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sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

L'APOLLONIDE: OS AMORES DA CASA DE TOLERÂNCIA

Título Original: L'Apollonide: Souvenirs de la Maison Close
Diretor: Bertrand Bonello
Ano: 2011
País de Origem: França
Duração: 125min
Nota: 9

Sinopse: Em um elegante bordel parisiense do século XX, há um mundo claustro de prazer, dor, esperança, rivalidades e, acima de tudo, escravidão.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Um filme com uma narrativa estranha, mas com uma mensagem incrível. O filme é profundo, mais fundo que o fundo do poço. É triste e avassalador. O diretor não tenta passar uma visão feminina da coisa toda, não, ele escancara a podridão do patriarcado e o sistema de escravidão da prostituição (que cabe tão bem na pornografia de um modo geral na sociedade moderna). As atrizes cativam, passam pela tela como pessoas reais, a construção de tudo é fantástica. A trilha sonora com The Mighty Hannibal é um ponto a mais. Fotografia, figurino e montagem de encher os olhos de tanta perfeição. Mas fica aqui minha menção a Alice Barnole, que interpreta Madeleine, que atriz maravilhosa, fiquei chocado que ela não tenha feito muitos outros filmes depois deste, era para chover papel para esta mulher.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

MISTÉRIO

Título Original: Tayna
Diretor: Andrey Zvyagintsev
Ano: 2011
País de Origem: Rússia
Duração: 6min
Nota: 8

Sinopse: Uma história bem próxima da realidade mostrando que algumas portas fechadas escondem mistérios muito maiores do que você imagina e é melhor deixá-las fechadas. “Mistério” faz parte do Experimento 5IVE.
 
Comentário: O Experimento 5IVE financiado pela marca de chiclete Wrigley produziu cinco curtas metragens russos de aproximadamente 5 minutos cada. Aqui mostra o quão foda é Andrey Zvyagintsev, que consegue criar uma narrativa cheia de simplicidade e tensão com maestria. O diretor consegue tirar do espectador uma gama de sentimentos sem ter que criar nada mirabolante. Você fica se perguntando e criando possibilidades nos buracos que a história deixa de maneira muito pertinentes. Achei muito bom.

domingo, 8 de dezembro de 2024

O GAROTO DA BICICLETA

Título Original: Le Gamin au Vélo
Diretores: Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
Ano: 2011
País de Origem: Bélgica
Duração: 87min
Nota: 8

Sinopse: Abandonado pelo pai, um menino é deixado em uma fazenda para jovens administrada pelo Estado. Em um ato de gentileza, a cabeleireira da cidade concorda em adotá-lo nos fins de semana.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. O que eu gosto dos filmes dos Dardenne é que o menos é mais. São narrativas simples, mas que são cruas em seu realismo, que funcionam para emocionar, criar tensão e principalmente faz com que questionemos nós mesmos em situações que não nos imaginamos no cotidiano. Cécile de France, no papel de Samantha, consegue ofuscar até o garoto (que também está primoroso), mas é ela que dá todo o tom para que o filme não seja só mais um dentro do tema que propõe. Como pode existir pais (e não são poucos) como o mostrado aqui? Como a pessoa consegue viver consigo mesma? Não consigo entender.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

HANEZU

Título Original: Hanezu
Diretora: Naomi Kawase
Ano: 2011
País de Origem: Japão
Duração: 90min
Nota: 7

