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sexta-feira, 31 de julho de 2026

ATLÂNTICOS

Título Atlantiques
Diretora: Mati Diop
Ano: 2009
País de Origem: Senegal
Duração: 16min
Nota: 6

Sinopse: Atlantiques narra a odisséia de amigos senegaleses que tentam uma travessia de barco com risco de vida. Melancólico e misterioso, o filme aborda com urgência e elegância os perigos da migração ilegal.
 
Comentário: O curta metragem é visívelmente uma semente para o que viria a ser o longa metragem Atlantique da diretora, pois não é só o mesmo nome que ambos compartilham, também falam do problema da emigração e como isso afeta tanto as pessoas que decidem abandonar tudo em busca de uma vida melhor como suas famílias. Digo uma semente, porque pelo menos para mim, há uma diferença bastante considerável entre os dois também, este é bem mais cru, praticamente um documentário sem toda a ideia do sobrenatural que é usado, inclusive como crítica, no longa. A cena em que amigos discutem a ideia de ir embora e um deles diz que não deixaria ele ir é forte, trabalhei com vários africanos na Europa e suas histórias sempre me impressionaram, eu jamais teria a coragem (ou a loucura) de enfrentar o que vários enfrentaram. Um curta necessário, mas que achei muito entrecortado, sem uma narrativa que me prendesse. 

terça-feira, 25 de junho de 2024

EU, CAPITÃO

Título Original: Io Capitano
Diretor: Matteo Garrone
Ano: 2023
País de Origem: Senegal
Duração: 221min
Nota: 8

Sinopse: Conta a história de dois jovens que saem do Senegal rumo à Europa; uma odisséia contemporânea pelos perigos do deserto, os perigos do mar e as ambiguidades da alma humana.

Comentário: Indicado ao Leão de Ouro e vencedor dos prêmios de Melhor Direção e Ator Revelação para Seydou Sarr no Festival de Veneza. Quando o filme terminou vem aquele sentimento bom que todo filme hollywoodiano usa como forma de te enganar, então fui inundado pelo mesmo sentimento da crítica de várias pessoas de que o filme falha miseravelmente quando mostra a chegada na Europa como uma salvação. Porém, depois de um tempo pensando tive uma outra visão do filme. Eu moro na Europa, vivo e trabalho com muitos africanos que fizeram este caminho do deserto para o mar. Acompanho de muito perto também o sentimento fascista anti-imigrante que só cresce. Acredito que é um filme feito por um europeu para outros europeus, pois qualquer um que mora aqui sabe que a Europa não é uma salvação, portanto o filme serve para que as pessoas criem empatia, entendam o lado do outro como seres humanos. Nisso acho que o filme faz um bom trabalho. O mais louco é ver vários africanos que trabalham comigo, se ferrando muito, mas gastam com roupas de marca para postar fotos no Instagram para a família pensar que eles estão bem, mesmo muitos me relatando que gostariam de voltar para a África, e assim se cria esse mito de que a Europa é muito boa, pois nem os africanos que estão aqui vão dizer o contrário para não preocupar suas famílias. Lógico que há também africanos que estão muito melhor aqui que lá. O ator é realmente incrível, mas o que mais me chamou a atenção foi a trilha sonora composta por Andrea Farri, fazia tempo que eu não via uma trilha tão poderosa. No geral, pensando nessa nova interpretação que me veio, é um filme muito bom.

*Cadastrei o filme no Senegal, porque ao meu ver não se trata em nada sobre a Itália. Ele é falado em Wolof e de italiano só tem o dinheiro da produção e a equipe técnica mesmo.

sábado, 9 de maio de 2020

ATLANTIQUE

Título Original: Atlantique
Diretora: Mati Diop
Ano: 2019
País de Origem: Senegal
Duração: 106min
Nota: 7

Sinopse: Em Dakar, um grupo de trabalhadores no canteiro de obras de uma torre modernista e contrastante, sem pagamento durante meses. Um barco de imigrantes tentando chegar à costa da Espanha. O amor de Souleiman e Ada, prometida a outro, que começa a viver fantasmagóricos eventos.

Comentário: Eu esperava mais deste que é o vencedor do Grande Prêmio do Juri no Festival de Cannes de 2019, mas não deixa de ser interessante e ter seus momentos. A diretora, que na verdade é francesa, nascida em Paris, é filha do músico senegalês Wasis Diop, famoso por misturar música folclórica senegalesa com pop e jazz e fundados da banda West African Cosmos (Não, você não deve achar no Spotify), por isso deve ter dado uma atenção especial para a trilha sonora que é ótima. A diretora é a primeira mulher negra a ser indicada ao Palma de Ouro, o filme tem forte influência do folclore senegalês e na minha visão tem várias similaridades com o filme Bacurau. Assisti sem ler a sinopse e portanto não esperava que ele fosse dar a virada que deu, mas tirando algumas coisas que não funcionaram tão bem, o filme é ótimo em servir como denúncia de várias coisas, como os problemas sociais no Senegal, religiosos, direitos das mulheres e tantas outras coisas. É no ponto de filme-denúncia que o filme funciona melhor, o resto é bom, mas cai em alguns clichês em alguns momentos. Personagens são bem trabalhados, diretora é bastante competente e o filme funciona dentro do que é proposto. Não entendi porque não traduziram o título para Atlântico para o português. Interessante para quem não assiste filmes africanos, vale a conferida sem esperar demais do filme, o Netflix comprou a distribuição depois da premiação de Cannes e é possível achá-lo no catálogo da empresa.