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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

O VENTO NOS LEVARÁ

Título Original: Bad Ma Ra Khahad Bord
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1999
País de Origem: Irã
Duração: 118min
Nota: 7

Sinopse: Munido de câmera fotográfica e telefone celular, um estrangeiro no próprio país é tratado pelos moradores da vila de casas de barro Siah Dareh, no Curdistão iraniano, como o “engenheiro”. No entanto, ele não chegou de Teerã a serviço da engenharia, mas da espera. O real motivo da viagem é uma anciã à beira da morte.
 
Comentário: Vencedor do Grande Prêmio Especial do Júri, do Prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema e de mais um fora da competição oficial no Festival de Veneza. O filme funciona e não funciona, ele faz você prestar atenção redobrada em algumas partes e em outras dispersa completamente o telespectador, há uma insistência em cenas repetitivas, mas logicamente que tudo há uma mensagem, que não será entendida completa e resta ao telespectador ter que lidar com isso. Acho que é um filme para se rever daqui um tempo, não sei muito o que pensar sobre ele. O garotinho Farzad é o grande trunfo do filme, todas as cenas com ele são maravilhosas. A direção e a parte técnica retratando essa região do Curdistão iraniano é maravilhosa, não conheço essa região do Irã, na semana que assisti ao filme descobri que o cara que corta meu cabelo é exatamente desta parte do Irã, sempre achei que ele era um curdo do Iraque. Coincidências.

domingo, 13 de outubro de 2024

NUVENS DE MAIO

Título Original: Mayis Sikintisi
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 1999
País de Origem: Turquia
Duração: 117min
Nota: 7

Sinopse: Um aspirante a cineasta visita seus pais e começa a elaborar um filme. Ao criar e escalar o elenco ele encontra familiares e amigos que lutam com seus próprios problemas, sonhos e vida.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Depois do curta (Casulo) e do seu longa de estreia (A Pequena Cidade), aqui o diretor parece começar a criar um pouco mais o que viria a ser seu estilo narrativo mais refinado e intrincado. Porém parece haver uma simbiose entre esses seus trabalhos iniciais para a evolução que estava trilhando. Há uma cena em que os pais assistem a si mesmos em uma TV que me parece ser uma parte do curta metragem, o filme que o personagem principal está filmando parece ser exatamente o longa de estreia do diretor, o que faz de toda a sua filmografia inicial uma colcha de retalhos metodicamente costurada. Gostei da história do menino com o ovo e de toda a atenção que o diretor dá aos seus pais em cena. A construção da história vai se dando em conta gotas e quando percebemos já estamos envolvidos na história. Um bom filme, mas que ainda não tínhamos como saber a força da natureza que o diretor se tornaria.

sábado, 28 de setembro de 2024

O AUTO DA COMPADECIDA

Título Original: O Auto da Compadecida
Diretor: Guel Arraes
Ano: 1999
País de Origem: Brasil
Duração: 161min
Nota: 9

Sinopse: No Brasil, dois nordestinos pobres e espertos vivem de enganar pessoas para sobreviver. Quando conhecem uma moça rica, eles têm esperança de se darem bem, mas seus planos são interrompidos pela chegada de um bandido forasteiro.
 
Comentário: Acho que eu era a única pessoa de nacionalidade brasileira que nunca havia visto isso, já que eu nunca quis ver a versão para o cinema (e mais conhecida) que contém cortes da obra original, que é uma mini série para a televisão em quatro episódios. Pois bem, finalmente consegui  achar esta versão sem cortes para a TV e assisti depois de 25 anos. E não é que é bem boa mesmo? Trazendo o universo de Suassuna para a tela, funciona exatamente por ser bem brasileira, por ter uma identidade dos rincões do país imenso que é o Brasil. Tudo funciona bem exatamente por não tentar ser grandioso, são os detalhes, as pequenas histórias que vão sendo contadas e vão se interconectando. Roteiro excelente, elenco afiadíssimo. Filme não envelheceu nada, vendo décadas depois, continua atual e muito bem feito. Nem um pouco empolgado para ver a continuação, acho que se fecha muito bem sem a necessidade disso.

domingo, 28 de julho de 2024

UM COPO DE CÓLERA

Título Original: Um Copo de Cólera
Diretor: Aluizio Abranches
Ano: 1999
País de Origem: Brasil
Duração: 70min
Nota: 7

Sinopse: O tórrido caso de amor entre um homem que vive isolado do mundo, em seu sítio perto de São Paulo, e uma jornalista politicamente engajada. Tudo vem abaixo quando ele tem um ataque de cólera ao notar que as formigas saúvas fizeram um rombo na sua cerca viva.