Sinopse: O marceneiro Takumi muda-se para uma pequena aldeia onde conhece Kayoko, uma mulher que estudou na mesma escola que ele. Kayoko é fascinada pela cor hanezu (carmesim); mora com o namorado Tetsuya. Logo, eles se apaixonam.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme se passa na região de Asuka, considerado o berço da civilização japonesa, por isso a forte conexão com antepassados, história e a herança tanto dos personagens trabalhado de forma poética pela diretora. Mas achei que o filme dispersa demais, preferi o Mães de Verdade com uma narrativa mais fundada na realidade. O título é uma palavra antiga que significa um tom de vermelho, especificamente um vermelho profundo ou carmesim, o que faz todo sentido. Yosano Yakiko, uma das poetisas modernas mais importantes do Japão utilizou esta palavra em um famoso poema. Os personagens são muito etéreos, não consegui criar uma conexão muito profunda com eles, mas há detalhes que encantam os olhos, como o pássaro na gaiola em contraste com os pássaros livres na casa de seus respectivos amores. Diz muito sobre o sentimento que eles impactam sua vida. Um filme bonito, mas que poderia ser mais amarrado.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

LABRADOR

Título Original: Labrador
Diretor: Frederikke Aspöck
Ano: 2011
País de Origem: Dinamarca
Duração: 70min
Nota: 8

Sinopse: Em uma ilha desolada e varrida pelo vento, Stella e Oskar, um jovem casal, visitam o pai dela, Nathan, que vive uma vida simples e solitária na companhia de seu cão labrador. No entanto, o relacionamento de Stella e Nathan não é exatamente normal.
 
Comentário: Indicado ao prêmio Câmera de Ouro no Festival de Cannes. O filme prova que qualquer história, por mais simples que seja, se bem escrita, pode se tornar algo realmente muito bom. É exatamente isto o que acontece neste filme. Os diálogos, as situações, tudo o que acontece em cena desperta algum sentimento, bom ou ruim, nos faz questionar os personagens e a nós mesmos. "O que faríamos em uma situação dessa?" é uma pergunta constante. O filme é curto e vai direto ao ponto, com um poder de síntese preciso, não há enrolação. Stephanie Leon, além de muito bonita mostra um talento de sobra interpretando Stella, consegue cativar desde que aparece até o fim. Os filmes da premiação Câmera de Ouro do Festival de Cannes sempre conseguem me surpreender no quesito qualidade. Vale a assistida.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

O PORTO

Título Original: Le Havre
Diretor: Aki Kaurismäki
Ano: 2011
País de Origem: França
Duração: 94min
Nota: 8

Sinopse: Quando um menino africano chega de navio cargueiro à cidade portuária de Le Havre, um engraxate idoso fica com pena da criança e a recebe em sua casa.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema e de outros dois no Festival de Cannes. Concordo com quem diz que o estilo do diretor combina mais com os cenários finlandeses, mas achei que no geral o filme não fica devendo em nada ao estilo característico do diretor. Gosto da insistência positivista de seus filmes, por mais que ele não deixe de lado as mazelas de seus personagens e  da critica político-social, há também o foco na bondade do ser humano, em um microcosmo de solidariedade e empatia. Não sou um grande conhecedor da obra de Kaurismäki, mas as "musas" de seus filmes parecem robôs, e acho isso interessante, dá muito o que pensar. O elenco todo está muito bem, a mensagem sobre imigração funciona, e isso na Europa de hoje é algo importantíssimo (infelizmente necessária). Não achei inferior a Folhas de Outono, mesmo alto nível.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

O POLICIAL

Título Original: Ha-shoter
Diretor: Nadav Lapid
Ano: 2011
País de Origem: Israel
Duração: 110min
Nota: 8

Sinopse: Yaron é um policial cuja identidade é definida por sua profissão e pela certeza de que seu código de honra é inabalável. Por trás dessa identidade está uma ideia de adoração corporal, chauvinista e perfeita. No entanto, tudo é questionado quando um grupo de "terroristas" israelenses sequestra empresários em um casamento.
 
