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sexta-feira, 13 de junho de 2025

MUNDO DE GLÓRIA

Título Original: Härlig är Jorden
Diretor: Roy Andersson
Ano: 1991
País de Origem: Suécia
Duração: 16min
Nota: 8

Sinopse: Após testemunhar um ato de violência sem precedentes sem sequer pestanejar, um corretor imobiliário emocionalmente entorpecido visita sua mãe doente no hospital e, em seguida, no cemitério. Haverá um pingo de felicidade nesta vida cruel e curta?
 
Comentário: Acho engraçado a tentativa frustrada de tentar se criar uma sinopse com algum fio narrativo quando não existe um. Roy Andersson é sempre impressionante de se assistir, mas seus filmes não são fáceis e não nos conduz a uma história a ser contada na maioria das vezes. São cenas, cada cena conta algo, um momento, um sentimento, uma crítica ou até uma comédia. Este curta não foge a regra, e impressiona assim como tudo do diretor que já tenha assistido. Cada cena é um quadro, lindamente pintado pela fotografia perfeita, mas um quadro em movimento. Para quem gosta do diretor eu super indico. Desconcertante e profundo.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

A SONATA FANTASMA

Título Original: Spöksonaten
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 2007
País de Origem: Suécia
Duração: 86min
Nota: 8

Sinopse: As aventuras de um jovem estudante que idealiza a vida dos habitantes de um elegante prédio de apartamentos em Estocolmo. Ele conhece o misterioso Jacob Hummel, que o ajuda a encontrar o caminho para o local, apenas para descobrir que é um ninho de traição e doença. No mundo, o aluno aprende, o inferno e os seres humanos devem sofrer para alcançar a salvação.
 
Comentário: Último trabalho do Bergman, foi uma peça que foi apresentada na televisão sueca. Novamente o diretor volta seus olhos para uma peça de August Strindberg, autor que estimulou e esteve sempre presente em toda a obra por décadas, soa até como uma força do destino que este tenha sido o canto do cisne de um dos maiores diretores da história do cinema. Das montagens que Bergman fez de Strindberg, acho que gostei mais deste mesmo, o elenco está bem entrosado, as cenas convidam ao telespectador a acompanhar com mais atenção. O desfecho é muito rápido e um tanto estranho, talvez rápido demais. Finalizo aqui todos os mais de cinquenta filmes do mestre que assisti ao longo dos últimos anos, muitos dos quais devo revisitar no futuro. Apesar de nada conhecido, este último trabalho serve como um ótimo desfecho de tudo, vale a conferida.

domingo, 29 de dezembro de 2024

SARABANDA

Título Original: Saraband
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 2003
País de Origem: Suécia
Duração: 112min
Nota: 8

Sinopse: Trinta anos após o divorcio, Marianne decide visitar Johan no seu isolado retiro no interior e testemunha o relacionamento atormentado entre seu amargo ex-marido, seu filho, Henrik e uma neta de 19 anos.
 
Comentário: Último filme do mestre sueco onde ele revisita os personagens da sua clássica série Cenas de um Casamento. O filme é muito bom, mas infelizmente não funciona muito bem como uma continuação, que é a expectativa que se cria no telespectador, ao invés disso os personagens de Marianne e Johan e a relação entre eles são deixados em segundo plano, e isso para mim foi um dos pontos negativos do filme. O foco é a relação entre Johan e seu filho do primeiro casamento e a relação da neta entre eles. Tudo é arquitetado muito bem, toda a tensão sentimental que o filme carrega faz dele um típico Bergman, o contraste da velhice e da juventude que já foi tema de Morangos Silvestres ganha um ar muito mais carregado aqui. A relação do pai para com a filha é doentia e beira a insanidade, todo o elenco está maravilhoso. E foram mais de 50 filmes ao longo de anos resenhando nos dois blogs, ainda resta o Sonata Fantasma que já assisti, mas é uma peça de teatro filmada para a TV. Bergman foi um dos maiores, se não o maior, cineasta da história. Ver e rever seus filmes são sempre o que faz o cinema ter uma razão de existir para mim. Tudo profundo, como este último filme, há muito mais do que aparenta a superfície.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

NA PRESENÇA DE UM PALHAÇO

Título Original: Larmar Och Gör Sig Till
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1997
País de Origem: Suécia
Duração: 119min
Nota: 8

Sinopse: Outubro de 1925. O engenheiro Carl Åkerblom, fervoroso admirador de Schubert, é internado em um hospital psiquiátrico em Uppsala. De seu quarto, ele alimenta o revolucionário projeto de inventar o cinema falado. Com a ajuda do professor Osvald Vogler, o diretor Åkerblom improvisa uma história de amor contando os últimos dias de Schubert.
 
