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segunda-feira, 12 de maio de 2025

AS AVENTURAS DE UMA FRANCESA NA CORÉIA

Título Original: Yeohaengjaui Pilyo
Diretor: Hong Sang-soo
Ano: 2024
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 90min
Nota: 7

Sinopse: Uma francesa que costumava tocar flauta em um parque supera suas dificuldades financeiras ensinando francês a duas mulheres na Coreia do Sul. Ela encontra conforto deitando em pedras e recorre ao makgeolli para se sentir bem.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do Grande Prêmio do Juri no Festival de Berlim. Os filmes do Sang-soo, como já devo ter comentado por aqui, sempre me agradam, mas alguns mais e outros menos. Este um pouco menos, e assim acabei percebendo que os que me agradam mais são os que tem menos repercussões em festivais durante o ano (já que ele sempre acaba fazendo uns dois filmes por ano). Achei a personagem da Huppert meio boba, sem nada realmente interessante para dizer. Por outro lado o seu par romântico juvenil é muito mais interessante, acho que o filme teria mais a dizer se tivesse focado nele com a mãe. De resto, vale pela parte técnica, as mão sempre competentes do diretor conseguem tirar imagens e detalhes de algumas cenas que são de tirar o fôlego.

sexta-feira, 11 de abril de 2025

NA ÁGUA

Título Original: Mul-an-e-seo
Diretor: Hong Sang-Soo
Ano: 2023
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 61min
Nota: 7

Sinopse: Um jovem ator decide desistir de atuar e fazer um curta-metragem. A pequena equipe composta pelo próprio ator, o cinegrafista e a protagonista chegam à ilha rochosa e varrida pelo vento de Jeju.
 
Comentário: Indicado para uma premiação paralela no Festival de Berlim. Sang-soo tem filmes que me pegam de algum jeito e outros que simplesmente não funcionam comigo. Este foi estranho, no início simplesmente estava na última categoria, mas ele vai crescendo e no final conseguiu me agradar em vários aspectos. Fez eu pensar em várias coisas sobre a minha própria vida. Não gostei da imagem desfocada usada o tempo todo, não deixa de ser interessante essa ideia do diretor de ir fazendo experimentos com seus filmes de ir tirando de suas películas elementos considerados essências (ao ponto de chegar aqui desfocando até a imagem), mas não achei algo que fosse necessário. Não é um filme para qualquer um, mesmo sendo curtíssimo, diria para passar longe se não conhece o diretor, há filmes dele melhores para se iniciar em sua filmografia.

sábado, 29 de junho de 2024

SOLITÁRIOS

Título Original: Honja Saneun Saramdeul
Diretor: Hong Seong-eun
Ano: 2021
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 90min
Nota: 9

Sinopse: Jin Ah trabalha em uma central de atendimento de cartão de crédito. Ela faz seu trabalho bem, mas não se relaciona com ninguém no trabalho ou em sua vida pessoal. Ela mora sozinha e trabalha sozinha.

Comentário: Recomendado pelo meu amigo e crítico de cinema Wesley Pereira de Castro, já que ambos trabalhamos em call center e tenho um livro de ficção sobre o assunto (Esquizophonia) que pode ser adquirido na Amazon. Pronto, finalizado o marketing, vamos ao filme. Simplesmente sensacional, o diretor consegue fugir de todos os clichês possíveis que a história poderia facilmente cair. Me identifiquei muito com a personagem principal, já que trabalho meio que distante de todos nos últimos anos, acho que me fechei bastante depois da pandemia e esse filme fez eu ter que encarar alguns fantasmas a respeito disso. Filme bom para mim é isso, trás reflexões para nossa vida aqui fora. Essa geração do celular na mão é das coisas mais irritantes e mais tristes do mundo contemporâneo. Um filme que te dá uma sacudida, mas ao mesmo tempo é delicado quando o faz. Indico fácil para qualquer um, o viajante do tempo me tirou lágrimas.

quinta-feira, 23 de maio de 2024

EM CHAMAS

Título Original: Beoning
Diretor:  Lee Chang-dong
Ano: 2018
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 148min
Nota: 8

