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sexta-feira, 31 de julho de 2026

ATLÂNTICOS

Título Atlantiques
Diretora: Mati Diop
Ano: 2009
País de Origem: Senegal
Duração: 16min
Nota: 6

Sinopse: Atlantiques narra a odisséia de amigos senegaleses que tentam uma travessia de barco com risco de vida. Melancólico e misterioso, o filme aborda com urgência e elegância os perigos da migração ilegal.
 
Comentário: O curta metragem é visívelmente uma semente para o que viria a ser o longa metragem Atlantique da diretora, pois não é só o mesmo nome que ambos compartilham, também falam do problema da emigração e como isso afeta tanto as pessoas que decidem abandonar tudo em busca de uma vida melhor como suas famílias. Digo uma semente, porque pelo menos para mim, há uma diferença bastante considerável entre os dois também, este é bem mais cru, praticamente um documentário sem toda a ideia do sobrenatural que é usado, inclusive como crítica, no longa. A cena em que amigos discutem a ideia de ir embora e um deles diz que não deixaria ele ir é forte, trabalhei com vários africanos na Europa e suas histórias sempre me impressionaram, eu jamais teria a coragem (ou a loucura) de enfrentar o que vários enfrentaram. Um curta necessário, mas que achei muito entrecortado, sem uma narrativa que me prendesse. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO

Título Original: Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo
Diretores: Karim Aïnouz & Marcelo Gomes
Ano: 2009
País de Origem: Brasil
Duração: 71min
Nota: 9

Sinopse: Um geólogo é enviado a uma região isolada no nordeste do Brasil para inspecionar fontes de água, mas ele começa a sentir uma sensação de abandono e solidão.
 
Comentário: Indicado a um prêmio fora da competição principal no Festival de Veneza. Karim Aïnouz é gênio e um dos meus diretores brasileiros favorito, aqui ele abusa do experimentalismo, mas conta uma história muito simples e linear. Uma trilha sonora espetacular que resgata os rincões esquecidos deste país tão vasto e cheio de pluralidade que é o Brasil, talvez em um dos filmes que mais represente uma parte abandonada de nosso povo, que você não costuma a ver em novelas e filmes. O cuidado com a edição e a narração precisa de Irandhir Santos foi a combinação perfeita para fazer o filme funcionar tão bem e nos ligarmos ao personagem que sofre por um amor perdido assim como quase todos nós já sofremos um dia. Lindo filme.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

AQUÁRIO

Título Original: Fish Tank
Diretor: Andrea Arnold
Ano: 2009
País de Origem: Inglaterra
Duração: 122min
Nota: 9

Sinopse: Mia é uma garota de 15 anos, que vive com sua mãe e irmã nos subúrbios da Inglaterra. Excluída da escola e desprezada por amigas, a vida de Mia muda quando ela conhece Connor, o novo namorado de sua mãe.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Fui assistir sem esperar muito, afinal não tenho sido mais o público alvo quando o assunto é adolescente, e não tinha me empolgado muito com o badalado Como Fazer Sexo, mas estava completamente errado. O filme entrega tudo! É fenomenal, vivo hoje nos subúrbios da Inglaterra há quatro anos e a representação da realidade que a diretora faz aqui é simplesmente perfeita. Não há exageros, não há glamorização, não há maquiagem... uma grande parte da população britânica vive exatamente como se mostra no filme por mais que tudo que você pense sobre a Inglaterra seja uma propaganda ocidental bem meia boca. A narrativa te prende, a realidade bate forte, o elenco é sensacional e a direção certeira. Demorei demais para assistir, assustador ver que é de 2009 e pouca coisa mudou por aqui. Lembrei que assim que vim morar na casa que estou hoje, tinha uma vizinha chamada Libby com uma bebezinha que chorava de noite, toda noite a mulher gritava com o bebê mandando calar a boca, queria ir até o apartamento de cima e pegar a criança para cuidar eu mesmo, quantas Mias não estão espalhadas por aí?

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

MICMACS - UM PLANO COMPLICADO

Título Original: Micmacs à Tire-Larigot
Diretor: Jean-Pierre Jeunet
Ano: 2009
País de Origem: França
Duração: 104min
Nota: 8

Sinopse: O filme centra-se em Bazil (Danny Boon), que vê a sua vida virar do avesso ao ser atingido por um tiro na cabeça. Quando sai do hospital, sem dinheiro e sem casa, acaba por ser acolhido por um excêntrico bando de ex-condenados, que preparam uma vingança contra os fabricantes de armas.
 
