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quinta-feira, 14 de agosto de 2025

NIKITA: CRIADA PARA MATAR

Título Original: Nikita
Diretor: Luc Besson
Ano: 1990
País de Origem: França
Duração: 117min
Nota: 8

Sinopse: Uma bela criminosa, condenada à prisão perpétua pelo assassinato de um policial, recebe uma segunda chance: como uma assassina política secreta controlada pelo governo.
 
Comentário: O filme é muito bom, Besson sabe bem como comandar o ritmo do filme, ele funciona perfeitamente bem dentro da ideia de um filme de ação. Dito isso é preciso que eu prefiro o remake americano, e este talvez seja o único filme que isso aconteça. Talvez seja por conta da memória afetiva de criança, muito provavelmente seja por conta da Nina Simone que conheci assistindo o remake, pode ser por conta da Bridget Fonda que eu tenho uma paixão platônica, mas acredito que há elementos no roteiro do remake que o deixaram mais interessante. Mas falando desse filme, fiquei meio chocado como a participação da Jeanne Moreau é subaproveitada demais, a Anne Parillaud dá um show como Nikita, mas confesso que prefiro o Gabriel Byrne no remake do que o Tchéky Karyo aqui. Uma história simples contada em um ritmo que funciona, no geral é isso.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

LADRÃO DE SONHOS

Título Original: La Cité des Enfants Perdus
Diretores: Marc Caro & Jean-Pierre Jeunet
Ano: 1995
País de Origem: França
Duração: 112min
Nota: 10

Sinopse: Um cientista de uma sociedade surrealista rapta crianças para roubar seus sonhos, na esperança de que eles desacelerem seu processo de envelhecimento.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Eu simplesmente adoro este filme, ele marcou demais minha adolescência. Os diretores criam este mundo estranho com uma maestria ímpar, tudo funciona tão bem para mim, mesmo sem explicar tudo, há muito a ser explicado em diálogos e detalhes ao longo da película, é preciso assistir com atenção. Discordo completamente de detratores que tentam dizer que o filme coloca o relacionamento dos personagens principais como "pedófilo", em nenhum momento One sexualiza Miette, inclusive a chama de "irmãzinha", e a paixão platônica que ela tem por ele é tão comum em crianças que até parece que ninguém nunca teve isso por alguma professora da escola ou algo do tipo. A fotografia é linda demais, um filme divertido com atuações excelentes. Lembro que quando O Fabuloso Destino de Amélie Poulain estreou no cinema fui correndo assistir por conta deste filme. Trilha sonora maravilhosa do Angelo Badalamenti.

domingo, 16 de fevereiro de 2025

A FRATERNIDADE É VERMELHA

Título Original: Trois Couleurs: Rouge
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Ano: 1994
País de Origem: França
Duração: 99min
Nota: 10

Sinopse: A modelo Valentine inesperadamente faz amizade com um juiz aposentado depois que ela atropela seu cachorro. A princípio, o homem mal-humorado não demonstra nenhuma preocupação com o cachorro, e ela decide ficar com ele. Mas os dois formam um vínculo quando ela retorna à casa e o pega ouvindo os telefonemas dos vizinhos.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Quando assisti a Trilogia das Cores do Kieslowski pela primeira vez, este era o meu favorito, agora ao reve mais de 15 anos depois confesso preferir o Liberdade é Azul devido a várias situações de luto que passei na minha vida desde então. O que não tira a genialidade deste filme, Irène Jacob sempre lindíssima e competente dividindo as cenas com o lendário Trintignant. O filme é mais profundo do que aparenta e acredito que é o que fala sobre coisas mais variadas de toda a trilogia: conectividade, solidão, empatia, envelhecimento e tantas outras coisas. Último filme de Kieslowski que veio a falecer de uma cirurgia do coração pouco tempo depois, foi um dos maiores.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

L'APOLLONIDE: OS AMORES DA CASA DE TOLERÂNCIA

Título Original: L'Apollonide: Souvenirs de la Maison Close
Diretor: Bertrand Bonello
Ano: 2011
País de Origem: França
Duração: 125min
Nota: 9