Comentário: Indicado a premiação Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Acho que é o filme do Bergman que mais me trouxe sentimentos conflitantes, há momentos que acho sublime e há momentos que acho enfadonho. Marie Richardson já tinha mostrado talento em A Marquesa de Sade, mas aqui ela segura demais o filme, simplesmente exuberante. As cenas com o palhaço (na verdade palhaça) são ótimas, mas no fundo achei que a personagem foi mal aproveitada. As cenas da peça são lindas e toda a homenagem do Bergman à sétima arte como um todo vale demais a assistida. Sempre esqueço que o Peter Stormare é sueco, adoro ele. Meu problema maior com o filme talvez seja com o personagem principal, Åkerblom é chato demais.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

HARALD & HARALD

Título Original: Harald & Harald
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1996
País de Origem: Suécia
Duração: 10min
Nota: 5

Sinopse: Dupla de humoristas assume o papel de críticos de arte para discutir um documento elaborado pela Comissão Sueca de Cultura. Cinema, Teatro, Música e Juventude são alguns dos temas debatidos com extrema ironia.
 
Comentário: Curta metragem feito para a televisão durante a aposentadoria de Bergman. É difícil assistir com a mesma visão de 1996 e sendo um sueco. É um filme que o local e o tempo importam, pois foi feito para aquele público específico, naquela época específica. Portando é normal que seja datado, que nem todo o humor seja captado hoje, mas em linhas gerais é um curta mediano, longe de qualquer genialidade do diretor, mas ainda assim com seus diálogos afiadíssimos e sua crítica ao status quo de seu tempo. As caixas de sapato na cabeça dos apresentadores ficou divertidíssimo, mas ao mesmo tempo sem muito sentido que eu pude extrair. Parece até coisa do Lynch.

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

A MARQUESA DE SADE

Título Original: Markisinnan de Sade
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1992
País de Origem: Suécia
Duração: 105min
Nota: 7

Sinopse: Uma produção teatral da peça de Yukio Mishima, filmada para a televisão sueca. Começa na França em 1772. Seis mulheres, uma delas Madame de Sade, discutem suas opiniões e sentimentos em relação ao notório Marquês de Sade.
 
Comentário: Depois de anunciar sua aposentadoria do cinema, esta peça interpretada no Royal Dramatic Theatre em Estocolmo e filmada para a televisão foi um dos projetos do mestre Bergman. A peça funciona muito bem, com excelentes interpretações e diálogos afiadíssimos, mas achei que dá uma cansada em certo ponto. Há pontos repetitivos e falta um certo dinamismo no decorrer da história. Talvez com umas pitadas do humor ácido que Bergman costuma usar funcionasse melhor do que ficar muito preso ao texto, e apesar de haver uma discussão feminista nas entrelinhas, ela poderia também ter sido melhor utilizada como o diretor sempre fez. No geral é um bom "filme", merece ser visto por quem é fã do diretor, mas pode ser ignorado para quem quer ver apenas suas obras primas.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

OS ABENÇOADOS

Título Original: De Två Saliga
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1986
País de Origem: Suécia
Duração: 82min
Nota: 6

Sinopse: Uma professora de meia-idade sofre de delírios paranoicos. Seu marido é aos poucos puxado para sua condição. O amor a tornou vulnerável e ciumenta e lentamente seu casamento é transformado de maneira sombria a uma loucura.
 
