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sexta-feira, 17 de julho de 2026

FOI APENAS UM ACIDENTE

Título Original: Yek Tasadof-e Sadeh
Diretor: Jafar Panahi
Ano: 2025
País de Origem: Irã
Duração: 103min
Nota: 10

Sinopse: Um mecânico humilde é assombrado pelo tempo em que foi torturado em uma prisão iraniana quando encontra um homem que suspeita ser o seu sádico carcereiro.
 
Comentário: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme é excelente, mas não parece um filme do Panahi, o que tira um pouco a expectativa que eu tinha no filme, lembra mais o cinema de um Rasoulof ou Farhadi. O personagem Hamid, interpretado por Mohamad Ali Elyasmehr rouba todas as cenas em que aparece e faz todo o sentido para mim. Tem coisas para mim que pareciam tão simples de resolver, mas é preciso ser iraniano para entender como os personagens tomam suas decisões. Assisti ao lado da minha esposa e sogra, ambas iranianas, e tive que dizer para elas que os persas são um povo civilizado demais. O final é o que faz o filme ter a força que tem, foi perfeito e dá a mensagem que precisa ser dada, é preciso por toda a civilidade de lado as vezes.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

ESTRADAS DE KIAROSTAMI

Título Original: The Roads of Abbas Kiarostami
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 2005
País de Origem: Irã
Duração: 31min
Nota: 7

Sinopse: Um documentário composto por poesia, música e fotos. Kiarostami o fez a partir de algumas fotos que tirou de algumas estradas do Irã pelas quais passou ao longo dos anos.
 
Comentário: Um média metragem mais experimental de Kiarostami, seguindo um pouco o estilo de Cinco Dedicado à Ozu. É lindo de assistir e confesso que preferiria que Kiarostami falasse mais, porque eu simplesmente amo quando ele divaga suas ideias, é como se transbordasse algo iluminado. Quando escuto ele falar me parece um pioneiro do ASMR, hehehehehehe, relaxa até a alma. As fotos e a montagem deste filme são só um detalhe positivo a mais. Um bom trabalho do gênio iraniano que merece ser assistido. Acho que depois de assistir as explicações dele sobre seu trabalho mais experimental em Fazendo 5 ficou mais fácil de entrar neste tipo de proposta do diretor.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

FAZENDO 5

Título Original: Around Five / Making Of 5
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 2005
País de Origem: Irã
Duração: 51min
Nota: 9

Sinopse: Movimento confessional de Abbas Kiarostami sobre a realização mais experimental de sua carreira, com o filme 'Five'. Enquanto comenta o processo criativo das cinco sequências do filme de 2003, o diretor reflete questões sobre figuração e abstração, rumos do cinema digital, conexão entre as artes, sua relação com o público, dentre outras pontuações sobre cinema e estética.
 
Comentário: Acho que é imprescindível assistir a este making of para que a experiência com o filme Cinco Dedicado à Ozu faça muito mais sentido, ou talvez "sentido" não seja a palavra certa, mas que a experiência seja outra. Assisti ao filme no Irã deitado na cama de madrugada enquanto esperava à final do Campeonato Paulista entre Corinthians em Palmeiras, comecei a achar bem entediante e confesso que tirei uns cochilos enquanto assistia e me senti culpado, afinal era um Kiarostami. Ouvir neste Making Of que esta era exatamente a intenção do diretor fez com que eu percebesse que consumi o filme de uma maneira sensorial mais do que apropriada e entendi muito do que havia por trás de suas intenções ao realizá-lo. Nunca achei que assistir Making Of's seja algo obrigatório, mas aqui eu acho que seja.

sábado, 26 de julho de 2025

UM ATO DE CARIDADE

Título Original: Paziraie Sadeh
Diretor: Mani Haghighi
Ano: 2012
País de Origem: Irã
Duração: 96min
Nota: 10

Sinopse: Um casal iraniano da cidade dirige por uma remota região montanhosa. Eles distribuem sacolas de dinheiro para moradores pobres em troca de pedidos incomuns que o casal faz.
 
