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sábado, 26 de julho de 2025

UM ATO DE CARIDADE

Título Original: Paziraie Sadeh
Diretor: Mani Haghighi
Ano: 2012
País de Origem: Irã
Duração: 96min
Nota: 10

Sinopse: Um casal iraniano da cidade dirige por uma remota região montanhosa. Eles distribuem sacolas de dinheiro para moradores pobres em troca de pedidos incomuns que o casal faz.
 
Comentário: Vencedor de um prêmio fora da competição principal no Festival de Berlim. Que filmaço! Fui assistir sem esperar muito e o filme entrega tudo. A direção é ótima, a trilha sonora funciona perfeitamente nas cenas e o casal protagonista simplesmente brilham em frente as câmeras. Um filme não muito conhecido dentro do cinema iraniano (minha esposa que é iraniana nunca assistiu e acabei vendo sozinho e amei). Um filme profundo e que consegue ter fortes cargas dramáticas com cenas hilárias e de uma comédia que não força demais os personagens. Senti raiva tanto dele quanto dela em vários momentos do filme ao mesmo tempo que os amei. Roteiro perfeito, pois é muito difícil conseguir manipular tão bem o sentimento do telespectador como ele faz. Merecia ser mais conhecido.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

A BELA QUE DORME

Título Original: Bella Addormentata
Diretor: Marco Bellocchio
Ano: 2012
País de Origem: Itália
Duração: 115min
Nota: 8

Sinopse: Um mosaico de várias histórias entrelaçadas questionando o sentido da vida, do amor e da esperança, ambientado durante os últimos seis dias na vida de Eluana Englaro, uma jovem mulher que passou 17 anos em estado vegetativo.

Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza. Um filme fictício que gira em torno da história real de Eluana Englaro, que gerou comoção e embate na Itália em 2009. O filme é muito bom mais por conta da competência de Bellocchio, que sabe passar a mensagem que quer, mas há coisas que não funcionam tão bem. Toni Servillo e  Alba Rohrwacher são o ponto alto, já a diva suprema  Isabelle Huppert parece ser subaproveitada. No geral, gostei bastante, mas quando o filme termina ficou um sentimento de que poderia ser melhor, mas ainda assim gostei bastante do que vi... foi um sentimento inédito. Um filme sobre a solidão, a falta de conexão e a distância que a sociedade cria entre as pessoas.

terça-feira, 9 de abril de 2024

CÉSAR DEVE MORRER

Título Original: Cesare Deve Morire
Diretores: Paolo Taviani & Vittorio Taviani
Ano: 2012
País de Origem: Itália
Duração: 73min
Nota: 8

Sinopse: O filme, que mistura teatro, documentário e drama, encena uma versão livre da peça "Julius Caesar", de Shakespeare, onde os atores são detentos da ala de segurança máxima da prisão de Rebibbia, na Itália.

 
Comentário: Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. O filme é muito bom e só fortaleceu minha convicção contra a prisão perpétua que mantenho desde que assisti O Homem de Alcatraz. Pessoas mudam, evoluem e a frase final deste filme simplesmente me tirou lágrimas. Só achei que o diretor abrir mão de entrar de cabeça na ideia de um documentário empobrece o filme, você fica querendo saber mais sobre os detentos, coisa que poderia ser facilmente proporcionada com pequenas entrevistas ou depoimentos entre cenas da película. O interessante do filme é ver como a arte mudou a vida dos detentos, então nada mais justo que o filme desse mais voz para que eles nos contassem um pouco disso mais diretamente. Gostei bastante, recomendadíssimo! Como é lindo ver Paulo Freire tão vivo na arte, pois acredito que só a educação libertará o ser humano.

sábado, 6 de janeiro de 2024

FERRUGEM E OSSO

Título Original: De Rouille et D'Os
Diretor: Jacques Audiard 
Ano: 2012
País de Origem: França
Duração: 122min
Nota: 10

Sinopse: Alain deixa a Bélgica para viver com sua irmã e seu marido em Antibes. A conexão de Alain com Stephanie, uma treinadora de baleias, se aprofunda depois que Stephanie sofre um acidente horrível.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro em Cannes, que para mim era o favorito ao prêmio mesmo concorrendo com o Amor do Haneke. Um dos meus filmes preferidos da vida, assisti de novo hoje e me emocionou da mesma maneira de quando vi no cinema. O filme é forte, bate em você de um jeito sem dó, os personagens são realistas, profundos e cheio de traumas que vão sendo montados como um quebra-cabeça pelo espectador. Marion Cotillard é rainha e mostra tudo e muito mais aqui, que entrega! Acho que o que mais me pega nele é o pensamento de que as pessoas, por mais diferentes que sejam, podem fazer um relacionamento dar certo se ambas querem e se empenham para isso, portanto se uma relação falhou é porque não era tão importante assim para uma delas ou até para ambas, é no que acredito. O filme é brutal e transborda amor ao mesmo tempo, difícil outro que tenha me tocado assim desse jeito.

