Mostrando postagens com marcador 2024. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2024. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

A CASA

Título Original: La Casa
Diretor: Álex Montoya
Ano: 2024
País de Origem: Espanha
Duração: 77min
Nota: 7

Sinopse: Após a morte de seu pai, Antonio, seus três filhos adultos e suas famílias se reúnem em sua modesta casa de férias para prepará-la para a venda. Durante sua curta estadia, memórias e sentimentos há muito enterrados vêm à tona.
 
Comentário: O grande inimigo do filme é narrativo, achei o filme muito bom, pois a história que se propõe a contar é simples, mas cheia de um sentimento forte que conseguiu me fisgar, porém a maneira em que as coisas vão ocorrendo na tela parece dispersar a atenção do espectador, parece demorar demais a se criar um vínculo com a situação e os personagens. O que é um problema, já que é um filme bem curto, acho que funcionaria melhor se não deixasse de aproveitar cada segundo para amarrar bem sua história, porém, conforme vamos caminhando para o desfecho fica uma lição importante para quem já viveu algo similar na família e isto não tem como não mexer com a gente. Há momentos com diálogos excelentes.

domingo, 27 de julho de 2025

O SENHOR DOS MORTOS

Título Original: The Shrouds
Diretor: David Cronenberg    
Ano: 2024
País de Origem: Canadá
Duração: 119min
Nota: 8

Sinopse: Karsh, um empresário inovador e viúvo enlutado, constrói um dispositivo para se conectar com os mortos dentro de uma mortalha de enterro.
 
Comentário: Indicado ao Palma de Ouro no Festival de Cannes. É muito bom ainda ter Cronenberg com seu estilo ainda intacto no meio de tanto lixo na Hollywood atual, não achei o filme tão bom quanto seus últimos, mas é muito acima da média. Acho que o filme vai se enrolando demais na conspiração chinesa (que até agora eu não sei se é em tom de deboche do diretor ou se é realmente uma visão meio ocidental eurocentrista, mas eu fico com a primeira opção, já que é do Cronenberg que estamos falando aqui). De resto o filme tem elementos ótimos, desde o culto à morte ao relacionamento cheio de tensões entre os personagens. Cronenberg ainda consegue ser extremamente necessário para o cinema atual e espero que ainda faça muitos outros filmes. Cassel e Kruger estão ótimos.

domingo, 15 de junho de 2025

AINDA ESTOU AQUI

Título Original: Ainda Estou Aqui
Diretor: Walter Salles
Ano: 2024
País de Origem: Brasil
Duração: 137min
Nota: 10

Sinopse: Uma mulher casada com um ex-político durante a ditadura militar no Brasil é obrigada a se reinventar e a traçar um novo destino para si e os filhos depois que a vida de sua família é impactada por um ato violento e arbitrário.
 
Comentário: Indicado ao Leão de ouro e vencedor de outros três prêmios fora da competição principal no Festival de Veneza e Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Fui assistir sem esperar muito, pois sempre fico com o pé atrás quando o filme tem o hype muito alto e havia lido algumas críticas de que o filme era elitista. Amei o filme, a história é contada de uma maneira que dá muito força a narrativa, é tudo muito forte e sensível ao mesmo tempo. Fernanda Torres está uma força da natureza aqui, para quem está acostumado a ver ela fazendo comédia é impressionante vê-la tão entregue ao papel. Quanto ao filme ser elitista, pode até ser, mas acho injusto isso pesar contra, já que é contado por uma família elitista praticamente do mesmo padrão da que eu cresci. Meu primo é o desaparecido político mais jovem desta época (15 anos: preso, torturado e morto) e o fato de sermos uma família elitista não diminui a dor que isto causou como uma bomba na família. A cena da empregada é extremamente realista, porque é exatamente assim que acontece, por mais que sejam pessoas da família, elas estão ali para serem pagas também. O amor existe, mas a realidade é outra, achei a cena de uma realidade crua e até necessária. Filme obrigatório e ditadura nunca mais.

