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segunda-feira, 27 de julho de 2026

A GUERRA DOS MUNDOS: PRÓXIMO SÉCULO

Título Original: Wojna Swiatów: Nastepne Stulecie
Diretor: Piotr Szulkin
Ano: 1981
País de Origem: Polônia
Duração: 96min
Nota: 9

Sinopse: Polônia, época de Natal. Um grupo de marcianos hiperinteligentes e sanguinários toma o país e recruta o azarado apresentador de telejornal Iron Idem para ser a voz de sua máquina de propaganda. Mas, quando Iron ousa desviar da linha oficial, ele cria um inimigo ainda maior do que os alienígenas: o próprio Estado.
 
Comentário: Terceiro filme que assisto do diretor e é simplesmente impressionante a estética fotográfica que seus filmes têm. A fotografia estava muito à frente de seu tempo, em nenhum momento parece um filme datado no sentido estético. As narrativas de seus filmes também são elaborados demais, poéticas e audaciosas. Aqui vemos uma releitura do livro de H.G. Wells, mas ao mesmo tempo diferente de tudo o que já fizeram a respeito dele, com um ambiente que parece mesclar com o livro 1984 de Orwell. Krystyna Janda sempre merece uma menção em qualquer comentário de um filme em que faça parte, sempre deslumbrante. Piotr Szulkin merecia ter seu nome lembrado ao lado de grandes nomes da história do cinema, extremamente subestimado.

sábado, 10 de maio de 2025

MUSA

Título Original: Muse
Diretor: Paweł Pawlikowski
Ano: 2025
País de Origem: Polônia
Duração: 6min
Nota: 8

Sinopse: Uma luta pelo poder entre um pianista e sua musa desobediente se transforma em um assassinato.
 
Comentário: Adoro o trabalho dPawlikowski, seus filmes sempre conseguem me tocar de uma maneira ou de outra e aqui não foi diferente. O curta não tem uma história, pelo menos não no sentido narrativo comum, mas as imagens são lindas e cheias de sentimento e música. O ator Marcin Masecki parece um pianista mesmo e a atriz Malgorzata Bela, que é casada com o diretor, rouba a cena com sua presença acachapante. Me trouxe uns bons sentimentos assistir isso, meio Lynch ou meio Carax, me fez bem à alma. Pena que é curtinho, não que desse um longa, mas se fosse uns 15 minutos, pelo menos, eu ia adorar.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

GOLEM

Título Original: Golem
Diretor: Piotr Szulkin
Ano: 1980
País de Origem: Polônia
Duração: 94min
Nota: 9

Sinopse: Pernat se encontra em um interrogatório policial, acusado de um assassinato, e incapaz de se lembrar de quaisquer detalhes do crime, ou mesmo de sua própria vida. Ele é libertado de volta a um mundo de lunáticos delirantes e dentistas perturbados, médicos assassinos e cientistas que acreditam que o segredo da criação humana está dentro das paredes de um forno de ferro fundido.
 
Comentário: Segundo filme que assisto do Piotr Szulkin e confesso que estou maravilhado com este cara. A direção dele é fantástica, as imagens são tão vivas que não parece um filme feito há mais de 40 anos. Li o livro do Gustav Meyrink faz uns dois anos e a narrativa é tão intrincada (para não dizer confusa) como no filme, mas não pense que essa confusão que causa do leitor (ou no espectador aqui) é por ter uma narrativa falha, muito pelo contrário. Ela causa sensações na gente assim como no personagem, que está tão confuso como a gente, e vamos entrando nessa montanha russa de sentimentos junto com ele. Achei o filme excelente, consegue dialogar com aquele mundo de 1980 assim como consegue dialogar com o mundo de hoje, o que faz da obra atemporal, e isto é muito difícil. Uma bela obra de arte. Marek Walczewski está excelente no papel principal e Krystyna Janda deslumbrante como sempre.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

O-BI, O-BA - O FIM DA CIVILIZAÇÃO

Título Original: O-Bi, O-Ba: Koniec Cywilizacji
Diretor: Piotr Szulkin
Ano: 1985
País de Origem: Polônia
Duração: 90min
Nota: 9

Sinopse: Em um bunker subterrâneo, seres humanos esfarrapados sobrevivem após o holocausto nuclear. As pessoas esperam a chegada da Arca para resgatá-los, enquanto o abrigo desmorona sobre suas cabeças.
 
Comentário: Queria assistir um filme antinatalino no natal, não sabia o que assistir, então peguei este meio que sem saber muita coisa, mas que pela sinopse era meio orwelliano. Bem, foi o filme mais niilista que eu já assisti na minha vida, não tô bem nao (hehehehe). Szulkin filmou algo completamente atemporal aqui, é impressionante como o filme é atual, como não envelheceu, as cenas são assustadoramente tão bem filmadas que não parece nem um pouco um filme de mais de 30 anos atrás. Há cenas que se estendem demais, há alguma coisa na narrativa que se torna repetitiva, mas o filme tem muito mais acertos que erros, há cenas chocantes, há cenas que são um colírio aos olhos, mas ao mesmo tempo o filme é cheio de desesperança, completamente pessimista e isso eu achei perfeito. Era exatamente o que eu precisava. Uma crítica das mais ferrenhas que eu já vi na história do cinema, merecia muito mais reconhecimento.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

ZONA DE EXCLUSÃO

Título Original: Zielona Granica
Diretor: Agnieszka Holland
Ano: 2023
País de Origem: Polônia
Duração: 152min
Nota: 10

Sinopse: Uma família de refugiados da Síria, uma professora de inglês do Afeganistão, um guarda de fronteira e ativistas dos direitos humanos reúnem-se na fronteira entre a Polônia e a Bielorrússia durante a mais recente crise humanitária na região.
 