Comentário: Vencedor de um prêmio fora da competição principal no Festival de Berlim. Que filmaço! Fui assistir sem esperar muito e o filme entrega tudo. A direção é ótima, a trilha sonora funciona perfeitamente nas cenas e o casal protagonista simplesmente brilham em frente as câmeras. Um filme não muito conhecido dentro do cinema iraniano (minha esposa que é iraniana nunca assistiu e acabei vendo sozinho e amei). Um filme profundo e que consegue ter fortes cargas dramáticas com cenas hilárias e de uma comédia que não força demais os personagens. Senti raiva tanto dele quanto dela em vários momentos do filme ao mesmo tempo que os amei. Roteiro perfeito, pois é muito difícil conseguir manipular tão bem o sentimento do telespectador como ele faz. Merecia ser mais conhecido.

sábado, 24 de maio de 2025

CINCO DEDICADO À OZU

Título Original: Five Dedicated to Ozu
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 2003
País de Origem: Irã
Duração: 74min
Nota: 6

Sinopse: Encontrando-se em uma casa no norte do Irã, à beira do Mar Cáspio, o diretor pegou sua câmera portátil e começou a filmar os eventos aparentemente anódinos que aconteciam nos 500 metros de praia em frente à sua casa: um pedaço de madeira brincando com as ondas, pessoas caminhando à beira-mar, formas indistintas em uma praia invernal ou patos barulhentos.
 
Comentário: Adoro Kiarostami e também adoro Ozu, bem... dito isso posso dizer que achei bem chato de assistir. Entendo que a proposta do diretor é esta, mas não deixa de ser chato. A sinopse diz que as filmagens foram feitas no norte do Irã, porém no IMDB a localização é colocada como a praia de San Lorenzo na Espanha. Dois livros de 2007 atestam que as filmagens foram feitas no Irã, exceto a segunda, feita realmente na Espanha. Tem que ter paciência para assistir, confesso que era madrugada e quase caí no sono. Se você não for obcecado pela obra do diretor, como eu, não indico este filme não. Preciso assistir o Making-Off do filme ainda, talvez ressignifique algo com o diretor falando.

sábado, 17 de maio de 2025

À SOMBRA DO CIPRESTE

Título Original: In the Shadow of the Cypress
Diretores: Hossein Molayemi & Shirin Sohani
Ano: 2023
País de Origem: Irã
Duração: 20min
Nota: 10

Sinopse: Vivendo em uma casa à beira-mar com sua filha, um ex-capitão com transtorno de estresse pós-traumático leva uma vida difícil e isolada.
 
Comentário: Indicado para Melhor Curta Metragem no Festival de Veneza e Vencedor do Oscar de Melhor Curta de Animação. Que coisa mais maravilhosa de assistir, o desenho é lindo demais e a narrativa é maravilhosa. Todo mundo que já passou por alguma situação traumática sabe o quanto é difícil deixar isso para trás e este filme mergulha fundo nisso. Sem diálogos, sem precisar falar uma palavra, ele consegue fazer em vinte minutos o que muito filme não consegue em duas horas. Me emocionei bastante e acho que tenho tentado deixar muitas dores para trás nos últimos anos, e é difícil, portanto um curta desse além de ajudar se torna necessário no mundo de hoje.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

DEZ

Título Original: Dah
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 2002
País de Origem: Irã
Duração: 89min
Nota: 9

Sinopse: Um teste social visual na forma de dez conversas entre uma motorista e seus vários passageiros.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Quando o filme terminou eu dei uma nota 8, mas só depois eu descobri que tudo é roteirizado e o filme cresce mais com isso, pois é impressionante o trabalho dos atores. Amin Maher, o garoto que interpreta o filho dá um show de interpretação e irrita demais (hoje ele é um trans-ativista que prefere ser chamado de Amina e mora em Berlim). Todo o diálogo, tudo o que vai sendo criado em torno dos pedaços de histórias que vão passando pelo carro, só mostra mais e mais como Kiarostami era um gênio. No IMDB o filme consta apenas com Abbas Kiarostami como diretor, em outros lugares coloca a atriz principal Mania Akbari como co-diretora também. Há vários momentos e várias camadas sobre a sociedade do Irã em cada diálogo, inclusive o pragmatismo em que a motorista enxerga algumas coisas (acredite, sou casado com uma iraniana). Mas acho que é unânime que a cena com a última mulher é a melhor de todo o filme e emociona. O filme foi banido no Irã por anos pelo teor contestador.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

