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quarta-feira, 29 de julho de 2026

MIROIRS Nº. 3

Título Original: Miroirs Nº. 3
Diretor: Christian Petzold
Ano: 2025
País de Origem: Alemanha
Duração: 86min
Nota: 8

Sinopse: A vida de uma jovem estudante de música sofre uma reviravolta inesperada quando seu namorado morre tragicamente em um acidente de carro, forçando-a a reformular seu caminho.
 
Comentário: Indicado ao Prêmio do Público no Festival de Cannes. Filme que encerra a Trilogia dos Elementos, o primeiro Undine com o elemento água, o segundo Céu Vermelho com o elemento fogo e este com o elemento ar. O título remete a uma peça chamada "Um Barco no Oceano" do compositor Maurice Ravel e a passagem dela que dá nome ao filme se conecta a mensagem de luto e ao fluxo da vida que o diretor quer passar. Dos três, achei este o mais fraco, mas ainda assim é muito bom como qualquer coisa que eu já tenha assistido do diretor é. Paula Beer e Barbara Auer estão ótimas e fazem a química do filme funcionar, mas não posso deixar de comentar o carisma do ator Matthias Brandt em todas as cenas que aparece. Há elementos que são recorrentes na obra de Petzold, como a questão de Doppelgängers, personagens que são como reflexos de outros, o que faz que o "espelhos" da música de Ravel e do título faça todo o sentido. Petzold é um dos meus diretores contemporâneos favoritos, acho que merece muito ser assistido e interpretado, pois sua arte é poderosa.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

CORRA, LOLA, CORRA

Título Original: Lola Rennt
Diretor: Tom Tykwer
Ano: 1998
País de Origem: Alemanha
Duração: 80min
Nota: 9

Sinopse: 
 
Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza e vencedor do Prêmio da Audiência no Festival de Sundance. Tive o prazer de ver no cinema e lembro que foi um enorme sucesso, todo mundo que gostava de um filme mais underground estava falando sobre este filme no final dos anos 90. Franka Potente já era sensação pra galera fora do mainstream antes de ficar conhecida pra galera pop em "A Identidade Bourne". O filme é genial porque é simples, curto e vai direto ao ponto sem muita explicação. A trilha sonora é fantástica, mostra que techno bom é techno antigo e não essa barulheira sem melodia nenhuma de hoje em dia. O final dos anos 90 nos trouxe pérolas preciosas de filmes que não precisavam gastar uma fortuna para trazer inovações. Lembro de "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fulmegantes" e "Vamos Nessa" que assisti na mesma época. Comparando com essa época, o cinema mais pop do underground anda muito sem graça.

sábado, 13 de setembro de 2025

ADEUS, LENIN!

Título Original: Good Bye, Lenin!
Diretor: Wolfgang Becker
Ano: 2003
País de Origem: Alemanha
Duração: 121min
Nota: 9

Sinopse: Em 1990, para proteger sua mãe frágil do choque após um longo coma, um jovem deve evitar que ela saiba que sua amada nação na Alemanha Oriental, havia desaparecido.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do Prêmio Blue Angel no Festival de Berlim (este último prêmio em questão foi descontinuado em 2005 e era uma espécie de Melhor Filme Europeu). Lembro de ter visto o trailer no cinema e dito para minha companheiro na época que eu queria muito ver este filme: 22 anos se passaram e ainda não o tinha visto. Daqueles filmes que ficam no limbo da lista do "Quero ver". O filme é ótimo, mas definitivamente pude aproveitá-lo muito mais hoje do que o faria em 2003, já que estava nos meus primeiros passos do curso de economia da faculdade e não tinha a mesma noção que tenho hoje do que foi a Alemanha na época mostrada no filme. O elenco está sensacional  é uma pena que o diretor não tenha tido uma carreira com mais direções depois deste filme, fez algumas poucas coisas antes de vir a falecer ano passado (2024). A história é cativante demais, leve, bem humorada e cheia de significados.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

PHOENIX

Título Original: Phoenix
Diretor: Christian Petzold
Ano: 2014
País de Origem: Alemanha
Duração: 98min
Nota: 7

Sinopse: A cantora de cabaré judia alemã Nelly sobreviveu a Auschwitz, mas teve que passar por uma cirurgia reconstrutiva porque seu rosto ficou desfigurado. Sem reconhecer Nelly, seu ex-marido Johnny pede que ela o ajude a reivindicar a herança de sua esposa. Para ver se ele a traiu, ela concorda, tornando-se sua própria sósia.
 
