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domingo, 26 de julho de 2026

O SUL

Título Original: El Sur
Diretor: Victor Erice
Ano: 1983
País de Origem: Espanha
Duração: 95min
Nota: 9

Sinopse: Uma mulher reflete sobre sua relação de infância com seu pai, tentando compreender a profundidade de seu desespero e a verdade de seus mitos.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Terceiro filme que assisto do diretor, este assisti na sequência do O Espírito da Colméia, e a qualidade se mantém intacta. Um filme com muito mais coisas nas entrelinhas, sobre cicatrizes que a vida não cura e ficam não resolvidas até o fim da vida. Se você não tem algo do tipo pode se considerar uma pessoa de sorte... ou talvez não. A complexidade da vida tratada com maestria por um dos melhores diretores que descobri nos últimos anos. O filme era para ter o dobro de tempo, mas foi encerrado por falta de orçamento para finalizá-lo pela produção. Erice conseguiu nos entregar um desfecho válido, mas fica aquela vontade de ver o que o diretor planejava para o restante da película, o que o sul traria para o filme. Um diretor que consegue transpor para a tela a vida da forma mais crua de uma maneira poética.

sábado, 18 de julho de 2026

O ESPÍRITO DA COLMÉIA

Título Original: El Espíritu de la Colmena
Diretor: Victor Erice
Ano: 1973
País de Origem: Espanha
Duração: 98min
Nota: 9

Sinopse: Em 1940, após assistir e ser traumatizada pelo filme de Frankenstein, uma sensível menina de sete anos, que mora em uma pequena aldeia espanhola, entra em seu próprio mundo de fantasia.
 
Comentário: Depois de assistir ao seu último filme arrebatador, Fechar os Olhos, já estava querendo me aprodundar mais no cinema de Victor Erice. Este filme foi outra grata surpresa, é excelente também, com várias camadas sobre cada personagem a serem exploradas a cada assistida. Ana Torrent, que interpreta Ana, nos presenteia com um dos trabalhos mais memoráveis de astros mirins. A narrativa demorou para me fisgar, parece que demora para mostrar para o que veio, mas consegue brincar com nossa cabeça e sentimentos como o outro filme que assisti do diretor. Há um diálogo entre fantasia e realidade que remete a própria dinâmica do cinema. A fotografia é linda e a condução meticulosa de Erice vale muito a pena. Uma pena que ele não lance filmes com intervalos menores de tempo.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

ESTRANHA FORMA DE VIDA

Título Original: Extraña Forma de Vida
Diretor: Pedro Almodóvar
Ano: 2023
País de Origem: Espanha
Duração: 31min
Nota: 7

Sinopse: Depois de 25 anos separados, o rancheiro Silva cavalga pelo deserto para visitar seu velho amigo Jake. No entanto, no dia seguinte, a revelação da conexão dos dois homens com um crime local sugere que há mais no encontro deles.
 
Comentário: Indicado ao prêmio de Melhor Curta no Palma Queer no Festival de Cannes. É um bom curta, mas por um lado é meio americanizado demais e por outro é aquela coisa mirabolante demais do Almodóvar. Como já disse em vários textos anteriores, prefiro o diretor quando ele vai para narrativas mais pé no chão. Os atores convencem em vários momentos e não convence em outros. O mais estranho é pensar nisso como um curta espanhol, foi inteiramente filmado na espanha por um diretor espanhol, mas é um bang bang gay americano falado inteiramente em inglês... depois do Faroeste Spaguetti italiano estaríamos frente e um novo gênero: o faroeste paella? Vale a assistida, mas confesso que não me marcou muito na memória.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

A CASA

Título Original: La Casa
Diretor: Álex Montoya
Ano: 2024
País de Origem: Espanha
Duração: 77min
Nota: 7

Sinopse: Após a morte de seu pai, Antonio, seus três filhos adultos e suas famílias se reúnem em sua modesta casa de férias para prepará-la para a venda. Durante sua curta estadia, memórias e sentimentos há muito enterrados vêm à tona.
 
