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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

SOB A PELE

Título Original: Under The Skin
Diretor: Jonathan Glazer
Ano: 2013
País de Origem: Escócia
Duração: 108min
Nota: 4

Sinopse: Uma jovem misteriosa seduz homens solitários à noite na Escócia. No entanto, os eventos a levam a iniciar um processo de autodescoberta.
 
Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza. Em linhas gerais eu não gostei, achei ruinzinho, porém há vários pontos altos no filme. Gostei da cena da praia e da cena final, porém o filme é repetitivo demais até alguma coisa realmente relevante ocorrer, é chato de assistir, porém depois que você o faz ele gera discussões interessantes sobre várias coisas na sua cabeça. Aluga um triplex e isto é a força que o filme tem. Scarlett Johansson tem aqui talvez sua melhor interpretação, porque exigiu dela isso, muito mais do que os papéis fáceis que ela tem em Hollywood. É uma pena como algumas atrizes desperdiçam talentos com filmes toscos americanos, Kristen Stewart entendeu muito bem isso e virou o que é hoje. Filme ruinzinho com seus momentos bons e cheio de qualidades técnicas. Parece que havia um potencial enorme a ser explorado, mas que não foi.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA

Título Original: Uma História de Amor e Fúria
Diretores: Luiz Bolognesi, Jean Cullen De Moura & Marcelo Fernandes De Moura
Ano: 2013
País de Origem: Brasil
Duração: 74min
Nota: 10

Sinopse: Gira em torno do amor entre um herói imortal e Janaína, a mulher por quem ele está apaixonado há 600 anos, através da colonização, escravidão, domínio militar e o futuro do Brasil em 2096, em meio às guerras da água.
 
Comentário: Lembro quando lançou este filme que eu queria muito ver, acabou passando e ele caiu completamente no esquecimento para mim, fui escolher um filme de maneira meio aleatória e eis que apareceu ele. Que grata surpresa, achei excelente, uma animação que deveria passar em todas as escolas. Minha única crítica é exatamente ao Selton Mello, que adoro, mas que parece que não combinou muito bem com o personagem. Poderiam ter usado dubladores diferentes com sotaques que remetessem a épocas em que as histórias se passam, a experiência seria mais imersiva. De resto, perfeito ao que se propõe, discutir nosso passado e mostrar o futuro trágico que caminhamos caso não reconheçamos nossos erros.

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

SACRO GRA

Título Original: Saro Gra
Diretor: Gianfranco Rosi
Ano: 2013
País de Origem: Itália
Duração: 91min
Nota: 3

Sinopse: Ao longo de quase dois anos explorando os quase 70 km de rodovias circulares do “Grande Anel Rodoviário”, Gianfranco Rosi traz à tona o cotidiano do cidadão comum, compondo o perfil de um microcosmo nos arredores da Grande Roma.
 
Comentário: Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, o que é completamente incompreensível para mim. Dos grandes festivais, Veneza é o que deu o prêmio máximo para vários filmes que considero muito abaixo da média, mas nenhum que eu tenha desgostado tanto quanto esse. Eu juro que tentei, mas mesmo tendo assistido inteiro, o filme não criou absolutamente nenhuma conexão comigo, não me disse absolutamente nada, coisas completamente desconexas e vazias foi o que assisti ao longe de uma hora e meia. Sim, a parte técnica e as imagens são lindas em vários momentos, e mesmo tendo algumas cenas que salvam (o pescador de enguia e o cara que escuta os besouros), são ínfimas dentro do todo. O cara que tem conexões de trabalho com a Lituânia foi das coisas mais bizarras do filme, dá até vergonha. Achei que seriam personagens com ligações com o Grande Anel Rodoviário, mas nem isso, não há conexão, coesão ou uma mensagem. Daqueles filmes pseudo-cults feitos para inflar egos da área cinematográfica ou sei lá. Muito ruim. 

terça-feira, 6 de agosto de 2024

UM EPISÓDIO DA VIDA DE UM CATADOR DE FERRO VELHO

Título Original: Epizoda u Zivotu Beraca Zeljeza
Diretor: Danis Tanovic
Ano: 2013
País de Origem: Bósnia e Herzegovina
Duração: 71min
Nota: 9

Sinopse: Um suspense cotidiano, centrado em uma família de origem cigana pobre, quando a esposa grávida sofre uma grave complicação de saúde e não possuem seguro saúde para realizar a cirurgia necessária.
 
Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor dos prêmios de Melhor Ator e do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim. O filme é praticamente uma reconstituição de algo que a família que atua fazendo o próprio papel passou. Portanto tem um forte teor de documentário, mesmo tudo sendo encenado. A crueza de toda a situação choca, é triste ver a desigualdade do capitalismo na sua mais pura forma. Tenho passado por alguns problemas no atendimento médico da Inglaterra, o descaso da saúde pública daqui com os valores absurdos que pago de taxa semanalmente é para esfregar na cara de quem tem complexo de vira lata com o Brasil e que adora dizer que na Europa tudo é flores. Um filme necessário, o elenco dá tudo de si e a direção do Tanovic é sempre competente.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

A GRANDE BELEZA

Título Original: La Grande Bellezza
Diretor: Paolo Sorrentino
Ano: 2013
País de Origem: Itália
Duração: 140min
Nota: 10

Sinopse: Jep Gambardella tem seduzido sua vida noturna de luxo em Roma por décadas, mas após seu aniversário de 65 anos, e um choque do passado, Jep olha para além das boates e festas para encontrar uma paisagem atemporal de grande beleza.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes e Vencedor do Oscar e do Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro. Como é que eu demorei tanto para assistir este filme? Simplesmente brilhante! Merecia a Palma de Ouro, merecia tudo que é prêmio. Sorrentino é com certeza o que o cinema italiano tem de melhor nos últimos anos. Toni Servillo dá um show como protagonista, interpretação brilhante. Simplesmente tudo no filme funciona, qualidade técnica e narrativa perfeitas. O filme tem todos os elementos contrabalanceados, há desde comédia a um senso nostálgico que faz a gente nem esconder a lágrima que escorre na cena final. Um filme sobre a vida, sobre envelhecer, sobre lugares e principalmente sobre memórias. Lindo demais!

sexta-feira, 3 de março de 2023

MAIS QUE DUAS HORAS

Título Original: Bishtar az do Saat
Diretor: Ali Asgari
Ano: 2013
País de Origem: Irã
Duração: 14min
Nota:  10

Sinopse: São 3:00 da manhã. Um jovem casal está rondando pela cidade, desesperadamente procurando um hospital para curá-la, mas é mais difícil do que pensavam. A lei está no seu caminho.
 
Comentário: Curta metragem merecidamente premiadíssimo, selecionado em festivais como Cannes, Berlim e Sundance. Vencedor do Festival de Curtas de Direitos Humanos. Eu acho extremamente difícil contar uma história em 14 minutos e o diretor aqui consegue com um êxito notório. Eu fiquei extremamente nervoso, minhas unhas foram roídas e eu só conseguia pensar nos absurdos que esse governo iraniano faz. Se existe um governo que sempre consegue me surpreender é o do Irã, quando eu acho que não dá para ser pior ele prova que eu estou errado. Seja nas condições que este curta expõe ou seja nas notícias atuais de estudantes sendo envenenadas em escolas. Governo do Irã e da Turquia parecem competir em qual é pior, mas acho que o iraniano ainda ganha. Interpretações magníficas e um Asgari provando toda sua competência como diretor. Amei! Curta super hiper mega blaster necessário!

terça-feira, 15 de junho de 2021

A PELE DE VÊNUS

Título Original: La Vénus à la Fourrure
Diretor: Roman Polanski
Ano: 2013
País de Origem: França
Duração: 96min
Nota: 10

Sinopse: Adaptação para o cinema da peça teatral homônima, que apresenta a história de Thomas, um jovem dramaturgo que se desespera para encontrar uma atriz principal para sua nova peça. Uma jovem atriz chamada Vanda atende o chamado no último momento e logo os dois se envolvem em uma relação de dominação e submissão.