terça-feira, 10 de junho de 2025

TUDO QUE IMAGINAMOS COMO LUZ

Título Original: All We Imagine as Light
Diretora: Payal Kapadia
Ano: 2024
País de Origem: Índia
Duração: 118min
Nota: 8

Sinopse: A enfermeira Prabha, de Mumbai, mergulha no trabalho para suprimir memórias dolorosas, até que um presente reabre as feridas de seu passado. Sua despreocupada colega de quarto, Anu, anseia por conseguir um tempo a sós com o namorado.
 
Comentário: Vencedor do Grande Prêmio do Festival e indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Não vou dizer que é um filme fácil, acho que tem horas que ele divaga demais e parece que não vai te levar para lugar nenhum, confesso que teve momentos que parecia que ia fazer com que eu perdesse o interesse, para depois me chamar a atenção de volta. As coadjuvantes parecem funcionar melhor do que a personagem principal, pois são eles que dão ritmo ao filme. Anu e seu relacionamento complexo ou o despejo da amiga acabam sobressaindo mais do que o drama da personagem principal. No final é um filme muito bom, que vai tocar cada um de maneira diferente. A interpretação individual de uma cena crucial eleva bastante a experiência e nos deixa pensando sobre.

terça-feira, 3 de junho de 2025

BIRD

Título Original: Bird
Diretor: Andrea Arnold
Ano: 2024
País de Origem: Inglaterra
Duração: 119min
Nota: 10

Sinopse: Bailey vive com seu irmão Hunter e seu pai Bug, que os cria sozinho em um alojamento no norte de Kent. Bug não tem muito tempo para se dedicar a eles. Bailey procura atenção e aventura em outros lugares.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Andrea Arnold talvez seja a melhor diretora contemporânea fazendo filmes no Reino Unido. Já havia me impressionado com o filme Aquário, mas esse conseguiu superar minhas expectativas. O filme é perfeito em todos os aspectos, a realidade cruel nada glamourosa que eu vejo todos os dias morando nos subúrbios afastado dos grandes centros aqui é transmitida para a tela de forma muito competente. Todo o elenco está ótimo, a estreante Nykiya Adams no papel principal manda super bem, Franz Rogowski está completamente diferente de tudo que eu já assisti com ele, mas é Barry Keoghan que rouba a cena mais uma vez: o personagem dele é impressionantemente bem escrito, mas não vou entrar em detalhes para não dar spoiler. O filme emociona, cativa e você consegue se conectar aos personagens entendendo que os caminhos trilhados são sempre muito fodas, mas é o amor que salva tudo no final. Um filme obrigatório para mim.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

AS AVENTURAS DE UMA FRANCESA NA CORÉIA

Título Original: Yeohaengjaui Pilyo
Diretor: Hong Sang-soo
Ano: 2024
País de Origem: Coréia do Sul
Duração: 90min
Nota: 7

Sinopse: Uma francesa que costumava tocar flauta em um parque supera suas dificuldades financeiras ensinando francês a duas mulheres na Coreia do Sul. Ela encontra conforto deitando em pedras e recorre ao makgeolli para se sentir bem.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do Grande Prêmio do Juri no Festival de Berlim. Os filmes do Sang-soo, como já devo ter comentado por aqui, sempre me agradam, mas alguns mais e outros menos. Este um pouco menos, e assim acabei percebendo que os que me agradam mais são os que tem menos repercussões em festivais durante o ano (já que ele sempre acaba fazendo uns dois filmes por ano). Achei a personagem da Huppert meio boba, sem nada realmente interessante para dizer. Por outro lado o seu par romântico juvenil é muito mais interessante, acho que o filme teria mais a dizer se tivesse focado nele com a mãe. De resto, vale pela parte técnica, as mão sempre competentes do diretor conseguem tirar imagens e detalhes de algumas cenas que são de tirar o fôlego.

