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terça-feira, 13 de maio de 2025

MIGALHAS

Título Original: Crumbs
Diretor: Miguel Llansó
Ano: 2015
País de Origem: Etiópia
Duração: 71min
Nota: 9

Sinopse: Nosso pequeno herói vestido de super-homem embarca em uma jornada épica e surreal que o levará através da paisagem etíope pós-apocalíptica em busca de uma maneira de embarcar na nave espacial flutuante que, há anos, se tornou um marco nos céus.
 
Comentário: Que belíssima ficção científica da Etiópia, há detalhes como a apresentação dos produtos que ficaram perfeitas na narrativa. O tom surreal, a crítica anticapitalista, os simbolismos culturais e sociais. Um filme riquíssimo que merecia ser muito mais conhecido, pelo menos nos meios undergrounds. É tão difícil, as vezes, achar filmes africanos legendados, tenho buscado ampliar meu conhecimento cinematográfico do continente e é sempre uma boa surpresa. Os atores estão ótimos, os diálogos e (principalmente) os silêncios estão meticulosamente bem colocados. A história e o apagamento desta em uma fábula maravilhosa. Se tiverem a oportunidade: ASSISTAM!

sábado, 27 de julho de 2024

TÁXI TEERÃ

Título Original: Taxi
Diretor: Jafar Panahi
Ano: 2015
País de Origem: Irã
Duração: 81min
Nota: 8

Sinopse: Jafar Panahi foi proibido de fazer filmes pelo governo iraniano. Ele finge ser um motorista de táxi e faz um filme sobre os desafios sociais no Irã.

Comentário: Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Assisti dois dias depois de voltar de Teerã, lugar que eu amo, fiquei procurando lugares conhecidos ao fundo sem sucesso. Provavelmente foi filmado em partes afastadas da cidade, porque o trânsito está muito leve. Panahi é um gênio, mas apesar do filme ser muito bom, não dá para comprar a ideia de um documentário. O filme foi feito com atores amadores que não foram identificados para que não tivessem problemas com o governo, já que o diretor estava proibido de filmar. Há cenas que transmitem um realismo e outras que há uma encenação plástica descarada. Nunca estive em Teerã em 2015, quando foi filmado, mas de cinco anos atrás para cá eu nunca vi um táxi pegando pessoas diferentes pelo caminho, o que faz o filme parecer um produto para ser vendido ao mercado internacional com uma visão não tão realista. Mas é essa fábula imaterial que faz o filme funcionar também, como as senhoras que carregam os peixes. Um típico filme do diretor, confesso que preferi muito mais o 3 Faces ou o Sem Ursos dele, mas este não deixa de manter o nível. A sobrinha dele no filme fazendo o papel dela mesma é o ponto mais alto, o talento parece estar na genética da família Panahi. Faz dias que estou longe de Teerã e a saudades só aumenta, contando os dias para voltar.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

MINHA MÃE

Título Original: Mia Madre
Diretor: Nanni Moretti
Ano: 2015
País de Origem: Itália
Duração: 107min
Nota: 9

Sinopse: Margherita (Margherita Buy) é uma diretora de cinema que está prestes a iniciar as filmagens de seu novo longa-metragem, que será protagonizado pelo galanteador astro internacional Barry Hughins (John Turturro). Paralelamente, ela precisa lidar com vários problemas em sua vida pessoal, como o fim de um relacionamento e a doença da mãe (Giulia Lazzarini), que está internada no hospital.

Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Segundo filme que assisto do diretor e novamente ele consegue me arrebatar, que filmaço! Todo o elenco está simplesmente fantástico, inclusive o diretor que eu adoro ver atuando, Turturro contagiante, mas são os papéis femininos de mãe e filha que são o coração do filme. Faz a gente refletir sobre muita coisa e no final eu derramei lágrimas sem imaginar que o filme iria conseguir me tocar tanto assim, pois vai fluindo sem todo aquele clichê que existe em histórias desse tipo. Toda a discussão social, importante, fica em segundo plano para a contemplação da alma humana, da vida e da morte. Moretti consegue mais uma vez fazer um dos melhores filmes do ano sem se vender ao cinema pipoca. Recomendo para qualquer um.

sábado, 27 de abril de 2024

ASSIM QUE ABRO MEUS OLHOS

Título Original: À Peine J'Ouvre Les Yeux
Diretora: Leyla Bouzid
Ano: 2015
País de Origem: Tunísia
Duração: 102min
Nota: 9

Sinopse: Poucos meses antes da revolução na Tunísia, Farah, de 18 anos, é apaixonada pela vida e canta em uma banda de rock político. Sua mãe, conhecendo os perigos da Tunísia, quer que ela siga a carreira de médica.