Comentário: Indicado ao Leopardo de Ouro e vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno. Nadav Lapid é o meu mais novo queridinho depois do O Joelho de Ahed, aqui ele já mostra em seu longa metragem de estreia para o que veio. Um israelense anti sionista ao extremo, vejo o diretor hoje como uma das principais vozes contra o sistema fascista daquela ocupação nefasta que se chama Israel. Aqui é possível ver a construção e a desconstrução de toda a farsa ideológica por trás do que é o estado israelense, de forma muito sutil, é verdade, mas ainda assim está tudo aí. O que eu gosto do Lapid é exatamente isto, ele não dá nada mastigado para o telespectador, é preciso pensar, é preciso ligar pontos e se situar das coisas. Um filme muito bom, pena que os "terroristas" eram muito amadores.

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

AS ACÁCIAS

Título Original: Las Acacias
Diretor: Pablo Giorgelli
Ano: 2011
País de Origem: Argentina
Duração: 82min
Nota: 8

Sinopse: A pedido de seu chefe, um caminhoneiro aceita levar com ele uma mulher e um bebê de Assunção, Paraguai até Buenos Aires, Argentina, mas tenta ignorá-los durante a viagem.

Comentário: Vencedor da Câmera de Ouro no Festival de Cannes e de outros dois prêmios em premiações paralelas. O filme é muito bom, e isso se deve muito ao elenco, todos estão ótimos, inclusive a bebezinha, que é a coisa mais simpática do mundo. Eu gosto de histórias assim, que se constrói no silêncio, nos detalhes, nas entrelinhas e gestos. Há uma infinidade de histórias não contadas com os personagens e nos simpatizamos com eles por serem tão parecidos conosco, pessoas comuns em situações comuns. O diretor sabe aproveitar de maneira muito competente o que tem em mãos e sabe o que está fazendo. Um filme que não precisa se estender, curto e direto, às vezes eu acho que falta esse poder de síntese no cinema hoje em dia. Vale a pena, mas tem que curtir este estilo, senão vai achar que é um filme monótono.

segunda-feira, 6 de maio de 2024

A FONTE DAS MULHERES

Título Original: La Source des Femmes
Diretor: Radu Mihaileanu
Ano: 2011
País de Origem: Marrocos
Duração: 119min
Nota: 6

Sinopse: Uma comédia/drama ambientado em uma vila e centrado em uma batalha de sexos, em que mulheres ameaçam negar favores sexuais se seus homens se recusarem a buscar água em um poço remoto.

 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme funciona, acho que este é um ponto principal, a atriz principal (Leïla Bekhti) tem uma presença tão forte em todo momento que aparece que digo sem dúvida nenhuma que o filme é dela, o que funciona mais é por conta dela. Agora se analisarmos friamente alguns pontos o filme vai ladeira abaixo: Um filme tipicamente que deveria ser dirigido por uma mulher, falta a compreensão do universo feminino ao diretor para o que ele quer passar. Para mim é claramente visível se compararmos este com o Colméia, por exemplo. Além disso, o fato de um europeu-judeu ser o diretor me deixou com o pé atrás com algumas caracterizações estereotipadas do povo árabe. Porque não fazer o filme em um vilarejo judeu ortodoxo? Porque tentar mostrar os homens muçulmanos como retrógrados, machistas e folgados? Trabalho com vários árabes e coisa que não posso dizer de nenhum deles é de que são folgados, são pessoas que jamais deixariam as mulheres passarem por situações como mostradas no filme. Me incomodou demais esta visão euro centrista. Até onde percebo, pois trabalho com muitos romenos também, é de que o filme poderia passar em um vilarejo na própria Romênia, nacionalidade do diretor, pois são mais machistas e rigorosos em muitos pontos que o povo árabe. Já deu essa tentativa do ocidente de tentar difamar outros povos assim.

