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quarta-feira, 30 de julho de 2025

O ESTADO DAS COISAS

Título Original: Der Stand der Dinge
Diretor: Wim Wenders
Ano: 1982
País de Origem: Portugal
Duração: 122min
Nota: 8

Sinopse:
 
Comentário: Vencedor do Leão de Ouro e do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Veneza. Era o único filme, dos antigos do diretor, que eu ainda não havia assistido. Há anos eu guardava para ver em algum momento, apesar de achar que está muito aquém das maiores obras do diretor, tem seus grandes momentos. Primeiramente sou suspeito para falar do Patrick Bauchau, que eu amo desde adolescente por causa de uma série que assistia com ele, e na minha opinião ele carrega o filme nas costas. As cenas do filme que ele está gravando são maravilhosas, o estilo retro-futurista faz a gente querer que o Wenders tivesse realmente feito algo assim. Há criticas ao cinema pipoca americano por todos os lados. Há personagens chatos também, que parecem não acrescentar muito, mas adoro esse ritmo lento com várias coisas mal contadas nas entrelinhas. A maior parte do elenco foi emprestada de outro filme (The Territory do diretor Raúl Ruiz) enquanto rodavam em Portugal. Definitivamente um tipo de filme que não se faz mais hoje em dia, infelizmente. Quando começou a tocar X no carro fui teletransportado direto para a minha adolescência, uma banda que fazia anos que não escutava.

OBS: Pelos mesmos critérios que cadastrei o filme "Profissão: Repórter" como um filme da Espanha, cadastrei este como um filme de Portugal, onde se passa a maior parte da película.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

FANNY E ALEXANDER

Título Original: Fanny Och Alexander
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1982
País de Origem: Suécia
Duração: 189min
Nota: 9

Sinopse: A trama se concentra em dois irmãos e sua grande família em Uppsala, Suécia, durante a primeira década do século XX. Após a morte do pai das crianças homônimas, sua mãe se casa novamente com um bispo proeminente que se torna abusivo em relação a Alexander.
 
Comentário: Vencedor do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Veneza e de outros 4 Oscars. Seria o derradeiro filme de Bergman, que havia anunciado sua aposentadoria (plano que ele não cumpriu para a nossa sorte), e talvez por isso tenha colocado tanto dele mesmo. Bergman foi filho de um pastor luterano fervoroso e que o castigava, provavelmente vem daí todo choque entre a realidade e religião da obra do mestre. Bergman é Alexander e Fanny é Margareta, sua irmã. As cenas dos bonecos de marionetes, que Bergman ficou obcecado na infância também foi outro elemento que notei, o filme deve ser permeado de vários, inclusive coisas que não podemos identificar. Mas para mim é Gunn Wållgren, no papel da avó, que rouba as cenas em que aparece, de uma maestria ímpar, a cena em que ela acorda e conversa com o filho é linda demais. Bergman mostrando que mesmo depois de décadas não perdeu a relevância.

domingo, 30 de junho de 2024

O CORO

Título Original: Hamsarayan
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1982
País de Origem: Irã
Duração: 17min
Nota: 8

Sinopse: Um senhor que precisa de aparelho para poder ouvir os sons ao seu redor volta para casa ao fim da tarde. Um belo ensaio sobre o silêncio e o som, a opção de se ouvir o que quer e as surpresas que o som pode trazer.

Comentário: Meu maior sonho era poder desligar meu ouvido, sofro de misofonia e trabalho em um lugar que tem me abalado profundamente no nível de saúde mental devido ao barulho incessante de músicas extremamente alta sem necessidade nenhuma. O curta é lindo, com cenas belíssimas principalmente no seu início, confesso que fiquei nervoso com o senhor que esqueceu que tinha uma neta chegando, pensei "mas que falta de responsabilidade não se atentar na hora" e lembrei de todas as vezes que fui esquecido na escola, me gerou uma certa angústia, mas Kiarostami acabou deixando tudo com sua leveza habitual, dando um gostinho agridoce na situação. Muito bom.

domingo, 16 de junho de 2024

TODA UMA NOITE

Título Original: Toute Une Nuit
Diretora: Chantal Akerman
Ano: 1982
País de Origem: Bélgica
Duração: 91min
Nota: 7

Sinopse: Acompanhando mais de duas dezenas de pessoas diferentes na atmosfera quase sem palavras de uma noite escura na cidade de Bruxelas, Akerman examina a aceitação e a rejeição no reino do romance.

Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza. Fui assistir sem saber absolutamente nada, há anos planejo começar a ver as obras da diretora e finalmente iniciei por este. É deveras estranho, assisti de madrugada depois das 3 da manhã e não senti sono. Mas confesso que teve momentos que achei cheio de significados e outros completamente vazio. Há histórias que mereciam mais tempo na tela e outras menos. Mas é muito interessante como somos meros voyeurs de momentos ínfimos de uma história de amor, vemos apenas um lampejo de um todo, como quando estamos na mesa do lado e acompanhamos uma discussão ou um momento de ternura. Gostei da proposta, gostei de vários momentos, mas ficou um sentimento de que poderia ser algo mais se conseguíssemos nos conectar mais... mas daí, talvez, seria só mais um filme como tantos outros. O filme pode não agradar muita gente, mas tem personalidade. Me vi em várias situações. Gostei.