 
Comentário: Vencedor de um prêmio fora das competições principais no Festival de Veneza. O filme me surpreendeu muito positivamente, achei lindo demais em tudo. Baya Medhaffar é uma baita atriz, tanto cantando quanto interpretando. Filme com uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi na vida, pena que a banda fictícia não gravou mais músicas para o soundtrack do filme. Tem pais que realmente não deveriam ter filhos porque não tem a mínima ideia do que estão fazendo, as atitudes da mãe me irritaram demais mesmo a personagem crescendo muito durante o passar da película. Em pensar que a Revolução de Jasmim alterou completamente a vida naquele país no ano seguinte e conseguiu manter depois, com o partido de esquerda, a garantia de estado laico em um país predominantemente muçulmano, que vem garantindo cada vez mais direitos para as mulheres. Tunísia é um exemplo para todo o mundo árabe. Amei!

quinta-feira, 28 de março de 2024

A TERRA E A SOMBRA

Título Original: La Tierra y la Sombra
Diretor: César Augusto Acevedo
Ano: 2015
País de Origem: Colômbia
Duração: 97min
Nota: 10

Sinopse: Um humilde trabalhador canavieiro retorna para casa para encontrar seu neto e lidar com as dificuldades em que sua família está passando.
 
Comentário: Vencedor do Câmera de Ouro e mais outros três prêmios no Festival de Cannes. Que filmaço! Nível de perfeição que fica até difícil falar, direção excelente e um elenco fantástico que pelo que fui pesquisar não achei nenhuma informação sobre eles, fico pensando se não são pessoas comuns do campo. O garotinho José Felipe Cárdenas dá um show de interpretação e Haimer Leal que interpreta o avô é de uma simpatia ímpar. Uma realidade que é tão similar ao Brasil, impossível não se emocionar. Há tantas cenas brilhantes, de detalhes tão importantes, aquele final deslumbrante. Um filme para favoritar, quem reclama de que ele é lento não merece o que está assistindo, vá ver as bobagens de Hollywood. Estou viciado em ouvir o Dueto Remembranzas.

terça-feira, 18 de abril de 2023

BOI NEON

Título Original: Boi Neon
Diretor: Gabriel Mascaro
Ano: 2015
País de Origem: Brasil
Duração: 104min
Nota:  8

Sinopse: A trama acontece no Nordeste do Brasil e narra o drama particular de Iremar (Juliano Cazarré), um vaqueiro que viaja pelo Nordeste trabalhando em vaquejadas enquanto sonha em largar tudo e começar uma nova carreira na moda, como estilista.

Comentário: Vencedor do Prêmio Especial do Juri em uma das competições paralelas no Festival de Veneza. No quesito 'parte técnica' é um dos melhores filmes brasileiros já feito, impecável, há cenas lindíssimas: a dança de mulher antropomórfica, o homem deitado com o cavalo, e mesmo os homens tomando banho, porque não? A cena do cavalo no estábulo achei péssima, pareceu uma comédia pastelão quebrando completamente o clima do filme. As cenas das vaquejadas me incomodou bastante, já que sou vegetariano e sou contra qualquer tipo de abuso de animais, mas entendo que é cultural, que faz parte daquele povo. Dou risada de quem se incomoda com isso e compra um pedaço de carne na bandeja de isopor no supermercado. A narrativa tem momentos excelentes, como a comparação entre os personagens e os próprios animais, porém a falta de desenvolvimento (mesmo que tenha um motivo) me incomodou. O arco do vaqueiro estilista é maravilhoso, queria ter visto mais disso no filme. Um filme bem acima da média, necessário.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL

Título Original: Absolutely Anything
Diretor: Terry Jones
Ano: 2015
País de Origem: Inglaterra
Duração: 85min
Nota: 6

Sinopse: Neil (Simon Pegg), um professor desiludido com a vida, vê sua vida mudar após ser atropelado por uma van e ser atingido por um raio alienígena que lhe dá poderes mágicos. Com eles, Neil pode fazer tudo que quiser: desde calar a boca de seus alunos até ressuscitar pessoas! O problema é saber utilizar as palavras certas para conseguir o que ele quer. O uso dessas novas habilidades vai gerar uma série de confusões.

Comentário: Último filme do mestre Terry Jones (ele chegou a fazer um documentário depois desse antes de falecer em 2020). Esta película passa longe de fazer jus a um dos emblemáticos membros do Monty Python, acho que o humor do Douglas Adams (escritor) só funciona na escrita, nenhum de seus textos, que são maravilhosos e engraçados, funcionaram para mim quando transpostos para a tela. A química do casal é forçada e não funciona, a personagem da Kate Beckinsale é a típica vizinha gostosa que o nerd merece possuir pelo simples fato de ser o protagonista e a história ser escrita pelo nerd que quer uma vizinha gostosa. Seria bom pra variar se o nerd caísse na real e desse um chega pra lá nela no final. O que funciona é a relação dele com o cachorro (dublado por Robin Williams em seu último papel) e a convenção de alienígenas (dublados pelos membros remanescentes do Monty Python, juntos uma última vez). O filme, como podem notar, serve mais como nostalgia de um tempo em que a comédia era mais engraçada. Simon Pegg (que as pessoas insistem que é a minha cara) continua tendo um carisma como poucos e faz o filme funcionar.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

TERRA DE MINAS

Título Original: Under Sandet
Diretor: Martin Zandvliet
Ano: 2015
País de Origem: Dinamarca
Duração: 101min
Nota: 9

Sinopse: Um grupo de jovens prisioneiros de guerra alemães, outrora combatentes nazistas, recebem uma nova tarefa ao fim da Segunda Guerra Mundial: precisam escavar e remover com as próprias mãos 2 milhões de minas terrestres em "terras inimigas", mesmo que alguns deles não tivessem sequer experiência na guerra, para compensar sua contribuição com o regime de Hitler.

