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quinta-feira, 30 de julho de 2026

FRUTOS DO CACTO

Título Original: Sabar Bonda
Diretor: Rohan Kanawade
Ano: 2025
País de Origem: Índia
Duração: 112min
Nota: 7

Sinopse: Anand, um morador da cidade com cerca de 30 anos, é obrigado a passar um período de luto de 10 dias pela morte do pai no interior do oeste da Índia. Lá, ele estabelece um afetuoso vínculo com um agricultor local que luta para permanecer solteiro. Quando o luto termina, forçando seu retorno, Anand precisa decidir o destino de um relacionamento que nasceu sob pressão.
 
Comentário: Vencedor do Festival de Sundance na categoria de Cinema Mundial. Um drama gay na Índia que começa bem interessante, cai bastante conforme o filme avança e melhora bastante no final. É um filme que trás mais do mesmo dentro do tema, mas que talvez tenha alguma força por ser feito em um país onde ser gay ainda seja um tabu muito grande. O elenco e a direção estão ótimos como um todo, a realidade de um pequeno povoado da Índia cativa o espectador. Vivi cinco anos da minha vida entre amigos indianos e sinto falta demais desse jeito deles, há uma simplicidade e inocência de levar a vida que eu acho muito bonito. Um bom filme no geral, gostei bastante do desfecho.

terça-feira, 10 de junho de 2025

TUDO QUE IMAGINAMOS COMO LUZ

Título Original: All We Imagine as Light
Diretora: Payal Kapadia
Ano: 2024
País de Origem: Índia
Duração: 118min
Nota: 8

Sinopse: A enfermeira Prabha, de Mumbai, mergulha no trabalho para suprimir memórias dolorosas, até que um presente reabre as feridas de seu passado. Sua despreocupada colega de quarto, Anu, anseia por conseguir um tempo a sós com o namorado.
 
Comentário: Vencedor do Grande Prêmio do Festival e indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Não vou dizer que é um filme fácil, acho que tem horas que ele divaga demais e parece que não vai te levar para lugar nenhum, confesso que teve momentos que parecia que ia fazer com que eu perdesse o interesse, para depois me chamar a atenção de volta. As coadjuvantes parecem funcionar melhor do que a personagem principal, pois são eles que dão ritmo ao filme. Anu e seu relacionamento complexo ou o despejo da amiga acabam sobressaindo mais do que o drama da personagem principal. No final é um filme muito bom, que vai tocar cada um de maneira diferente. A interpretação individual de uma cena crucial eleva bastante a experiência e nos deixa pensando sobre.

terça-feira, 25 de abril de 2023

A ÚLTIMA LOJA DE MÚSICA

Título Original: The Last Music Store
Diretor: Megha Ramaswamy
Ano: 2016
País de Origem: Índia
Duração: 37min
Nota:  8

Sinopse: Documenta o fechamento da icônica Rhythm House, a mais antiga loja de música e vídeo de Mumbai, que teve que fechar por dificuldades financeiras.

Comentário: Estava de bobeira procurando algo para assistir no Mubi e me deparei com isto aqui, amo música e resolvi encarar. Achei de uma sensibilidade incrível, você realmente se vê envolvido com os proprietários e funcionários do local, por mais simples que sejam os depoimentos. Há momentos tocantes e emocionantes. Obviamente não conhecia nenhum dos músicos comentados por eles, só provando como vivemos em uma cultura ocidental que só consome coisas enlatadas ocidentais (venho tentando me distanciar disso cada vez mais). Eu escuto bastante coisa diferente, de música iraniana, croata, árabe, alemã, macedônica e afins, mas agora coloquei algumas indianas no catálogo também. Começando pela música marathi e descobrindo coisas novas. Houve algumas tentativas frustradas de reviver a loja depois disso, acho exagero quando tentam culpar a pirataria, pois acho que o declínio teve muito mais haver com o consumo de mídias do formato digital.

sábado, 4 de março de 2023

RRR: REVOLTA, REBELIÃO, REVOLUÇÃO

Título Original: RRR: Raudraṁ Raṇaṁ Rudhiraṁ
Diretor: S.S. Rajamouli
Ano: 2022
País de Origem: Índia
Duração: 185min
Nota:  10

Sinopse: Uma história fictícia sobre dois revolucionários lendários e sua jornada para longe de casa antes de começarem a lutar por seu país em 1920.
 
