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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

SEM OUTRA TERRA

Título Original: No Other Land
Diretores: Yuval Abraham, Basel Adra, Hamdan Ballal  & Rachel Szor
Ano: 2024
País de Origem: Palestina
Duração: 96min
Nota: 9

Sinopse: Um coletivo palestino-israelense mostra a destruição de Masafer Yatta, na Cisjordânia ocupada, por soldados israelenses e a aliança que se desenvolve entre o ativista palestino Basel e o jornalista israelense Yuval.
 
Comentário: Vencedor de melhor documentário no Festival de Berlim. Desnecessário dizer que é um filme extremamente necessário em meio ao genocídio perpetrado por Israel e seus aliados ocidentais. Para quem acompanha há tempos a situação da Palestina, muito antes da retaliação do Hamas, não fica nem um pouco surpreso com o que é mostrado aqui, lembro de receber em um grupo no Telegram praticamente ao vivo o dia em que eles cimentaram o poço de água das pessoas mostrado aqui neste documentário. É interessante como tudo foi feito por quatro pessoas (dois que aparecem de frente à câmera e outros dois nos bastidores). Me lembrou um pouco a maneira de se fazer cinema do Jafar Panahi, criando cenas para contar uma história em meio ao documentário. A pessoa que ainda não entendeu o que acontece por lá e insiste em defender Israel ou sofre de alguma deficiência cognitiva ou é mal caráter mesmo. Um dos melhores filmes de 2024.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

FEBRE DO MEDITERRÂNEO

Título Original:
Diretora: Maha Haj
Ano: 2022
País de Origem: Palestina
Duração: 105min
Nota: 9

Sinopse: Waleed sonha com uma carreira de escritor enquanto sofre de depressão. Ele desenvolve uma amizade inesperada com seu vizinho, um vigarista, que os leva a uma jornada de encontros sombrios.
 
Comentário: Vencedor de melhor roteiro no prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Fui assistir sem esperar muita coisa e no fim se mostrou um baita filme. A história é bem simples, mas as coisas se conectam e falam sobre tabus tão cotidianos, como depressão e suicídio, misturados a situações de uma Palestina ocupada de uma maneira tão sútil me conquistou. A história se passa em Haifa, formada por uma grande parte de judeus que vieram da Rússia (por isso a médica é russa) e de uma maioria árabe que segue o cristianismo (por isso a dificuldade do personagem dizer que é muçulmano). A maneira quase tragicômica de se contar uma história tão pesada é característica do povo palestino e que engrandece muito a experiência de assistir ao filme. Nos apegamos aos personagens, nos envolvemos com eles, com seus problemas e conflitos e é isso que vale a pena em um filme. Atuações e direções que esbanjam talento. Daqueles que dá para indicar para uma grande maioria que acho que vai agradar.

domingo, 10 de dezembro de 2023

GAZA MON AMOUR

Título Original: Gaza Mon Amour
Diretores: Arab Nasser & Tarzan Nasser
Ano: 2020
País de Origem: Palestina
Duração: 87min
Nota: 8

Sinopse: Após encontrar uma antiga estátua de Apolo em suas redes, um pescador de 60 anos começa a se sentir mais confiante para se aproximar de Siham, uma mulher que trabalha com sua filha no mercado por quem nutre um amor secreto.
 
Comentário: Indicado em uma das premiações paralelas no Festival de Veneza. Um filme gostoso de assistir, mas sem deixar de lado as críticas sociais que a Palestina vive hoje por conta do cerco imposto pelo estado terrorista de Israel. Mesmo com toda a aura de apartheid que vivem, a vida segue e é isto o que o filme tenta mostrar. Há situações cômicas envolvendo a estátua de Apolo, assim como há o romance tímido entre os protagonistas, os personagens vão se desenvolvendo de maneira muito simples, mas eficiente durante o filme. Acho que no geral entrega o que propõe, não é um filme que tenta ser grandioso, mas sim entreter sem ser vazio. Há cenas tão pequenas, que parecem sem importância, mas que carregam muito significado. Vale a conferida.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

GAZA

Título Original: Gaza
Diretores: Garry Keane & Andrew McConnell
Ano: 2019
País de Origem: Palestina
Duração: 91min
Nota: 9

Sinopse: Um belo retrato dos cidadãos de Gaza, levando vidas significativas além dos escombros de conflitos perenes.
 
Comentário: Indicado para melhor documentário do Festival de Sundance. Avassalador é a melhor palavra para descrever o sentimento de ver essas vidas passando pela nossa tela, tentar entender como é que é possível a humanidade chegar nesse ponto. Mesmo tendo cenas nitidamente ensaiadas (como quando o taxista vai comprar um café, por exemplo) a essência do que realmente importa está ali e não é nem um pouco parte de um script. O comércio local destruído pela falta de energia elétrica, a dificuldade de acesso a água e a condições dignas de sobrevivência. Há quem possa apontar o dedo para o sujeito pobre com 3 esposas e 40 filhos, mas é as mazelas da pobreza não tão diferente do Brasil. As cenas com o enfermeiro e os relatos dele são os melhores e achei os mais autênticos. Um filme necessário neste momento de genocídio que vivemos. Fico pensando quais personagens conseguiram permanecer vivos depois desse cerco de Israel. PS: cadastrei o filme como palestino, apesar de ser uma produção irlandesa, porque não achei que faria sentido um filme cadastrado aqui como irlandês que se passa inteiro em Gaza.

terça-feira, 15 de março de 2022

O PARAÍSO DEVE SER AQUI

Título Original: It Must Be Heaven
Diretor: Elia Suleiman
Ano: 2019
País de Origem: Palestina   
Duração: 102min
Nota:  9

Sinopse: Elia Suleiman deixa sua terra natal da Palestina e viaja pelo mundo apenas para encontrar, por onde ele passa, os mesmos problemas que encontrava lá. De Paris à Nova York, por onde suas viagens o levam, ele encontra problemas com a polícia, racismo, controle de imigração. Tentando deixar sua nacionalidade para trás, mas sempre sendo lembrado dela, ele questiona o significado de identidade e o lugar que se pode chamar de lar.

Comentário: Fui assistir não esperando muito, mas que surpresa boa! A atuação de Suleiman é perfeita, quase um Chaplin pós-moderno. As críticas sociais do mundo ocidental (mais especificamente França e EUA) caem como uma luva, cada momento me lembrava um tirinha da Laerte, pois são extremamente profundas, cada pessoa vai tirar uma coisa, sentir algo, interpretar de diferentes formas. Arte pura! Teve cenas que gargalhei alto, e fazia tempo que um filme não me tirava um sorriso sincero. A cena com o Gael García Bernal é uma das melhores criticas ao cinema pasteurizado Hollywoodiano. O filme tem um ritmo bem diferente, quem não está acostumado pode não gostar, mas eu achei bem acima da média, melhor inclusive que Bacurau, que ganhou o prêmio do Juri em Cannes naquele ano.