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sábado, 18 de julho de 2026

O ESPÍRITO DA COLMÉIA

Título Original: El Espíritu de la Colmena
Diretor: Victor Erice
Ano: 1973
País de Origem: Espanha
Duração: 98min
Nota: 9

Sinopse: Em 1940, após assistir e ser traumatizada pelo filme de Frankenstein, uma sensível menina de sete anos, que mora em uma pequena aldeia espanhola, entra em seu próprio mundo de fantasia.
 
Comentário: Depois de assistir ao seu último filme arrebatador, Fechar os Olhos, já estava querendo me aprodundar mais no cinema de Victor Erice. Este filme foi outra grata surpresa, é excelente também, com várias camadas sobre cada personagem a serem exploradas a cada assistida. Ana Torrent, que interpreta Ana, nos presenteia com um dos trabalhos mais memoráveis de astros mirins. A narrativa demorou para me fisgar, parece que demora para mostrar para o que veio, mas consegue brincar com nossa cabeça e sentimentos como o outro filme que assisti do diretor. Há um diálogo entre fantasia e realidade que remete a própria dinâmica do cinema. A fotografia é linda e a condução meticulosa de Erice vale muito a pena. Uma pena que ele não lance filmes com intervalos menores de tempo.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

CENAS DE UM CASAMENTO

Título Original: Scener ur ett Äktenskap
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1973
País de Origem: Suécia
Duração: 299min
Nota: 9

Sinopse: As cenas de um casamento narram os muitos anos de amor e agitação que unem Marianne e Johan através do casamento, infidelidade, divórcio e as vidas subsequentes de cada um.
 
Comentário: É uma série em seis capítulos, apesar de existir uma versão com cortes feita para o mercado estadunidense que acabou ganhando o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Assisti a série e não tenho intenção de ver a edição com cortes. É Bergman na sua mais pura forma, cheio de camadas e com uma construção de personagens que é uma verdadeira aula. Liv Ullmann e Erland Josephson brilham demais. As ações que não são contadas entre os capítulos é o que Bergman soube aproveitar melhor para construir sua história, sem precisar nos dar todos os detalhes, fica a critério do telespectador preencher essas lacunas da maneira que for mais conveniente.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

A LETRA ESCARLATE

Título Original: Der Scharlachrote Buchstabe
Diretor: Wim Wenders
Ano: 1973
País de Origem: Alemanha
Duração: 86min
Nota:  5

Sinopse: Adaptação de Wim Wenders do romance homónimo de Nathaniel Hawthorne, contando a história de uma mulher que, por ser adúltera, é marginalizada pela comunidade puritana em que vive (Salem, no século XVIII) e forçada a usar a letra "A" nos vestidos. O seu marido, julgado desaparecido, regressa com outra identidade para descobrir quem fora o amante dela.

Comentário: Primeiramente, o que mais me incomoda no filme é ver uma obra literária americana feita inteira na Alemanha, falado em alemão e todo mundo fingindo que está nos Estados Unidos e é americano. Fiquei imaginando alguém fazer isso com o Machado de Assis ou a gente filmando A Letra Escarlate em Paraty com todo mundo falando em português. Qual o sentido disso? Se tivessem adaptado para um vilarejo na Alemanha era muito mais fácil comprar a ideia. Eu gostei do filme pegar um trecho do livro e não querer adaptar a obra toda, há tomadas que achei muito bonitas e tirando as atuações da Yella Rottländer (a Pearl, que parece estar muito a vontade) e Rüdiger Vogler (que está felizão com sua flauta) o resto do elenco é bem fraco (mas Lou Castel como o padre ganha de longe como o pior ali). Não parece nem haver romance entre os personagens. Apesar dos tropeços, achei a edição do filme boa, ele passa rápido, não achei ruim de assistir. Longe das obras memoráveis do diretor.

terça-feira, 26 de julho de 2022

EXPERIÊNCIA

Título Original: Tadjrebeh
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1973
País de Origem: Irã
Duração: 53min
Nota:  8

Sinopse: Mamad, um orfão de 14 anos, trabalha e dorme numa loja de fotografias, onde tem um patrão austero. Ele se apaixona por uma estudante mais velha de uma família de classe média, quando a vê na porta de casa.

Comentário: Alguns consideram este o primeiro filme de Kiarostami, porém é um média metragem segundo a classificação de outros países que consideram O Viajante. O fato é que Experiência trás vários elementos que estariam presentes neste período de formação do cineasta, que já havíamos visto em seus dois curtas anteriores (O Pão e o Beco / O Recreio) e que veríamos de novo como por exemplo no filme "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", a infância e a visão do diretor sobre ela. Acho que este é o filme mais sombrio e triste nesse aspecto, nosso coração é partido em vários momentos e a realidade crua como nos é jogada incomoda de maneira proposital. Abbas Kiarostami era mestre, aqui não é diferente, Experiência não chega a ser algo essencial em sua filmografia, mas serve como peça inicial para aqueles que querem ampliar seu entendimento sobre o diretor.