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terça-feira, 23 de setembro de 2025

SÓ QUANDO EU RIO

Título Original: Samo Kad se Smijem
Diretor: Vanja Juranic
Ano: 2023
País de Origem: Croácia
Duração: 70min
Nota: 8

Sinopse: Tina, uma dona de casa que cuida da filha de 6 anos, mora com o marido Frane em uma cidade do Adriático. As tensões conjugais surgem quando ela expressa o desejo de terminar a faculdade, desafiando os papéis tradicionais de gênero em seu casamento aparentemente perfeito.
 
Comentário: Tihana Lazovic é um furacão, linda, é uma força da natureza quando o assunto é atuação, e não deve ser a primeira vez que eu digo algo assim sobre ela aqui. Já devo ter dito inclusive que ela merecia o prêmio de melhor atriz em Cannes por Sol à Pino, mas o filme concorreu em uma competição paralela no festival daquele ano. O filme é ela, o roteiro é simples e talvez termine cedo demais, porque o filme é bem curto, mas toda a discussão funciona e muito bem, obrigado. A crítica ao patriarcado e a dinâmica tradicional do casamento é enorme e só mostra como vários discursos de liberdade da mulher em países ditos desenvolvidos europeus é pura falácia. Há mais liberdade para mulheres no norte da Síria em Rojava do que em qualquer país do ocidente. Gostaria que tivesse mais tempo, que desenvolvesse mais depois do final, que a protagonista tivesse pelo menos mais voz depois de tudo, mas valeu a espera de conseguir uma cópia, que não foi fácil.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

MURINA

Título Original: Murina
Diretor: Antoneta Alamat Kusijanovic
Ano: 2021
País de Origem: Croácia
Duração: 95min
Nota:  8

Sinopse: Uma adolescente decide substituir o seu pai controlador pelo seu rico amigo estrangeiro durante uma viagem de fim-de-semana ao Mar Adriático.

Comentário: Vencedor do Prêmio Câmera de Ouro no Festival de Cannes. Gostei do desenvolvimento do filme, o elenco todo está muito bem e a dinâmica entre os personagens cria vários mistos de sentimentos. Pensa num pai bom (hahahahahaha). É muito interessante como todos os personagens agem como o animal que dá título ao filme, escondendo quem são uns dos outros em barreiras de pedras imaginárias. Odeio quando evitam traduzir o título para o português, já que Murina não significa nada na nossa língua e temos uma tradução para o animal que se chama "moreia" na nossa língua. Achei que os personagens dos adolescentes na embarcação acabaram sendo muito mal aproveitados, não acrescentam nada relevante. O clima de tensão na reta final é ótimo e o desfecho faz com que fiquemos com o filme na cabeça por um tempo depois, funciona muito bem.

domingo, 26 de abril de 2020

ALEKSI

Título Original: Aleksi
Diretora: Barbara Vekaric
Ano: 2018
País de Origem: Croácia
Duração: 87min
Nota: 8

Sinopse: Aleksi é uma mulher problemática de 28 anos que não conseguiu um emprego como fotógrafa depois de se formar na faculdade, e está voltando para casa para viver sob o teto de seus pais. Com poucas opções para afastar seu tédio, Aleksi ignora suas responsabilidades urgentes, seguindo seus impulsos com vários homens: Christian, um fotógrafo americano com quem ela se relaciona devido a interesses semelhantes; Goran, um músico local que ela não suporta por causa de seus valores tradicionais, mas com quem ela tem uma química física intensa; e Toni, um playboy esloveno mais velho, mais rico e charmoso que tenta atraí-la com a extravagância de iates, festas caras e drogas.

Comentário: Tihana Lazovic é definitivamente minha musa do século XXI, assisti ao filme principalmente por causa dela e ela é o que o filme tem melhor a oferecer, mas não a única coisa. Aleksi é uma mimada egoísta (conheci mulheres assim) que vai ter que aprender, talvez da pior maneira, que o mundo gira. Lazovic segura o filme nas costas e é, sem sombra de dúvida, o ponto forte na construção da personagem. A atuação é perfeita. O filme é cheio de cenas maravilhosas em vários sentidos, tanto no lado obscuro das merdas que fazemos, quanto no lado bonito que devíamos aproveitar mais. Um filme forte, que marca a estréia da diretora Barbara Vekaric, que mostra que é muito competente, porém o filme tem alguns erros de continuidade (como em uma cena que Aleksi tira as meias e aparece com as mesmas na cama, entre outras) que não atrapalham em nada seu andamento. Os filmes croatas vem caindo cada vez mais nos meus gostos.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

O JORNAL - SEGUNDA TEMPORADA

Título Original: Novine
Diretor: Dalibor Matanic
Ano: 2018
País de Origem: Croácia
Duração: 550min
Nota:10

Sinopse: A corrida presidencial entre a candidata Jelena Krsnik, que luta pela reeleição, contra o ambicioso Ludvig Tomasevic coloca o país no meio de uma guerra política onde o jornal terá que escolher lados.

