Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

O CONDE

Título Original: El Conde
Diretor: Pablo Larraín
Ano: 2023
País de Origem: Chile
Duração: 111min
Nota: 8

Sinopse: A história centra-se em Augusto Pinochet, que não está morto, mas é um vampiro envelhecido. Após viver 250 anos neste mundo, ele decidiu morrer de uma vez por todas.
 
Comentário: Indicado ao Leão de Ouro e vencedor de Melhor Roteiro no Festival de Veneza. Fiquei na dúvida entre dar uma nota 7 ou 8 para o filme, acabei optando pela maior pelo final ácido e cheio de mensagens sobre a situação atual no mundo. O filme tem um ritmo estranho, há momentos que transcorre de maneira perfeita e simplesmente trava de maneira repentina, há esse ritmo esquisito por quase toda a película. O que mais vale é a ideia em forma de crítica tanto a história do Chile como ao momento atual onde essa onda ultraconservadora assola a América do Sul. O elenco dá um show e a mão de Larraín é sempre competente. Dei uma pesquisada rápida sobre os filhos do Pinochet depois do filme e é um mar de lodo. No final fica a tristeza de ver como somos arrastados para esses ciclos históricos que se recusam a morrer.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

A HISTÓRIA DE UM URSO

Título Original: Historia de un Oso
Diretor: Gabriel Osorio Vargas
Ano: 2014
País de Origem: Chile
Duração: 10min
Nota: 10

Sinopse: Um velho e solitário urso conta a história de sua vida por meio de um diorama mecânico.
 
Comentário: Vencedor do Oscar de Melhor Curta de Animação. Que curta maravilhoso! Se interpretarmos pela visão da escravidão animal já é perfeito, afinal de contas tenho estudado conforme consigo sobre ecosocialismo e abolicionismo animal. Porém tem todo o lado político nas entrelinhas, onde a ideia é criticar a abominação que foi o governo de Pinochet na ditadura chilena, esse contraponto acaba colocando muito mais força e camadas dentro da história. Simplesmente impressionante o que o diretor conseguiu fazer com tanta profundidade em apenas 10 minutos. Sem contar a qualidade técnica. Uma verdadeira obra de arte, uma obra prima, merece ser visto e revisto. Me senti despedaçado.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

OS VERSOS ESQUECIDOS

Título Original: Los Versos del Olvido
Diretor: Alizera Khatami
Ano: 2017
País de Origem: Chile
Duração: 92min
Nota:  10

Sinopse: Quando o idoso zelador de um necrotério remoto descobre o corpo de uma jovem morta durante um protesto, ele embarca em uma odisseia mágica para dar a ela um enterro adequado antes que a milícia retorne.
 
Comentário: Filme vencedor de três diferentes prêmios no Festival de Veneza fora do circuito da premiação principal. O filme é uma fábula, mas também é bem realista. É poético, mas também é brutal. Achei lindo demais, tudo nele funciona, desde as atuações do ótimo elenco a direção técnica do iraniano (que não dirigiu mais nada depois desse filme, mas assinou o roteiro do filme Até Amanhã de 2022 dirigido por Ali Asgari). O filme é atual ao mesmo tempo que revira a ditadura de Pinochet, há cenas cheia de significados como em um filme iraniano, com raízes que podem passar despercebidas para quem não é do Chile. Os próprios personagens são alegorias fantasmagóricas da sociedade. Um belíssimo filme... e que cena final de tirar o fôlego. Emocionante!

sexta-feira, 24 de junho de 2022

EMA

Título Original: Ema
Diretor: Pablo Larraín
Ano: 2019
País de Origem: Chile
Duração: 107min
Nota:  9

Sinopse: Ema é uma dançarina magnética e impulsiva em um grupo de reggaeton. Seu casamento tóxico com o coreógrafo Gastón acaba depois que ambos decidiram desistir do filho adotivo Polo. A missão de Ema é recuperar Polo, sem se importar com quem terá que enfrentar, seduzir ou destruir.

Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza, chega a ser até patético terem dado o prêmio para o Coringa, mas esse festival tem dessas. Confesso que apesar de ter outros três filmes do Larraín aqui na fila para assistir, este foi o meu primeiro do diretor, e simplesmente amei. Mariana Di Girólamo consegue ofuscar qualquer outro ator que está no filme, e não é tarefa fácil frente a Gael García Bernal e Santiago Cabrera (este último mais conhecido para os fãs de Star Trek como eu como o Capitão Rios). O filme tem um ritmo excelente, parte técnica excepcional e até as músicas (que eu não gosto) caíram de forma perfeita. O discurso sobre reggaeton que o personagem de Bernal faz em um momento do filme é exatamente minha opinião e eu ri muito dessa minha conexão com o personagem. O desfecho é fantástico e bizarro, das coisas que faz a gente ficar pensando.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

CACHORROS

Título Original: Los Perros
Diretor: Marcela Said
Ano: 2017
País de Origem: Chile
Duração: 95min
Nota: 8

Sinopse: Mariana, uma mulher de quarenta e dois anos e de classe alta, desenvolve uma amizade com seu instrutor de equitação, que vive coberto por um passado sombrio.

Comentário: O filme é muito bem construído e reflete tudo o que países que sofreram com a ditadura tem de problemáticos hoje como cicatrizes que se recusam a sarar. Podíamos transferir facilmente a história para o Brasil (Ah, mas no Brasil os militares não foram presos, né? Então não dá... porque o Brasil foi bunda mole até na hora de lidar com isso). A personagem principal é a típica elite podre que representa tudo de tosco da sociedade, cercada de personagens mais toscos ainda. O filme é uma ode pitoresca desse reflexo de dinossauros da ditadura e suas crias e perpetuações contínuas. Achei bem interessante os paralelos e as profundidades nas entrelinhas. Apesar de dar a mesma nota, prefiro o filme anterior da diretora (O Verão dos Peixes-Voadores), achei mais poético e com uma personagem que dava para se identificar. Não é um filme que sairia indicando por aí, é muito de nicho, mas eu gostei.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

O VERÃO DOS PEIXES-VOADORES

Título Original: El Verano de los Peces Voladores
Diretora: Marcela Said
Ano: 2013
País de Origem: Chile
Duração: 95min
Nota:  8

Sinopse: Manena é uma adolescente determinada, filha de Pancho, um rico fazendeiro chileno que dedica suas férias a uma obsessão: exterminar as carpas que invadem seu lago. No decorrer do verão, enquanto ele recorre a métodos cada vez mais extremos, Manena sofre com sua primeira decepção amorosa e descobre um mundo que coexiste silenciosamente com o seu – o dos trabalhadores indígenas Mapuche que reivindicam acesso às terras e enfrentam seu pai.

Comentário: Eu gostei muito do filme e me senti hipnotizado com a maneira com que a diretora colocou todas as discussões de maneira sutil, quase nas entrelinhas do que está acontecendo. A classe média rica do Chile é um retrato da do Brasil, e porque não do mundo? Os diálogos toscos do seu pai, o impacto disso na personagem conforme ela vai entendendo o cenário sociopolítico em que ela está inserida é de encher os olhos. As imagens da natureza são sublimes, o conflito interno de Manena também, ela tem que lidar com seus sentimentos românticos ao mesmo tempo que entende sobre o mundo em que vive. O ritmo do filme não é para qualquer um, pode parecer entrecortado demais, vazio demais, estranho demais... mas é meu tipo de filme. PS: Atenção para o diálogo de Pancho com o policial onde brota todo egocentrismo da elite escrota e também uma menção a atuação da Francisca Walker que é uma gracinha.