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quarta-feira, 11 de junho de 2025

A FRENTE FRIA QUE A CHUVA TRAZ

Título Original: A Frente Fria que a Chuva Traz
Diretor: Neville de Almeida
Ano: 2016
País de Origem: Brasil
Duração: 83min
Nota: 7

Sinopse: Um grupo de playboys organiza a última festa do ano em uma favela antes da mudança de clima. E para esta noite, além das drogas, álcool e sexo habituais, eles receberão convidados especiais: uma viciada que usa e é usada pelo grupo, um cantor sertanejo que cresceu na favela, um segurança estranho e o dono do lugar.
 
Comentário: Um bom filme do consagrado Neville de Almeida, com vários pontos altos e outros nem tanto assim. Muitos personagens são de plástico, talvez a intenção seja essa, mas os diálogos toscos soam muitas vezes irreais demais. Porém muito, mas muito mesmo da podridão do comportamento de muitos deles são tão reais que chocam mesmo e é essa a força do filme. Os mash up das músicas funcionam de maneira perfeita. Não preciso dizer que é a Bruna Linzmeyer que carrega o filem nas costas, que presença foda, impressionante e muito do filme vale ser visto por isto. Um filme com momentos perfeitos e outros nem tanto, mas que a qualidade se sobrepõe aos erros. O filme cresce da metade pro final. Gostei.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

JULIETA

Título Original: Julieta
Diretor: Pedro Almodóvar
Ano: 2016
País de Origem: Espanha
Duração: 98min
Nota: 9

Sinopse: O filme abrange 30 anos da vida de Julieta, desde um nostálgico 1985, quando tudo parece esperançoso, até 2015, quando sua vida parece estar além de qualquer reparo e ela está à beira da loucura.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Outro excelente filme de Almodóvar, sempre acho que quando o diretor opta por contar uma história mais simples ele acaba acertando mais. O filme é uma delícia de assistir, conforme vai passando mais vamos ficando conectados e interessados em Julieta e todos os detalhes da sua vida. Baseado em três histórias diferentes da escritora, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, Alice Munro. Se eu já fiquei putaço com algum personagem mais do que fiquei da filha dela no filme, no momento não me recordo. O final é perfeito, mostrando que Almodóvar controla o timing daquilo que quer contar de maneira perfeita. Emma Suaréz e Adriana Ugarte estão perfeitas dividindo a personagem título.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

ESTADOS UNIDOS PELO AMOR

Título Original: Zjednoczone Stany Milosci
Diretor: Tomasz Wasilewski
Ano: 2016
País de Origem: Polônia
Duração: 101min
Nota: 7

Sinopse: Polônia, 1990. O primeiro ano eufórico de liberdade, mas também de incerteza quanto ao futuro. Quatro mulheres aparentemente felizes, de diferentes idades, decidem que é hora de mudar suas vidas e realizar seus desejos.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Berlim. Um filme pesadíssimo sobre quatro mulheres, mas que diz muito também sobre o comportamento masculino repleto de condicionamentos do patriarcado. As histórias são contadas separadas, como se o filme fosse feito por diferentes curtas, mas que se conectam em determinados pontos. Amores platônicos, traições, sociopatias, comportamento abusivo, estupro de incapaz... o filme tem de tudo um pouco. A falta de conexões reais entre os personagens diz muito sobre o mundo hoje também, que tem se tornado cada vez mais artificial nessa Sociedade-Instagram. A paleta de cores desse filme é fantástica, diretor conseguiu passar o clima frio entre os personagens na fotografia também. Um bom filme, mas que tem que estar meio que preparado, porque não é tão fácil de digerir.

terça-feira, 25 de abril de 2023

A ÚLTIMA LOJA DE MÚSICA

Título Original: The Last Music Store
Diretor: Megha Ramaswamy
Ano: 2016
País de Origem: Índia
Duração: 37min
Nota:  8

Sinopse: Documenta o fechamento da icônica Rhythm House, a mais antiga loja de música e vídeo de Mumbai, que teve que fechar por dificuldades financeiras.