Comentário: Petzold é um dos meus diretores contemporâneos preferido, todos os filmes dele que eu tinha visto até aqui são obras de arte da mais alta qualidade, mas confesso que este é o mais fraco dos que vi, não que seja ruim, muito longe disto, mas faltou algo. O desfecho é simplesmente maravilhoso e o grande ponto alto do filme, mas o meio parece tudo meio preso em um limbo. Phoenix é o nome do bar em que ela encontra o marido pela primeira vez depois de sair do campo de concentração, mas também remete ao pássaro mítico que renasce das cinzas e do fogo, o que faz todo o sentido dentro da narrativa. É um filme acima da média, que funciona ao seu propósito, mas que fica uma pontinha de decepção única e exclusivamente porque todo os outros filmes recentes do diretor beiram a perfeição.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

ZONA DE INTERESSE

Título Original: The Zone of Interest
Diretor: Jonathan Glazer
Ano: 2023
País de Origem: Alemanha
Duração: 104min
Nota: 10

Sinopse: O comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, e sua esposa Hedwig, se esforçam para construir a vida dos sonhos para sua família em uma casa com jardim ao lado do campo.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do Grande Prêmio do Festival e do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Cannes, também ganhou dois Oscars. O filme é impressionante por ser diferente de tudo que se fez até agora sobre o assunto, sem contar a parte técnica impecável. Você só escuta os ruídos de Auschwitz enquanto contempla a vida de plástico construída do lado de fora. O diretor soube utilizar a sutileza, a crítica ácida e diálogos afiadíssimos misturados com o dia a dia comum em uma experiência sensorial única. Não acho que seja um filme que vá tocar todo mundo, principalmente falando de quem está acostumado com o filme pipoca de Hollywood e de uma geração que tende a falta de empatia hoje em dia, mas para mim foi um dos melhores do ano.

terça-feira, 29 de outubro de 2024

NÃO ME TOQUE

Título Original: Touch Me Not
Diretor: Adina Pintilie
Ano: 2018
País de Origem: Alemanha
Duração: 128min
Nota: 7

Sinopse: Juntos, uma cineasta e seus personagens se aventuram em um projeto pessoal de pesquisa sobre intimidade. Na fronteira fluida entre a realidade e a ficção, Não Me Toque segue as viagens emocionais de Laura, Tómas e Christian, oferecendo uma visão profundamente empática das suas vidas.
 
Comentário: Vencedor do Urso de Ouro e de outro prêmio fora da competição principal no Festival de Berlim. Um filme bem diferente, experimental, portanto é normal que muita coisa funcione e outras não para o espectador, mas independente da experiência é um filme muito interessante e corajoso por parte da diretora em realizá-lo. Christian Bayerlein é o grande trunfo do filme, sua história de vida e de luta com todas as dificuldades que enfrenta é uma lição de vida, não há como não se emocionar. Acho que a diretora erra a mão quando cai demais na ficção do Tómas Lemarquis seguindo sua suposta ex-namorada, por exemplo, nos desconectamos da ideia do que a diretora está tentando vender como documentário nestes momentos. Laura Benson fica entre o real e o lírico. Gostei do filme, acho que mereceu o prêmio, mas é muito longo para o que propõe e a diretora deveria participar mais, pois gostei das cenas em que ela participa. Sua narrativa também trás as melhores reflexões do filme, há um momento em que desmontam um equipamento em que o que ela diz vale toda a assistida.