Comentário: O grande inimigo do filme é narrativo, achei o filme muito bom, pois a história que se propõe a contar é simples, mas cheia de um sentimento forte que conseguiu me fisgar, porém a maneira em que as coisas vão ocorrendo na tela parece dispersar a atenção do espectador, parece demorar demais a se criar um vínculo com a situação e os personagens. O que é um problema, já que é um filme bem curto, acho que funcionaria melhor se não deixasse de aproveitar cada segundo para amarrar bem sua história, porém, conforme vamos caminhando para o desfecho fica uma lição importante para quem já viveu algo similar na família e isto não tem como não mexer com a gente. Há momentos com diálogos excelentes.

terça-feira, 22 de julho de 2025

KIKA

Título Original: Kika
Diretor: Pedro Almodóvar
Ano: 1993
País de Origem: Espanha
Duração: 114min
Nota: 6

Sinopse: Quando o autor americano Nicholas traz uma cosmetologista chamada Kika para preparar o cadáver de seu filho recém-falecido, ela inadvertidamente reanima o jovem e se apaixona por ele. No entanto, forças conspiram contra o casal, pois Nicholas deseja Kika para si.
 
Comentário: O filme é legalzinho, mas eu sempre digo e repito: Pedro Almodóvar é muito melhor quando faz filmes simples, aqui ele tenta criar algo mirabolante demais, a narrativa perde a força que poderia ter e as situações meio estapafúrdias deixam o filme meio bobo em vários momentos. Verónica Forqué e Victoria Abril se destacam bastante e seguram o telespectador, os figurinos da jornalista Caracortada são talvez o ponto mais alto do filme. Muito abaixo de obras mais relevantes do diretor, a cena de estupro que tenta criar um ambiente de comédia acaba sendo meio tosca. Personagens interessantes mal aproveitados, mas que funcionam bem para passar o tempo. Podia ser bem melhor se fosse mais pé no chão. Acho que o diretor envelheceu como vinho em suas películas.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

JULIETA

Título Original: Julieta
Diretor: Pedro Almodóvar
Ano: 2016
País de Origem: Espanha
Duração: 98min
Nota: 9

Sinopse: O filme abrange 30 anos da vida de Julieta, desde um nostálgico 1985, quando tudo parece esperançoso, até 2015, quando sua vida parece estar além de qualquer reparo e ela está à beira da loucura.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Outro excelente filme de Almodóvar, sempre acho que quando o diretor opta por contar uma história mais simples ele acaba acertando mais. O filme é uma delícia de assistir, conforme vai passando mais vamos ficando conectados e interessados em Julieta e todos os detalhes da sua vida. Baseado em três histórias diferentes da escritora, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, Alice Munro. Se eu já fiquei putaço com algum personagem mais do que fiquei da filha dela no filme, no momento não me recordo. O final é perfeito, mostrando que Almodóvar controla o timing daquilo que quer contar de maneira perfeita. Emma Suaréz e Adriana Ugarte estão perfeitas dividindo a personagem título.

sábado, 7 de setembro de 2024

DURANTE A TORMENTA

Título Original: Durante la Tormenta
Diretor: Oriol Paulo
Ano: 2018
País de Origem: Espanha
Duração: 129min
Nota: 8

Sinopse: Duas tempestades separadas por 25 anos, uma mulher assassinada, uma filha desaparecida, e apenas 72 horas para descobrir a verdade.
 
Comentário: Tem filmes que é preciso se desligar um pouco da realidade e se entregar à narrativa, e Oriol Paulo já provou que é mestre de uma narrativa rocambolesca que funciona muito bem. Confesso que preferi seus filmes anteriores (O Corpo e Um Contratempo), talvez haja nesse filme exageros que extrapolam demais algumas situações, por outro lado, há momentos aqui que são realmente excepcionais. O filme me prendeu muito bem, para um filme pipoca blokbuster coloca os filmes de Hollywood atuais no chinelo, com um elenco e uma direção muito competentes. Achei que a parte final do filme vai se desenrolando rápido demais, principalmente com as histórias paralelas dos atores coadjuvantes, no geral o filme é muito bom, gosto do diretor exatamente porque ele não tem medo de cair no absurdo para contar uma boa história, falta isso nos filmes de hoje em dia.

segunda-feira, 11 de março de 2024

PROFISSÃO: REPÓRTER

Título Original: Professione: Reporter
Diretor: Michelangelo Antonioni
Ano: 1975
País de Origem: Espanha
Duração: 126min
Nota: 10

Sinopse: Um correspondente de guerra frustrado, incapaz de encontrar na guerra o que lhe foi pedido para cobrir, toma o caminho arriscado de apropriar-se da identidade de um conhecido traficante de armas morto.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Pensa em um cara que amava a vida que tinha (hahahahaha) e não foi deixado em paz pela mulher nem depois de morto. Assisti este filme quando era um adolescente em uma coleção de VHS lançado por um jornal. Já havia amado (é, eu era um garoto estranho) e agora acho que amei mais ainda. Um filme com personagens completamente perdidos, rumo a lugar nenhum em uma Espanha em seus últimos momentos da ditadura franquista. Talvez o movimento sem sentido de todos os personagens represente a falta de sentido na guerra. Adoro o ritmo que a película toma depois que Maria Schneider aparece, ao contrário de muitos críticos. Antonioni é mestre, sei que não é o tipo de filme para todo mundo, mas eu acho incrível. A cena final então, nem preciso falar, né?  Talvez meu filme preferido com Nicholson.