Sinopse: Jong-su encontra uma garota que morava no mesmo bairro que ele. A jovem pede que ele cuide de seu gato enquanto viaja para a África. Quando ela retorna, ela apresenta Ben, um garoto misterioso que ela conheceu por lá.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor dos prêmios de Direção de Arte e da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Cannes. É um filme muito bom, mas que perde a força na sua hora final exatamente por cair no clichê de um roteiro tipicamente comercial hollywoodiano, se ele seguisse da maneira que estava até o momento maravilhoso da dança de Jeon Jong-seo eu teria gostado bem mais. E falando em Jeon Jong-seo, é ela que brilha, atuação espetacular. Não quero dar spoiler, então a única coisa que vou falar sobre a hora final do filme é que, apesar de ter ido por um lado que não gostei, ainda assim o diretor mantém o roteiro previsível com uma narrativa unicamente dentro de suas características, dentro do ritmo do filme, isto faz com que funcione bem pelo menos. Prefiro ao outro filme (Poesia) que assisti do diretor.

domingo, 28 de abril de 2024

LÁ EM CIMA

Título Original: Tab
Diretor: Hong Sang-soo
Ano: 2022
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 97min
Nota: 8

Sinopse: Byungsoo, um diretor de cinema, vai com sua filha Jeongsu, uma aspirante a designer de interiores, para um prédio de propriedade de um velha amiga já estabelecido na área.

 
Comentário: Ignorado por festivais, achei este filme mais legal do que o badalado "O Filme da Escritora" do mesmo ano feito pelo diretor e que ganhou o Grande Prêmio do Júri em Berlim. Parece que quanto menos badalado, melhor o Sang-soo funciona, pelo menos para mim. Esse filme é uma delícia de assistir: os pulos temporais, as relações se esfacelando, vícios e manias se alterando, ciclos que vão se iniciando e outros terminando. Incrível. Os diálogos extensos e corriqueiros dão o tom certo e funcionam melhor do que em vários dos seus outros filmes. Estava com medo de que a fórmula do diretor estivesse se desgastando, mas para mim, aqui ele prova o contrário. Um diretor que tenho tentado assistir mais filmes e não tenho me arrependido.

domingo, 22 de janeiro de 2023

O FILME DA ESCRITORA

Título Original: So-seol-ga-ui Yeong-hwa
Diretor: Hong Sang-soo
Ano: 2022
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 92min
Nota:  7

Sinopse: Uma romancista visita uma livraria administrada por uma jovem colega que não tem mais contato há algum tempo e depois caminha com um diretor de cinema e sua esposa. Ela conhece uma atriz e tenta convencê-la para que façam um filme juntas.
 
Comentário: Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. Não foi um filme que me fisgou como os últimos do diretor, achei que faltou alto apesar de ter seus momentos. Faltou uma maior conexão entre as personagens e achei a romancista meio enfadonha em alguns momentos. Acho que se o diretor tivesse aberto mão da forma estilística aqui e filmado algumas cenas mais próximas ao personagem, o filme funcionaria melhor, a distância da câmera parece não ter feito tão bem aqui. A cena final é linda, mas parece que faltou algo, parece que a mensagem que o diretor queria passar ficou perdida. Amo a subjetividade do Sang-soo, mas aqui ela parece meio vazia, não me despertou interesse como os outros filmes. Será que a fórmula do diretor esteja se desgastando? Quanto a isso só os próximos filmes dele dirão, mas eu acho que não.

sábado, 31 de dezembro de 2022

ENCONTROS

Título Original: Inteurodeoksyeon
Diretor: Hong Sang-soo
Ano: 2021
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 65min
Nota:  9

Sinopse: Um jovem sonha em se tornar ator, mas tem medo de precisar beijar outras mulheres em cena e criar problemas com a namorada. Uma jovem sonha em se tornar estilista, mas tem receio de morar junto da colega, uma pintora famosa e mais bonita do que ela. Ambos se opõem aos planos profissionais de suas mães, que imaginam um futuro diferente para eles.
 