O VENTO NOS LEVARÁ

Título Original: Bad Ma Ra Khahad Bord
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1999
País de Origem: Irã
Duração: 118min
Nota: 7

Sinopse: Munido de câmera fotográfica e telefone celular, um estrangeiro no próprio país é tratado pelos moradores da vila de casas de barro Siah Dareh, no Curdistão iraniano, como o “engenheiro”. No entanto, ele não chegou de Teerã a serviço da engenharia, mas da espera. O real motivo da viagem é uma anciã à beira da morte.
 
Comentário: Vencedor do Grande Prêmio Especial do Júri, do Prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema e de mais um fora da competição oficial no Festival de Veneza. O filme funciona e não funciona, ele faz você prestar atenção redobrada em algumas partes e em outras dispersa completamente o telespectador, há uma insistência em cenas repetitivas, mas logicamente que tudo há uma mensagem, que não será entendida completa e resta ao telespectador ter que lidar com isso. Acho que é um filme para se rever daqui um tempo, não sei muito o que pensar sobre ele. O garotinho Farzad é o grande trunfo do filme, todas as cenas com ele são maravilhosas. A direção e a parte técnica retratando essa região do Curdistão iraniano é maravilhosa, não conheço essa região do Irã, na semana que assisti ao filme descobri que o cara que corta meu cabelo é exatamente desta parte do Irã, sempre achei que ele era um curdo do Iraque. Coincidências.

domingo, 15 de dezembro de 2024

A SEMENTE DO FRUTO SAGRADO

Título Original: Dane-ye Anjir-e Ma'abed
Diretor: Mohammad Rasoulof
Ano: 2024
País de Origem: Irã
Duração: 166min
Nota: 9

Sinopse: O juiz de instrução Iman luta contra a paranoia em meio à agitação política em Teerã. Quando sua arma desaparece, ele suspeita de sua esposa e de suas filhas, impondo medidas draconianas que desgastam os laços familiares.
 
Comentário: Vencedor do Prêmio Especial do Júri e vencedor de outros 3 prêmios fora da competição principal no Festival de Cannes. Filme que abre de maneira tardia o ano de 2024 aqui no blog e um dos mais comentados devido a sua estreia com a fuga do diretor do país para aparecer em Cannes. O filme é ótimo, trás para a mesa uma discussão contemporânea e o choque de gerações que vive o Irã neste momento. Nunca tinha parado para pensar como deve ser a vida de pessoas contra o sistema com familiares que apoiam. Não achei o melhor filme do Rasoulof, achei inclusive que lembra mais um filme do Asghar Farhadi em muitos pontos. Me lembrou demais ao livro A Costa do Mosquito (não assisti ao filme) do escritor Paul Theroux, principalmente no desenvolvimento do personagem do pai. Parece que todo o elenco teve que sair do país também, o filme teve uma enorme repercussão e foi o indicado pela Alemanha ao Oscar de Filme Estrangeiro. Um filme necessário.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

GOSTO DE CEREJA

Título Original: Ta'm e Guilass
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1997
País de Origem: Irã
Duração: 92min
Nota: 10

Sinopse: Um homem iraniano dirige seu caminhão procurando alguém para enterrá-lo silenciosamente debaixo de uma cerejeira depois que ele cometer suicídio.
 
Comentário: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Talvez seja a obra prima do mestre Kiarostami, mas não sei se é o meu preferido. Porém é um filme excepcional que se destaca pela complexidade daquilo que transmite. Todo ser humano tem suas complexidades e ninguém sabe o que está passando na cabeça de outra pessoa, ninguém realmente conhece outra pessoa; A obra então pode até ter um diálogo com Solaris de Stanislaw Lem (transposto para o cinema pelo grande Tarkovski). Homayoun Ershadi está perfeito no papel principal, evoca emoções de maneira apática. Tudo no filme é como tinha que ser, e depois de descobrir como foi filmado, com o diretor no banco do passageiro nas cenas com o motorista e no banco do motorista nas cenas dos passageiros: o filme fica ainda maior. Costumo a ser pessimista, mas confesso que o filme aflorou um lado positivista no desfecho. Um filme para ser revisitado no futuro.

sábado, 19 de outubro de 2024

CLOSE-UP

Título Original: Nema-ye Nazdik
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1990
País de Origem: Irã
Duração: 98min
Nota: 9

Sinopse: A verdadeira história de Hossain Sabzian, um cinéfilo que se apresentou como o diretor Mohsen Makhmalbaf para convencer uma família a ser protagonista em seu novo filme.
 
