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domingo, 22 de junho de 2025

DISTANTE

Título Original: Uzak
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 2002
País de Origem: Turquia
Duração: 109min
Nota: 8

Sinopse: Depois que sua esposa o abandona, um fotógrafo tem uma crise existencial e tenta lidar com a visita de seu primo.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do Grande Prêmio do Júri, Melhor Ator e outro fora da competição principal no Festival de Cannes. O filme que finalmente mostrou para a que veio Nuri Bilge Ceylan, peça fundamental inicial do que seria um dos maiores diretores de todos os tempos na minha opinião, todo enquadramento é maravilhoso. É o filme preferido do diretor de um amigo meu, mas acho que ainda faltam elementos que ele viria a trabalhar melhor em seus filmes mais recentes. Mehmet Emin Toprak ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes meses após ter falecido em um acidente de carro 4 meses após seu casamento, ele era primo do diretor, o que tornou o filme uma espécie de testamento de seu talento ainda em ascensão. É interessante a dinâmica dos personagens, você simpatiza e antipatiza de ambos em momentos diferentes do filme, é tudo tão natural, tão simples ao mesmo tempo em que nos diz tanto e também tão pouco sobre eles.

domingo, 13 de outubro de 2024

NUVENS DE MAIO

Título Original: Mayis Sikintisi
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 1999
País de Origem: Turquia
Duração: 117min
Nota: 7

Sinopse: Um aspirante a cineasta visita seus pais e começa a elaborar um filme. Ao criar e escalar o elenco ele encontra familiares e amigos que lutam com seus próprios problemas, sonhos e vida.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Depois do curta (Casulo) e do seu longa de estreia (A Pequena Cidade), aqui o diretor parece começar a criar um pouco mais o que viria a ser seu estilo narrativo mais refinado e intrincado. Porém parece haver uma simbiose entre esses seus trabalhos iniciais para a evolução que estava trilhando. Há uma cena em que os pais assistem a si mesmos em uma TV que me parece ser uma parte do curta metragem, o filme que o personagem principal está filmando parece ser exatamente o longa de estreia do diretor, o que faz de toda a sua filmografia inicial uma colcha de retalhos metodicamente costurada. Gostei da história do menino com o ovo e de toda a atenção que o diretor dá aos seus pais em cena. A construção da história vai se dando em conta gotas e quando percebemos já estamos envolvidos na história. Um bom filme, mas que ainda não tínhamos como saber a força da natureza que o diretor se tornaria.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

ERVAS SECAS

Título Original: Kuru Otlar Üstüne
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 2023
País de Origem: Turquia
Duração: 197min
Nota: 10

Sinopse: Um professor espera ser transferido para Istambul após quatro anos de serviço obrigatório em um vilarejo remoto, mas é acusado de contato inadequado por duas alunas. Após perder a esperança, uma colega lhe apresenta novas perspectivas.

 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor de Melhor Atriz no Festival de Cannes para Merve Dizdar que está muito bem no filme e tem os olhos exatamente iguais da minha companheira. É um filme maravilhoso, com várias camadas sobre a sociedade de um modo geral. Samet é mesquinho, egoísta, mas não é de todo sem coração: representa o produto padronizado da sociedade capitalista que o produziu. Kenan tem um coração mais puro e Nuray tenta se descobrir depois do trauma que passou. É complicado quando se tenta comparar o trabalho do diretor com o Sono de Inverno, que acho que talvez seja o melhor filme deste século, mas se deixarmos de lado as comparações o filme merece uma nota máxima. O final é lindo, faz a gente pensar em várias experiências de nossas próprias vidas, os erros e os acertos também. É o tipo de filme que eu gosto, fotografia linda, o pé na realidade e conceitos que colocam o seu cérebro para pensar em vários níveis diferentes sobre coisas diversas. Ece Bagci, que faz a aluna Sevim, também merece aplausos.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

A PEQUENA CIDADE

Título Original: Kasaba
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 1997
País de Origem: Turquia
Duração: 86min
Nota:  6

Sinopse: A história de uma família que vive em uma pequena cidade esquecida na Turquia vista através dos olhos de crianças e lidando com a crescente complexidade quando alguém se torna um adulto.
 
Comentário: Vencedor de uma das premiações paralelas no Festival de Berlim. Sou um grande fã do diretor, portanto estava querendo ver esta filme faz um tempo, só consegui uma cópia recentemente. Achei bem abaixo das expectativas, muito verborrágico, gosto mais dos momentos em que o diretor trabalha o silêncio. Há cenas maravilhosas, e o filme é acima da média, mas a cena da fogueira toma um tempo muito grande da película e se torna cansativa, há bons momentos neste diálogo, mas outros que não acrescentam muita coisa. Indico só para quem quer conhecer o trabalho do diretor em seu início. A cena com a tartaruga fica na cabeça da gente. A fotografia é linda.

sábado, 27 de março de 2021

A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS

Título Original: Ahlat Ağaci
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 2018
País de Origem: Turquia
Duração: 188min
Nota: 10

Sinopse: Sinan (Doğu Demirkol) é um jovem apaixonado por literatura que sempre sonhou em se tornar um grande escritor. Ao retornar para o vilarejo em que nasceu, ele faz de tudo para conseguir juntar dinheiro e investir na sua primeira publicação. O problema é que seu pai deixou uma dívida que atrapalhará os seus planos.