Comentário: Um belo filme do Jeunet, mesmo não sendo perfeito como seus trabalhos anteriores (Ladrão de Sonhos e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) a história consegue nos conquistar. Todo o discurso anti empresas armamentistas é o que faz o filme valer mais a pena, mesmo com a visão eurocentrista que não consegue entender a diferença de um grupo terrorista para um grupo revolucionário (o I.R.A. é colocado no mesmo barco em um momento, por exemplo). O elenco funciona muito bem juntos e a parte técnica tem todas as particularidades que fez do diretor ser quem é. Achei que faltou mais articulação do personagem principal, poderia render diálogos melhores.

sábado, 27 de junho de 2020

APÓCRIFA

Título Original: Apocrypha
Diretor: Andrey Zvyagintsev
Ano: 2009
País de Origem: Rússia
Duração: 13min
Nota: 8

Sinopse: Um garoto pega a câmera do pai, com a qual filma acidentalmente o fim de um relacionamento amoroso.

Comentário: Curta excluído do filme Nova York, Eu Te Amo, onde os diretores de diferentes nacionalidades tiveram 24 horas para filmes e uma semana para editar. Apesar de ser em Nova York, o curta (que quase não tem diálogos) tem mais falas em russo do que inglês, talvez por isso foi um dos cortados do filme, americano não gosta de ler legenda. Eu gostei muito do curta, nunca tinha assistido nada do Zvyagintsev e me surpreendeu muito positivamente. Carla Gugino sempre linda, mesmo de longe. Só quem já teve o fim de um relacionamento doloroso entende o significado de sentir a tristeza ao ver aquela foto dentro do livro. Gostei da qualidade técnica, simples e usando vários artifícios, como a tela da câmera. Não vi ao filme Nova York, Eu Te Amo, mas por alguns minutos a mais não deveriam ter cortado este segmento.

terça-feira, 23 de junho de 2020

UMA CARTA PARA O TIO BOONMEE

Título Original: A Letter to Uncle Boonmee
Diretor: Apichatpong Weerasethakul
Ano: 2009
País de Origem: Tailândia
Duração: 18min
Nota: 5

Sinopse: De dentro de uma cabana, numa aldeia qualquer do país, passa-se a ver o mundo exterior com o olhar sempre particular do diretor e de seus “espíritos” (prontos a reencarnar, como reza a tradição de sua religião). Nesse contexto, uma carta pessoal do diretor descreve a cidade de Nabua para seu tio Boonmee. Uma câmera em lento movimento desliza pelas casas desertas. As vozes de três rapazes são ouvidas. Conforme a noite se aproxima, o céu escurece.

Comentário: Não consegui entrar muito na vibe do curta, que é arrastado e não serve nem como introdução a algo do filme, Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, como algumas pessoas dizem. O único ponto positivo é as imagens da natureza que o diretor consegue captar, ele realmente é muito bom nisso. O diretor ganhou a Palma de Ouro em Cannes com o filme que se seguiu e citado acima, acho que poderiam utilizar o personagem do Tio Boonmee melhor neste curta, trazer mais informações para servir como um gancho e deixar o telespectador com aquele gostinho de "quero mais", mas ele serve como o oposto, depois de assistir fiquei pensando "ok, será que eu devo assistir a um filme com mais de uma hora e meia de duração que vai ficar igual esse curta?"

quinta-feira, 11 de junho de 2020

OS CAMPOS BRANCOS

Título Original: Keshtzar Haye Sepid
Diretor: Mohammad Rasoulof
Ano: 2009
País de Origem: Irã
Duração: 93min
Nota: 10

Sinopse: O Lago Urmia, no Irã, é o terceiro maior lago de água salgada da Terra. Cada uma das ilhas que o circundam é composta de sal, que baniu toda a vegetação crescente e seus habitantes foram drenados de vitalidade e, talvez, da esperança. O barqueiro Rahmat tem uma missão. Ele vai, em seu barco, de ilha em ilha e recolhe as lágrimas das pessoas. As lágrimas são coletadas num recipiente limpo e límpido, mas ninguém sabe o destino que o barqueiro lhes reserva.

Comentário: O filme é uma enorme alegoria, o diretor faz um trabalho magistral ao misturar a cultura do sul do Irã com uma espécie de fábula. Rasoulof foi preso depois de realizar este filme que é uma crítica disfarçada ao sistema político de seu país, e porque não do próprio sistema capitalista do mundo inteiro? É como uma Ilíada persa, mas que desconstrói o mito, onde os personagens estão ali para por o dedo na ferida e fazer o telespectador pensar a respeito do mundo em que vivem. Um filme brilhante, o melhor que assisti até agora do diretor. Imagens belíssimas e fortes costuram as histórias que parecem contos dentro de um grande livro.