segunda-feira, 10 de março de 2025

MOTEL DESTINO

Título Original: Motel Destino
Diretor: Karim Aïnouz
Ano: 2024
País de Origem: Brasil
Duração: 115min
Nota: 8

Sinopse: Sob o céu em chamas em uma beira de estrada do litoral cearense, o Motel Destino é palco de jogos perigosos de desejo, poder e violência. Uma noite, a chegada do jovem Heraldo transforma em definitivo o cotidiano do local.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Karim Aïnouz está entre meus diertores favoritos contemporâneos, este pode não estar entre seus melhores filmes, mas ainda assim carrega uma força enorme em vários aspectos. Os personagens são ótimos, Fábio Assunção e Nataly Rocha dão um show. Apesar de uma interpretação apática do protagonista Iago Xavier, acho que convém com o personagem. A história é simples e caminha para um anticlímax que ao meu ver, apesar de não parecer ideal, funcionou. É gostoso de assistir, entretêm sem precisar ser muito profundo como outros filmes do diretor.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

DAHOMEY

Título Original: Dahomey
Diretora: Mati Diop
Ano: 2024
País de Origem: Benin
Duração: 68min
Nota: 8

Sinopse: A jornada de 26 tesouros reais saqueados do Reino de Dahomey exibidos em Paris, que agora estão sendo devolvidos ao Benin. A diretora Mati Diop expressa artisticamente as demandas de uma nova geração.
 
Comentário: Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Confesso que esperava mais, acho que o maior defeito do filme é sua curta duração, acho que a diretora perdeu um tremenda oportunidade de contar mais em sua película. As narrativas em off da estátua combinaram perfeitamente com o pano de fundo da discussão que o filme levanta, mas que podia ser usado para contar mais sobre o antigo Reino de Dahomey (ou Daomé em português) que perdurou por mais de 300 anos e foi destruído pela ação do colonialismo no começo do século XX. O fato do país receber apenas 26 artefatos de volta é importantíssimo, mas para quem assiste fica tudo meio perdido sem a história por trás desta cultura que foi destruída e que podia ser mais trabalhada em mais uns vinte minutos, pelo menos. De resto é ótimo, a discussão dos estudantes, as imagens e o impacto que isto tem no Benin até hoje. Muito importante falar de colonialismo em um mundo onde vemos Israel ao vivo na TV fazendo o que a Europa fez com a África, que paga o preço até hoje.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

LEVADOS PELAS MARÉS

Título Original: Feng Liu Yi Dai
Diretor: Jia Zhang-ke
Ano: 2024
País de Origem: China
Duração: 111min
Nota: 8

Sinopse: Anos depois que seu namorado a deixou para ir para a cidade grande e prometeu levá-la para lá depois que ele se estabelecesse, uma mulher parte em uma jornada para se reunir com ele.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro em Cannes. A narrativa do filme é bastante inovadora, estava perplexo de como era possível o diretor ter filmado algo hoje com tantos detalhes que parecesse ter sido filmado em cada época mostrada no filme, mas descobri que ele utilizou arquivos de gravações de projetos que não foram para frente, o que torna tudo ainda mais fantástico. Confesso que teve momentos que não me senti muito conectado ao filme, há momentos dispersos, mas isso não tira a genialidade da narrativa e nem o fato de ser um filme muito bom como experiência visual também. Não estou familiarizado com a obra do diretor, acho que eu teria aproveitado mais se conhecesse seu estilo antes de ver este. Adorei as músicas que tocam no filme. É um filme sensorial, com uma história bem comum, mas contada de um jeito completamente diferente. A vida é cruel, mas segue sempre em frente.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

SEM OUTRA TERRA

Título Original: No Other Land
Diretores: Yuval Abraham, Basel Adra, Hamdan Ballal  & Rachel Szor
Ano: 2024
País de Origem: Palestina
Duração: 96min
Nota: 9

Sinopse: Um coletivo palestino-israelense mostra a destruição de Masafer Yatta, na Cisjordânia ocupada, por soldados israelenses e a aliança que se desenvolve entre o ativista palestino Basel e o jornalista israelense Yuval.
 