Comentário: Estava de bobeira procurando algo para assistir no Mubi e me deparei com isto aqui, amo música e resolvi encarar. Achei de uma sensibilidade incrível, você realmente se vê envolvido com os proprietários e funcionários do local, por mais simples que sejam os depoimentos. Há momentos tocantes e emocionantes. Obviamente não conhecia nenhum dos músicos comentados por eles, só provando como vivemos em uma cultura ocidental que só consome coisas enlatadas ocidentais (venho tentando me distanciar disso cada vez mais). Eu escuto bastante coisa diferente, de música iraniana, croata, árabe, alemã, macedônica e afins, mas agora coloquei algumas indianas no catálogo também. Começando pela música marathi e descobrindo coisas novas. Houve algumas tentativas frustradas de reviver a loja depois disso, acho exagero quando tentam culpar a pirataria, pois acho que o declínio teve muito mais haver com o consumo de mídias do formato digital.

sábado, 14 de agosto de 2021

ELLE

Título Original: Elle
Diretor: Paul Verhoeven
Ano: 2016
País de Origem: França
Duração: 130min
Nota: 10

Sinopse: Michèle (Isabelle Huppert) é a executiva-chefe de uma empresa de videogames, a qual administra do mesmo jeito que administra sua vida amorosa e sentimental: com mão de ferro, organizando tudo de maneira precisa e ordenada. Sua rotina é quebrada quando ela é atacada por um desconhecido, dentro de sua própria casa. No entanto, ela decide não deixar que isso a abale. O problema é que o agressor misterioso ainda não desistiu dela.

Comentário: Filme indicado ao Palma de Ouro e ganhador do Globo de Ouro nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Filme Estrangeiro. Fazia tempo que eu não ficava nervoso assim em um filme... PeloamordeDeus!!!! Já começa pesado e depois vai virando um mergulho profundo na sociopatia humana. Teve momentos que me remeteu ao Trama Fantasma, pela relação doentia que os personagens vão criando entre si. Isabelle Huppert é rainha, então nem preciso falar que ela está foda demais no papel. Verhoeven é realmente um diretor de altos e baixos, faz umas coisas maravilhosas e outras desgraças que é melhor esquecer, arrisco a dizer que esta película é sua Magnum opus. O clima de suspense é muito bem construído, ando tentando evitar filmes que me deixam comendo as unhas, mas este valeu cada segundo.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

O APARTAMENTO

Título Original: Forushande
Diretor: Asghar Farhadi
Ano: 2016
País de Origem: Irã
Duração: 123min
Nota: 8

Sinopse: Forçado a sair de seu apartamento devido a trabalhos perigosos em um prédio vizinho, Emad e Rana se mudam para um novo apartamento no centro de Teerã. Um incidente ligado ao anterior inquilino vai mudar drasticamente a vida do jovem casal.

Comentário: Depois de faturar o Oscar por A Separação pela categoria de melhor filme estrangeiro, Asghar Farhadi conquistou aqui a segunda estatueta para o Irã (Sim, foi a primeira e a segunda premiação iraniana na história do Oscar respectivamente). O ator, Shahab Hosseini, faturou aqui também o prêmio de melhor ator em Cannes. O filme é muito bom, mas me deixou muito nervoso, como de costume em qualquer dos filmes do Farhadi, mas esse foi o mais incômodo. O amálgama do filme com a peça teatral de Arthur Miller (A Morte do Caixeiro Viajante) é enorme e acho que eu teria aproveitado muito mais se tivesse lido o livro antes de assistir este filme, não que seja obrigatório a leitura, mas faz uma diferença com certeza. É o terceiro filme que assisto do diretor, e apesar deste ser bem acima da média, confesso que preferi os outros dois. A atriz, Taraneh Alidoosti, também esbanja talento. As discussões e o final aberto a inúmeras possibilidades são o de praxe do diretor, ou seja, mais profundo que as Fossas Marianas. Uma curiosidade é que o diretor começou a filmar este filme na Espanha com a atriz Penelope Cruz (que fizeram juntos depois o excelente Todos Já Sabem), mas resolveu voltar para o Irã para realizá-lo em seu país natal.

