o filme americano demais, fico até sem graça de cadastrá-lo como italiano, pois de italiano tem só o diretor e a locação mesmo. Chalamet é uma graça, mas tão sem sal, realmente não vejo o que Hollywood vê tanto nele.  A melhor cena de longe é a conversa nos momentos finais com o pai, lindo demais aquilo, fez o filme crescer muito. A conversa no telefone foi das coisas mais sem sentido.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

OS VERSOS ESQUECIDOS

Título Original: Los Versos del Olvido
Diretor: Alizera Khatami
Ano: 2017
País de Origem: Chile
Duração: 92min
Nota:  10

Sinopse: Quando o idoso zelador de um necrotério remoto descobre o corpo de uma jovem morta durante um protesto, ele embarca em uma odisseia mágica para dar a ela um enterro adequado antes que a milícia retorne.
 
Comentário: Filme vencedor de três diferentes prêmios no Festival de Veneza fora do circuito da premiação principal. O filme é uma fábula, mas também é bem realista. É poético, mas também é brutal. Achei lindo demais, tudo nele funciona, desde as atuações do ótimo elenco a direção técnica do iraniano (que não dirigiu mais nada depois desse filme, mas assinou o roteiro do filme Até Amanhã de 2022 dirigido por Ali Asgari). O filme é atual ao mesmo tempo que revira a ditadura de Pinochet, há cenas cheia de significados como em um filme iraniano, com raízes que podem passar despercebidas para quem não é do Chile. Os próprios personagens são alegorias fantasmagóricas da sociedade. Um belíssimo filme... e que cena final de tirar o fôlego. Emocionante!

domingo, 5 de setembro de 2021

EM PEDAÇOS

Título Original: Aus Dem Nichts
Diretor: Fatih Akin
Ano: 2017
País de Origem: Alemanha
Duração: 106min
Nota: 9

Sinopse: Katia Sekerci é uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco Nuri, e do filho de 7 anos. Um dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada no escritório do marido. Desesperada, Katia decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista.

Comentário: Vencedor dos prêmios de melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro e de melhor atriz no Festival de Cannes, Diane Kruger dá um show aqui de interpretação. Um filme que vale a pena ser visto pelo dedo na ferida que cutuca sobre o racismo velado que ainda existe na Alemanha, se atentem a relação entre a personagem principal e a mãe em algumas cenas, por exemplo. Para um mundo que vê se tornando cada vez mais dividido de novo por questões étnicas e políticas, este filme se torna extremamente necessário, pois são as vidas de inocentes que sempre estarão na linha de frente. Há algumas conveniências para o roteiro chegar onde quer, acho que podiam ter trabalhado mais nisso para o filme merecer um dez. São detalhes que durante o filme não faz a menor diferença, vale muito a assistida e preparem o psicológico. PS: fogo nos fascistas!

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

CACHORROS

Título Original: Los Perros
Diretor: Marcela Said
Ano: 2017
País de Origem: Chile
Duração: 95min
Nota: 8

Sinopse: Mariana, uma mulher de quarenta e dois anos e de classe alta, desenvolve uma amizade com seu instrutor de equitação, que vive coberto por um passado sombrio.

Comentário: O filme é muito bem construído e reflete tudo o que países que sofreram com a ditadura tem de problemáticos hoje como cicatrizes que se recusam a sarar. Podíamos transferir facilmente a história para o Brasil (Ah, mas no Brasil os militares não foram presos, né? Então não dá... porque o Brasil foi bunda mole até na hora de lidar com isso). A personagem principal é a típica elite podre que representa tudo de tosco da sociedade, cercada de personagens mais toscos ainda. O filme é uma ode pitoresca desse reflexo de dinossauros da ditadura e suas crias e perpetuações contínuas. Achei bem interessante os paralelos e as profundidades nas entrelinhas. Apesar de dar a mesma nota, prefiro o filme anterior da diretora (O Verão dos Peixes-Voadores), achei mais poético e com uma personagem que dava para se identificar. Não é um filme que sairia indicando por aí, é muito de nicho, mas eu gostei.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

UMA NOITE TRANQUILA

Título Original: Xiao Cheng Er Yue
Diretor: Qiu Yang
Ano: 2017
País de Origem: China
Duração: 15min
Nota: 8

Sinopse: Em uma pequena cidade chinesa sem nome, uma mãe angustiada tenta desesperadamente encontrar sua filha adolescente desaparecida durante toda a noite.

Comentário: O filme ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes como melhor curta metragem. O diretor teve um outro filme premiado no festival em 2019. Aqui temos uma história bem simples, mas que já na primeira cena podemos ver vários sentimentos da relação familiar nas entrelinhas. O filme é muito bem feito e o sentimento de desamparo e angústia da mãe é muito bem passado pela câmera. Sempre acho difícil de dar uma nota ou de fazer uma análise de um curta devido ao curto espaço de tempo para contar uma história. Acho que aqui o diretor consegue aquilo que queria, logicamente poderia trabalhar muito mais coisas, mas acho que foi satisfatório, principalmente o final, acho que se o final fosse diferente acabaria caindo em algum tipo de clichê.

sábado, 20 de junho de 2020

TRAMA FANTASMA

Título Original: Phantom Thread
Diretor: Paul Thomas Anderson
Ano: 2017
País de Origem: Inglaterra
Duração: 130min
Nota: 10

Sinopse: Década de 1950. Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril (Lesley Manville), para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que, constantemente, entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma (Vicky Krieps), que vira sua musa e amante.