Comentário: Em muitos aspectos, uma temporada superior a primeira, mas talvez seja devido a similaridade com o cenário político brasileiro. Tomasevic é uma espécie de Bolsonaro croata, enquanto Krsnik é uma Dilma. Blago Antic continua sendo meu personagem favorito, e Tomasevic conquista cada vez mais um espaço no meu ódio mortal. O que chama a atenção é o que Matanic tem de melhor, desenvolvimento de personagens e o anacronismo de cada um na história da própria Croácia e seu problema com os fantasmas do passado. Mario Kardum perdeu bastante espaço na série nesta segunda temporada, mas acredito que voltará na terceira mais forte e buscando vingança, mas foi interessante ver seu relacionamento florescendo com Vanja. Novos personagens tiveram um crescimento ótimo, como Jolic. A trilha sonora continua sendo um ponto forte, assim como a direção contemplativa e fixa nos detalhes de Matanic. A série chegará ao seu fim na terceira temporada, assim como foi planejada pelo diretor e promete fechar como uma das melhores séries que vi nesta última década.


sábado, 9 de novembro de 2019

O JORNAL - PRIMEIRA TEMPORADA

Título Original: Novine
Diretor: Dalibor Matanic
Ano: 2016
País de Origem: Croácia
Duração: 590min
Nota: 9

Sinopse: Um magnata da construção assume o controle de um jornal em dificuldades e tenta exercer influência editorial para benefício próprio.

Comentário: Que série! Dirigida e idealizada por Dalibor Matanic, diretor do filme Sol a Pino. A série demora uns dois capítulos até nos familiarizarmos com os personagens, pois são vários. É engraçado como a série brinca com o nosso ódio por alguns personagens. Até metade da temporada torcemos para ver Kardum se foder, depois vemos que existem monstros piores, não que passemos a odiá-lo menos por isso. Mas o mais legal da série, é ver como o jornalismo morreu, como é algo vendido dentro do sistema político e social, onde empresários controlam informações e utilizam a mídia para manipulação do cenário a seu benefício próprio. Uma série que precisa ser assistida pelos brasileiros, que vivem atualmente o mesmo cenário desolador de manipulação de informação. A série terminará na terceira temporada que terminou suas filmagens este mês. Das coisas ótimas escondidas no Netflix.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

SOL A PINO

Título Original: Zvizdan
Diretor: Dalibor Matanic
Ano: 2015
País de Origem: Croácia
Duração: 118min
Nota:  10

Sinopse: Dois vilarejos e três décadas marcadas por uma longa história de ódio e hostilidade étnica. No contexto das guerras que redefiniram a ex-Iugoslávia, o longa revela as cicatrizes deixadas por este período através de três comoventes histórias de amor. Em 1991, uma atmosfera de loucura e medo torna a paixão algo proibido. Em 2001, tendo como pano de fundo os primeiros momentos pós-guerra, as feridas ainda estão abertas e muitos são incapazes de amar. Em 2011, o amor pode enfim criar raízes e se libertar das dores do passado.

Comentário: Outro vencedor do prêmio Um Certo Olhar em Cannes por aqui. Achei o filme simplesmente maravilhoso, em todos os aspectos. Eu dava o prêmio de melhor atriz fácil para a Tihana Lazovic, uma interpretação de encher os olhos. O legal do filme é que as três histórias te pega de maneira completamente diferente, o tipo de amor dos personagens são também completamente diferentes, mas o pano de fundo, retratando os problemas étnicos envolvendo os sérvios e croatas, é o fator comum entre as histórias. É muito fácil não se envolver no filme se ignorarmos o contexto histórico em que as histórias se passam e o fardo que essa guerra horrível tem nesse povo. A direção é maravilhosa. Entendo que pode não ser o tipo de filme que a maioria está acostumada, mas definitivamente é o tipo de filme que eu gosto. Fiquei pensando no futuro dos personagens apresentados, em como cada ato impactou em suas vidas a partir de cada desfecho. Não consigo também dizer qual história é a minha preferida, pois cada uma teve algo que me fisgou.