Sinopse: Em um elegante bordel parisiense do século XX, há um mundo claustro de prazer, dor, esperança, rivalidades e, acima de tudo, escravidão.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Um filme com uma narrativa estranha, mas com uma mensagem incrível. O filme é profundo, mais fundo que o fundo do poço. É triste e avassalador. O diretor não tenta passar uma visão feminina da coisa toda, não, ele escancara a podridão do patriarcado e o sistema de escravidão da prostituição (que cabe tão bem na pornografia de um modo geral na sociedade moderna). As atrizes cativam, passam pela tela como pessoas reais, a construção de tudo é fantástica. A trilha sonora com The Mighty Hannibal é um ponto a mais. Fotografia, figurino e montagem de encher os olhos de tanta perfeição. Mas fica aqui minha menção a Alice Barnole, que interpreta Madeleine, que atriz maravilhosa, fiquei chocado que ela não tenha feito muitos outros filmes depois deste, era para chover papel para esta mulher.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

UMA ALEGORIA URBANA

Título Original: Allégorie Citadine
Diretores: Alice Rohrwacher & JR
Ano: 2024
País de Origem: França
Duração: 21min
Nota: 10

Sinopse: Uma bailarina está atrasada para um teste para um espetáculo inspirado na Alegoria da Caverna de Platão. Ela chega com seu filho de sete anos, Jay, e implora ao diretor que lhe dê uma chance.
 
Comentário: Depois de realizarem o excelente curta Homilia Camponesa na itália, os diretores se reúnem aqui para filmar esta peça de arte nas ruas de Paris. Alice Rohrwacher é um dos grandes nomes do cinema italiano atual e JR vem chamando a atenção na França onde tem no currículo até um trabalho com a lendária Agnès Varda. Tudo aqui é pura arte, é dança, é movimento, é crítica social, é lindo demais! Não lembro de um curta que diz tanto falando tão pouco. A parte técnica é perfeita, há tomadas incríveis. O minimalismo e os cenários estéreis e cinzentos que vivemos hoje vem me incomodando demais ultimamente e ao assistir este sentimento teve um grande impacto em mim. De quebra ainda podemos ver o Leos Carax fazendo uma ponta.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

PERSÉPOLIS

Título Original: Persepolis
Diretores: Vincent Paronnaud & Marjane Satrapi
Ano: 2007
País de Origem: França
Duração: 95min
Nota: 8

Sinopse: Marjane Satrapi é uma garota iraniana de 8 anos, que sonha em se tornar uma profetisa para poder salvar o mundo. Querida pelos pais e adorada pela avó, ela acompanha os acontecimentos que levam à queda do Xá em seu país, juntamente com seu regime brutal. Tem início a nova República Islâmica, que controla como as pessoas devem se vestir e agir
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro, ao Câmera de Ouro e vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Eu recomendo ler a HQ, que é muito melhor e obviamente acaba sendo mais profunda em tudo o que acontece, mas a animação não deixa de ser muito boa também. Li há muitos e muitos anos atrás, nem imaginava que já fazia tanto tempo que a animação tinha saído (o tempo realmente passa muito rápido). Tenho uma relação muito forte com Persépolis, já que sou casado hoje graças e ela (quando conheci minha esposa, que é iraniana, a única referência que eu tinha na época era essa HQ que eu já havia lido e foi o que me fez puxar assunto com ela). Uma obra essencial para entender um pouquinho sobre o Irã. A animação é linda, parece a HQ em movimento mesmo.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

A IGUALDADE É BRANCA

Título Original: Trois Couleurs: Blanc
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Ano: 1994
País de Origem: França
Duração: 88min
Nota: 8

Sinopse: O imigrante polaco Karol Karol encontra-se em situação difícil quando a sua esposa francesa, Dominique, se divorcia dele após seis meses devido à sua impotência. Forçado a deixar a França depois de perder o negócio que possuíam juntos, Karol convoca o expatriado polonês Mikołaj para contrabandeá-lo de volta para sua terra natal.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Berlim. Não havia gostado tanto quando assisti há uns 15 anos atrás. Revendo hoje o filme cresceu muito, acho que é preciso passar por algumas coisas na vida para se conectar a este filme. Se é o mais fraco da trilogia, é porque os outros dois são filmes gigantes demais em um âmbito muito geral. O filme é divertido, mas também trás reflexões e cenas que marcam a gente. Só não tem uma nota mais alta porque achei o final apressado demais, tudo acontece muito rápido depois de uma construção em tempo perfeita. Ótima trilha sonora e entrega do elenco. Do diretor eu acho que nem preciso falar. Outra coisa estranha, é que dessa trilogia com as cores da bandeira francesa, este filme é muito mais um filme polonês do que um filme francês, não que isso seja um problema.