PS: Cadastrei como um filme alemão, pois para mim não faz sentido colocá-lo como um filme romeno por conta da diretora. O filme foi filmado na Alemanha e é todo falado em inglês. Não tem nada que nos faça referência a Romênia.

sábado, 21 de setembro de 2024

NUNCA DEIXE DE LEMBRAR

Título Original: Werk Ohne Autor
Diretor: Florian Henckel von Donnersmarck
Ano: 2018
País de Origem: Alemanha
Duração: 189min
Nota: 9

Sinopse: Kurt Barnert (Tom Schilling) é um artista alemão que conseguiu escapar da Alemanha Oriental. Agora, ele vive seus dias na Alemanha Ocidental, mas ainda assim é atormentado pelos traumas da sua infância sob o regime dos nazistas e da República Democrata Alemã (RDA).
 
Comentário: Indicado ao Leão de Ouro e vencedor de outros dois prêmios fora da competição principal no Festival de Veneza, foi também indicado a dois Oscars. Primeiramente quero deixar registrado que essa sinopse dada ao filme não faz nenhum sentido, já que ele parte da Alemanha Oriental para a Ocidental já praticamente depois de duas horas de filme. O filme é uma biografia, bem fiel pode-se dizer em relação aos fatos pelo menos, do grande pintor Gerhard Richter, provavelmente todos os nomes foram trocados por não ter sido autorizado pelo mesmo. Para título de curiosidade, o médico se chamava Henry Eufinger e morreu sem ser responsabilizado por nada, Richter só veio a saber da relação de seu ex-sogro (pois se separou da esposa em 1982) com sua tia depois da publicação de um artigo no jornal Tagesspiegel em 2004. Os quadros mesclando fotografias não são exatamente como no filme, mas na mesma coleção havia foto da tia e do sogro em outro quadro. Fui descobrir que se tratava da biografia de Richter depois de duas horas de filme quando aparece o Joseph Beuys (usando o nome de Antonius van Verten), foi então que ligou todos os pontos na minha cabeça, Beuys é disparado meu artista preferido, sou meio obcecado pela obra dele e já escrevi alguns textos sobre seu trabalho e maneira de pensar. O bombardeio de Dresden, mostrado no filme, é considerado talvez o pior bombardeio depois das bombas no Japão durante a Segunda Guerra e foi retratado por Kurt Vonnegut, um sobrevivente, no livro Matadouro Cinco. No geral gostei muito do filme, achei que as horas passaram voando. Richter produziu coisas bem mais interessantes no período posterior ao filme e hoje ainda está vivo com seus 92 anos.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

LESTE

Título Original: Ostwärts
Diretor: Christian Petzold
Ano: 1991
País de Origem: Alemanha
Duração: 23min
Nota: 6

Sinopse: Pouco depois da reunificação alemã, três residentes de uma zona tranquila a norte de Berlim falam sobre os seus planos e tentativas de novos começos econômicos no meio das mudanças trazidas pela queda do Muro de Berlim.
 
Comentário: Único documentário de Petzold, que estava no começo da carreira, e mostra a visão da unificação da Alemanha pela visão de pessoas que estavam no lado da RDA. A primeira personagem a aparecer, a maquiadora facial, é a que trás mais peso ao curta, suas divagações e suas percepções e análises a respeito das duas Alemanhas faz a gente ter uma visão completamente diferente daquela vendida pelo lado propagandista pelo mundo ocidental. O segundo personagem não trás nada de muito interessante para a discussão, porém o terceiro faz uma ponte com o passado e liga com o medo e a esperança que há no futuro, fiquei pensando no que será que aconteceu com seu negócio. É interessantíssimo do ponto de vista histórico e antropológico. O impacto que toda a obra do diretor terá com assuntos que são trazidos aqui também fazem deste curta ter uma importância relevante em sua cinebiografia.

terça-feira, 30 de julho de 2024

DA VIDA DAS MARIONETES

Título Original: Aus Dem Leben der Marionetten
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1980
País de Origem: Alemanha
Duração: 104min
Nota: 8

Sinopse: Peter Egerman é um executivo bem sucedido que vive um casamento conturbado com Katarina. Dias depois de ter um sonho no qual mata a esposa, Peter sai com uma prostituta e a mata. Qual seria a explicação dessa tragédia?


