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domingo, 5 de abril de 2026

PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO

Título Original: Pequeno Dicionário Amoroso
Diretor: Sandra Werneck
Ano: 1997
País de Origem: Brasil
Duração: 91min
Nota: 8

Sinopse: Luiza e Gabriel se conhecem por acaso e passam a se amar. Conforme o tempo passa, o sentimento que nutrem um pelo outro modifica, e a relação do casal passa por todas as possíveis fases em uma relação amorosa. Construído através de palavras, em ordem alfabética, o romance deles ilustra a pluralidade de sentimentos dentro de uma relação, e os dilemas da vida a dois..
 
Comentário: Adorei o filme quando assisti lá no começo dos anos 2000, revisitando posso dizer que o filme continua muito bom. Andrea Beltrão e Daniel Dantas são gigantes, atores de primeira grandeza e levam seus papéis com profundidade e leveza. Confesso que não gosto muito do final, mas o desenrolar do filme e a escolha narrativa de como fazê-lo ainda funciona quase 30 anos depois. Tony Ramos tem um papel meio datado e tosco, mas funciona dentro da história. Teve horas que eu quis dar uns tapas na cara do Daniel Dantas e tinha horas que eu o entendia completamente. Quero ver a continuação.

sábado, 18 de outubro de 2025

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?

Título Original: O Que é Isso, Companheiro?
Diretor: Bruno Barreto
Ano: 1997
País de Origem: Brasil
Duração: 111min
Nota: 8

Sinopse: Guerrilheiros urbanos brasileiros sequestram o embaixador dos Estados Unidos. Agora a vida do diplomata está pendurada por um fio, presa entre um governo não disposto a cooperar e seu medo de captores.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Baseado no livro escrito pelo político Fernando Gabeira, não sei o quanto é fiel ao mesmo, mas me incomodou que seja vendido como uma "história real" quando há personagens fictícios que não estavam na operação. Havia apenas uma mulher no grupo e a personagem de Claudia Abreu é inventada para se ter mais uma mulher no filme. Tirando esses detalhes o filme é ótimo, tanto a direção quanto as atuações estão ótimas. Alan Arkin e Fernanda Torres brilham. Me arrependo de ter visto este filme só agora, desde que foi lançado queria ver. A cena final é arrebatadora.

sábado, 21 de junho de 2025

O FIM DA VIOLÊNCIA

Título Original: The End of Violence
Diretor: Wim Wenders
Ano: 1997
País de Origem: EUA
Duração: 122min
Nota: 9

Sinopse: Em Hollywood, as vidas de um produtor de cinema de sucesso, sua esposa, um detetive de polícia e um agente de vigilância se cruzam após um sequestro fracassado.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Eu adorava esse filme quando assisti no fim da minha adolescência e passei uns bons anos com esse tique de dizer "defina isso ou defina aquilo". Diria que é o "Cidade dos Sonhos" do Wim Wenders, sua crítica a Hollywood e a sociedade plástica estadunidense. A história é toda entrecortada, parece haver lacunas, parece estar incompleta, cheia de buracos, mas óbvio que são intencionais e adoro este tipo de filme, onde nos força a entender os personagens muito bem construídos e seus detalhes que servem como auto explicação de muita coisa. É o Wenders fazendo um filme nos Estados Unidos debochando da narrativa dos filmes hollywoodianos, não a toa o diretor no filme solta um "porque não vou fazer filmes na Europa?" em um momento chave. Bill Pullman teve seu ano de ouro aqui lançando este e o Estrada Perdida do Lynch. Impressionante também como o filme é visionário sobre o "fim da violência", estado e câmeras por todos os lados.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

NA PRESENÇA DE UM PALHAÇO

Título Original: Larmar Och Gör Sig Till
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1997
País de Origem: Suécia
Duração: 119min
Nota: 8

Sinopse: Outubro de 1925. O engenheiro Carl Åkerblom, fervoroso admirador de Schubert, é internado em um hospital psiquiátrico em Uppsala. De seu quarto, ele alimenta o revolucionário projeto de inventar o cinema falado. Com a ajuda do professor Osvald Vogler, o diretor Åkerblom improvisa uma história de amor contando os últimos dias de Schubert.
 