Comentário: Um especial para a TV sueca que Bergman realizou depois de sua aposentadoria anunciada do cinema. O ritmo atrapalha bastante, não me senti em nenhum momento muito conectado ao filme, tudo vai acontecendo de maneira muito quebrada. Os atores estão muito bem, há diálogos fantásticos (afinal de contas é um Bergman) e momentos interessantes, mas não trás a grandiosidade da filmografia do diretor. Um filme de momentos, mas que no geral fica devendo. Todos sabem que sou avesso a remakes, acho algo desnecessário, mas aqui seria interessante ver um releitura no Brasil atual: casal de idosos que começam a ficar malucos devido a fake news espalhadas pelo whatsapp e começam a rezar para pneus... melhor não, acho que todo brasileiro já viu este filme, mas é o que melhor resume o que acontece aqui.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

DEPOIS DO ENSAIO

Título Original: Efter Repetitionen
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1984
País de Origem: Suécia
Duração: 73min
Nota: 8

Sinopse: Henrik Vogler, um consagrado diretor de teatro, costuma permanecer no teatro depois dos ensaios, trabalhando ou dormindo. Anna, a promissora atriz principal de sua nova montagem, retorna depois do ensaio em busca de um bracelete esquecido. O que se segue desse encontro casual leva-nos ao limite entre encenação e realidade, entre arte e vida, entre indivíduos, máscaras e papéis - dentro e fora do teatro.
 
Comentário: Filme feito para a televisão depois que Bergman havia anunciado sua aposentadoria do cinema com Fanny & Alexander. Eu gostei bastante, trás excelentes diálogos com um tom autobiográfico metalinguístico casando muito bem com o teatro, essa atmosfera que Bergman amava tanto. Lena Olin está tão nova, não reconheci ela no começo, já mostrava o talento que tem até hoje. Erland Josephson e Ingrid Thulin sã monstros do cinema, ver os dois em cena é sempre ótimo. Uma galera diz que é um trabalho do Bergman, mas sou obrigado a discordar completamente, é muito bom e para mim tem o mesmo peso de muitos grandes filmes do diretor feitos para o cinema. Filme obrigatório na filmografia bergniana.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

FRONTEIRA

Título Original: Gräns
Diretor: Ali Abbasi
Ano: 2018
País de Origem: Suécia
Duração: 105min
Nota: 9

Sinopse: Quando uma guarda de fronteira que consegue farejar o medo para identificar os contrabandistas encontra a primeira pessoa que ela não pode provar a culpa, sua relação a força a confrontar revelações terríveis sobre si mesma e sobre a humanidade.
 
Comentário: Vencedor do prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem. Escrevo essa resenha depois de um tempo que assisti, e é impressionante como o filme fica martelando na cabeça da gente mesmo depois de dias. Há algo de muito poderoso na narrativa sobre a espécie humana, mais do que sobre os trolls que ganham o protagonismo na película. Algumas pessoas se sentem chocadas com o lance que envolve crianças no filme, mas toda a lenda em torno das criaturas giram em muitas histórias sobre rapto de bebês, então me parece que a narrativa do filme, ao envolver todo o lance em torno de crianças, faz muito sentido para mim. De resto, o filme é um deleite, bizarro e interessantíssimo. Estava com o pé atrás, já que não gostei muito do filme mais recente do diretor (Santa Aranha), mas esse eu achei muito superior. Você começa a pensar sobre a natureza humana, genocídios, conto de fadas, lendas e a mente divaga em diversas direções. Um belo filme.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

ESCOLA DE MULHERES

Título Original: Hustruskolan
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1983
País de Origem: Suécia
Duração: 108min
Nota: 8

Sinopse: A última produção de Alf Sjöberg para o Royal Dramatic Theatre de Estocolmo foi transferida para a TV por Ingmar Bergman. Escola de Mulheres é sobre o velho solteiro Arnolphe que decidiu se casar com a jovem Agnes, mas encontra um rival inesperado em Horace, que tem a mesma idade que ela.
 