Comentário: Um filme fora da curva do cineasta, achei muito bom pela maneira que a narrativa consegue contar a história. Temos o evento principal no início e depois os flashbacks do passado indo de um tempo distante se aproximando do evento e flashforwards sendo apresentados de uma maneira se afastando do evento principal para o futuro. O elenco é competente, a mão do Bergman nunca falha, porém o final me pareceu muito leviano, os motivos apresentados pelo psiquiatra não convencem da maneira que deveria, acho que não precisava explicar tão mastigado tudo, o bom do Bergman é deixar esse tipo de coisa no ar para ser interpretada de diferentes maneiras pelos telespectadores. Um filme que receberia uma nota menor se comparasse só entre as obras do diretor, mas que funciona se não comparar tanto.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

MÚSICA

Título Original: Musik
Diretora: Angela Schanelec
Ano: 2023
País de Origem: Alemanha
Duração: 109min
Nota: 7

Sinopse: Abandonado quando bebê, Jon se vê na prisão sob a acusação de homicídio culposo. Ele se apaixona pela guarda da prisão, Iro, sem saber de sua fatídica conexão.

Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Berlim. Me falaram que a diretora não era fácil, mas para mim o filme estava indo muito bem até a meia hora final, quando se desloca para a Alemanha de fato. Adorei o ritmo, os silêncios apesar do título, a delicadeza de Iro e a fotografia. Fiquei vidrado e não senti nenhum sono apesar de assistir de madrugada. Interessante como a diretora utiliza do catártico jogo de futebol (Alemanha e Itália na semifinal da Copa do Mundo de 2006) para demarcar toda a cronologia do personagem, a partir daí é possível entender que o assassinato do começo do filme se passa em 1999 e a cena final provavelmente uns 30 anos depois. São detalhes. Me perdi em vários momentos, mas me remeteu a um texto do Ademir Luiz que colo um trecho aqui: "A grande arte não precisa fazer ninguém se sentir “cabeça” por estar diante dela. Muitas vezes ocorre o contrário: sentimo-nos estúpidos por não conseguirmos alcançar o pensamento ou as intenções de um grande artista. Quando isso ocorre, a culpa é sempre nossa, jamais do artista, se ele já passou pelo crivo do tempo e da história. O recomendável é tentarmos de novo, mas se desistimos quem perde mais somos nós, não a Arte". Portanto, que venham mais filmes de Angela Schanelec.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

O OVO DA SERPENTE

Título Original:
Diretor:  Ingmar Bergman
Ano: 1977
País de Origem: Alemanha
Duração: 119min
Nota: 7

Sinopse: Berlim, 1923. Após o suicídio de seu irmão, o acrobata de circo americano Abel Rosenberg tenta sobreviver enquanto lida com desemprego, depressão, alcoolismo e a decadência social da Alemanha durante a República de Weimar.
 
Comentário: Única superprodução berginiana, mas que não fez tanto sucesso no mercado estadunidense que era seu alvo principal. Ignorado também pelas premiações. Acho que o filme perde um pouco sua força exatamente por tentar ser grande, por tentar mirar outro público, parece que Bergman perdeu um pouco seu estilo para querer agradas um mercado. Chegou a cogitar dar o papel principal para David Bowie e isso seria simplesmente perfeito. Há a incongruência da polícia que aparece caracterizada com roupas e chapéus da década de 40 quando o filme se passa em 1923. É interessante, mas se arrasta pela metade e vai ganhando nossa atenção mais em seu desfecho. Me deixou meio puto o fato de terem matado o cavalo só para filmar aquela cena em que o cortam para obter carne. Achei um filme meio apático, que cresce na parte final, mas que não deixa de ser um bom filme de modo geral. Confesso que esperava mais.

quinta-feira, 7 de março de 2024

SUL

Título Original: Süden
Diretor: Christian Petzold
Ano: 1990
País de Origem: Alemanha
Duração: 10min
Nota: 4

Sinopse: Um carro solitário. O vento sopra. A porta de um edifício indefinido se abre: é uma casa de férias, um barracão ou uma ruína? Uma mulher está à janela, talvez devido ao calor. Sul: um lugar de nostalgia.
 
