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domingo, 8 de dezembro de 2024

O GAROTO DA BICICLETA

Título Original: Le Gamin au Vélo
Diretores: Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
Ano: 2011
País de Origem: Bélgica
Duração: 87min
Nota: 8

Sinopse: Abandonado pelo pai, um menino é deixado em uma fazenda para jovens administrada pelo Estado. Em um ato de gentileza, a cabeleireira da cidade concorda em adotá-lo nos fins de semana.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. O que eu gosto dos filmes dos Dardenne é que o menos é mais. São narrativas simples, mas que são cruas em seu realismo, que funcionam para emocionar, criar tensão e principalmente faz com que questionemos nós mesmos em situações que não nos imaginamos no cotidiano. Cécile de France, no papel de Samantha, consegue ofuscar até o garoto (que também está primoroso), mas é ela que dá todo o tom para que o filme não seja só mais um dentro do tema que propõe. Como pode existir pais (e não são poucos) como o mostrado aqui? Como a pessoa consegue viver consigo mesma? Não consigo entender.

domingo, 16 de junho de 2024

TODA UMA NOITE

Título Original: Toute Une Nuit
Diretora: Chantal Akerman
Ano: 1982
País de Origem: Bélgica
Duração: 91min
Nota: 7

Sinopse: Acompanhando mais de duas dezenas de pessoas diferentes na atmosfera quase sem palavras de uma noite escura na cidade de Bruxelas, Akerman examina a aceitação e a rejeição no reino do romance.

Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza. Fui assistir sem saber absolutamente nada, há anos planejo começar a ver as obras da diretora e finalmente iniciei por este. É deveras estranho, assisti de madrugada depois das 3 da manhã e não senti sono. Mas confesso que teve momentos que achei cheio de significados e outros completamente vazio. Há histórias que mereciam mais tempo na tela e outras menos. Mas é muito interessante como somos meros voyeurs de momentos ínfimos de uma história de amor, vemos apenas um lampejo de um todo, como quando estamos na mesa do lado e acompanhamos uma discussão ou um momento de ternura. Gostei da proposta, gostei de vários momentos, mas ficou um sentimento de que poderia ser algo mais se conseguíssemos nos conectar mais... mas daí, talvez, seria só mais um filme como tantos outros. O filme pode não agradar muita gente, mas tem personalidade. Me vi em várias situações. Gostei.

sábado, 6 de maio de 2023

TORI E LOKITA

Título Original: Tori et Lokita
Diretor: Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
Ano: 2022
País de Origem: Bélgica
Duração: 89min
Nota:  8

Sinopse: Na Bélgica de hoje, um menino e uma adolescente que viajaram sozinhos da África colocam sua amizade invencível contra as condições cruéis de seu exílio.

Comentário: Vencedor do prêmio de Aniversário de 75 anos do Festival de Cannes, seja lá o que isto signifique. Um filme cru, que vai direto ao ponto como parece ser a marca registrada dos diretores, mas também parece subverter alguns fatos sobre a realidade dessas pessoas que chegam como refugiados na Europa da África, trabalho com vários que percorreram este triste caminho, meses cruzando desertos e depois em uma embarcação para chegar aqui (principalmente pela Itália), quando são relocados em outros países já tem um visto de refugiados em que podem trabalhar e viver, sem poder sair do país até que sejam reconhecidos cidadãos, mas porque com Lokita é diferente? Os diretores parecem querer contar uma história sem essas pessoas sem conhecer muito bem como funciona a relocação de refugiados pela Europa e isso foi meio tosco. Não acho que as leis da Bélgica diferem do resto dos países em que morei. De resto o filme funciona até que bem, o final é comovente e choca. Pablo Schils, que interpreta Tori, é o grande trunfo do filme, garoto impressiona. Vale a pena ver, mostra alguns pontos que são bem reais como o abuso da mão de obra dessas pessoas. Vivo revoltado por aqui.

sábado, 28 de janeiro de 2023

CLOSE

Título Original: Close
Diretor: Lukas Dhont
Ano: 2022
País de Origem: Holanda
Duração: 103min
Nota:  10

Sinopse: A amizade entre os dois meninos de treze anos, Leo e Rémi acaba de repente. Lutando para entender o que aconteceu, Léo procura Sophie, mãe de Rémi.
 