PS: Apesar de ser uma produção francesa, o filme se passa no Marrocos, é falado em árabe, não possui nem um diálogo em francês ou mesmo um diretor francês. De francês tem só o dinheiro mesmo, achei mais fiel cadastrá-lo como um filme marroquino.

domingo, 10 de março de 2024

AQUI É O MEU LUGAR

Título Original: This Must Be The Place
Diretor: Paolo Sorrentino
Ano: 2011
País de Origem: EUA
Duração: 118min
Nota: 8

Sinopse: Cheyenne, um astro do rock aposentado vivendo de seus royalties em Dublin, retorna a Nova York para encontrar o homem responsável pela humilhação sofrida por seu pai, recentemente falecido, durante a Segunda Guerra Mundial.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do Juri Ecumênico no Festival de Cannes. Confesso que apesar do filme ser muito bom, preferi os trinta minutos iniciais que se passam em Dublin, derrepente toda a história muda, muita coisa que eu estava adorando é deixada para trás e ele passa a caçar um nazista nos EUA. Não gostei muito da atuação do Sean Penn aqui também, tem horas que ele parece um retardado lesado por drogas, mas quando o roteiro convém ele está mais espertinho. Mas o filme não decepciona, talvez por conta de toda a genialidade de Sorrentino que sabe muito bem o que está fazendo. O diálogo entre Penn e David Byrne (sério que tem gente que não sabe quem é David Byrne?) é das melhores coisas de todo o filme, há tanto ali. O filme não chega a ter o peso de outros trabalhos do diretor, mas consegue ser uma produção americana de alto nível, mas acho que Sorrentino funciona melhor no cinema italiano.

domingo, 25 de abril de 2021

CORPO CELESTE

Título Original: Corpo Celeste
Diretor: Alice Rohrwacher
Ano: 2011
País de Origem: Itália
Duração: 99min
Nota: 7

Sinopse: Marta é uma adolescente de 13 anos que retorna ao sul da Itália depois de passar dez anos na Suíça. Com dificuldades para se adaptar à nova vida ela passa horas observando o que está a seu redor. Ao mesmo tempo, enquanto se prepara para sua crisma, questiona a moralidade da comunidade católica local. A partir de acontecimentos importantes para ela, como a primeira menstruação e a decisão de cortar o próprio cabelo, Marta começa a tomar controle da sua vida pela primeira vez desde que chegou à Itália.

Comentário: Indicado ao prêmio Câmera de Ouro no Festival de Cannes, era  o único filme que não havia assistido da diretora do excelente As Maravilhas e do Feliz Como Lázaro. Acho que a sinopse exagera quando diz que a personagem principal questiona a moralidade da comunidade católica local, quem faz isso é a própria diretora com o decorrer do filme, a personagem está apenas perdida em meio ao caos social e religioso que é sua vida, acho inclusive que faltou um pouco mais de ação na personagem que é bem apática, magistralmente interpretada pela atriz Yle Vianello, pois conseguimos ver que Marta é uma menina de 13 anos com vários problemas psicológicos de se expressar ou de confrontar o mundo exterior. Isso deu uma carga realista impressionante, mas ao mesmo tempo deixou o filme um pouco desinteressante de assistir, pois ela quase não fala e quase não toma atitudes em relação a nada. Um filme difícil, mas que mostra que a diretora é uma das mais importantes da nova safra do cinema italiano, provou isso já no segundo filme quando faturou o prêmio do juri em Cannes.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

ELENA

Título Original: Elena
Diretor: Andrey Zvyagintsev
Ano: 2011
País de Origem: Rússia
Duração: 109min
Nota: 7

Sinopse: Quando uma doença súbita e uma reunião inesperada ameaçam a possível herança da dona de casa obediente, Elena, ela deve traçar um plano desesperado ...