Comentário: Petzold é um dos meus diretores favoritos da atualidade, então fui assistir este curta do diretor com uma certa expectativa muito alta que não fez jus a obra. São 10 minutos de imagens do sul da Alemanha, mas que não me disseram muito, não me conectaram muito. Vivi um curto período de tempo na Alemanha e amo o país, mas nem esse meu apego emocional me vinculou a obra. Achei meio vazia, talvez tenha sido essa a intenção, talvez um peso niilista, mas isso também não da para ter certeza. Talvez se fossem imagens da região em que morei, no entorno da minuscula e desconhecida Wittstock, eu teria amado.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

CÉU VERMELHO

Título Original: Roter Himmel
Diretor: Christian Petzold
Ano: 2023
País de Origem: Alemanha
Duração: 102min
Nota: 10

Sinopse: Uma casa de férias junto ao mar Báltico. Os dias estão quentes e não chove há semanas. Quatro jovens se reúnem, velhos e novos amigos. À medida que as florestas secas ao redor deles começam a pegar fogo, o mesmo acontece com suas emoções.
 
Comentário: Vencedor do Grande Prêmio do Juri no Festival de Berlim. Estreando os filmes de 2023 aqui no blog com provavelmente o melhor filme do ano. Petzold consegue fazer outra obra prima que me despedaçou completamente, poucos diretores conseguem mexer tanto comigo quanto este. A premissa é a das mais simples possíveis, mas como tudo é orquestrado, como os personagens são construídos e a sucessão de fatos vai levando ao desfecho avassalador é coisa de gênio. É o tipo de história que me encanta, o tipo de coisa que eu procuro conseguir escrever um dia como escritor. O título em inglês é ridículo, "Céu Vermelho" como no original faz muito mais sentido. Que elenco! Que direção! Que filmaço!

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

ALICE NAS CIDADES

Título Original: Alice in den Städten
Diretor: Wim Wenders
Ano: 1974
País de Origem: Alemanha
Duração: 113min
Nota: 10

Sinopse: O jornalista alemão Philip Winter adquire um bloqueio ao tentar escrever um artigo sobre os Estados Unidos e, então, decide retornar à Alemanha. Ao registrar o voo, encontra-se com uma mulher alemã e sua filha Alice, de nove anos, assim começando uma longa e duradoura amizade.
 
Comentário: Considere todo o meu comentário suspeito, porque este é o meu filme favorito da vida, então obviamente eu não consigo ser imparcial. Assisti pela primeira vez com legenda em espanhol em uma sala de cinema da faculdade que eu fazia de Rádio e TV no ano 2000 e me atingiu que nem um raio. O mais bizarro foi que dois anos depois eu fui viver praticamente todo o filme na minha própria vida, fato este que me faz acreditar que vivemos em uma realidade simulada, pois o número de coincidências são impossíveis. Enfim, eu acho TUDO neste filme lindo, a simplicidade, os diálogos, a relação que vai se criando, o ritmo e como tudo junto funciona tão bem. Um road movie com uma fotografia de tirar o fôlego, com atores afinados ao papel que nos entrega personagens reais. Todo aquele clima de meados dos anos 70 está intrincado ao filme. Quando eu decidi que iria fazer arte de alguma forma, sabia que independente do que fosse, esse filme sempre seria um exemplo a seguir do que eu queria. Hoje, na literatura, espero um dia conseguir escrever um Alice nas Cidades de alguma forma.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

UM AMOR NA ALEMANHA

Título Original: Eine Liebe in Deutschland
Diretor: Andrzej Wajda
Ano: 1983
País de Origem: Alemanha
Duração: 96min
Nota: 8

Sinopse: Em maio de 1983, um homem completa 49 anos e, com seu filho de 17, viaja para a vila de Brombach de onde saiu 40 anos antes. Ele quer descobrir a verdade sobre um caso que sua mãe teve com um jovem prisioneiro de guerra polonês.
 
Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza. Wajda é sempre acima da média e aqui não é diferente. Hanna Schygulla carrega o filme nas costas, é uma bela interpretação, não à toa merece a fama que a precede. O comportamento dos personagens me incomodou bastante, afinal a mulher tem um filho pequeno que deveria ter alguma prioridade em sua vida, enquanto o polonês age que nem um idiota em determinado momento. Porém não podemos esquecer que se trata do Wajda, portanto o filme é muito mais profundo do que parece, pois tudo não passa de uma alegoria sobre sua Polônia em vários momentos do filme, com vários aspectos políticos entrelinhas. Interessante notar que mesmo sendo um filme feito na Alemanha, as raízes do diretor polonês se sobressaem mais. No final da sessão o que fica é bem mais do que satisfatório.

sábado, 19 de agosto de 2023

O HOMEM IDEAL

Título Original: Ich Bin Dein Mensch
Diretor: Maria Schrader
Ano: 2021
País de Origem: Alemanha
Duração: 104min
Nota: 9

Sinopse: Para obter fundos de pesquisa para seus estudos, uma cientista aceita a oferta de participar de um experimento extraordinário: durante três semanas, ela viverá com um robô humanóide, criado para fazê-la feliz.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do Prêmio de Melhor Atuação para Maren Eggert no Festival de Berlim. Adorei o filme, estava com a expectativa lá embaixo, mas me surpreendeu bastante positivamente. As questões que levantam são ótimas e mesmo o desfecho tendo uma excelente escolha de lado, é possível defender um outro. O filme me remeteu bastante ao episódio 9 da segunda temporada de Star Trek: A Nova Geração intitulado The Measure Of A Man onde há uma discussão se o androide Data é um ser vivo. Os seres humanos também não são controlados por algoritmos que nosso cérebro vai processando através de nossas experiências? Porque que com uma IA seria diferente? Dá muito pano para a manga. A dupla principal está excelente e a direção não deixa a peteca cair, pois é leve e gostoso de assistir como uma comédia romântica que não precisa cair em clichês e ser vazia. Achei um filme extremamente importante e atual devido as discussões recentes sobre inteligência artificial.

quarta-feira, 5 de julho de 2023

NADA DE NOVO NO FRONT

Título Original: Im Westen Nichts Neues
Diretor: Edward Berger
Ano: 2022
País de Origem: Alemanha
Duração: 148min
Nota: 7

Sinopse: Paul Baumer e seus amigos Albert e Muller se alistam voluntariamente no exército alemão, movidos por uma onda de fervor patriótico. Mas isso é rapidamente dissipado quando enfrentam a realidade brutal da vida no front. Em meio à contagem regressiva, Paul deve continuar lutando até o fim, com nenhum objetivo além de satisfazer o desejo do alto escalão de acabar com a guerra com uma ofensiva alemã.
 
Comentário: Vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro, óbvio, porque é um filme estrangeiro bem americanizado. O filme não é ruim, mas se você tentar comparar com a obra literária em que ele é baseado, então o filme é bem ruim. Tentei abstrair, se ignorar o livro do Erich Maria Remarque ele entretém satisfatoriamente. Não tem quase nada do livro no filme, é basicamente outra história com os mesmos personagens, mas nem estes são muito fiéis a suas características ao livro. Sim, eu sei que é difícil manter coisas do livro, mas é fato aqui que quase tudo foi alterado, o filme de 1930 conseguiu ser bem mais fiel (e olha que eu tinha críticas a ele antes). Me espanta ver gente assistindo e dizendo como é realista... "meu filho, você lutou lá para saber se é realista?" De acordo com o livro eles nem viam os franceses, não havia aquelas batalhas incessantes como no filme, prefiro a opinião do autor (que lutou) do que da galera exaltada com um filme. Ficou interessante a comparação do povo sofrendo enquanto o alto escalão tinha vida fácil, mas desenvolver tudo nos últimos dias da guerra foi um tremendo erro de roteiro, no livro acompanhamos anos do personagem no front, entre hospitais, licenças com a família e estripulias com os amigos. Foi bom, mas podia ter sido um filmaço se tivessem seguido pelo menos um pouco do livro.

domingo, 5 de março de 2023

EM TRÂNSITO

Título Original: Transit
Diretor: Christian Petzold
Ano: 2018
País de Origem: Alemanha
Duração: 101min
Nota:  10