terça-feira, 9 de junho de 2020

A TARTARUGA VERMELHA

Título Original: La Tortue Rouge
Diretor: Michael Dudok de Wit
Ano: 2016
País de Origem: Holanda
Duração: 80min
Nota: 9

Sinopse: O filme conta a história de um homem perdido em uma ilha e sua luta por sobrevivência, até o encontro com uma tartaruga gigante que muda suas perspectivas.

Comentário: Ganhador do Prêmio Especial do Juri da premiação Um Certo Olhar em Cannes, foi a única animação selecionada para o festival naquele ano de 2016. O filme é coproduzido pelos Estúdio Ghibli, de Hayao Miyazaki, e tem a mesma qualidade das animações produzidas no Japão. O filme representa a busca da humanidade pelo amor, pelo sentimento de pertencer a algum lugar, do significado de família e de entender o passar do tempo. Sem nenhum diálogo, o filme consegue dizer muito mais do que muitas animações que existem por aí. Os desenhos são impressionantes, com muitos detalhes, mas é o roteiro que nos brinda com uma história simples, mas que é trabalhada de maneira tão delicada e verdadeira para qualquer pessoa viva. Assistam!

sábado, 9 de novembro de 2019

O JORNAL - PRIMEIRA TEMPORADA

Título Original: Novine
Diretor: Dalibor Matanic
Ano: 2016
País de Origem: Croácia
Duração: 590min
Nota: 9

Sinopse: Um magnata da construção assume o controle de um jornal em dificuldades e tenta exercer influência editorial para benefício próprio.

Comentário: Que série! Dirigida e idealizada por Dalibor Matanic, diretor do filme Sol a Pino. A série demora uns dois capítulos até nos familiarizarmos com os personagens, pois são vários. É engraçado como a série brinca com o nosso ódio por alguns personagens. Até metade da temporada torcemos para ver Kardum se foder, depois vemos que existem monstros piores, não que passemos a odiá-lo menos por isso. Mas o mais legal da série, é ver como o jornalismo morreu, como é algo vendido dentro do sistema político e social, onde empresários controlam informações e utilizam a mídia para manipulação do cenário a seu benefício próprio. Uma série que precisa ser assistida pelos brasileiros, que vivem atualmente o mesmo cenário desolador de manipulação de informação. A série terminará na terceira temporada que terminou suas filmagens este mês. Das coisas ótimas escondidas no Netflix.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

AS FACES DE TONI ERDMANN

Título Original: Toni Erdmann
Diretora: Maren Ade
Ano: 2016
País de Origem: Alemanha
Duração: 162min
Nota:  8

Sinopse: Winfried (Peter Simonischek) é um senhor que gosta de levar a vida com bom humor, fazendo brincadeiras que proporcionem o riso nas pessoas. Seu jeito extrovertido fez com que se afastasse de sua filha, Ines (Sandra Hüller), sempre sisuda e extremamente dedicada ao trabalho. Percebendo o afastameto, Winfried decide visitar a filha na cidade em que ela mora, Bucareste. A iniciativa não dá certo, resultando em vários enfrentamentos entre pai e filha, o que faz com que ele volte para casa. Tempos depois, Winfried ressurge na vida de Ines sob o alter-ego de Toni Erdmann, especialista em contar mentiras a todos que ela conhece.