Comentário: O filme começa com um erro grosseiro de continuidade, onde o general dinamarquês arranca a bandeira de seu país das mãos de um alemão, durante a ação a bandeira desaparece das suas mãos, para milagrosamente aparecer de novo e sumir mais uma vez e assim sucessivamente. Imaginei que ia assistir a um filme mal feito, mas estava completamente enganado, os erros do filme pararam por ali. O filme foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. A fotografia é muito bonita, mas é o roteiro que é poderoso, uma história onde nada é preto no branco, cheia de áreas cinzentas sobre a moralidade da guerra. Há vários clichês ao longo do filme, mas o roteirista consegue usar eles ao seu favor. O personagem do general dinamarquês vivido pelo ator Roland Møller cresce muito durante o filme e nos coloca em situações de identificação mesmo quando não está sendo bonzinho. O ator Louis Hofmann, mais conhecido como o Jonas da série Dark, consegue mostrar que tem potencial como um bom ator, coisa que a série não conseguiu aproveitar. Um excelente filme para entendermos que nem todo alemão era um monstro nazista e que a maioria dos soldados estavam apenas em um fogo cruzado sem entender muito bem porque. Conseguiu me emocionar.

terça-feira, 19 de maio de 2020

UM HOMEM CHAMADO OVE

Título Original: En Man Som Heter Ove
Diretor: Hannes Holm
Ano: 2015
País de Origem: Suécia
Duração: 116min
Nota: 10

Sinopse: Ove é um senhor mal-humorado de 59 anos que leva uma vida totalmente amargurada. Aposentado, ele se divide entre sua rotina monótona e as visitas que faz ao túmulo de sua falecida esposa. Mas, quando ele finalmente se entregou às tendências suicidas e desistiu de viver, novos vizinhos se mudam para a casa da frente, e uma amizade inesperada irá surgir.

Comentário: O filme teve duas indicações ao Oscar, de melhor maquiagem e melhor filme estrangeiro. Amei tudo no filme, a direção, o ritmo, o roteiro e principalmente a magnífica atuação de Rolf Lassgård como Ove. O ator é a alma de todo o filme. A delicadeza com que tudo é orquestrado é só mais um detalhe a parte. Desses filmes que pegam a gente de jeito, emocionam, mas que também consegue ser leve, trazer lições de vida em quase duas horas de filme. Acho que vamos ficando velhos e entendendo melhor esse tipo de sentimento que esses filmes trazem, a vida vai ficando marcada por pessoas e sentimentos que são profundos e enraízam na gente. Tudo no filme funciona, da comédia ao drama, dos flashbacks ao presente, do amor ao luto. Não li o livro, mas sem comparações, é um filme lindo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

SOL A PINO

Título Original: Zvizdan
Diretor: Dalibor Matanic
Ano: 2015
País de Origem: Croácia
Duração: 118min
Nota:  10

Sinopse: Dois vilarejos e três décadas marcadas por uma longa história de ódio e hostilidade étnica. No contexto das guerras que redefiniram a ex-Iugoslávia, o longa revela as cicatrizes deixadas por este período através de três comoventes histórias de amor. Em 1991, uma atmosfera de loucura e medo torna a paixão algo proibido. Em 2001, tendo como pano de fundo os primeiros momentos pós-guerra, as feridas ainda estão abertas e muitos são incapazes de amar. Em 2011, o amor pode enfim criar raízes e se libertar das dores do passado.

Comentário: Outro vencedor do prêmio Um Certo Olhar em Cannes por aqui. Achei o filme simplesmente maravilhoso, em todos os aspectos. Eu dava o prêmio de melhor atriz fácil para a Tihana Lazovic, uma interpretação de encher os olhos. O legal do filme é que as três histórias te pega de maneira completamente diferente, o tipo de amor dos personagens são também completamente diferentes, mas o pano de fundo, retratando os problemas étnicos envolvendo os sérvios e croatas, é o fator comum entre as histórias. É muito fácil não se envolver no filme se ignorarmos o contexto histórico em que as histórias se passam e o fardo que essa guerra horrível tem nesse povo. A direção é maravilhosa. Entendo que pode não ser o tipo de filme que a maioria está acostumada, mas definitivamente é o tipo de filme que eu gosto. Fiquei pensando no futuro dos personagens apresentados, em como cada ato impactou em suas vidas a partir de cada desfecho. Não consigo também dizer qual história é a minha preferida, pois cada uma teve algo que me fisgou.