Comentário: Pode não ter figurado entre os selecionados nos festivais de cinema de maior prestígio, mas com certeza figura entre os melhores filmes do ano. Quem me conhece sabe o nojo que eu tenho do imperialismo britânico (eu moro nessa ilha nojenta de lama), ver isso escancarado no filme é lindo demais, porque ele chegou a ser até pior do que mostrado em tela em países como Sudão e Quênia. Ver esses caras se fodendo é lindo demais e nesse nível de cinema que eu achei que havia morrido, foi melhor ainda. O cinema indiano dá uma aula para Hollywood com tudo aquilo que o cinema americano esqueceu: o filme tem mensagem, história, motivo, emoção, ação, aventura... e muito mais que eu não vou nem lembrar. Rajamouli conseguiu pegar tudo e colocar em um filme só, mas sem se perder. Acho que a grande lição que fica é a de amizade e da importância de se rebelar contra a opressão imperialista. Me espanta que tenha feito certo sucesso nos EUA, hoje, o país com o imperialismo mais sujo, sanguinário e nojento na face do planeta. Pena que o Netflix não tem a opção de ver com o áudio original, tive que usar outros meios para assistir. Que atores! Que direção! Que cinema!

domingo, 12 de fevereiro de 2023

O INIMIGO DO POVO

Título Original: Ganashatru
Diretor: Satyajit Ray
Ano: 1989
País de Origem: Índia
Duração: 95min
Nota:  8

Sinopse: Nesta adaptação da peça teatral de Ibsen, um médico idealista descobre que as águas do templo da cidade estão perigosamente contaminadas. Mas com a comunidade contando com a atração sagrada para os dólares dos turistas, seus avisos são ignorados.

Comentário: Outro filme muito competente de Satyajit Ray, não decepciona. Sempre um crítico ferrenho da fé cega, o diretor volta a alfinetar a sociedade conservadora do seu país usando de uma maneira muito bem orquestrada a peça teatral do escritor norueguês adaptando para a Índia. O elenco é ótimo, Dhritiman Chatterjee interpreta um vilão bem canastrão como o irmão rico do doutor e que nunca troca de lenço. Mamata Shankar como a filha tira suspiros. Só achei que faltou maior embate entre o casal principal, já que ela aparentemente é uma pessoa religiosa e seu marido não, poderia ter tido diálogos excelentes daí. Assusta as coincidências com o mundo de hoje, parece que estagnamos lá atrás.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

A CASA E O MUNDO

Título Original: Ghare-Baire
Diretor: Satyajit Ray
Ano:1984
País de Origem: Índia
Duração: 132min
Nota:  9

Sinopse: Um fazendeiro rico convence sua esposa a romper com a tradição hindu e deixar os aposentos das mulheres para conhecer um de seus melhores amigos. A tensão aumenta quando ela se apaixona por ele e seus ideais políticos opostos ao do marido.

Comentário: Indicado a Palma de Ouro em Cannes, mas no ano do 'Paris, Texas' não tinha para ninguém. Adorei o filme, a dinâmica, a construção dos personagens, direção e condução. Talvez se estenda um pouco, mas no geral foi um dos melhores filmes do diretor que assisti. Me apaixonei pelo Nikhilesh, que maridão! Acho que as pessoas julgam meio mal o Sandip, não consigo enxergá-lo como um vilão, mas sim como um alienado hipócrita que não percebe que é raso e fútil. Bimala é o reflexo da opressão machista. Há tantas camadas no filme, que por mais que não dê para trabalhar tudo, está tudo lá de alguma maneira. Algumas coisas mais aparentes e outras não. O filme dá pano pra manga para se refletir sobre muita coisa, isso que é o grande acerto. Baseado na obra de Rabindranath Tagore, ganhador do Nobel de literatura. Recomendo muito! Interessante tentar entender o contexto da Índia pré Primeira Guerra Mundial.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

SOBRE O AMOR

Título Original: About Love
Diretor: Archana Phadke
Ano: 2019
País de Origem: Índia
Duração: 91min
Nota:  8

Sinopse: Três gerações da família Phadke vivem juntas em sua casa em Mumbai. Cruel e cômico em igual medida, mostra os caprichos do afeto entre as gerações desta família, unidos por algo mais estranho que o amor.