Nota: Registrei o filme como espanhol, já que se passa a sua maior parte na Espanha. Não vi sentido em cadastrar como italiano, mesmo sendo uma produção italiana e tendo o diretor italiano, já que não tem nenhuma cena na Itália e nem um diálogo em italiano.

quarta-feira, 6 de março de 2024

ROSA ROSAE - UMA ELEGIA DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA

Título Original: Rosa Rosae. La Guerra Civil
Diretor: Carlos Saura
Ano: 2021
País de Origem: Espanha
Duração: 5min
Nota: 8

Sinopse: Saura cria e recupera mais de trinta imagens, desenhos e fotografias que imprime, manipula, brinca e posteriormente filma, para produzir uma história que, ao mesmo tempo que recria a Guerra Civil Espanhola, pode também reflectir os horrores do conflito universal, vistos através dos olhos de uma criança e seu entorno.
 
Comentário: É muito lindo de assistir e seu grande defeito é que acaba muito rápido, é praticamente um videoclip musical da música Rosa Rosae interpretada pelo cantor José Antonio Labordeta. As imagens recuperadas por Saura e a maneira que são manipuladas para se transformarem em uma obra de arte em movimento é de encher os olhos de tão lindo que é. Hipnótico e avassalador são as melhores palavras que definem. Poderia ter tido pelo menos o dobro do tempo que eu ia amar continuar assistindo. Carlos Saura foi um dos maiores diretores espanhóis e mostra aqui, mesmo que em míseros cinco minutos, toda a sua força artística ainda relevante no século XXI.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

FECHAR OS OLHOS

Título Original: Cerrar los Ojos
Diretor: Víctor Erice
Ano: 2023
País de Origem: Espanha
Duração: 162min
Nota: 10

Sinopse: Um ator espanhol desaparece durante as filmagens de um filme. Embora seu corpo nunca tenha sido encontrado, a polícia conclui que ele sofreu um acidente à beira de um penhasco. Muitos anos depois, o mistério retorna aos dias atuais.
 
Comentário: Filme que teve sua estreia no Festival de Cannes fora de competições. Começando agora a assistir aos filmes do ano de 2023 já posso dizer que este conseguiu superar o Céu Vermelho do Petzold na primeira posição. Que filmaço! Amei tudo, que roteiro bem escrito, cheio de detalhes (a epígrafe do Paul Nizan no livro do personagem principal praticamente preenche um monte de lacunas). Um amigo me indicou o filme dizendo que lembrou de mim por toda a película, fui correndo assistir e realmente minha identificação com o personagem do diretor é fulminante, até o cachorro dele remete ao meu falecido Truffaut. O filme simplesmente me arrebatou e digo que foi uma das melhores coisas que assisti nos últimos anos. É o que o cinema contemporâneo tem de melhor, por isso que jamais concordarei com o Greenaway de que o cinema está morto. Não conhecia o diretor e já quero assistir tudo dele. Não vou dar mais detalhes senão estrago o filme para quem for assistir.

sábado, 14 de outubro de 2023

CARTA À MINHA MÃE PARA MEU FILHO

Título Original: Carta a Mi Madre Para Mi Hijo
Diretor: Carla Simón
Ano: 2022
País de Origem: Espanha
Duração: 24min
Nota: 6

Sinopse: Uma jovem viaja dos anos 60 até aos dias de hoje, passando pelos anos 80, cruzando os limiares da feminilidade e da história, até encontrar Carla junto ao céu azul da costa catalã.
 