Comentário: Achei que é um bom filme, galera diz que o que vale é a cena de sexo, mas achei muito mais interessante a verborragia da discussão, que tem momentos que é difícil acompanhar para onde o casal está levando, mas que faz nosso cérebro desencadear um monte de pensamentos malucos tentando entender. Não estava gostando da atuação no começo, mas o negócio vai se desenvolvendo muito bem até um show de ambos os atores (mas a Julia Lemmertz é foda demais, um espetáculo da natureza da atuação). Talvez se tivesse um texto um pouco menos literário funcionasse melhor, pudesse trazer um pouco mais de realismo e proximidade com o público. Um filme que termina muito rápido, acho que tinha mais pano para a manga.

domingo, 12 de maio de 2024

BOM TRABALHO

Título Original: Beau Travail
Diretor:  Claire Denis
Ano: 1999
País de Origem: França
Duração: 93min
Nota: 7

Sinopse: Em um campo de treinamento da Legião Francesa, no nordeste da costa africana, vemos a história de devoção do sargento Galoup ao enigmático comandante Bruno. Enquanto tentar entender seus conflituosos sentimentos, Galoup tem sua vida virada de cabeça para baixo com a chegada do novo recruta Guilles Sentain.
 
Comentário: Vencedor de um prêmio fora da competição principal no Festival de Berlim. O filme deve ser encarado como um espetáculo de dança, pois é assim que ele funciona melhor. Há cenas maravilhosas, um elenco competente e todo o paralelo do roteiro, baseado em Billy Budd de Herman Melville, funciona muito bem. O que mais me decepcionou no filme foi o mal aproveitamento do personagem Bruno Forrestier (agora comandante), interpretado novamente pelo ator Michel Subor mais de 35 anos depois dele ter vivido o papel pela primeira vez em O Pequeno Soldado dirigido por Jean-Luc Godard. Esperei pelo menos um momento de verborragia do personagem ou um diálogo mais consistente, ou mesmo algum fanservice que justificasse a presença dele no filme. Houve alguns momentos que não consegui me conectar muito à película, mas no geral foi uma experiência gratificante.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

MAGNÓLIA

Título Original: Magnolia
Diretor: Paul Thomas Anderson
Ano: 1999
País de Origem: EUA
Duração: 188min
Nota: 10

Sinopse: Um dia em San Fernando Valley, na Califórnia, nos arredores da rua Magnólia, as vidas de nove personagens são interligadas através de um programa de televisão onde um grupo de três crianças desafia três adultos. O filme acompanha um pai à beira da morte, uma jovem esposa, um enfermeiro, um filho perdido, um policial apaixonado, um menino gênio, um ex-gênio, o apresentador do programa e uma filha afastada, cujas histórias se cruzam por coincidências do destino.

Comentário: A ideia é não colocar filmes americanos no blog, salvo exceções. Magnólia tinha que ser uma delas. Filme vencedor do Urso de Ouro em Berlin e para mim o melhor filme americano já feito (Mas o Além da Linha Vermelha ainda é meu preferido). Todo o tipo de sentimento ou conhecimento importante do ser humano está aí, representado de alguma forma, em algum momento. O filme é rápido, dinâmico, não dá muito tempo para respirar, como a vida que passa em um sopro. O filme é poesia, é fé e ciência, amor e tudo o que vem com ele no pacote. Já assisti várias vezes e toda vez um tipo diferente de sentimento vem a tona. O filme discute sobre coincidência e destino, este último ao meu ver é o caminho que ele segue, brincando com religião onde podemos ver o número 82 em vários lugares (referência bíblica a Êxodus capítulo 8, versículo 2 - como bem destacado em uma placa em meio a multidão no programa de TV), procurem, aparece o tempo todo. Como o narrador, não posso acreditar que seja tudo uma coincidência, que seja uma daquelas coisas. O final do filme, que não darei spoilers, está ligado com a passagem bíblica relatada do número 82, mas não acredito que o diretor tenha tentado passar alguma mensagem religiosa e sim que existe uma coisa que podemos chamar de Universo que nos conecta a todos, que nos coloca em rota de colisão, podemos chamar de Destino ou Deus, não importa. Um filme obrigatório! Direção, atuação, as músicas da Aimee Mann... tudo no filme é perfeito.