sábado, 30 de dezembro de 2023

AMOR PLENO

Título Original: To The Wonder
Diretor: Terrence Malick
Ano: 2012
País de Origem: EUA
Duração: 112min
Nota: 10

Sinopse: Depois de se apaixonarem em Paris, Marina e Neil chegam a Oklahoma, onde surgem problemas. O pastor espanhol de sua igreja luta com sua fé, enquanto Neil reencontra uma mulher de sua infância.
 
Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza. Eu amo o Malick, é o meu diretor de cinema americano preferido, confesso que quando assisti ao filme em seu lançamento no cinema ele tenha me arrebatado mais do que nesta segunda vez que o assisti, porém não lembro se na época toda a minha euforia pelo filme tenha vindo depois de uns dias de assistir como agora. Fiquei pensando que apesar de ouvirmos os pensamentos dos personagens por todo o filme, no fundo não sabemos o que eles estão pensando em seu íntimo. Tudo é exteriorização. O que os move, o que os faz sofrer, o que eles estão pensando e escondendo um dos outros continua intacto dentro deles e isso é sublime. Bem, não preciso falar da direção de arte do Emmanuel Lubezki, né? Não existe no cinema dupla mais perfeita que Malick/Lubezki. Impressionante o desenrolar lento (coisa que a geração TikTok tem pavor) com cenas tão curtas. Olga Kurylenko brilha em cada segundo que aparece e apesar do personagem do Bardem parecer deslocado, é dele as melhores reflexões. Continua lindo e nota máxima para mim. Considero este a primeira parte de uma trilogia nesse estilo do diretor, seguido pelo Cavaleiro de Copas e do De Canção em Canção.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

BARBARA

Título Original: Barbara
Diretor: Christian Petzold
Ano: 2012
País de Origem: Alemanha
Duração: 105min
Nota:  8

Sinopse: Uma médica da Alemanha Oriental falha ao tentar obter um visto para deixar o país. Para ser punida, é enviada para um pequeno hospital no interior do país. A personagem, então, se vê dividida entre o desejo de escapar e uma crescente atração por um novo colega de profissão.

Comentário: Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. O filme é maravilhoso em vários aspectos, principalmente por não ser preto e branco, há criticas tanto ao mundo capitalista do outro lado do muro quanto ao mundo socialista stalinista deste lado do muro. Acho que o desfecho mostra bem o que um pensamento anti-individualista significa, morei em um vilarejo menor que o do filme que pertenceu a Alemanha Oriental e realmente a maneira de se pensar é bem diferente. As atuações e a direção se completam de maneira perfeita. Petzold tem entrado na minha lista de diretores contemporâneos preferidos facilmente. O que incomoda no filme é a contextualização, não estava entendendo exatamente em que período o filme se passava e tive que ir ler a sinopse em busca de auxílio, acho que pecou um pouco em relação a isso, mas sem prejudicar o andamento, só que podia ser melhor neste ponto até para criar um vinculo melhor do telespectador ao começo do filme.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

HOLY MOTORS

Título Original: Holy Motors
Diretor: Leos Carax
Ano: 2012
País de Origem: França
Duração: 115min
Nota: 10

Sinopse: Oscar (Denis Lavant) transita solitário em vidas paralelas, atuando como chefe, assassino, mendigo, monstro, pai… Mergulha profundamente em cada um dos papéis e é transportado por Paris e arredores em uma luxuosa limusine, comandada pela loira Céline (Edith Scob). Ele é um homem em busca da beleza do movimento, da força motriz, das mulheres e dos fantasmas de sua vida.

Comentário: Filme estranho com gente esquisita... meu tipo de filme. Indicado ao Palma de Ouro em Cannes, o filme é uma enorme homenagem ao ator enquanto ao mesmo tempo é um enorme exercício de discussão sobre a vida e suas infinitas possibilidades. Não procure um sentido na película, assim como na vida, apenas deixe o amaranhado de experiências e conexões fazerem o trabalho. O filme é das coisas mais originais que eu assisti nos últimos anos, só me arrependo de não ter assistido antes. Acho que todos os detalhes vão tocar as pessoas de formas completamente diferentes e únicas, o que seria estúpido da minha parte querer analisar qualquer uma delas. Uma bela obra de arte, merece ser vista.

domingo, 19 de julho de 2020

O ÚLTIMO POEMA DO RINOCERONTE

Título Original: Fasle Kargadan
Diretor: Bahman Ghobadi
Ano: 2012
País de Origem: Irã
Duração: 88min
Nota: 8

Sinopse: O poeta curdo-iraniano Sahel acaba de receber uma sentença de 30 anos de prisão no Irã. Agora a única coisa que vai mantê-lo com vontade de continuar vivendo é o pensamento de reencontrar sua esposa que pensa que ele está morto há mais de 20 anos.