Comentário: Primeiro trabalho de Bergman depois de anunciar a aposentadoria do cinema para se dedicar mais ao teatro e a escrever roteiros, aqui temos uma adaptação da peça de Molière filmada especialmente para a televisão sueca. Adoro um Bergman mais leve, seus filmes que caem mais para a comédia são tão brilhantes quanto os filmes mais sérios, e sempre um deleite enquanto assistimos. Achei super divertido, me prendeu na tela do começo ao fim. Allan Edwall é um ator incrível e domina todo momento que está em cena. O elenco de apoio também funciona muito bem, achei muito bom, e muito superestimado também. O assunto era atual nos anos oitenta como, infelizmente, continua atual mais de quarenta anos depois. Uma crítica ferrenha ao patriarcado e TODAS as suas raízes na sociedade.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

FANNY E ALEXANDER

Título Original: Fanny Och Alexander
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1982
País de Origem: Suécia
Duração: 189min
Nota: 9

Sinopse: A trama se concentra em dois irmãos e sua grande família em Uppsala, Suécia, durante a primeira década do século XX. Após a morte do pai das crianças homônimas, sua mãe se casa novamente com um bispo proeminente que se torna abusivo em relação a Alexander.
 
Comentário: Vencedor do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Veneza e de outros 4 Oscars. Seria o derradeiro filme de Bergman, que havia anunciado sua aposentadoria (plano que ele não cumpriu para a nossa sorte), e talvez por isso tenha colocado tanto dele mesmo. Bergman foi filho de um pastor luterano fervoroso e que o castigava, provavelmente vem daí todo choque entre a realidade e religião da obra do mestre. Bergman é Alexander e Fanny é Margareta, sua irmã. As cenas dos bonecos de marionetes, que Bergman ficou obcecado na infância também foi outro elemento que notei, o filme deve ser permeado de vários, inclusive coisas que não podemos identificar. Mas para mim é Gunn Wållgren, no papel da avó, que rouba as cenas em que aparece, de uma maestria ímpar, a cena em que ela acorda e conversa com o filho é linda demais. Bergman mostrando que mesmo depois de décadas não perdeu a relevância.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

FÅRÖ 1979

Título Original: Fårödokument 1979
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1979
País de Origem: Suécia
Duração: 104min
Nota: 8

Sinopse: Fårö 1979 é a continuação de dez anos do primeiro documentário que Bergman fez sobre sua casa adotiva, a ilha de Fårö na Suécia, onde filmou muitos de seus melhores trabalhos e viveu até o fim de sua vida.

Comentário: Gostei mais deste do que do anterior (Fårö 1969), achei que fosse ser mais cansativo por ter quase o dobro do tempo, mas foi o oposto. Bergman teve mais tempo para desenvolver a ideia do que queria passar, há cenas lindas como a construção do telhado por toda a comunidade. A cena em que compara as crianças do documentário anterior e como estão 10 anos depois é sensacional, não nos damos conta em como uma década afeta tanto as pessoas e como a mentalidade de toda uma população pode mudar. Como vegetariano, acho necessário que as pessoas entendam que a carne que consomem não venha de uma bandeja de plástico de um supermercado, portanto necessária as cenas de abate. Única tristeza é de que o diretor tenha deixado de lado a ideia de continuar os documentários a cada década, fiquei pensando em como seria ter visto pelos olhos dele até um Fårödokument 1999.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

SONATA DE OUTONO

Título Original: Höstsonaten
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1978
País de Origem: Suécia
Duração: 93min
Nota: 10

Sinopse: Uma pianista visita a filha no interior da Noruega. A mãe é uma artista de renome internacional, mas a filha é tímida e deprimida. O encontro das duas é tenso, marcado por lembranças do passado e revela uma relação repleta de rancor, ressentimentos e cobranças.

Comentário: Um filme ignorado, injustamente, pelos grandes festivais. Vencedor de Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro e indicado a dois Oscars. Junto com Gritos e Sussurros é o melhor Bergman da década de 70. Que baita filme, forte, cheio de áreas cinzentas, com as duas atrizes dando tudo de si. Ingrid e Liv estão estupendas. O texto é maravilhoso. Para mim me remeteu muito a frase do Oscar Wilde "No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente ou quase nunca os perdoam". Eva, no filme, é tão presa a seus traumas e ressentimentos que não consegue mais ver a mãe como um ser humano, com falhas e sonhos, com erros e acertos. Quantos filhos culpam seus pais por tudo? Como diria o nosso poeta Renato Russo "Isto é um absurdo, são crianças como vocês, o que vocês vão ser quando crescer". Amei o filme, passei por uma fase de julgamento de meus pais, hoje os entendo e consigo dar todo o amor que tenho a eles. Um filme necessário, intenso e maravilhoso.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

BAILE DAS INGRATAS

Título Original: De Fördömda Kvinnornas Dans
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1976
País de Origem: Suécia
Duração: 25min
Nota: 9

Sinopse: O filme mostra quatro mulheres se movimentando em uma sala fechada e apertada ao som da música de Monteverdi representando mulheres que vivem desempenhando um papel que lhes foi transmitido durante gerações.