Comentário: Indicado a premiação Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Acho que é o filme do Bergman que mais me trouxe sentimentos conflitantes, há momentos que acho sublime e há momentos que acho enfadonho. Marie Richardson já tinha mostrado talento em A Marquesa de Sade, mas aqui ela segura demais o filme, simplesmente exuberante. As cenas com o palhaço (na verdade palhaça) são ótimas, mas no fundo achei que a personagem foi mal aproveitada. As cenas da peça são lindas e toda a homenagem do Bergman à sétima arte como um todo vale demais a assistida. Sempre esqueço que o Peter Stormare é sueco, adoro ele. Meu problema maior com o filme talvez seja com o personagem principal, Åkerblom é chato demais.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

GOSTO DE CEREJA

Título Original: Ta'm e Guilass
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1997
País de Origem: Irã
Duração: 92min
Nota: 10

Sinopse: Um homem iraniano dirige seu caminhão procurando alguém para enterrá-lo silenciosamente debaixo de uma cerejeira depois que ele cometer suicídio.
 
Comentário: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Talvez seja a obra prima do mestre Kiarostami, mas não sei se é o meu preferido. Porém é um filme excepcional que se destaca pela complexidade daquilo que transmite. Todo ser humano tem suas complexidades e ninguém sabe o que está passando na cabeça de outra pessoa, ninguém realmente conhece outra pessoa; A obra então pode até ter um diálogo com Solaris de Stanislaw Lem (transposto para o cinema pelo grande Tarkovski). Homayoun Ershadi está perfeito no papel principal, evoca emoções de maneira apática. Tudo no filme é como tinha que ser, e depois de descobrir como foi filmado, com o diretor no banco do passageiro nas cenas com o motorista e no banco do motorista nas cenas dos passageiros: o filme fica ainda maior. Costumo a ser pessimista, mas confesso que o filme aflorou um lado positivista no desfecho. Um filme para ser revisitado no futuro.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

A PEQUENA CIDADE

Título Original: Kasaba
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 1997
País de Origem: Turquia
Duração: 86min
Nota:  6

Sinopse: A história de uma família que vive em uma pequena cidade esquecida na Turquia vista através dos olhos de crianças e lidando com a crescente complexidade quando alguém se torna um adulto.
 
Comentário: Vencedor de uma das premiações paralelas no Festival de Berlim. Sou um grande fã do diretor, portanto estava querendo ver esta filme faz um tempo, só consegui uma cópia recentemente. Achei bem abaixo das expectativas, muito verborrágico, gosto mais dos momentos em que o diretor trabalha o silêncio. Há cenas maravilhosas, e o filme é acima da média, mas a cena da fogueira toma um tempo muito grande da película e se torna cansativa, há bons momentos neste diálogo, mas outros que não acrescentam muita coisa. Indico só para quem quer conhecer o trabalho do diretor em seu início. A cena com a tartaruga fica na cabeça da gente. A fotografia é linda.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

ESTRADA PERDIDA

Título Original: Lost Highway
Diretor: David Lynch
Ano: 1997
País de Origem: EUA
Duração: 134min
Nota:  10

Sinopse: Quando o saxofonista Fred Madison (Bill Pullman) começa a desconfiar que está sendo traído pela esposa Renee (Patricia Arquette), estranhas fitas de vídeo começam a ser enviadas para sua residência, indicando que tudo ao seu redor está sendo filmado. De repente tudo mundo quando aparentemente sua mulher foi supostamente assassinada, e ele é acusado do crime.
 
Comentário: Quando adentrei a sessão de cinema em meados do ano de 1997 minha vida mudou completamente, o garoto menor de idade que saiu daquela sessão não era o mesmo que entrou praticamente plagiando o personagem principal. Hollywood com seu cinema pipoca morria ali para mim, minha busca por esse tipo de arte cinematográfica se tornou uma certa obsessão. Assisti umas duas vezes depois em VHS, mas fazia mais de 20 anos que não revisitava este filme. Para a minha surpresa é um outro filme, completamente diferente daquele que assisti em 1997. O filme interage de acordo com a vivência do telespectador e pode tomar formas diferentes de acordo com as experiências vividas. Hoje é muito mais um filme sobre aquele amor que dói, o ciúmes doentio que cresce e as mudanças que tudo isso trás na vida depois disso. A cena em que Patricia Arquette diz "Você nunca mais vai me ter" fez lágrimas brotarem nos meus olhos. Pura arte! Lynch é um gênio e nunca vou me cansar de dizer isso, o filme está muito melhor do que quando o assisti pela primeira vez e continua figurando entre meus favoritos. O ser misterioso, que gerava imensos debates como foco principal entre amigos naquela época, hoje é uma figura diminuída como a representação do 'ciúmes', sem interferir na magnanimidade que é o filme. Perfeito!