Comentário: Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. Eu amo cada vez mais a subjetividade do diretor que aqui alcança um pico mais estratosférico. Como o próprio título original já nos informa (Introdução), a narrativa é entrecortada, serve apenas como introdução para a história real que não nos é apresentada, ou seja, a história não está no filme. Temos vislumbres de meras introduções. Como escritor, isso colocou meu cérebro a mil, tentando preencher lacunas. Cinema de altíssima qualidade nesse sentido narrativo, dando um murro na cara do cinema mastigado de massa. As nuances e pistas permeiam por todas as "introduções". O que é real e imaginado? O que cada personagem carrega em sua alma? Qual a verdadeira história de cada um deles? Se o telespectador souber embarcar na experiência que o diretor se propõe, não irã se decepcionar... mas a proposta não parece ser tão simples assim.


sexta-feira, 16 de setembro de 2022

DECISÃO DE PARTIR

Título Original: Heojil Kyolshim
Diretor: Park Chan-wook
Ano: 2022
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 138min
Nota:  10

Sinopse: Um detetive (Park Hye-il) se apaixona por uma misteriosa viúva (Tang Wei) após ela se tornar a principal suspeita em seu último caso que investiga um homicídio.

Comentário: Indicado ao Palma de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes. É o tipo de filme que ou te pega ou não, e me pegou em cheio. Fiquei maravilhado! Daqueles que mesmo que você ame não indica para ninguém, porque é cheio de particularidades que você sabe que não caem no gosto de todo mundo. A direção é incrível, achei a condução muito boa, mesmo que fique estranha as vezes, com cortes nada convencionais. Há detalhes que se conectam de maneira imperceptíveis a outros. "Você não deixa de amar alguém porque ela casou" ou "Apesar de eu ter sofrido bastante por tua causa, minha vida não foi vazia graças a ti" são frases que me marcaram na alma, que fazem do filme ter essa força devastadora que me atinge. O elenco está perfeito, o final é catártico. Os detalhes fazem o filme. A minha nota 10 talvez seja exagerada, mas é porque me arrebatou mesmo, acho que no fundo sou exatamente como o detetive que não consegue dormir e tenta esquecer alguém.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O CORRETOR

Título Original: Beurokeo
Diretor: Hirokazu Koreeda
Ano: 2022
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 129min
Nota:  8

Sinopse: Uma caixa de bebê é um pequeno espaço onde os pais podem deixar seus bebês anonimamente. E é em torno desta caixa que o relacionamento das pessoas será explorado.

Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Ator para Song Kang-ho no Festival de Cannes. Achei que o diretor tentou beber demais na própria fonte de seu filme Assunto de Família, criando uma nova família disfuncional, mas daí fica difícil assistir sem estabelecer comparações, e Assunto de Família é um filme imbatível em quase todos os aspectos. Achei que o filme se estende demais e tem um corte de edição meio esquisito as vezes, fica confuso, a gente não sabe exatamente o que o diretor quer passar. Um final apressado demais pelo todo desenrolar do filme, mas apesar das reclamações o saldo é bem positivo. Há momentos lindos, os atores se entregam, há química em todo o conjunto. Koreeda é foda, e isso por si só já segura muito bem o filme. Baita direção. Fui assistir ao filme achando que era japonês e me surpreendi em ver o diretor fazendo um filme sul coreano.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

A MULHER QUE FUGIU

Título Original: Domangchin Yeoja
Diretor: Hong Sang-soo
Ano: 2020
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 77min
Nota:  8

Sinopse: Enquanto o marido está em viagem de negócios, Gam-hee conhece três mulheres nos arredores de Seul. Ela primeiro visita duas amigas íntimas em suas casas; a terceira, uma conhecida mais velha, ela encontra por acaso em um cinema independente.

Comentário: Vencedor, bem merecido, do prêmio de melhor diretor do Festival de Berlim. É um belo filme, que apesar de transmitir diferentes tipos de sentimentos e de que quando acaba você não tem certeza do que achou sobre ele, merece demais a assistida. Houve todo um "barraco" sobre a traição da atriz com o diretor deste filme que influenciou na realização do mesmo, mas não vou entrar nesse âmbito de fofoca, quem tiver curiosidade usa o Google aí. É um filme de diálogos, onde cada frase é uma navalha de sentimentos cortando alguma parte do nosso subconsciente. E é profundo. Será que o marido de Gam-hee está em viagem de negócios mesmo ou ela simplesmente fugiu dele? Há perguntas sem respostas por toda a película. É a vida... pura e simplesmente. Tudo é sutil e tudo é poesia. Uma cena bem forçada, que achei bem forçada é a carne queimando na frigideira depois de um tempão de conversa, já era para tudo estar esfumaçado muito tempo antes. Hong Sang-soo é meu diretor sul coreano preferido, este filme só fortaleceu sua posição. Só não dei uma nota maior porque sou chato.