Comentário: Um curta metragem cheio de qualidade técnica onde a diretora transborda suas percepções sobre a maternidade e sobre sua mãe, já falecida. O filme tem uma carga emocional muito grande para a diretora, mas ao meu ver é essa a dificuldade em se conectar com a proposta. Talvez por eu não ser mulher e consequentemente não ser mãe, mas acho que por ser mais um filme da diretora para ela mesma. O filme passou quase como um sonho para mim, há momentos que não consigo mais nem lembrar direito, ele parece encoberto em névoas oníricas, e isso é um ponto positivo. Na mesma linha, temos um curta metragem brasileiro (São Seus Olhos Tristes) dirigido pelo Antônio Rafael, que conseguiu me emocionar e me prender bem mais com um orçamento e consequentemente técnica bem inferior a este, mostrando que o que vale mais é o sentimento que cria no telespectador.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

LIBERDADE

Título Original: Libertarias
Diretor: Vicente Aranda
Ano: 1996
País de Origem: Espanha
Duração: 127min
Nota: 4

Sinopse: Catalunha, 19 de julho de 1936. Com a deflagração da Guerra Civil Espanhola, a freira Maria é forçada a fugir de seu convento. Ela encontra refúgio num bordel, até este ser liberado por um grupo de mulheres anarquistas. Maria entra para o grupo e acaba por tomar parte em suas ações. Estas mulheres enfrentam o problema de ter de lutar, não só contra os nacionalistas, bem como de resistir às facções de esquerda que tentam impor uma estrutura militar mais tradicional.
 
Comentário: Um filme que engana muita gente, mas que achei bem ruinzinho. É um filme que teria que ter sido feito por alguém realmente revolucionário e principalmente dirigido por uma mulher, Vicente Aranda simplesmente não tinha ideia do que estava fazendo. É extremamente visível as raízes conservadoras da igreja permeando todo o filme, em nenhum momento há alguma análise ferrenha da mesma no campo ideológico do que foi a Guerra Civil Espanhola, sem contar o fato do diretor ter em seu currículo inúmeros filmes de objetificação feminina. Há até xenofobia na retratação dos árabes, tentando colocar para baixo do tapete o comportamento dos fascistas espanhóis de Franco. Tentar escancarar o apoio que o ditador teve na guerra de outros países europeus também passou bem longe. No final a mensagem que fica é tão estranha que não dá para ter certeza do que o diretor queria com o filme. Podiam mudar o título para "Um diretor em cima do muro". O filme podia ser muito melhor do que é, e eu simplesmente não entendo como muitos pró-revolucionários caem no papo furado dele. A linha narrativa pode até funcionar, você se envolve com alguns personagens, mas no geral o filme é um grande desserviço.

domingo, 13 de novembro de 2022

ALCARRÀS

Título Original: Alcarràs
Diretor: Carla Simón
Ano: 2022
País de Origem: Espanha
Duração: 115min
Nota:  9

Sinopse: Desde quando podem se lembrar, a família Solé passou todo os verões colhendo os pêssegos em seu pomar em Alcarràs, uma pequena vila na região da Catalunha, na Espanha. Mas a colheita deste ano pode muito bem ser a última, pois eles enfrentam despejos. Os novos planos para a terra, que incluem cortar os pessegueiros e instalar painéis solares, causam uma brecha nessa família grande e unida. Pela primeira vez eles enfrentam um futuro incerto e correm o risco de perder mais do que o pomar.
 
Comentário: Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Berlim, achei o filme maravilhoso, apesar de se estender demais em alguns pontos desnecessários. Mostra como as relações familiares estão relacionadas como raízes na terra em que estão vinculadas. Os atores são de famílias rurais da região e conseguem superar qualquer expectativa: Xènia Roset como Mariona rouba todas as cenas em que aparece por pura competência e não tem como não se simpatizar com Albert Bosch como Roger, o jovem esforçado e comprometido. O filme tem raízes que se espalham por vários assuntos, desde o supérfluo aos complicados como política e sociologia. Camadas e mais camadas de cada personagens podem ser extraídas em várias assistidas, provavelmente. Um filme para se ver de novo algum dia. Final arrebatador.

domingo, 18 de setembro de 2022

CONCORRÊNCIA OFICIAL

Título Original: Competencia Oficial
Diretor: Mariano Cohn & Gastón Duprat
Ano: 2021
País de Origem: Espanha
Duração: 114min
Nota:  10

Sinopse: Dois atores com trajetórias muito diferentes se chocam durante a preparação de um filme, financiado por um milionário ansioso por notoriedade, e dirigido por uma prestigiosa diretora excêntrica.

Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza. Fui assistir ao filme sem esperar nada e me surpreendeu muito positivamente, achei brilhante! Digo que é um dos filmes mais pretensiosos feito de maneira mais despretensiosa possível. Uma crítica ácida ao cinema pipoca que dominou a grande mídia nos dias atuais, sem perder o bom humor. Provando que é possível fazer um bom cinema sem cair no pseudocult. As atuações são mero detalhe que enchem os olhos do espectador e a direção é extremamente competente. É estranho ver um filme, que até certo ponto é comercial demais, com tanto conteúdo. É uma espécie de filme em extinção que antes nos era tão comum. Um dos melhores filmes do ano de 2021 com certeza.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

MÃES PARALELAS

Título Original: Madres Paralelas
Diretor: Pedro Almodóvar
Ano: 2021
País de Origem: Espanha
Duração: 123min
Nota:  9

Sinopse: Em Madri, Espanha, duas mães dão à luz no mesmo dia. O longa segue suas vidas paralelas ao longo do primeiro e do segundo ano de criação dos filhos.

Comentário: Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza, onde rendeu um prêmio de melhor atriz para Penélope Cruz. Achei o filme maravilhoso, pois consegue tratar de um tema meio batido em novelas latinas de um jeito como só o diretor consegue e ainda por cima fazendo um amaranhado de conexões com os fantasmas da Guerra Civil Espanhola. Penélope está mais linda do que nunca, essa mulher é que nem vinho, não é possível. Há um corte abrupto na resolução das coisas para o final que me incomodou um pouco, mas nada que a cena final não tenha arrumado, pois é de arrepiar a força dela. O filme teve um aspecto emocional sobre mim, pois um primo é o desaparecido político até hoje da ditadura militar brasileira e vi seus pais morrerem sem um desfecho, os irmãos o procuram até hoje. Almodóvar vem se revolucionando e se tornando cada vez mais necessário no cinema.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

O QUE ARDE

Título Original: O Que Arde
Diretor: Oliver Laxe
Ano: 2019
País de Origem: Espanha
Duração: 82min
Nota:  7

Sinopse: Amador foi condenado à prisão por ter provocado um incêndio. Após cumprir a pena, ele sai da cadeia, mas não há ninguém à sua espera. Amador volta à sua cidade natal, uma pequena vila nas montanhas da Galícia, para morar com a mãe e três vacas. O cotidiano se arrasta, acompanhando o ritmo da natureza. Até que, em uma noite, um incêndio começa a devastar a região.
 
Comentário: Vencedor do prêmio do juri na categoria Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Filmado na região da Galícia da Espanha e inteiro falado em galego, o filme é lindíssimo de se ver, gostei de como ele passa pela tela de maneira bucólica e hipnótica sem se tornar massante. A senhora que faz o papel da mãe é de uma ternura de se ver na tela. Mas apesar de tudo falta algo, não sei bem dizer o que, mas o desenvolvimento do personagem ou até completar o destino na cachorra, mas o filme termina com um sentimento de que ficou devendo algo mais. Para mim valeu muito a assistida, mas entendo que não deva funcionar para uma grande maioria. Ainda assim, achei bem acima da média e trouxe reflexões ótimas.

domingo, 14 de novembro de 2021

DOR E GLÓRIA

Título Original: Dolor y Gloria
Diretor: Pedro Almodóvar
Ano: 2020
País de Origem: Espanha
Duração: 113min
Nota: 10

Sinopse: Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um melancólico cineasta em declínio que se vê obrigado a pensar sobre as escolhas que fez na vida quando seu passado retorna. Entre lembranças e reencontros, ele reflete sobre sua infância na década de 1960, seu processo de imigração para a Espanha, seu primeiro amor maduro e sua relação com a escrita e com o cinema.

Comentário: Filme que deu o prêmio de melhor ator para Antonio Banderas no Festival de Cannes. Não via um filme do Almodóvar desde Volver, e não me perguntem porque, adorei ambos. Este filme é simplesmente maravilhoso. Eu quebrei a coluna há cinco anos atrás, ver ele interpretando um homem com dores nas costas foi impressionante para mim, os movimentos são realmente iguaizinhos. Almodóvar acerta muito a mão ao tratar de sentimentos, me emocionei no filme praticamente em tudo. Como dizia Philip Roth, envelhecer é um massacre, e este filme consegue refletir muitas coisas sobre isso. É um filme sobre várias histórias sobre o personagem principal e que brinca com uma certa metalinguagem em determinado ponto. Vale muito a pena assistir.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

BALADA DO AMOR E DO ÓDIO

Título Original: Balada Triste de Trompeta
Diretor: Álex de la Iglesia
Ano: 2010
País de Origem:Espanha
Duração: 105min
Nota: 5

Sinopse: O filme do cineasta espanhol Álex de la Iglesia, inicia durante a Guerra Civil espanhola (1936-39) e vai até meados dos anos 1970, numa sangrenta alegoria de um dos períodos mais sombrios da história da Espanha. A trama narra o conflito entre os palhaços Sergio (Antonio de la Torre) e Javier (Carlos Areces), que apaixonados pela sexy trapezista Natalia (Carolina Bang) desencadeiam um insano e violento duelo por seu amor.