Sinopse: Quando Georg (Franz Rogowski) tenta fugir da França após a invasão nazista, ele rouba os manuscritos de um autor falecido e assume sua identidade. Preso em Marseille, acaba conhecendo Marie (Paula Beer), que está desesperada para encontrar seu marido desaparecido - o mesmo que ele está fingindo ser. Para complicar ainda mais, ele começa a se apaixonar por ela.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Christian Petzold vem escalando posições entre meus diretores favoritos de todos os tempos e aqui ele consegue avançar mais algumas posições. Amei! A mistura entre uma história de filme de época filmada em um cenário contemporâneo só reforça o que venho gritando aos sete ventos que a Europa caminha de novo para o fascismo a passos largos. O filme se passa durante a Segunda Guerra tanto como pode se passar em uma Europa mais atual. Portanto a cenografia não importa e o diretor faz questão disso. As relações pessoais com o clima de desastre iminente regional são perfeitas e os atores abraçam a ideia muito bem. Ninguém quer ficar sozinho, ninguém quer ser abandonado, mas é um salve-se quem puder. "Quem esquece primeiro, o abandonado ou quem abandona?", aaaaaah, eu espero que quem abandona sofra bastante, me senti vingado. Obrigado Petzold, tirou um muro de concreto das minhas costas.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

RABIYE KURNAZ VERSUS GEORGE W. BUSH

Título Original: Rabiye Kurnaz Gegen George W. Bush
Diretor: Andreas Dresen
Ano: 2022
País de Origem: Alemanha
Duração: 118min
Nota:  9

Sinopse: Em 2002, Murat Kurnaz foi preso pelos norte-americanos no Afeganistão, acusado de terrorismo, e enviado a Guantánamo. Sua mãe, Rabiye Kurnaz, inicia uma verdadeira epopeia jurídica e midiática para conquistar atenção ao caso e pressionar o governo norte-americano pela libertação do garoto.

Comentário: Vencedor dos prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Performance Principal para a atriz Meltem Kaptan. É nela que o filme se segura, interpretação fantástica e merecedora do prêmio. Interessante como o filme consegue trazer a tona um assunto tão sério e entreter ao mesmo tempo, mais difícil ainda se tratando de um filme sobre tribunais e entraves jurídicos internacionais. O ator Alexander Scheer, no papel do advogado, também está ótimo e consegue servir de contraponto com a personagem principal a todo momento com uma química perfeita. Acho que os cortes bruscos no final atrapalham um pouquinho, mas a experiência final como um todo é muito mais que satisfatória. Filme extremamente necessário em um mundo onde países imperialistas fazem o que querem. Deu vontade de experimentar as comidinhas da Rabiye.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

A LETRA ESCARLATE

Título Original: Der Scharlachrote Buchstabe
Diretor: Wim Wenders
Ano: 1973
País de Origem: Alemanha
Duração: 86min
Nota:  5

Sinopse: Adaptação de Wim Wenders do romance homónimo de Nathaniel Hawthorne, contando a história de uma mulher que, por ser adúltera, é marginalizada pela comunidade puritana em que vive (Salem, no século XVIII) e forçada a usar a letra "A" nos vestidos. O seu marido, julgado desaparecido, regressa com outra identidade para descobrir quem fora o amante dela.

Comentário: Primeiramente, o que mais me incomoda no filme é ver uma obra literária americana feita inteira na Alemanha, falado em alemão e todo mundo fingindo que está nos Estados Unidos e é americano. Fiquei imaginando alguém fazer isso com o Machado de Assis ou a gente filmando A Letra Escarlate em Paraty com todo mundo falando em português. Qual o sentido disso? Se tivessem adaptado para um vilarejo na Alemanha era muito mais fácil comprar a ideia. Eu gostei do filme pegar um trecho do livro e não querer adaptar a obra toda, há tomadas que achei muito bonitas e tirando as atuações da Yella Rottländer (a Pearl, que parece estar muito a vontade) e Rüdiger Vogler (que está felizão com sua flauta) o resto do elenco é bem fraco (mas Lou Castel como o padre ganha de longe como o pior ali). Não parece nem haver romance entre os personagens. Apesar dos tropeços, achei a edição do filme boa, ele passa rápido, não achei ruim de assistir. Longe das obras memoráveis do diretor.