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terça-feira, 13 de agosto de 2024

O POLICIAL

Título Original: Ha-shoter
Diretor: Nadav Lapid
Ano: 2011
País de Origem: Israel
Duração: 110min
Nota: 8

Sinopse: Yaron é um policial cuja identidade é definida por sua profissão e pela certeza de que seu código de honra é inabalável. Por trás dessa identidade está uma ideia de adoração corporal, chauvinista e perfeita. No entanto, tudo é questionado quando um grupo de "terroristas" israelenses sequestra empresários em um casamento.
 
Comentário: Indicado ao Leopardo de Ouro e vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno. Nadav Lapid é o meu mais novo queridinho depois do O Joelho de Ahed, aqui ele já mostra em seu longa metragem de estreia para o que veio. Um israelense anti sionista ao extremo, vejo o diretor hoje como uma das principais vozes contra o sistema fascista daquela ocupação nefasta que se chama Israel. Aqui é possível ver a construção e a desconstrução de toda a farsa ideológica por trás do que é o estado israelense, de forma muito sutil, é verdade, mas ainda assim está tudo aí. O que eu gosto do Lapid é exatamente isto, ele não dá nada mastigado para o telespectador, é preciso pensar, é preciso ligar pontos e se situar das coisas. Um filme muito bom, pena que os "terroristas" eram muito amadores.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

A MORTE DO CINEMA E DO MEU PAI TAMBÉM

Título Original: Moto Shel Hakolnoa Ve Shel Aba Sheli Gam
Diretor: Dani Rosenberg
Ano: 2020
País de Origem: Israel
Duração: 105min
Nota: 8

Sinopse: Um pai e um filho tentam congelar o tempo através do cinema, mas a doença do pai ameaça interromper o processo.
 
Comentário: Um dos indicados a Palma de Ouro no Festival de Cannes que não ocorreu devido a pandemia. O filme é muito bom, adoro esses diálogos metalinguísticos no cinema, a edição do filme funciona muito bem entre o que é o filme dentro do filme com o que é real. Diria até que talvez merecesse até uma nota melhor, mas eu não consigo ignorar o fato de ser um filme que mostra um povo vivendo de boa sob o governo sionista, não dá para não pensar que ali do lado os palestinos mal tem energia elétrica e água potável enquanto os israelenses vivem suas vidas burguesas. Tentando ignorar este fato e me focando no filme, a atuação de Marek Rozenbaum como Yoel é estupenda e merecia ser premiada, dá um show. O filme cria um diálogo muito interessante sobre o tempo, o envelhecimento e a família. Merecia mais destaque, o diretor é competente, vi um tom de crítica ao clima alarmista e histérico que deve ser viver em Israel quando ele trata de uma suposta guerra com o Irã, mas é tudo muito sutil. Um belo filme, mas que seria muito melhor com as críticas ao sionismo do diretor Nadav Lapid, por exemplo, porque espaço tinha de sobra para isso. Apesar de tudo, gostei bastante, e me emocionou.

terça-feira, 31 de outubro de 2023

O JOELHO DE AHED

Título Original: Ha'berech
Diretor: Nadav Lapid
Ano: 2021
País de Origem: Israel
Duração: 111min
Nota: 10

Sinopse: Um cineasta israelense enfrenta duas batalhas condenadas ao fracasso: uma contra a morte da liberdade, outra contra a morte de uma mãe.
 
Comentário: Vencedor do Prêmio do Juri no Festival de Cannes. Confesso que tinha um pé atrás com o diretor porque nunca consegui me conectar muito bem com seu filme Sinônimos apesar de reconhecê-lo como um filme muito bom. Este porém acabou entrando na minha lista de melhores do ano, senão O melhor. Amei! Tipo de filme que eu gosto, com toda a metalinguagem e crítica ácida (ao estado terrorista de Israel, ao sistema capitalista, a cultura de guerra, a normalização de uma realidade orwelliana ou tantas outras coisas). Nadav Lapid se faz tão necessário e talvez um dos maiores diretores da atualidade. A parte técnica é simplesmente maravilhosa e toda a construção da história com a explosão verborrágica em uma das cenas mais emblemáticas dos últimos anos. Certo, confesso que não é um filme que vá agradar uma grande maioria, mas é daqueles filmes que me conquistam.