 
Comentário: Há genialidade em praticamente tudo do Bergman, mas em alguns ele extrapola, este curta é das coisas mais lindas que ele fez, com uma mensagem tão grande e importante, de uma maneira tão sutil e delicada, e sempre vou achar que o diretor funciona muito melhor com a fotografia em preto e branco. O título da música de Monteverdi em italiano é "Il Ballo Delle Ingrate", que acaba dando o tom para a tradução do título do curta para o português que difere um pouco do original que foi mantido para o inglês "Baile das Mulheres Condenadas" que talvez faça mais sentido para o que Bergman queria dizer. Maravilhoso!

domingo, 14 de abril de 2024

FACE A FACE

Título Original: Ansikte Mot Ansikte
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1976
País de Origem: Suécia
Duração: 130min
Nota: 7

Sinopse: A Dra. Jenny Isaksson é uma psiquiatra casada com outro psiquiatra; ambos são bem-sucedidos em seus empregos, mas lenta e agonizantemente, ela sucumbe a um colapso. Jenny é assombrada por imagens e emoções de seu passado e eventualmente não consegue funcionar, seja como esposa, médica ou indivíduo.

 
Comentário: Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e indicado ao Oscar de Direção e Melhor Atriz. O filme não funcionou muito bem comigo, achei todo o plot central do filme muito forçado e com cenas que não levaram a lugar nenhum. O que vale do filme é a atuação da Liv Ullmann e detalhes pontuais, Bergman flertando com o terror é incrível e Gunnar Björnstrand é um espetáculo de versatilidade. O desfecho chega a ser meio frustrante. As cenas funcionam melhor isoladas do filme, mexem com sentimentos e percepções, mas no geral não achei que a narrativa como um todo nos presenteie com o Bergman em sua melhor forma.

domingo, 24 de março de 2024

A FLAUTA MÁGICA

Título Original: Trollflöjten
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1975
País de Origem: Suécia
Duração: 138min
Nota: 8

Sinopse: A história do príncipe Tamino e seu entusiasmado companheiro Papageno, que são enviados em uma missão para salvar uma linda princesa das garras do mal.
 
Comentário: Indicado ao Oscar por Melhor Figurino e ao Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro. Depois de rodar O Misantropo no teatro na Dinamarca, Bergman parece ter tomado gosto e realiza esta obra grandiosa. Baseado na obra de Emanuel Schikaneder para a qual Mozart compôs as músicas e se tornaria o marco que é até hoje. A montagem é impressionante, realmente muito bom, toda a parte técnica é o ápice do diretor até aqui. A história hoje é um tanto quanto cliché, mas ainda funciona, achei um tanto quanto demorado, fui cansando aos poucos, mas o elenco não deixa a peteca cair e segura muito bem o filme junto com as pitadas de comédias de Papageno. A cena entre os atos com os atores agindo normalmente com o figurino é uma das cenas mais deslumbrantes de toda a carreira do Bergman. Fiquei pensando se a peça foi realmente encenada, porque são tantos cenários e tantos detalhes que me parece quase impossível. No fim, o relacionamento do casal hétero sobrevive ao passeio na câmera escura de uma casa de swing e o amor prevalece (hahahaha).

sábado, 10 de fevereiro de 2024

CENAS DE UM CASAMENTO

Título Original: Scener ur ett Äktenskap
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1973
País de Origem: Suécia
Duração: 299min
Nota: 9

Sinopse: As cenas de um casamento narram os muitos anos de amor e agitação que unem Marianne e Johan através do casamento, infidelidade, divórcio e as vidas subsequentes de cada um.
 