Comentário: Definitivamente não é um filme fácil e nem para qualquer um, foi indicado para melhor filme estrangeiro no Oscar, Globo de Ouro e no César, concorreu à Palma de Ouro e saiu de Cannes com o prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema, faturou ainda cinco prêmios no European Film Awards (melhor ator, atriz, diretor, roteiro e filme). O filme é longo e em alguns momentos arrastado, com um ritmo bem longe do que o grande público está acostumado, no meio parece não ir para lugar nenhum e não julgo quem desistiu da película ali, mas na hora final ele cresce assustadoramente tendo um belíssimo ápice. Os momentos finais do filme me lembrou Magnólia, não porque existe uma chuva de sapos, mas porque há uma quebra de tudo que foi estabelecido até ali, a diretora apostou suas fichas em um final que muita gente deve ter ficado sem entender direito, mas que contém toda a essência do que realmente é o filme. O trabalho de construção dos personagens é perfeito e o efeito transitório do telespectador entre "Que mulher chata e carrancuda" e "Que velho sem noção e insuportável" brinca com características básicas da vida cotidiana de todo mundo. Um filme que fica maturando na cabeça e que deve trazer novos significados cada vez que revisitamos ele.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

MULHER MOLHADA AO VENTO

Título Original: Kaze ni Nureta Onna
Diretor: Akihiko Shiota
Ano: 2016
País de Origem: Japão
Duração: 78min
Nota:  6

Sinopse: Kosuke foi, por um bom tempo, um prolífico dramaturgo, mas preferiu abandonar seu antigo trabalho na cidade e viver uma vida tranquila nas montanhas. Shiori tem um trabalho aparentemente inofensivo como garçonete em um café, mas usa seu corpo atraente para manipular seu chefe. Basta um encontro casual no meio da tarde para que Shiori, com seu inesgotável desejo sexual, entre na vida de Kosuke. Ela se envolve fisicamente com pessoas ao redor do escritor até torná-lo sua nova presa.

Comentário: Este filme faz parte de um projeto de cinco filmes para homenagear o estilo "pornochanchada japonês" (Conhecido como Roman Porno ou Pinku Eiga). Os diretores trabalharam sob as mesmas condições: orçamento, uma semana de gravações, duração do filme, títulos e datas de estreias pré estabelecidas. O filme tem alguns pontos legais, deu para dar umas risadas, mas no geral é mais ou menos. Yuki Mamiya no papel de Shiori é o grande ponto alto do filme, a atriz leva o filme nas costas com sua beleza, talento e charme. A cena final de sexo é ótima e vale a pena ser vista, de resto o filme serve como entretenimento, com belas tomadas de fotografia e uma história fraca como toda boa pornochanchada brasileira.

domingo, 30 de junho de 2019

UM CONTRATEMPO

Título Original: Contratiempo
Diretor: Oriol Paulo
Ano: 2016
País de Origem: Espanha
Duração: 106min
Nota: 9

Sinopse: Tudo está indo muito bem na vida de Adrián Doria: seu negócio é um sucesso, sua família é linda e sua amante Laura não tem problemas com o fato de manterem seu caso em segredo. Até o dia em que ele desperta num quarto de hotel, depois de ser atingido na cabeça, e encontra Laura morta no banheiro. Como o quarto está trancado por dentro, sem nenhuma maneira de entrar ou sair, ele é imediatamente acusado pelo crime, mas recorre à melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman, para tentar reconstruir o que realmente aconteceu. É quando Doria confessa uma história terrível envolvendo um acidente e a morte de um inocente.

Comentários: O filme faz uso excessivo de "plot twist"? Sim, ele faz! Isso faz com que seja ruim ou perca a força? Não, em nenhum momento. A história é muito bem amarrada, consegue prender o telespectador e brincar com as situações que cria de maneira muito bem elaborada. Alguns podem dizer que ele chega a plagiar o filme Os Suspeitos em alguns momentos, mas acho um argumento completamente desnecessário. O filme é ótimo, serve de maneira perfeita a proposta que cria. O final é surpreendente, mas consegue manter a mesma surpresa ao longo de todo o filme. Poucos filmes conseguem fazer o que este faz de maneira convincente e de forma tão natural. Recomendo!