sábado, 12 de outubro de 2024

SUBWAY

Título Original: Subway
Diretor: Luc Besson
Ano: 1985
País de Origem: França
Duração: 102min
Nota: 8

Sinopse: Fred, um ladrão de cofres desonesto, se refugia no metrô de Paris após ser perseguido pelos capangas de um empresário obscuro de quem ele havia acabado de roubar alguns documentos.
 
Comentário: Filme que deu um prêmio César de Melhor Ator no currículo de Christopher Lambert. Me diverti muito assistindo ao filme, e este sentimento de entretenimento que o filme cumpre muito bem para mim já valeu toda a assistida. É um tipo de filme que foi extinto, pois ele não dá tudo mastigado para o telespectador e em alguns pontos chega até a não fazer muito sentido, mas é essa mistura de nonsense com um ritmo frenético que faz com que ele funcione. Há vários clichês misturados com uma fantasia oitentista, dando ao filme personalidade, estilo e identidade. Luc Besson menos mainstream, sem querer agradar tanto ao cinema pipoca, mas sem deixar de ser pop. Lambert está realmente muito bem, nem parece o canastrão de sempre, o resto do elenco ajuda muito a criar todo o cenário dos subterrâneo do metrô de Paris. Adjani está linda, mas poderia ter sido melhor aproveitada. Um final meio apressado, mas que no geral cumpre seu papel. Não esperava que fosse gostar tanto, era o tipo de filme que estava precisando, sempre pensei em assistir e acabei nunca vendo até agora. Tinha até gravado em um VHS quando moleque. Há uma cena quando Fred está andando embaixo do trem que aparece alguém da equipe técnica do filme em um túnel em que ele entra, passou batido na edição.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

O PORTO

Título Original: Le Havre
Diretor: Aki Kaurismäki
Ano: 2011
País de Origem: França
Duração: 94min
Nota: 8

Sinopse: Quando um menino africano chega de navio cargueiro à cidade portuária de Le Havre, um engraxate idoso fica com pena da criança e a recebe em sua casa.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema e de outros dois no Festival de Cannes. Concordo com quem diz que o estilo do diretor combina mais com os cenários finlandeses, mas achei que no geral o filme não fica devendo em nada ao estilo característico do diretor. Gosto da insistência positivista de seus filmes, por mais que ele não deixe de lado as mazelas de seus personagens e  da critica político-social, há também o foco na bondade do ser humano, em um microcosmo de solidariedade e empatia. Não sou um grande conhecedor da obra de Kaurismäki, mas as "musas" de seus filmes parecem robôs, e acho isso interessante, dá muito o que pensar. O elenco todo está muito bem, a mensagem sobre imigração funciona, e isso na Europa de hoje é algo importantíssimo (infelizmente necessária). Não achei inferior a Folhas de Outono, mesmo alto nível.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

SHÉHÉRAZADE

Título Original: Shéhérazade
Diretor: Jean-Bernard Marlin
Ano: 2018
País de Origem: França
Duração: 111min
Nota: 8

Sinopse: Zachary, um jovem de 17 anos, acaba de sair da prisão. Rejeitado pela mãe, ele vive pelas ruas em áreas perigosas de Marselha. É nessa situação que ele conhece Shéhérazade.
 