Comentário: Indicado ao Leão de Ouro e vencedor do Prêmio Especial do Juri e de outros 3 fora da competição principal no Festival de Veneza. Confesso que no início eu estava torcendo o nariz, a diretora apela demais em alguns pontos levando tudo a uma repetição exaustiva, mas passando isso o filme só cresce. Cresce como crítica, cresce como denúncia, cresce como reflexão humana, cresce como crítica ao reino de cristal europeu que a mídia insiste fingir que não ruiu há muito tempo. A diretora foi muito corajosa em enfrentar o governo polonês na realização deste filme, teve que cortar suas raízes com o país e sofreu perseguição. Mas o mais lindo de tudo, a cereja no bolo e o principal fato que eu levantei e aplaudi o filme dando nota 10, foi a capacidade de criticar a postura da Polônia (e porque não de todos os países europeus) na hipocrisia que é o tratamento dado aos imigrantes de um modo geral em relação aos ucranianos que fugiram do conflito. A Europa,  como eu sempre insisto em dizer, é ridícula e hipócrita em seus valores.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

ESTADOS UNIDOS PELO AMOR

Título Original: Zjednoczone Stany Milosci
Diretor: Tomasz Wasilewski
Ano: 2016
País de Origem: Polônia
Duração: 101min
Nota: 7

Sinopse: Polônia, 1990. O primeiro ano eufórico de liberdade, mas também de incerteza quanto ao futuro. Quatro mulheres aparentemente felizes, de diferentes idades, decidem que é hora de mudar suas vidas e realizar seus desejos.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Berlim. Um filme pesadíssimo sobre quatro mulheres, mas que diz muito também sobre o comportamento masculino repleto de condicionamentos do patriarcado. As histórias são contadas separadas, como se o filme fosse feito por diferentes curtas, mas que se conectam em determinados pontos. Amores platônicos, traições, sociopatias, comportamento abusivo, estupro de incapaz... o filme tem de tudo um pouco. A falta de conexões reais entre os personagens diz muito sobre o mundo hoje também, que tem se tornado cada vez mais artificial nessa Sociedade-Instagram. A paleta de cores desse filme é fantástica, diretor conseguiu passar o clima frio entre os personagens na fotografia também. Um bom filme, mas que tem que estar meio que preparado, porque não é tão fácil de digerir.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

SUOR

Título Original: Sweat
Diretor: Magnus von Horn
Ano: 2020
País de Origem: Polônia
Duração: 106min
Nota: 8

Sinopse: Três dias na vida da motivadora do fitness Sylwia Zajac, cuja presença nas mídias sociais a tornou uma celebridade. Embora ela tenha centenas de milhares de seguidores, seja cercada por funcionários leais e admirada por conhecidos, o que ela realmente procura é a verdadeira intimidade.
 
Comentário: Mais um dos filmes que foram selecionados para a Palma de Ouro no Festival de Cannes que não ocorreu por conta da pandemia. O filme é muito bom, levanta várias questões interessantes e a maneira como tudo é mostrado também acaba dando uma carga para o filme que poderia muito bem ter ido por um caminho mais fácil. A relação entre a personagem e sua mãe tem várias camadas, o machismo e a misoginia transbordam e a falsidade da vida através de um celular acaba sendo o principal. A atriz está ótima no papel, merecedora de um prêmio de melhor atriz em Cannes caso o festival tivesse sido realizado. Um filme que parece raso se você assistir sem prestar atenção, mas muito profundo. Para uma discussão mais apurada seria necessário spoilers.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

GUERRA FRIA

Título Original: Zimna Wojna
Diretor: Pawel Pawlikowski
Ano: 2018
País de Origem: Polônia
Duração: 88min
Nota: 9

Sinopse: Durante a Guerra Fria entre a Polônia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma jovem cantora com histórias e temperamentos completamente diferentes vivem um amor impossível.

Comentário: Filme indicado a três Oscars e vencedor do prêmio de melhor diretor em Cannes, se o Oscar fosse uma premiação seria daria pelo menos o prêmio de melhor fotografia para ele. Que filme maravilhoso, só não digeri muito bem o final, mas de resto é uma obra prima perfeita. Joanna Kulig está estonteante e mostra que baita atriz ela é. Os cortes secos, criticado por muitos, funciona perfeitamente para quebrar o tempo e cai como uma luva nos saltos temporais que o filme dá a todo momento. A química entre os personagens, a maneira que o telespectador torce por eles só demonstra a maestria do roteiro de Pawlikowski, teve momentos que me vi no filme, pois tive um relacionamento parecido, o que fez do filme algo pessoal para mim. Achei melhor que Ida, filme anterior do diretor, que vem crescendo muito e tomando o lugar de Wajda na Polônia, provando que o cinema polonês ainda é bastante relevante e de uma qualidade única.