Comentário: Porra, Dhont! Nao faz isso comigo! Vencedor do Grande Prêmio do Festival de Cannes, simplesmente o meu filme preferido de 2022. No começo do filme eu não estava dando nada, pensava "white people problems" ou "que comportamento adolescente fake"... quando vem o soco no estômago e todo o filme muda. Que pedrada! Fora toda a parte pessoal que o filme teve em mim, vivi algo bem parecido, mas quando era mais velho. Dhont se mostra uma nova força na história do cinema, com seu segundo trabalho depois do ótimo Garota, este só vem para cravar seu talento de forma definitiva. Enquanto no primeiro temos cenas emocionais carregadas utilizando o ballet, aqui o diretor usa do mesmo recurso no hóquei. Elenco poderoso! De uma sensibilidade ímpar. Só tenho elogios mesmo. Odeio quando o filme fica com o título em inglês, gosto de ver traduzido, mas ficou Close aqui mesmo.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

O JOVEM AHMED

Título Original: Le Jeune Ahmed
Diretor: Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
Ano: 2019
País de Origem: Bélgica
Duração: 84min
Nota:  9

Sinopse: Ahmed (Idir Ben Addi) é um menino muçulmano de 13 anos de idade que vive na Bélgica. Quando ele interpreta de maneira radical o Alcorão, o livro sagrado do islamismo, ele começa a montar um plano para assassinar seu professor.

Comentário: Ganhador do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, acho que ele é bem mal interpretado por quem o assiste. Vejo pessoas falando que é sobre como surge um extremista e outros dizem que o filme pegou leve com o islamismo. O filme não é sobre nada disso, é sobre a raiva que surge da perda da própria identidade e do preconceito que essas pessoas, na maioria das vezes obrigadas a sair de seus países por políticas predatórias de países de primeiro mundo, tem que enfrentar. Moro na Europa e vejo isso todos os dias, jovens negros, por exemplo, de família nigeriana que nasceram na Inglaterra, cresceram na Inglaterra, tem como a língua única e exclusivamente o inglês, mas são vistos como nigerianos. O filme é sobre essas pessoas e a busca constante por suas identidades, um garoto que nasceu na Bélgica, de família árabe e que é visto como um árabe. Ele busca então se identificar com sua cultura, porém sofre esse desrespeito em vários momentos do filme. Ao ser obrigado a cumprimentar tocando a professora, por exemplo, poucos veem o enorme desrespeito cultural (tendem a ver somente o machismo dessa cultura) e tudo entra em uma espiral de sentimentos da nossa cultura ocidental julgando outra. O filme é excelente neste aspecto, uma pena que poucos conseguiram ver por essa ótica.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

GAROTA

Título Original: Girl
Diretor: Lukas Dhont
Ano: 2018
País de Origem: Bélgica
Duração: 106min
Nota:  9

Sinopse: Aos 15 anos, a bailarina Lara enfrenta barreiras físicas e emocionais enquanto se prepara para a cirurgia de confirmação de gênero. Inspirado em uma história real.

Comentário: Vencedor do prêmio Câmera de Ouro e de melhor ator no prêmio Um Certo Olhar em Cannes e indicado para melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro, este filme dividiu opiniões dentro da comunidade LGBT. Eu vou entrar de cabeça na defesa do filme. O filme é tenso, consegue ser tenso até nas cenas de dança, o trabalho empático de nos colocar na pele de uma garota trans de 15 anos é feito de maneira sublime. Uma parte da comunidade LGBT criticou o filme por ter sido dirigido e atuado por cisgêneros, fato que fez com que Nora Monsecour (a mulher em que o filme é baseado) vir em defesa do filme: “Quem está criticando Girl está impedindo que outras histórias trans sejam compartilhadas com o mundo. Todos os dias em que vejo pessoas trans lutando por seus sonhos. Eles não são fracos e frágeis e Girl conta uma história sem mentiras. Dizer que a experiência de Lara [a personagem do longa], não é valida por termos um ator cis ou por ter sido dirigida por Lukas [Dhont, o diretor], acaba me ofendendo”. Acho esse tipo de atitude muito parecida com os evangélicos, que vivem fechados em suas igrejas convivendo com evangélicos e fazendo coisas de evangélicos, tenho um livro publicado onde o assunto LGBT é muito forte, eu não devia ter escrito este livro por ser cis? O ator faz um trabalho magnífico e sua escolha faz todo o sentido, já que o ator Victor Polster é um bailarino. A gente fica pensando em tantas pessoas trans por aí, sofrendo horrores, se para Lara que tem um pai de ouro e vive um inferno, imagina para tantos outros que sofrem o pesadelo de viverem em um corpo que não se identificam e ainda são abandonados pela família. Levantar a bandeira LGBT não é uma luta só de quem é, levantar essa bandeira é um dever empático de ser humano. PS: Traduzi o título porque tenho horror a título em "ingrêis".