Comentário: Apesar do filme ser feito no Iraque e Turquia, classifico-o como um filme iraniano, já que sua não realização no país foi devido as perseguições políticas de seus realizadores. Fazia seis anos que estava com este filme aqui para ver e chega a ser uma coincidência que tenha assistido depois de ver Incêndios, que tem vários pontos similares a trama, mas preferi este. O filme de Ghobadi é mais poético, não tem medo de mostrar sua crítica aos reais motivos à revolução iraniana de 1979 e também é mais pé no chão ao contar o que se propõe. O filme tem lá seus tropeços, mas consegue um bom resultado e possui uma fotografia belíssima. É interessante entendermos também a força do filme para a própria população iraniana ao ter Behrouz Vossoughi no papel principal, desde 1979 o ator nunca havia feito um filme iraniano, por recusa pelo exílio imposto, mas aceitou devido ao papel que diz muito sobre tudo isso, ele é muito querido pelo público no Irã. Também é fácil entender o porque a escolha de uma atriz não iraniana no papel que é de Monica Bellucci, já que poderia trazer graves consequências a uma atriz que não usaria o hijab e fizesse cenas de nudez e sexo. Vemos aqui também o homem com a pior lábia para conquistar uma mulher na história do cinema. As cenas com leitura de poesia me remeteram ao filme O Espelho de Tarkovski. Um filme que pode passar batido se a pessoa não tem muita afinidade com toda a merda que acontece no Irã nas últimas décadas.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

O CORPO

Título Original: El Cuerpo
Diretor: Oriol Paulo
Ano: 2012
País de Origem: Espanha
Duração: 111min
Nota: 10

Sinopse: O corpo de uma mulher desaparece misteriosamente do necrotério sem deixar qualquer vestígio. O Inspetor Jaime Peña investiga o estranho acontecimento com a ajuda de Alex Ulloa, o viúvo da mulher desaparecida.

Comentário: O diretor já havia me conquistado com o excelente Um Contratempo, mas este filme anterior é ainda melhor. Com uma trama bem amarrada e um ritmo frenético, que virou uma espécie de marca registrada do diretor, O Corpo merece ser visto e revisto com toda a atenção nos detalhes. Um filme de mistério que nos deixa ligado nos 220V do começo ao fim. Quando o filme termina você percebe quase que uma genialidade em tudo que o diretor (que também é o escritor) fez até ali. Não fica devendo em nada para nenhum filme policial americano, na verdade é até muito melhor que a maioria, já que não sou muito fã de filme americano. Há um remake indiano deste filme no Netflix com o nome Um Corpo Desaparecido, não vi, mas sempre priorizo assistir a obra original. Não comentar mais nada para não dar spoiler, vai correndo assistir isso aqui!

sexta-feira, 12 de junho de 2020

TURNO DA NOITE

Título Original: Night Shift
Diretora: Zia Mandviwalla
Ano: 2012
País de Origem: Nova Zelândia
Duração: 14min
Nota: 8

Sinopse: Uma mulher por volta dos quarenta anos de idade prepara-se para iniciar seu turno como faxineira de um aeroporto à noite. Ao passar por um colega, este lhe pergunta “fazendo turno duplo de novo?”. E aos poucos os indícios de que ela vive no aeroporto se acumulam.

Comentário: O curta metragem foi indicado em Cannes, bem curtinho e com poucos diálogos, pode ser encontrado no YouTube. Uma história que ao mesmo tempo que é simples também é bem pesada. O final corta o coração e nos faz pensar no abandono geral que uma grande parte da população se sente. Criamos máquinas de trabalhar que não vivem mais, que estão tão ocupadas em sobreviver que não conseguem nem sequer ter uma chance para sair do buraco, pois a sociedade coloca ela cada vez mais fundo. É interessante como a diretora brinca com os pré-julgamentos tão comuns hoje em dia nessa sociedade Facebook pronta para apontar o dedo na cara de todo mundo. Curta bastante competente nos quesitos técnicos e ótima atuação da atriz Anapela Polataivao