Comentário: Indicado ao Câmera de Ouro no Festival de Cannes. Dá para dizer que o filme abre uma "trilogia" de filmes que retratam o lado escuro da França que ninguém quer mostrar (o segundo filme seria o excelente Os Miseráveis do diretor Ladj Ly de 2019 e o terceiro o mais recente Os Piores dos diretores Lise Akoka & Romane Gueret de 2022). Aqui a narrativa é mais simples e não tão inovadora, quase um clichê mesmo, mas a maneira que o diretor escolheu contar sua história emociona, pela crueza e crueldade. O elenco se entrega ao filme demais. O casal constrói sua história sobre tantos detritos e lixos de suas vidas que é impossível não se entregar ao sentimentalismo ao final. É brutal e doce, vale a pena assistir.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

A LIBERDADE É AZUL

Título Original: Trois Couleurs: Bleu
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Ano: 1993
País de Origem: França
Duração: 98min
Nota: 10

Sinopse: Julie é a esposa de um renomado maestro e compositor francês que morre em um desastre automobilístico com a filha do casal. A mulher, única sobrevivente da tragédia, vê-se na situação de ter que lidar com essas perdas e seguir sua vida.
 
Comentário: Vencedor do Leão de Ouro e de mais outros quatro prêmios no Festival de Veneza. Para mim, um dos filmes definitivos sobre o luto, Binoche está mais linda do que nunca e perfeita, a direção do Kieslowski também é maravilhosa. Me choquei ao perceber que já fazia mais de 15 anos que havia assistido, rever o filme depois de tudo o que passei até aqui foi mais catártico do que eu poderia imaginar. Tentar ir em frente depois de enterrar tanta gente é difícil, mas é o que resta como única opção. Da primeira vez que vi, lembro que não havia gostado da decisão de Olivier no final do filme, mas hoje entendo como ela é importante como mensagem. Filmes se modificam conforme nossas experiências de vida e eu acho isso maravilhoso. Trilha sonora icônica!

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

O SABOR DA VIDA

Título Original: La Passion de Dodin Bouffant
Diretor: Anh Hung Tran
Ano: 2023
País de Origem: França
Duração: 135min
Nota: 9

Sinopse: 1885. A cozinheira Eugenie trabalha para o gourmet Dodin há 20 anos. Com o passar do tempo, a admiração mútua gerou um relacionamento amoroso. Eugenie, no entanto, nunca quis se casar com Dodin. Ele decide, então, cozinhar para ela.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes. Realmente a direção de Ahn Hung Tran é maravilhosa, as cenas na cozinha são deslumbrantes. Sou vegetariano e achei as críticas de uma galera sem cabimento nenhum por conta das carnes no filme. Cozinhar é uma das minhas paixões, achei este filme a maior carta de amor a isto. Binoche e Magimel são um mero detalhe, é tomo aquele tempero que dá o toque especial no prato, que faz a harmonização, que combina com o bom vinho. Um filme muito bom, que pode não trazer uma história que seja excepcional, mas que funciona como o assado que o personagem pensou em servir para o príncipe, assim como funciona o nosso feijão com arroz para quem é brasileiro. Indico fácil.

sexta-feira, 28 de junho de 2024

A GRANDE CARRUAGEM

Título Original: Le Grand Chariot
Diretor: Philippe Garrel
Ano: 2023
País de Origem: França
Duração: 97min
Nota: 6

Sinopse: Três irmãos, um pai e uma avó administram um negócio na forma de um show de marionetes itinerante. Quando o pai morre, os membros restantes da família tentam manter seu legado vivo.

Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Berlim. Confesso que eu esperava mais, Muita coisa no filme funciona muito bem para mim quando foca nas relações familiares dos personagens, na metalinguagem com a própria vida do diretor e seus filhos que estão em cena, porém, é quando dá ao personagem do pintor um certo protagonismo que ele parece se perder na mensagem que quer dar. Não que o personagem não seja interessante até certo ponto, me deu asco ao ver o que faz com a mulher grávida (tão comum no meio masculino), mas é um personagem que parece completamente perdido em meio ao filme. Daí fica um sentimento que todo o núcleo familiar foi subaproveitado. É um filme acima da média, mas que podia ser muito melhor.

domingo, 12 de maio de 2024

BOM TRABALHO

Título Original: Beau Travail
Diretor:  Claire Denis
Ano: 1999
País de Origem: França
Duração: 93min
Nota: 7

Sinopse: Em um campo de treinamento da Legião Francesa, no nordeste da costa africana, vemos a história de devoção do sargento Galoup ao enigmático comandante Bruno. Enquanto tentar entender seus conflituosos sentimentos, Galoup tem sua vida virada de cabeça para baixo com a chegada do novo recruta Guilles Sentain.
 