Comentário: Deixando a polêmica acerca do Polanski de lado, não da pra negar que ele é hoje um dos poucos diretores da velha guarda ainda na ativa, e mais importante, ainda relevante. Para mim, tudo no filme funciona, e olha que não é fácil não deixar a peteca cair com apenas dois atores em cena em um único cenário, mas com um elenco desses. Mathieu Amalric tem experiência na direção, o que deve facilitar a vida de qualquer diretor, mas é um ator excepcional. Emmanuelle Seigner é a grande diva do filme, rouba o coração, brilha em cena, parece comandar tudo e todos com essa que é uma das melhores atuações do ano, com certeza. Toda a metalinguagem da história com o autor Leopold von Sacher-Masoch só acrescenta mais força a película. Polanski mostra aqui sua força nos dias atuais e prova, com o desfecho nada convencional, que não tem medo de polêmicas. Daqueles filmes que amei, mas não indicaria para qualquer pessoa.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

TANGERINAS

Título Original: Mandariinid
Diretor: Zaza Urushadze
Ano: 2013
País de Origem: Estônia
Duração: 83min
Nota: 10

Sinopse: A história de Ivo (Lembit Ulfsak), que com a ajuda do produtor de tangerinas Margus (Elmo Nüganen) e o médico Juhan (Raivo Trass), salva a vida do checheno Ahmed (Giorgi Nakashidze) e do georgiano Niko (Misha Meskhi), em um povoado estoniano da Abecásia no meio da guerra de 1992.

Comentário: Um enredo simples e com atuações marcantes que conseguem de maneira muito sutil desconstruir qualquer tipo de guerra. Um desses filmes que não conseguimos explicar muito bem porque é tão bom, porque tocam não em um sentimento individual, mas em algo que pertence a qualquer ser humano. Como se compartilhássemos  algo como espécie que foi esquecido a muito tempo atrás. O filme foi indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro, mas no ano em que concorreu só tinha filme foda. Destaque para o ator Giorgi Nakashidze, que interpreta Ahmed, o cara conseguiu passar um carisma como poucos atores conseguem. Tão bom quanto um livro de Hemingway sobre a inutilidade da guerra.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

O VERÃO DOS PEIXES-VOADORES

Título Original: El Verano de los Peces Voladores
Diretora: Marcela Said
Ano: 2013
País de Origem: Chile
Duração: 95min
Nota:  8

Sinopse: Manena é uma adolescente determinada, filha de Pancho, um rico fazendeiro chileno que dedica suas férias a uma obsessão: exterminar as carpas que invadem seu lago. No decorrer do verão, enquanto ele recorre a métodos cada vez mais extremos, Manena sofre com sua primeira decepção amorosa e descobre um mundo que coexiste silenciosamente com o seu – o dos trabalhadores indígenas Mapuche que reivindicam acesso às terras e enfrentam seu pai.

Comentário: Eu gostei muito do filme e me senti hipnotizado com a maneira com que a diretora colocou todas as discussões de maneira sutil, quase nas entrelinhas do que está acontecendo. A classe média rica do Chile é um retrato da do Brasil, e porque não do mundo? Os diálogos toscos do seu pai, o impacto disso na personagem conforme ela vai entendendo o cenário sociopolítico em que ela está inserida é de encher os olhos. As imagens da natureza são sublimes, o conflito interno de Manena também, ela tem que lidar com seus sentimentos românticos ao mesmo tempo que entende sobre o mundo em que vive. O ritmo do filme não é para qualquer um, pode parecer entrecortado demais, vazio demais, estranho demais... mas é meu tipo de filme. PS: Atenção para o diálogo de Pancho com o policial onde brota todo egocentrismo da elite escrota e também uma menção a atuação da Francisca Walker que é uma gracinha.