Comentário: A maneira que Kiarostami filmou este filme é de uma originalidade ímpar. Há partes que parecem com um documentário, mas há outras completamente encenadas, o que faz a gente ficar imaginando como é que foi fazer este filme. É impressionante o carisma de Hossain Sabzian, seu amor pelo cinema e pela maneira que nos conquista. Ele é a alma do filme, é ele quem faz o filme acontecer mais do que o próprio diretor, muito triste que tenha morrido depois de um ataque de asma e ficar quatro meses em coma exatamente quando iria fazer outro filme com Kiarostami. A sensibilidade do diretor, óbvio, que conta muito pelo produto final. A cortesia que o povo iraniano te trata na rua é muito diferente do que em qualquer lugar do mundo que eu conheci, e aqui é possível ter um pouco essa experiência. Não diria que é um filme obrigatório, pois talvez não seja o estilo de uma grande maioria, mas para mim e para quem realmente ama cinema é um filme necessário.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

LIÇÃO DE CASA

Título Original: Mashgh-e Shab
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1989
País de Origem: Irã
Duração: 71min
Nota: 7

Sinopse: Neste documentário, Kiarostami pergunta a vários alunos sobre seus deveres de casa da escola. As respostas de algumas crianças mostram o lado mais obscuro deste método de educação.
 
Comentário: Outro curta feito para o Instituto para Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens Adultos, mas o que difere esse dos outros é mostrar como a Guerra Irã-Iraque afetava o pensamento das crianças. Apesar do foco ser a lição de casa, que dá o título ao documentário, é interessante ver como as crianças falam do cenário em guerra naquele momento. Tirando isso, é um pouco mais do mesmo do que Kiarostami havia feito até ali. Como fui criado em uma família cheia de pedagogos achei a discussão muito pertinente, tanto quando são as crianças falando como os adultos. Triste também notar que a "cultura" da lição de casa pouco mudou, nossas crianças ainda são bombardeadas comresponsabilidades que não condiz com a realidade e muitas vezes chega até a obrigá-las a perder um pouco da infância. Vejo esse reflexo nos meus sobrinhos nos dias atuais.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

OS ALUNOS DO PRIMEIRO ANO

Título Original: Avaliha
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1984
País de Origem: Irã
Duração: 79min
Nota: 6

Sinopse: Uma câmera escondida segue um grupo de alunos da primeira série durante o dia na escola. Enquanto alguns alunos cantam no recreio, outros são chamados ao gabinete do superintendente – onde o supervisor lida com os retardatários e os desordeiros entrevistando os rapazes inocentes e oferecendo conselhos sábios.
 
Comentário: Um documentário que tenta mostrar a importância do convívio social que divide a fase da infância em que a criança está acostumada a conviver mais com a família para a fase em que terá que enfrentar o convívio com a sociedade. A figura do superintendente é o núcleo e o que faz o filme funcionar, mas algumas crianças em especial conseguem roubar a cena e nosso coração, o garotinho preocupado com o colega que vai perder a aula é o mais fofo de todos. Kiarostami dentro do universo que foi sua obsessão em começo de carreira, a infância, este filme é o último que realizou antes de sua grande obra sobre o assunto: Onde Fica a Casa do Meu Amigo?. Talvez se alongue demais e torne algumas tomadas cansativas, mas no geral é acima da média.

sábado, 17 de agosto de 2024

CRÔNICAS DO IRÃ

Título Original: Ayeh Haye Zamini
Diretores: Ali Asgari & Alireza Khatami
Ano: 2023
País de Origem: Irã
Duração: 77min
Nota: 8

Sinopse: Pessoas comuns, de diferentes classes, enfrentam restrições culturais, religiosas e institucionais impostas por diversas autoridades sociais, como professores e burocratas. Essas vinhetas movimentadas, divertidas e comoventes capturam o espírito e a determinação da população iraniana diante das adversidades.
 