Comentário: É uma série em seis capítulos, apesar de existir uma versão com cortes feita para o mercado estadunidense que acabou ganhando o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Assisti a série e não tenho intenção de ver a edição com cortes. É Bergman na sua mais pura forma, cheio de camadas e com uma construção de personagens que é uma verdadeira aula. Liv Ullmann e Erland Josephson brilham demais. As ações que não são contadas entre os capítulos é o que Bergman soube aproveitar melhor para construir sua história, sem precisar nos dar todos os detalhes, fica a critério do telespectador preencher essas lacunas da maneira que for mais conveniente.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

GRITOS E SUSSURROS

Título Original: Viskningar Och Rop
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1972
País de Origem: Suécia
Duração: 92min
Nota: 10

Sinopse: Quando uma mulher que morre de câncer no início do século XX, na Suécia, é visitada por suas duas irmãs, sentimentos reprimidos entre elas emergem à superfície.
 
Comentário: Vencedor de um tal Grande Prêmio Técnico no Festival de Cannes (não me perguntem que prêmio é este, não tenho ideia, deve ter sido um prêmio especial daquele ano) e indicado a 5 Oscars (vencedor de Melhor Direção de Arte). Não pude estar com minha irmã quando ela faleceu e este filme me abriu várias feridas, foi bem difícil para mim assisti-lo. Achei um filme grandioso do diretor, que conseguiu combinar tudo aquilo de melhor que ele foi construindo até aqui em sua carreira. Tudo funciona, o clima claustrofóbico, a construção das personagens, o vermelho predominante. Harriet Andersson brilha como nunca, tanto que consegue ofuscar Liv e Ingrid. Os 15 minutos finais é simplesmente catártico.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

A HORA DO AMOR

Título Original: Beröringen
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1971
País de Origem: Suécia
Duração: 115min
Nota: 4

Sinopse: Arqueólogo americano, trabalhando na Suécia, se apaixona pela mulher do médico local e os dois mantém um caso de amor. Ela fica sem saber se prefere a liberdade ou a segurança do casamento.
 
Comentário: Eita filminho ruim do Bergman, hein? Não acho que consegue ser pior do que o "Isto Não Aconteceria Aqui", mas para mim ficou na segunda posição do pior filme que vi do diretor. A cena inicial no quarto de hospital é linda, também há lances de câmera e coisas que funcionam. Cenas em que Bibi Andersson está sozinha (ela escolhendo a roupa para sair, por exemplo) ou algumas ponderações do personagem de Von Sydow. De resto, o filme é sofrível, uma relação que não faz o menor sentido, nunca vi alguém se apaixonar depois daquele sexo ruim. O personagem do Elliott Gould é um escroto babaca e não há em todo filme uma cena em que eles realmente pareçam apaixonados, não há um diálogo marcante, não é uma relação. O final abrupto dá um tom de filme inacabado. Só vale pela direção do Bergman mesmo, há tomadas lindíssimas. Tive que assistir em duas partes de tão ruim que estava fluindo. Um filme ruinzinho, como diz a música "Sexo Ruim" da banda Tropical Nada: "Uau, pouca coisa boa"

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

FÅRÖ 1969

Título Original: Fårö Dokument
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1970
País de Origem: Suécia
Duração: 58min
Nota: 7

Sinopse: Primeiro documentário de Ingmar Bergman, realizado em 1969 após construir sua casa na Ilha de Farö, no Mar Báltico. Produzido para a TV sueca, investiga o cotidiano dos moradores da ilha e as razões políticas e sociais de seu despovoamento.
 
Comentário: O documentário é bom, é interessante como Bergman consegue nos apresentar a vida local amaranhada com a história do local. Hoje, Fårö, tem ainda menos habitantes do que na época, e acho que é compreensível, porque eu realmente não entendo a pessoa querer morar em um local com um clima tão ruim. Moro na Inglaterra e não vejo a hora de nunca mais ter que encarar as condições climáticas daqui, Fårö parece ser ainda pior. A gente fica curioso sobre o destino de personagens apresentados, o diretor fez outro documentário sobre o local 10 anos depois e irei conferir com certeza. Morei na Alemanha em uma fazenda aonde tinha abate de animais, virei vegetariano desde então, confesso que as cenas apresentadas aqui me incomodaram. Tem que ter estômago.