Comentário: Filme vencedor do Prêmio Especial do Juri da premiação Um Certo Olhar. O prêmio é merecido já que o filme é tecnicamente perfeito, e bota perfeição nisso. Zvyagintsev mostra aqui toda a competência como diretor, desde a iluminação, fotografia, trilha sonora, atuações, enfim... tudo é perfeito, mas ao mesmo tempo ele nos entrega um filme hermético, frio demais, sem muito sentimento. Acredito que tudo foi milimetricamente pensado, já que a história combina com esse "jeito" de fazer o filme, mas por outro lado tem a experiência do telespectador que poderia ser um pouco melhor. Eu não me senti em nenhum momento ligado emocionalmente aos personagens ou ao filme de maneira geral, fui um mero observador, e isto foi estranho.

sábado, 4 de julho de 2020

O CAVALO DE TURIM

Título Original: A Torinói Ló
Diretores: Béla Tarr & Ágnes Hranitzky
Ano: 2011
País de Origem: Hungria
Duração: 155min
Nota: 9

Sinopse: Uma voz conta, sem imagens, que em Turim, no dia 3 de janeiro de 1889, Friedrich Nietzsche saiu pela porta do número 6 da Via Carlo Alberto para caminhar ou para buscar suas correspondências nos Correios. “Não muito longe, aliás, bastante longe dele, um cocheiro estava tendo problemas com o seu teimoso cavalo”, conta o narrador. Apesar de todos os esforços do cocheiro, o animal se recusava a mover-se. O dono do cavalo perdeu a paciência e começou a chicoteá-lo. Nietzsche teria surgido no meio da “multidão” e interrompe a sessão de tortura ao colocar os braços ao redor do pescoço do cavalo, para a ira do cocheiro. Levado por um vizinho para casa, ele teria ficado dois dias silencioso no sofá, até que teria dito: “Mãe, eu sou um tolo”. Segundo o narrador, Nietzsche teria vivido mais 10 anos, calmo e louco, aos cuidados da mãe e das irmãs. Mas sobre o cavalo, não se soube mais nada. A partir daí, mergulhamos na história de um cavalo castigado, seu dono e filha. Uma história silenciosa e louca, que reflete o “fim do mundo” ou, pelo menos, da “Humanidade”.

Comentário: Filme vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. O que dizer desse filme? Eu não indicaria para ninguém, pois ele não é um filme fácil que agradaria qualquer pessoa. O filme é tecnicamente perfeito, a fotografia, atuações, direção de arte, iluminação... enfim, tudo é perfeito. O filme é longo e aparenta não acontecer nada, como o próprio diretor já disse: "É uma anti-história". Mas é impressionante como ele nos diz tanto, em cada detalhe há a futilidade de nossa existência. O diálogo da obra com Nietzsche é enorme. Não há muito o que dizer, mas ao mesmo tempo há tanto. Uma resenha difícil de fazer já que acredito que os significados e percepções da película são exclusivas de cada um que a assista. Para mim há uma certa referência a diretores como Ingmar Bergman (Principalmente ao filme O Sétimo Selo) e Victor Sjöström. Para mim valeu demais a experiência, não sei para você.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

PERDÃO DE SANGUE

Título Original: Falja e Gjakut
Diretor: Joshua Marston
Ano: 2011
País de Origem: Albânia
Duração: 109min
Nota: 9

Sinopse: Uma família Albanesa é virada de cabeça para baixo por um assassinato, resultando numa dívida de sangue que transforma Nik e sua irmã Rudina em alvos. Forçados a saírem da escola e permanecerem para cuidar dos assuntos e negócios da família.

Comentário: Ganhador do prêmio de melhor roteiro e do juri ecumênico no Festival de Berlin. Joshua Marston, o diretor do filme, é americano com mestrado em ciências políticas e graduado em ciências sociais por Berkeley, fala francês, italiano, espanhol, tcheco, alemão e albanês... tudo isso para dizer que o filme é simplesmente uma aula em forma de filme. E que aula! Achei simplesmente fantástico, como existem culturas tão diferentes em pleno século XXI dentro da Europa que nem fazemos ideia. A direção, atuação, roteiro, desfecho, tudo funciona muito bem. Galera que reclama do filme ser lento tem mais é que ir assistir Velozes e Furiosos. Acho que o único ponto em que o filme peca é não explorar mais a relação de Nik com alguns membros da família. Nesta época de pandemia, em plena quarentena, é um filme extremamente válido, já que o personagem é obrigado a ficar preso em casa e vai perdendo o controle emocional aos poucos por isso. Recomendadíssimo!