Comentário: Indicado ao prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Ali Asgari é o diretor do ótimo curta Mais Que Duas Horas e Alireza Khatami dirigiu no Chile o excelente Os Versos Esquecidos, então minhas expectativas eram altas. O filme é super simples, com várias situações que satirizam não só o governo, mas a própria sociedade iraniana em determinados momentos. Há algumas muito engraçadas, outras angustiantes. Há situações caricatas e outras extremamente realistas. Para dar um exemplo, minha esposa já passou por uma entrevista de emprego em Teerã parecida com a do filme, escancarando o machismo. Eu ri demais do cara querendo colocar o nome do filho de Davi e fiquei nervoso demais na entrevista de emprego do cara que finge se lavar. No geral é um filme muito bom, onde trás situações estereotipadas em alguns momentos que parece querer agradar o ocidente com uma visão deturpada do Irã (já que existe motos que funcionam como táxi na cidade e minha esposa vive pegando, então não entendi aquele lance da menina chegar de moto na escola ser um problema), ao mesmo tempo que trás situações iguais as que já passamos como a multa do carro por causa do hijab.

domingo, 4 de agosto de 2024

O CONCIDADÃO

Título Original: Hamshahri
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1983
País de Origem: Irã
Duração: 51min
Nota: 3

Sinopse: Neste documentário, um policial tenta, numa rua de Teerão, controlar o trânsito e não permitir que as pessoas infrinjam a lei, o que as leva a reagir de diferentes formas gerando todo tipo de situações.

Comentário: Jamais imaginei que daria uma nota tão baixa para algo do Kiarostami, mas realmente não gostei deste. Pode ser interessante como recorte antropológico daquele tempo, mas a insistência na repetição de situações por tanto tempo é algo que torna a experiência de assisti-lo chata. Não há nenhum aprofundamento, uma entrevista com o policial ou com os cidadãos sobre o que acham do novo plano de trânsito na cidade, ou maiores impactos que isto está gerando nas pessoas. Para que quase uma hora disso? Podia ter uns 20 minutos e seria um filme regular, ninguém gosta de ficar preso no trânsito, assistir isso é tão ruim quanto. Galera em Teerã buzinam demais.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

GABBEH

Título Original: Gabbeh
Diretor: Mohsen Makhmalbaf
Ano: 1996
País de Origem: Irã
Duração: 72min
Nota: 9

Sinopse: Quando um casal de idosos lava o gabbeh, um tipo de tapete persa, uma jovem aparece magicamente e conta a história de sua vida.

Comentário: Indicado ao prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Tenho esse filme desde 2008 e nunca tinha assistido, mais de uma década depois resolvi assistir voltando de Teerã. Adorei a narrativa, os diálogos entre o casal de idosos e a Gabbeh, mesmo a história principal sendo um pouco simplista demais, são esses elementos que dão o tom que o filme precisa, fazendo ele ser tão bem visto até hoje. É a maneira de se contar a história e aproveitando os recursos lúdicos e fantásticos que somos conquistados pelo que está na tela. Um filme curtíssimo que nos mantém grudados na tela e serve para dialogar sobre tantas coisas: amor, envelhecimento, cultura, juventude... há uma infinidade de coisas. Muito gostoso de assistir.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

UMA LUZ NA NEBLINA

Título Original: Cheraghi Dar Meh
Diretor: Panahbarkhoda Rezaee
Ano: 2008
País de Origem: Irã
Duração: 104min
Nota: 4

Sinopse: Rana e o pai vivem sozinhos e ganham a vida consertando lamparinas e fazendo carvão em uma casa rústica em um local perdido no Irã. O pai sugere que ela se case com Rahmat, um vizinho distante.