Comentário: Vencedor de um prêmio fora da competição principal no Festival de Berlim. O filme deve ser encarado como um espetáculo de dança, pois é assim que ele funciona melhor. Há cenas maravilhosas, um elenco competente e todo o paralelo do roteiro, baseado em Billy Budd de Herman Melville, funciona muito bem. O que mais me decepcionou no filme foi o mal aproveitamento do personagem Bruno Forrestier (agora comandante), interpretado novamente pelo ator Michel Subor mais de 35 anos depois dele ter vivido o papel pela primeira vez em O Pequeno Soldado dirigido por Jean-Luc Godard. Esperei pelo menos um momento de verborragia do personagem ou um diálogo mais consistente, ou mesmo algum fanservice que justificasse a presença dele no filme. Houve alguns momentos que não consegui me conectar muito à película, mas no geral foi uma experiência gratificante.

segunda-feira, 18 de março de 2024

ANATOMIA DE UMA QUEDA

Título Original: Anatomie D'Une Chute
Diretor: Justine Triet
Ano: 2023
País de Origem: França
Duração: 151min
Nota: 9

Sinopse: Uma mulher é suspeita de assassinato após a morte do marido; seu filho meio cego enfrenta um dilema moral como testemunha principal.
 
Comentário: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Demorei mais de uma semana para escrever sobre o filme porque é realmente interessante como ele faz a gente pensar. O roteiro é maravilhoso, me remeteu ao Dom Casmurro de Machado. Não sei o que pensar se Sandra é culpada ou inocente. A cena da discussão do casal é o ponto alto de todo o filme e mostra o controle absoluto do roteiro na caracterização dos personagens. Único defeito, para mim, foi a duração do filme que acho que se estende demais sem uma necessidade disso. Há muita enrolação e alguns artifícios que cansam, como o advogado de acusação extremamente caricato. O filme mereceu o prêmio, mesmo não sendo o meu favorito do ano, e precisa ser visto porque é realmente muito acima da média e melhor que qualquer coisa no circuito comercial.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

PESSOAS-PÁSSARO

Título Original: Bird People
Diretor: Pascale Ferran
Ano: 2014
País de Origem: França
Duração: 128min
Nota: 8

Sinopse: Num hotel próximo a um aeroporto de Paris, dois desconhecidos tentam encontrar algum sentido em suas existências. O norte-americano Gary, engenheiro de informática, submetido a fortes pressões profissionais e afetivas, decide mudar radicalmente sua vida. Algumas horas mais tarde, a realidade de Audrey, uma jovem camareira do hotel, é totalmente transformada depois que ela passa por uma estranha experiência.
 
Comentário: Indicado ao prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Um filme relativamente simples, onde pouca coisa acontece, mas é como o diretor orquestra tudo que dá o tom certo para a película e faz com que funcione. As propagandas de várias marcas que vão aparecendo, que incomoda no início, acaba servindo para a narrativa muito bem no sentido de mostrar como os personagens estão presos a uma vida de que não precisam. A fantasia que ocorre na reta final do filme serve para dar o gás que faltava e prende a gente muito bem na tela, se estendesse demais perderia o sentido. Os atores são competentes, a cena da conversa pelo laptop foi uma das coisas que mais gostei, baita diálogo. Achei a cena final um pouco desnecessária, não precisava. Um filme que impregna na cabeça depois de assistido.

sábado, 6 de janeiro de 2024

FERRUGEM E OSSO

Título Original: De Rouille et D'Os
Diretor: Jacques Audiard 
Ano: 2012
País de Origem: França
Duração: 122min
Nota: 10

Sinopse: Alain deixa a Bélgica para viver com sua irmã e seu marido em Antibes. A conexão de Alain com Stephanie, uma treinadora de baleias, se aprofunda depois que Stephanie sofre um acidente horrível.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro em Cannes, que para mim era o favorito ao prêmio mesmo concorrendo com o Amor do Haneke. Um dos meus filmes preferidos da vida, assisti de novo hoje e me emocionou da mesma maneira de quando vi no cinema. O filme é forte, bate em você de um jeito sem dó, os personagens são realistas, profundos e cheio de traumas que vão sendo montados como um quebra-cabeça pelo espectador. Marion Cotillard é rainha e mostra tudo e muito mais aqui, que entrega! Acho que o que mais me pega nele é o pensamento de que as pessoas, por mais diferentes que sejam, podem fazer um relacionamento dar certo se ambas querem e se empenham para isso, portanto se uma relação falhou é porque não era tão importante assim para uma delas ou até para ambas, é no que acredito. O filme é brutal e transborda amor ao mesmo tempo, difícil outro que tenha me tocado assim desse jeito.