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

ERA UMA VEZ NA ANATÓLIA

Título Original: Bir Zamanlar Anadolu'da
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 2011
País de Origem: Turquia
Duração: 151min
Nota:  9

Sinopse: Nas planícies da Anatólia, na Turquia, um grupo composto de um policial, um médico legista e um advogado conduz dois prisioneiros em busca do local onde enterraram sua vítima. Já é tarde da noite e, em meio à escuridão, eles não conseguem mais encontrar o local exato onde foi colocado o cadáver. Entre as divagações e os deslocamentos, o advogado e o médico começam a se conhecer melhor, percebendo que eles têm pontos de vista muito diferentes sobre a vida.

Comentário: Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2011. Nuri Bilge Ceylan, para mim, é um dos maiores diretores da atualidade e o filme posterior a este, Sono de Inveno, é um dos melhores filmes dos últimos dez anos. Era uma Vez na Anatólia é uma bela surpresa, sua história simples e reflexiva demonstra todo o poder de uma excelente narrativa, sem necessidade de nada muito mirabolante. A fotografia é belíssima e os personagens são profundos, são praticamente duas horas onde a única coisa que acontece é a busca por um corpo na estrada entre vilarejos, mas onde várias outras sub-histórias começam a acontecer entre diálogos. Achei que o filme perde um pouco a força em sua meio hora final, quando ele sai do elemento construído até ali, mas nada que estrague sua narrativa. Não achei o filme cansativo e nem arrastado, muito pelo contrário, me senti preso a ele. Gostei muito do personagem do Comissário Naci, com seu jeito explosivo e se sentindo constrangido a todo momento. O embate entre a fé do promotor contra o ceticismo do médico rende a verdadeira grande história do filme. Um filme difícil de descrever, inovador e de uma sensibilidade ímpar.

segunda-feira, 25 de março de 2019

A SEPARAÇÃO

Título Original: Jodaeiye Nader az Simin
Diretor: Asghar Farhadi
Ano: 2011
País de Origem: Irã
Duração: 123min
Nota: 10

Sinopse: Simin e seu marido Nader, estão se preparando para deixar o Irã, com a filha Termeh. Mas Nader, preocupado com seu pai, que sofre de Alzheimer, acaba desistindo da viagem. Decepcionada, Simin, entra com pedido de divórcio, que é negado pela vara de família. Ainda assim, ela decide sair de casa, deixando Termeh, para trás. Sem conseguir lidar com todas essas mudanças, Nader, contrata a jovem Razieh, para cuidar de seu pai doente. Grávida, a moça está trabalhando escondida do marido.

Comentário: O filme ganhou o Oscar e o César de melhor filme estrangeiro e ainda o Urso de Ouro em Berlim. É um belo filme, onde uma intrincada história mostra como a vida é feita de ações e reações. Longe de ser um filme com ritmo lento, o filme é frenético, e faz o telespectador mudar de percepção sobre a história que está assistindo a todo momento, não sabemos em quem acreditar, não sabemos do lado de quem ficar, e é isto que faz deste filme único. Assim como na vida, não existem heróis, não existem vilões, nem certo ou errado, apenas decisões erradas que podem ser catastróficas. As atuações são excelentes, comi todas as minhas unhas durante a película, com cenas que fazem questionarmos nossos próprios valores morais. Farhadi mostra que é um dos grandes diretores contemporâneos ganhando aqui o primeiro de seus dois Oscars, sendo indicado ao Oscar de melhor roteiro original por este, inclusive. Um dos filmes preferidos de uma pessoa muito especial para mim, por isso foi escolhido para estrear este blog.