Comentário: Vencedor de melhor documentário no Festival de Berlim. Desnecessário dizer que é um filme extremamente necessário em meio ao genocídio perpetrado por Israel e seus aliados ocidentais. Para quem acompanha há tempos a situação da Palestina, muito antes da retaliação do Hamas, não fica nem um pouco surpreso com o que é mostrado aqui, lembro de receber em um grupo no Telegram praticamente ao vivo o dia em que eles cimentaram o poço de água das pessoas mostrado aqui neste documentário. É interessante como tudo foi feito por quatro pessoas (dois que aparecem de frente à câmera e outros dois nos bastidores). Me lembrou um pouco a maneira de se fazer cinema do Jafar Panahi, criando cenas para contar uma história em meio ao documentário. A pessoa que ainda não entendeu o que acontece por lá e insiste em defender Israel ou sofre de alguma deficiência cognitiva ou é mal caráter mesmo. Um dos melhores filmes de 2024.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

UMA ALEGORIA URBANA

Título Original: Allégorie Citadine
Diretores: Alice Rohrwacher & JR
Ano: 2024
País de Origem: França
Duração: 21min
Nota: 10

Sinopse: Uma bailarina está atrasada para um teste para um espetáculo inspirado na Alegoria da Caverna de Platão. Ela chega com seu filho de sete anos, Jay, e implora ao diretor que lhe dê uma chance.
 
Comentário: Depois de realizarem o excelente curta Homilia Camponesa na itália, os diretores se reúnem aqui para filmar esta peça de arte nas ruas de Paris. Alice Rohrwacher é um dos grandes nomes do cinema italiano atual e JR vem chamando a atenção na França onde tem no currículo até um trabalho com a lendária Agnès Varda. Tudo aqui é pura arte, é dança, é movimento, é crítica social, é lindo demais! Não lembro de um curta que diz tanto falando tão pouco. A parte técnica é perfeita, há tomadas incríveis. O minimalismo e os cenários estéreis e cinzentos que vivemos hoje vem me incomodando demais ultimamente e ao assistir este sentimento teve um grande impacto em mim. De quebra ainda podemos ver o Leos Carax fazendo uma ponta.

domingo, 15 de dezembro de 2024

A SEMENTE DO FRUTO SAGRADO

Título Original: Dane-ye Anjir-e Ma'abed
Diretor: Mohammad Rasoulof
Ano: 2024
País de Origem: Irã
Duração: 166min
Nota: 9

Sinopse: O juiz de instrução Iman luta contra a paranoia em meio à agitação política em Teerã. Quando sua arma desaparece, ele suspeita de sua esposa e de suas filhas, impondo medidas draconianas que desgastam os laços familiares.
 
Comentário: Vencedor do Prêmio Especial do Júri e vencedor de outros 3 prêmios fora da competição principal no Festival de Cannes. Filme que abre de maneira tardia o ano de 2024 aqui no blog e um dos mais comentados devido a sua estreia com a fuga do diretor do país para aparecer em Cannes. O filme é ótimo, trás para a mesa uma discussão contemporânea e o choque de gerações que vive o Irã neste momento. Nunca tinha parado para pensar como deve ser a vida de pessoas contra o sistema com familiares que apoiam. Não achei o melhor filme do Rasoulof, achei inclusive que lembra mais um filme do Asghar Farhadi em muitos pontos. Me lembrou demais ao livro A Costa do Mosquito (não assisti ao filme) do escritor Paul Theroux, principalmente no desenvolvimento do personagem do pai. Parece que todo o elenco teve que sair do país também, o filme teve uma enorme repercussão e foi o indicado pela Alemanha ao Oscar de Filme Estrangeiro. Um filme necessário.