Comentário: O filme é experimental demais, não funcionou muito comigo. Há cenas lindas, mas ao mesmo tempo há cenas que não conseguem captar a beleza do norte do Irã. O filme foi feito na cidade de Mazandaran, que eu não conheço, entendo que a neblina faz parte da narrativa no contexto de que os personagens trabalham com lamparinas e carvões (algo que gera luz), mas há lugares maravilhosos no norte do Irã que tornariam o filme mais palatável, pelo menos no que diz respeito a contemplação: Chalous, Ramsar ou Rasht, por exemplo. Não sou muito o público para essas coisas experimentais, gosto de narrativa, diálogos, história. Esperava algo mais.

sábado, 27 de julho de 2024

TÁXI TEERÃ

Título Original: Taxi
Diretor: Jafar Panahi
Ano: 2015
País de Origem: Irã
Duração: 81min
Nota: 8

Sinopse: Jafar Panahi foi proibido de fazer filmes pelo governo iraniano. Ele finge ser um motorista de táxi e faz um filme sobre os desafios sociais no Irã.

Comentário: Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Assisti dois dias depois de voltar de Teerã, lugar que eu amo, fiquei procurando lugares conhecidos ao fundo sem sucesso. Provavelmente foi filmado em partes afastadas da cidade, porque o trânsito está muito leve. Panahi é um gênio, mas apesar do filme ser muito bom, não dá para comprar a ideia de um documentário. O filme foi feito com atores amadores que não foram identificados para que não tivessem problemas com o governo, já que o diretor estava proibido de filmar. Há cenas que transmitem um realismo e outras que há uma encenação plástica descarada. Nunca estive em Teerã em 2015, quando foi filmado, mas de cinco anos atrás para cá eu nunca vi um táxi pegando pessoas diferentes pelo caminho, o que faz o filme parecer um produto para ser vendido ao mercado internacional com uma visão não tão realista. Mas é essa fábula imaterial que faz o filme funcionar também, como as senhoras que carregam os peixes. Um típico filme do diretor, confesso que preferi muito mais o 3 Faces ou o Sem Ursos dele, mas este não deixa de manter o nível. A sobrinha dele no filme fazendo o papel dela mesma é o ponto mais alto, o talento parece estar na genética da família Panahi. Faz dias que estou longe de Teerã e a saudades só aumenta, contando os dias para voltar.

domingo, 30 de junho de 2024

O CORO

Título Original: Hamsarayan
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1982
País de Origem: Irã
Duração: 17min
Nota: 8

Sinopse: Um senhor que precisa de aparelho para poder ouvir os sons ao seu redor volta para casa ao fim da tarde. Um belo ensaio sobre o silêncio e o som, a opção de se ouvir o que quer e as surpresas que o som pode trazer.

Comentário: Meu maior sonho era poder desligar meu ouvido, sofro de misofonia e trabalho em um lugar que tem me abalado profundamente no nível de saúde mental devido ao barulho incessante de músicas extremamente alta sem necessidade nenhuma. O curta é lindo, com cenas belíssimas principalmente no seu início, confesso que fiquei nervoso com o senhor que esqueceu que tinha uma neta chegando, pensei "mas que falta de responsabilidade não se atentar na hora" e lembrei de todas as vezes que fui esquecido na escola, me gerou uma certa angústia, mas Kiarostami acabou deixando tudo com sua leveza habitual, dando um gostinho agridoce na situação. Muito bom.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

COM OU SEM ORDEM

Título Original: Be Tartib ya Bedoun-e Tartib
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1981
País de Origem: Irã
Duração: 17min
Nota: 6

Sinopse: Comparações entre ordem e desordem e o benefício de se agir conforme a ordem em diversas situações, na visão do grande diretor iraniano.

Comentário: Outro curta feito para o Instituto para Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens Adultos. É legal de assistir até com os diálogos dos realizadores por trás das imagens, a cena das crianças entrando no ônibus fez eu me imaginar de volta a escola e de como deve ter sido divertido para as crianças realizar este filme. A cena em que aparece todos bebendo água do mesmo copo fez meu corpo tremer de aflição, principalmente neste mundo pós covid. Acaba sendo um pouco mais do mesmo que os outros curtas que seguem este estilo, a cena deles tentando filmar o trânsito em ordem e não conseguindo foi ótima também, que loucura aquilo.