Comentário: P.T. Anderson volta com tudo depois do seu regular Vício Inerente, com um trabalho técnico que virou o sinônimo de perfeição, imagens lindas e uma história muito bem construída. O filme é um amaranhado de significados, enquanto temos a parte bonita da elegância, da riqueza, da costura, também temos a parte imperfeita dos relacionamentos, a parte humana cheia de falhas. Woodcock é uma pessoa que cria relacionamentos tóxicos com todos a sua volta (sua falecida mãe, sua irmã, sua namorada), mas nos faz pensar o que não seria um relacionamento tóxico? Daí fica a grande questão, é possível fazer dar certo um relacionamento tóxico? É tudo bem bizarro e escrito de maneira magnífica. Eu recomendo fácil. Sem contar que é o último trabalho de Daniel Day-Lewis, o melhor ator de sua geração com certeza. Primeiro trabalho do diretor fora dos EUA.

terça-feira, 21 de abril de 2020

UM HOMEM ÍNTEGRO

Título Original: Lerd
Diretor: Mohammad Rasoulof
Ano: 2017
País de Origem: Irã
Duração: 113min
Nota: 8

Sinopse: Reza é um jovem que decidiu levar uma vida simples com a esposa e o único filho longe da agitação da cidade grande. Ele sobrevive com os recursos que obtém de sua criação de peixes, mas quando empresas privadas, autoridades locais e o governo estreitam suas relações comerciais, a busca por riquezas mudará o estilo de vida dos produtores locais. Resta saber se Reza será um deles.

Comentário: O diretor Mohammad Rasoulof é o grande premiado neste ano de 2020 no Festival de Berlim, este é o filme anterior dele. Um diretor muito competente, que tenta mostrar o lado sujo do sistema governamental do Irã e que cumpre pena no país por isto. Aqui vemos um pouco do lado sujo que lembra bastante o "jeitinho brasileiro" de se fazer as coisas. O filme peca bastante nas atuações, principalmente da atriz Soudabeh Beizaee, que interpreta a esposa do personagem principal, mas nada que comprometa o filme. Lerd, o título original, em persa é aquela sujeira que fica no fundo da garrafa de bebidas alcoólicas caseiras (mais comuns em vinhos), o que dá algum sentido ao filme, já que o personagem é um cara colocado de lado da sociedade em vários aspectos. Outro ponto é que bebidas alcoólicas são proibidas no Irã, como muitas outras coisas que são comuns ao "jeitinho" de se fazer as coisas. Um filme que vale a pena ser visto. Este filme foi o ganhador do prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes.

terça-feira, 23 de julho de 2019

CORPO E ALMA

Título Original: Testről és Lélekről
Diretora: Ildikó Enyedi
Ano: 2017
País de Origem: Hungria
Duração: 116min
Nota:  10

Sinopse: Mária trabalha há pouco tempo em um abatedouro, onde é responsável pelo controle de qualidade. No almoço na cantina, a jovem sempre escolhe uma mesa isolada onde fica em silêncio. Ela leva seu trabalho a sério e segue estritamente as regras. Seu chefe, Endre, é um pouco mais velho que ela e também é do tipo silencioso. Aos poucos, eles começam a se conhecer, reconhecer seu parentesco espiritual, e ficam impressionados ao descobrir que têm os mesmos sonhos durante a noite.

Comentário: O que dizer deste filme? Não é pra qualquer um, mas entrou na lista dos meus preferidos e com certeza foi o melhor filme que assisti nos últimos anos. A interpretação de Alexandra Borbély é simplesmente digna de qualquer premiação e vencedora do European Film Awards como melhor atriz. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, fui assistir sem saber que o cenário era um matadouro, justo neste momento que estou virando vegetariano e não como carne há mais de dois meses, pareceu coisa de destino ver as cenas viscerais para firmar minha posição de parar de vez de me alimentar de animais. O filme choca exatamente por isto, tem cenas belíssimas, como no mundo dos sonhos dos personagens, cenas frias e de extrema solidão quando retrata a vida dos personagens e cruas e chocantes quando retrata ações e o matadouro... assim como a vida real. O filme é cheio de metáforas, são personagens completamente quebrados por traumas do mundo exterior como diz a música de Laura Marling que serve como tema no filme, a gente fica pensando como tem gente sofrendo por aí e como a gente não faz a mínima ideia do que essas pessoas passam. A personagem principal é uma gracinha, dá vontade de pegar na mão e tentar dizer que vai ficar tudo bem, mesmo não sendo verdade, ela tem que descobrir um novo mundo que talvez sua psique não esteja preparada para enfrentar, não que ela tenha muita escolha. O personagem masculino interpretado por Géza Morcsányi é mais masculinizado, que apesar de ter seu lado quebrado também, parece estar mais preocupado em fazer sexo do que entender realmente quem é a mulher por quem está se apaixonando. É a vida em um filme, vida de pessoas quebradas e perdidas, que me fez chorar, me chocar, me apaixonar como poucos filmes conseguem fazer.

sábado, 20 de julho de 2019

RETOQUE

Título Original: Rutuš
Diretor: Kaveh Mazaheri
Ano: 2017
País de Origem: Irã
Duração 20min
Nota:  9

Sinopse: Uma dona de casa iraniana consegue de maneira diferente ficar livre da repressão imposta pelo patriarcado do país.

Comentário: Um curta/média metragem que não precisa de muito tempo pra contar o que quer, muito bem construído e com uma história simples, consegue mostrar dilemas morais e trazer a tona discussões muito pertinentes sobre machismo e opressão com o silêncio. O filme tem poucos diálogos, as atuações são muito boas e o final tem um gosto doce e amargo ao mesmo tempo. Quase me deu uma pontinha de medo da minha namorada (hahahahahahaha).