sábado, 23 de dezembro de 2023

A DUPLA VIDA DE VÉRONIQUE

Título Original: La double vie de Véronique
Diretor: Krzysztof Kieślowski
Ano: 1991
País de Origem: França
Duração: 97min
Nota: 10

Sinopse: Duas histórias paralelas sobre duas mulheres idênticas; uma morando na Polônia e outra na França. Elas não se conhecem, mas suas vidas estão profundamente conectadas.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor dos prêmios de Melhor Atriz e do Prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Cannes. Para mim é um pecado muito grande terem dado a Palma de Ouro para o Barton Fink, este filme é muito superior e parece ter envelhecido como vinho. É um filme sensorial, muito mais do que narrativo, apesar da narrativa estar ali presente, como coadjuvante. É tudo tão real e ao mesmo tempo tão fantástico que é difícil descrever. Apesar da referência para o Amélie Poulain ser real, também não acho tanto assim. Acho que não deve agradar uma geração Netflix acostumada a filmes mastigados enfiados em catálogos pré-fabricados diretos em seus cérebros. Tudo no filme funcionou para mim, da fotografia à música, do elenco (Irène Jacob é uma das mulheres mais maravilhosas do mundo) ao roteiro e, principalmente, o sentimento doce e amargo que fica.

domingo, 22 de outubro de 2023

O ACONTECIMENTO

Título Original: L'événement
Diretor: Audrey Diwan
Ano: 2021
País de Origem: França
Duração: 95min
Nota: 8

Sinopse: Uma adaptação do romance homônimo de Annie Ernaux, que lembra sua experiência com o aborto quando ainda era ilegal na França dos anos 60.
 
Comentário: Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza. Ser mulher no patriarcado é uma merda. Um dos filmes mais difíceis que assisti na vida, exatamente por conseguir me colocar no lugar da protagonista com toda a ansiedade e angústia que a situação vai se desenvolvendo para o desfecho avassalador. Anamaria Vartolomei é outro espetáculo à parte, simplesmente um show na atuação. Apesar de ser um filme curto, ele parece se arrastar um pouco, talvez pelo começo que parece ir levando a lugar nenhum, porém o filme cresce e se torna mais dinâmico da metade para o final. Um filme extremamente necessário para se discutir o aborto, a situação de perigo que as mulheres se colocam quando este não é legalizado e a hipocrisia da sociedade machista e religiosa.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

OS PIORES

Título Original: Les Pires
Diretores: Lise Akoka & Romane Gueret
Ano: 2022
País de Origem: França
Duração: 96min
Nota: 9

Sinopse: A rodagem do filme terá lugar na cité Picasso, nos subúrbios de Boulogne-Sur-Mer, no norte de França. Durante o casting, quatro adolescentes, Lily, Ryan, Maylis e Jessy são escolhidos para interpretar no filme. Todos no bairro ficam surpresos: por que levar apenas os “piores”?
 
Comentário: Vencedor do Prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Merecido prêmio e excelente filme. Confesso que demorei um pouco para entrar no filme, mas depois que eu estava dentro tudo se desenvolve muito bem. Os personagens vão cativando, um vai dando lugar para o outro e sem que percebemos estamos dentro daquele mundo que é o retrato de uma Europa que muitos se recusam a mostrar. Uma sociedade falha com pessoas tão especiais, renegadas muitas vezes por seus semelhantes. Ao mesmo tempo revivi medos e anseios da minha adolescência tão claros ali no filme. A narrativa rápida e crua, que pareceu atrapalhar em um primeiro momento, no fim se mostra necessária e cai como uma luva. No fim queria acompanhar Lily e Ryan por todo o caminho que ainda lhes resta. Atores mirins excepcionais.