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domingo, 22 de junho de 2025

DISTANTE

Título Original: Uzak
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 2002
País de Origem: Turquia
Duração: 109min
Nota: 8

Sinopse: Depois que sua esposa o abandona, um fotógrafo tem uma crise existencial e tenta lidar com a visita de seu primo.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do Grande Prêmio do Júri, Melhor Ator e outro fora da competição principal no Festival de Cannes. O filme que finalmente mostrou para a que veio Nuri Bilge Ceylan, peça fundamental inicial do que seria um dos maiores diretores de todos os tempos na minha opinião, todo enquadramento é maravilhoso. É o filme preferido do diretor de um amigo meu, mas acho que ainda faltam elementos que ele viria a trabalhar melhor em seus filmes mais recentes. Mehmet Emin Toprak ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes meses após ter falecido em um acidente de carro 4 meses após seu casamento, ele era primo do diretor, o que tornou o filme uma espécie de testamento de seu talento ainda em ascensão. É interessante a dinâmica dos personagens, você simpatiza e antipatiza de ambos em momentos diferentes do filme, é tudo tão natural, tão simples ao mesmo tempo em que nos diz tanto e também tão pouco sobre eles.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

DEZ

Título Original: Dah
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 2002
País de Origem: Irã
Duração: 89min
Nota: 9

Sinopse: Um teste social visual na forma de dez conversas entre uma motorista e seus vários passageiros.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Quando o filme terminou eu dei uma nota 8, mas só depois eu descobri que tudo é roteirizado e o filme cresce mais com isso, pois é impressionante o trabalho dos atores. Amin Maher, o garoto que interpreta o filho dá um show de interpretação e irrita demais (hoje ele é um trans-ativista que prefere ser chamado de Amina e mora em Berlim). Todo o diálogo, tudo o que vai sendo criado em torno dos pedaços de histórias que vão passando pelo carro, só mostra mais e mais como Kiarostami era um gênio. No IMDB o filme consta apenas com Abbas Kiarostami como diretor, em outros lugares coloca a atriz principal Mania Akbari como co-diretora também. Há vários momentos e várias camadas sobre a sociedade do Irã em cada diálogo, inclusive o pragmatismo em que a motorista enxerga algumas coisas (acredite, sou casado com uma iraniana). Mas acho que é unânime que a cena com a última mulher é a melhor de todo o filme e emociona. O filme foi banido no Irã por anos pelo teor contestador.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

MADAME SATÃ

Título Original: Madame Satã
Diretor: Karim Aïnouz
Ano: 2002
País de Origem: Brasil
Duração: 100min
Nota: 9

Sinopse: Um retrato de João Francisco dos Santos, também conhecido como Madame Satã, transformista, amante, pai, herói e convicto do Rio de Janeiro.
 
Comentário: Indicado para os prêmios Câmera de Ouro e Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Por mais que eu adore Karim Aïnouz, um dos meus diretores brasileiros preferido, aqui quem brilha mais é o Lázaro Ramos. É o ator que faz o filme funcionar, é sua entrega total ao personagem que convence tudo e todos. A direção é mero detalhe. O trabalho de cenografia e figurino é o segundo grande ponto, parece que voltamos mesmo ao Rio de Janeiro da década de 30. Demora um pouco para engrenar, em determinados pontos parece que não vai para lugar nenhum e não vai mesmo, mas daí você vai tomando um choque de realidade, porque a vida é exatamente assim. É o realismo cru que contamina a gente quando assiste, é esse tapa na cara, essa coisa assustadora que é a vida, sem preto no branco e cheia de áreas cinzentas. O filme é um recorte da época, um recorde do personagem, apenas um recorte do todo.

sábado, 11 de maio de 2024

HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES

Título Original: Houve uma Vez Dois Verões
Diretor:  Jorge Furtado
Ano: 2002
País de Origem: Brasil
Duração: 73min
Nota: 10

Sinopse: Uma comédia dramática sobre o amadurecimento, onde o efeito que dois verões têm na vida de vários adolescentes. A história de Chico que se apaixona por Roza (com Z) ao se conhecerem em uma praia num verão no sul do Brasil. Eles se reencontram no verão seguinte.

 
Comentário: Assisti no cinema na época do lançamento e lembro que havia gostado muito, uma época em que o cinema nacional estava retomando alguma relevância depois de anos de falta de investimento. O diretor aqui prova que não precisa de orçamento milionário para se fazer um ótimo filme. Nessa época eu estava namorando pela primeira vez e descobrindo a sexualidade, assim como os garotos no filme, lembro inclusive que este foi um dos primeiros filmes que vimos juntos no cinema. Adorei mais ainda nessa reassistida, me vi de volta no tempo, a história é tão boa e podemos analisar como pensávamos de maneira diferente. Fazia tempo que não assistia algo que me tirava um riso gostoso do rosto, que me trouxesse uma saudades não só da minha vida daquela época, mas também do mundo daquela época. A trilha sonora é maravilhosa, inclusive o poster do The Pogues no quarto do guri eu já tinha aquele CD na época, o elenco funciona tri bem. Que saudade, que saudade, que saudade...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

ARCA RUSSA

Título Original: Russkiy Kovcheg
Diretor: Aleksandr Sokurov
Ano: 2002
País de Origem: Rússia
Duração: 99min
Nota: 8

Sinopse: Um aristocrata francês do século XIX, conhecido por suas memórias contundentes da vida na Rússia, viaja pelo Museu Hermitage de São Petersburgo e encontra figuras históricas dos últimos 200 anos.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme impressiona em vários aspectos, e por mais que deixe a gente boiando por não conhecer tão bem as personalidades históricas russas, é preciso tirar o chapéu para toda a ideia do filme. Fiquei imaginando um filme assim com personagens da literatura russa, que sou fã, o deleite que não seria. O fato de ser todo filmado em plano sequência é um dos pontos que fazem o filme crescer bastante, há momentos que funcionam melhores que outros, mas a grandiosidade do filme ofusca qualquer defeito. Com certeza é um filme que vai melhor muito em uma segunda assistida depois de um estudo histórico sobre o período em que se passa. O Hermitage é um personagem a mais e vai ganhando espaço conforme o filme vai se desenrolando. É uma experiência bem diferente, acho que vale a pena nem se for só para contemplar, esquecer a parte narrativa.