Comentário: O filme é bem legal e flui de maneira agradável, mas obviamente deve ter um peso muito maior para a diretora do que para qualquer outro telespectador. O filme é uma carta de amor dela para com a família e isto é a força que existe em cada cena filmada. O avô incomoda e confesso que o jeito chato dele cansou em determinado momento. Mas quando chegamos no final parece que há uma integração entre o telespectador e a família. Queremos incentivar a mãe que gosta de escrever, queremos desejar felicidades a Rohan e Gurbani e pedir para Sagarika largar a porra do celular. Não assisto muito documentários, acabei assistindo este porque ia sair do catálogo do Mubi, não me arrependi.

domingo, 28 de agosto de 2022

A PASTORA E AS SETE CANÇÕES

Título Original: Laila Aur Satt Geet
Diretor: Pushpendra Singh
Ano: 2020
País de Origem: Índia
Duração: 98min
Nota:  8

Sinopse: Com o conflito na Caxemira como pano de fundo, o longa conta a história da pastora nômade Laila. Embora ela se torne a esposa de Tanvir, a jovem atrai a atenção de toda a tribo, especialmente do policial Mushtaq, que está determinado a conquistá-la. Em meio à deslumbrante paisagem do Himalaia, onde a polícia e os militares monitoram rigorosamente cada movimento em todas as fronteiras, os dois trocam réplicas amorosas que fogem do controle. Inspirado na poesia de Lalleshwari, místico da Caxemira do século XIV.

Comentário: Selecionado no Festival de Berlim em uma das premiações paralelas, este filme me surpreendeu muito positivamente, principalmente pelos seus alívios cômicos. Esses filmes indianos tendem, muitas vezes, a cair no dramalhão. As imagens são lindas e a direção nos pega de surpresa por se tratar de um estreante. O final me tirou o fôlego e me espantou bastante pela ousadia, sem medo de seguir caminhos diferentes (experimentais talvez?). Achei que o filme é de uma sensibilidade com a figura feminina que muitas vezes é ignorada por culturas predominantemente machista. A divisão do filme entre as "sete canções" ajuda muito no ritmo em que a história é contada e vamos aos poucos pegando uma simpatia pelo personagem Mushtaq, muito bem interpretado por Shahnawaz Bhat. Cheguei até a pensar que os atores eram de vilarejos da Caxemira utilizados pelo diretor, mas  vi que são atores mesmo com outros trabalhos anteriores. Navjot Randhawa, que interpreta Laila, tem talento de sobra, espero que ganhe mais papéis de destaque no futuro, pois merece.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

VIÚVA DO SILÊNCIO

Título Original: Widow of Silence
Diretor: Praveen Morchhale
Ano: 2018
País de Origem: Índia
Duração: 85min
Nota:  7

Sinopse: Na Caxemira em conflito, uma viúva muçulmana, responsável por sua filha de 11 anos e uma sogra doente, encontra-se em apuros. Incapaz de obter o atestado de óbito de seu marido desaparecido do governo, ela deve encontrar forças para superar essa situação absurda.

Comentário: O filme é lento e arrastado em alguns momentos, mas ao mesmo tempo contemplativo e cheio de detalhes que a competente direção de Morchhale segura muito bem. O filme mostra a dualidade entre a podridão do ser humano, onde um funcionário do governo se torna um monstro escancarando o quanto a humanidade é um projeto que deu errado, mas ao mesmo tempo temos a figura da enfermeira que abdica de seus ganhos pessoais para tentar dar algum conforto em um momento de desespero a colega, mostrando que talvez eu esteja errado sobre a humanidade. As imagens da Caxemira são como pinturas que me lembraram um pouco o estilo do diretor turco de Nuri Bilge Ceylan. O personagem do motorista, interpretado por Bilal Ahmad, é de longe a melhor coisa do filme. No final tudo fica um pouco kafkaniano e o desfecho é exatamente o que eu esperava, mas que se fosse de outro modo estragava o filme. Só indico para quem realmente está acostumado com este tipo de filme.