terça-feira, 28 de julho de 2020

POESIA

Título Original: Shi
Diretor: Chang-dong Lee
Ano: 2010
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 139min
Nota: 9

Sinopse: Mija vive com seu neto em uma cidade localizada nas encostas do rio Han. Por acaso, ela acaba entrando em uma "aula de poesia" e é desafiada pela primeira vez em sua vida a escrever um poema. Mija nasce novamente. Como uma criança que se surpreende com a vida, ela parece estar vendo tudo como se fosse a primeira vez, mas quando a realidade cruel chega, ela acaba tendo que retornar e ver que o mundo não é tão bonito quanto ela imaginava.

Comentário: Um filme muito bem arquitetado e vencedor do prêmio de melhor roteiro em Cannes. A atriz, Jeong-hie Yun, é talvez o principal motivo do filme funcionar tão bem, ela leva o filme nas costas fácil fácil. Ela era uma atriz que fez muitos filmes desde a década de 60 no país e que estava aposentada das telas desde 1994, voltou a ativa apenas para fazer este filme desde então, o filme merece ser assistido nem que seja para ver sua atuação. O filme é bem sútil, mesmo quando aborda assuntos pesados, e pode parecer que não vai chegar a lugar nenhum em determinado momento, mas o desfecho vale muito toda a experiência, diria até que tem um toque de Machado de Assis, simplesmente brilhante. Acho que tanto este filme como o Cópia Fiel mereciam muito mais ganhar o Palma de Ouro naquele ano. Tecnicamente o filme é bastante competente e nos apresenta um dos melhores filmes daquele ano.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

PARASITA

Título Original: Gisaengchung
Diretor: Joon-ho Bong
Ano: 2019
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 132min
Nota:  10

Sinopse: Toda a família de Ki-taek está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um. No entanto, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos.

Comentário: Grande ganhador da Palma de Ouro do ano de 2019, o filme é excelente. O que impressiona é a leveza com que ele consegue passar de uma quase comédia na sua primeira hora para um suspense que me fez roer as unhas de nervoso para o seu final, mas servindo para criticar de maneira sublime os problemas gerados pela diferença de classe no mundo capitalista globalizado. O filme nos induz a torcer para os vilões? Será que os vilões não são os outros? Ou será que não existem vilões e são todos vítimas de suas classes sociais de uma sociedade falida? A direção e o roteira são sintonizados em uma cadência de eventos que fazem com que o telespectador fique extremamente imerso no filme. A cereja no bolo é o diálogo do pai com o filho onde ele divaga sobre "fazer planos" e como tudo isso se conecta o final, que para meio entendedor, é desesperador.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

HAHAHA

Título Original: Hahaha
Diretor: Hong Sang-soo
Ano: 2010
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 115min
Nota:  8

Sinopse: JO Munkyung, diretor, pensa sair de Seul para viver no Canadá. Dias antes da sua partida, encontra o seu grande amigo Bang Jungshik, crítico de cinema. Neste encontro, os dois amigos descobrem por acaso que foram recentemente à mesma vila litorânea, Ton-yung. Decidem contar um ao outro a viagem que fizeram, na condição de só revelarem momentos agradáveis. Não percebendo que estiveram os dois no mesmo lugar ao mesmo tempo, ao lado das mesmas pessoas, as reminiscências do verão tórrido dos dois amigos envolvem-se como um catálogo de recordações.

Comentário: O filme é muito bem escrito e faturou o prêmio Um Certo Olhar em Cannes, apesar de alternar em histórias curtas entre os dois personagens, ele parece ser mais longo do que realmente é, mas não é um filme parado. A ideia da narrativa é o grande diferencial e é muito fácil se apaixonar por alguns personagens, não todos. Atuações ótimas onde a narrativa é sobre o cotidiano da vida real, onde comédia, drama, amores e tristezas se mesclam de uma maneira como poucos diretores conseguem colocar na tela, pode ser exagero, mas em alguns momentos até me lembrou o François Truffaut, mas não acho que seja exagero não. O desfecho de alguns personagens me desagradou, como de alguns outros me agradou, mas acho que a vida é assim, né? Cheia de erros, escolhas erradas, falta de desfechos e, em alguns casos (porque não?), finais felizes também. Recomendadíssimo!