Comentário: Oscar Wilde disse: "No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente ou quase nunca os perdoam". Este filme vai bem por este caminho, com personagens dostoiéveskos. Sinan é quase um Raskólnikov, odiei o personagem, seu ego, sua moral, as coisas que pensa e faz (um típico escritor no início de carreira, já estive lá). Mas é um filme de Ceylan, e como tal, não decepciona. Toda a jornada de Sinan é maravilhosa de assistir, o final arrebatador me tirou lágrimas ao pensar no meu próprio pai. É um filme perfeito, os diálogos sobre religião são de aplaudir de pé. Ainda prefiro Sono de Inverno, mas este é tão grandioso quanto. Para mim, não existe um diretor tão completo e perfeito no mundo contemporâneo quanto Nuri Bilge Ceylan, o cinema nunca esteve tão bem.

sábado, 18 de abril de 2020

CASULO

Título Original: Koza
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 1995
País de Origem: Turquia
Duração: 21min
Nota: 8

Sinopse: A estória de um casal que, por algumas experiências dolorosas do passado, vivem separados. Um dia voltam a viver juntos, esperando que o encontro apague suas dores, mas como a aproximação não surge efeito, voltam a viver distantes um do outro.

Comentário: Primeiro curta metragem do diretor Nuri Bilge Ceylan, que encabeça a lista dos meus diretores contemporâneos preferidos, e indicado ao Palma de Ouro como melhor curta no Festival de Cannes. O filme já demonstra toda a habilidade do diretor na fotografia (Ceylan era um fotografo profissional antes de ir para o mundo do cinema), que é o seu ponto forte em todos os filmes que fez até hoje. Se você não sabe a sinopse antes de assistir ao filme, acho que tudo fica mais subjetivo, é possível tirar várias diferentes histórias entre os personagens e a tentativa de adivinhar o que está acontecendo da um toque lynchiano ao curta. Uma das curiosidades é que o casal é na verdade os pais do diretor. Recomendo pra quem curte fotografia, gosta de cinema arte ou é fã do diretor.

domingo, 10 de novembro de 2019

UM DOCE OLHAR

Título Original: Bal
Diretor: Semih Kaplanoglu
Ano: 2010
País de Origem: Turquia
Duração: 100min
Nota: 6

Sinopse: Um Doce Olhar mostra a jornada de Yusuf, um garoto turco que está aprendendo a ler e a escrever, e que nas horas vagas ajuda o seu pai, um simples apicultor que guarda as colméias nos galhos mais altos das maiores árvores de uma misteriosa floresta. Mas quando seu pai parte em busca de descobrir porque as abelhas estão sumindo, Yusuf se prepara para viver a sua maior aventura, tentando dar algum sentido à sua vida.

Comentário: Ganhador do Urso de Ouro em Berlim, o filme é tecnicamente impecável, mas não é um filme que flui bem. E por mais que seja cheio de significado, não é um filme fácil de ser assistido. Parado, silencioso, sufocante e contemplativo. Achei o filme um pouco arrastado, pois suas características lembram muito os filmes de Nuri Bilge Ceylan, outro diretor turco, mas nos filmes de Ceylan eu não tive o problema de sentir que o filme estava se arrastando, muito pelo contrário. A falta de entrosamento dos personagens, mesmo sendo parte da narrativa, atrapalha. Bal, o título do filme em turco, significa mel.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

ERA UMA VEZ NA ANATÓLIA

Título Original: Bir Zamanlar Anadolu'da
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 2011
País de Origem: Turquia
Duração: 151min
Nota:  9

Sinopse: Nas planícies da Anatólia, na Turquia, um grupo composto de um policial, um médico legista e um advogado conduz dois prisioneiros em busca do local onde enterraram sua vítima. Já é tarde da noite e, em meio à escuridão, eles não conseguem mais encontrar o local exato onde foi colocado o cadáver. Entre as divagações e os deslocamentos, o advogado e o médico começam a se conhecer melhor, percebendo que eles têm pontos de vista muito diferentes sobre a vida.

Comentário: Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2011. Nuri Bilge Ceylan, para mim, é um dos maiores diretores da atualidade e o filme posterior a este, Sono de Inveno, é um dos melhores filmes dos últimos dez anos. Era uma Vez na Anatólia é uma bela surpresa, sua história simples e reflexiva demonstra todo o poder de uma excelente narrativa, sem necessidade de nada muito mirabolante. A fotografia é belíssima e os personagens são profundos, são praticamente duas horas onde a única coisa que acontece é a busca por um corpo na estrada entre vilarejos, mas onde várias outras sub-histórias começam a acontecer entre diálogos. Achei que o filme perde um pouco a força em sua meio hora final, quando ele sai do elemento construído até ali, mas nada que estrague sua narrativa. Não achei o filme cansativo e nem arrastado, muito pelo contrário, me senti preso a ele. Gostei muito do personagem do Comissário Naci, com seu jeito explosivo e se sentindo constrangido a todo momento. O embate entre a fé do promotor contra o ceticismo do médico rende a verdadeira grande história do filme. Um filme difícil de descrever, inovador e de uma sensibilidade ímpar.