Comentário: O filme começa muito bem, mas é só. Um filme recheado de clichês com um diretor que tenta ficar chocando o telespectador com cenas toscas adolescentes completamente desnecessárias. Tudo no filme é forçado, menos a beleza da Carolina Bang, que apesar da personagem idiota que interpreta, é ela que mantém a gente vidrado no filme até o fim. O diretor se garante na parte técnica, extremamente competente. O figurino também ajuda. Um roteiro que tenta fazer uma alegoria com a sociedade espanhola desde a Guerra Civil, mas que no fundo não passa do típico romance obsessivo dos idos tempos do Supercine na Globo. Se tivessem ficado no começo, com um bando de circenses chutando rabos de fascistas, o filme teria sido muito superior. Eu sempre tenho um pé atrás com a premiação do Festival de Veneza por conta dessas coisas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

UM QUARTO EM ROMA

Título Original: Habitación en Roma
Diretor: Julio Medem
Ano: 2010
País de Origem: Espanha
Duração: 107min
Nota: 10

Sinopse: Depois de se conhecerem em um bar em Roma, Natasha e Alba passam a noite juntas. As intensas experiências que conhecerão naquela noite passarão da luxúria à descoberta do amor, em jogos de mentiras, verdades e revelações, tudo em uma belíssima plástica construída pelo diretor Julio Medem.

Comentário: Um filme extremamente real e que me tirou lágrimas, o Julio Medem está virando especialista em fazer isso comigo. Acho que só vai entender o filme, ou sentir o filme, quem já viveu um amor assim. Existem, já vivi amores que duraram anos e já vivi amores que duraram dias... e é bem isso que o filme mostra. É como Robert Jones nos diz em Por Quem os Sinos Dobram, escrito por Ernest Hemingway, "há vidas que duram dias". A certeza de que você vai ir embora e toda aquela lembrança vai ficar lá, em algum lugar perdido neste mundão e no nosso coração para sempre... e a gente ainda sonha que poderia ter durado para sempre. Se você nunca viveu um amor assim, não acho que vá entender o filme, e sinto pena por você. Achei que o filme deveria ter terminado no café da manhã, mas nada que tenha estragado a experiência. Toda a bagagem histórica nas entrelinhas é fantástica, deixa o filme muito mais interessante. O jogo de mentiras e verdades entre elas da um excelente pano para manga para deixar as personagens mais reais, desenvolver os diálogos muito bem. A parte erótica é um mero detalhe no filme, que achei bem delicada, não existe uma apelação ao meu ver. Uma experiência visceral.

terça-feira, 7 de julho de 2020

BIUTIFUL

Título Original: Biutiful
Diretor: Alejandro González Iñárritu
Ano: 2010
País de Origem: Espanha
Duração: 148min
Nota: 7

Sinopse: Esta é a história de um homem que vive uma queda livre emocional. Em sua viagem em busca de redenção, a escuridão ilumina o seu caminho. Conectado ao outro mundo, Uxbal é um trágico herói e pai de dois filhos que, ao sentir o perigo iminente da morte, batalha contra uma dura realidade e um destino que o impede de perdoar, perdoar-se, por amor e para sempre.

Comentário: Filme que deu o prêmio de melhor ator em Cannes para Javier Bardem, merecido, já que é ele que segura o filme aqui. Não foi um filme que me agradou muito, a narrativa é muito caótica e se estende demais sem focar em muita coisa. O filme é profundo sem se aprofundar em nenhum dos assuntos que nos apresenta, o que não é ruim necessariamente, foi o estilo que o diretor escolheu seguir, mas ao meu ver tornou o filme um pouco longo demais e arrastado. Teve horas que tive que parar para brincar com meu cachorro para tirar o peso que o filme carrega. Um filme que tem seus momentos, mas prefiro outros do diretor. O filme concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro pelo México, mas é um filme todo feito na Espanha com atores espanhóis, classifico o filme mais como espanhol do que como mexicano. A trilha sonora é um espetáculo a parte.