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domingo, 27 de julho de 2025

O SENHOR DOS MORTOS

Título Original: The Shrouds
Diretor: David Cronenberg    
Ano: 2024
País de Origem: Canadá
Duração: 119min
Nota: 8

Sinopse: Karsh, um empresário inovador e viúvo enlutado, constrói um dispositivo para se conectar com os mortos dentro de uma mortalha de enterro.
 
Comentário: Indicado ao Palma de Ouro no Festival de Cannes. É muito bom ainda ter Cronenberg com seu estilo ainda intacto no meio de tanto lixo na Hollywood atual, não achei o filme tão bom quanto seus últimos, mas é muito acima da média. Acho que o filme vai se enrolando demais na conspiração chinesa (que até agora eu não sei se é em tom de deboche do diretor ou se é realmente uma visão meio ocidental eurocentrista, mas eu fico com a primeira opção, já que é do Cronenberg que estamos falando aqui). De resto o filme tem elementos ótimos, desde o culto à morte ao relacionamento cheio de tensões entre os personagens. Cronenberg ainda consegue ser extremamente necessário para o cinema atual e espero que ainda faça muitos outros filmes. Cassel e Kruger estão ótimos.

sábado, 5 de julho de 2025

A MORTE DE DAVID CRONENBERG

Título Original: The Death of David Cronenberg
Diretores: David Cronenberg & Caitlin Cronenberg
Ano: 2021
País de Origem: Canadá
Duração: 1min
Nota: 7

Sinopse: David Cronenberg está em um quarto suavemente iluminado e olha profundamente para a câmera antes de seu olhar se voltar para uma figura imóvel na cama...
 
Comentário: Dirigido pelo diretor e sua filha mais nova, o curta metragem peca exatamente por ser muiiiiito curto. Acho que dava para explorar muito mais reações do diretor encontrando e lidando com seu corpo morto na cama. Mas não deixa de ter uma profundidade esse curtíssimo espaço de tempo que não conta exatamente uma história, mas sim uma certa impressão sobre a morte que não costumamos encarar de frente. Em seus 60 segundos é intenso, como tudo o que o diretor faz.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

VIDA DE CAMPEÃ

Título Original: Nadia, Butterfly
Diretor: Pascal Plante
Ano: 2020
País de Origem: Canadá
Duração: 107min
Nota: 9

Sinopse: Ainda jovem e em seu auge, Nadia decide se aposentar da natação profissional após os Jogos Olímpicos. Ela quer escapar de uma vida rígida e de sacrifícios. Depois de sua última prova, Nadia mergulha em noites de excesso pontuadas por episódios de insegurança. Mas mesmo esse entorpecimento transicional não pode esconder sua verdadeira busca interior: definir sua identidade fora do mundo dos esportes de elite.
 
Comentário: Era um dos filmes selecionados em Cannes no ano que o Festival não aconteceu devido a pandemia. Achei o filme maravilhoso, a personagem é mais profunda do que as piscinas em que costuma nadar, onde as reflexões vão muito além do esporte. Katerine Savard convence muito como Nadia, apesar de não ser atriz e ter vários paralelos com a personagem, não se enganem, pois ela não está interpretando ela mesma (Savard também ganhou uma medalha de bronze no revezamento assim como no filme, mas nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, mas ao contrário da personagem, ela não está aposentada, participou das Olimpíadas em Tóquio ficando em 4º lugar em uma das três provas que participou e nesta semana que escrevo este texto ela iniciou a preparação olímpica para Paris em 2024). O mais legal do filme é que as Olimpíadas de Tóquio ficou quase uma versão de realidade paralela, já que o filme foi feito sem saber que iria ocorrer uma pandemia, o que deu um toque maravilhoso para o filme. Achei a direção muito competente, o filme flui, e vou falar de novo que Savard brilha. Me emocionei bastante. Fico pensando quem foi o idiota que tinha o título "Nadia, Borboleta" na mesa que dá um enorme significado para o filme, já que os dilemas da personagem a coloca em uma espécie de casulo de maturação para tentar se desenvolver em algo mais além do esporte, daí o imbecil pensa que "Vida de Campeã" é um título melhor.

sábado, 25 de junho de 2022

CRIMES DO FUTURO

Título Original: Crimes Of The Future
Diretor: David Cronenberg
Ano: 2022
País de Origem: Canadá
Duração: 107min
Nota: 10

Sinopse: A história se passa em um futuro próximo em que os humanos evoluíram para se adaptar aos elementos sintéticos que os cercam. Essa adaptação leva um artista a ganhar órgãos a mais e a ficar famoso com performances de remoção dessas partes extras. Ao atrair olhares do governo e do público, ele começa a planejar sua apresentação mais ambiciosa.

Comentário: Indicado ao Palma de Ouro no Festival de Cannes. Fazia oito anos que o diretor não nos presenteava com nenhum longa metragem e volta em grande estilo, Cronenberg se reinventa inspirado por ele mesmo e nos bombardeia com esta obra que não deixa de ser extremamente inovadora, mas revisita grande obras do diretor como Videodrome, Mistérios e Paixões, eXistenZ e até o mais recente Cosmopolis. A crítica à sociedade atual é gigantesca, desde a nossa apatia frente a lives do Instagram, quanto ao enorme esforço de grandes corporações para impedir que a humanidade evolua. "Viva a nova Carne!" nunca fez tanto sentido. A cena do dançarino cheio de orelhas que não servem para escutar é outra crítica que pode ser interpretada de várias maneiras diferentes. O filme é um enorme manifesto, simplesmente incrível e uma porrada no nosso estômago. Cada detalhe é planejado, não há nada que não tenha um sentido, uma ideia, uma crítica e uma anticrítica junto. Já coloco este trabalho como um dos melhores em uma carreira cheia de obras perfeitas do diretor. Cronenberg prova aqui que nunca foi tão necessário dentro de uma indústria de filmes que se torna cada vez mais apática.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

INCÊNDIOS

Título Original: Incendies
Diretor: Denis Villeneuve
Ano: 2010
País de Origem: Canadá
Duração: 130min
Nota: 6

Sinopse: Na leitura do testamento de sua mãe Nawal, os gêmeos Simon e Jeanne descobrem que eles tem um irmão e que o pai, que os dois achavam que havia falecido, estava vivo. Dentre muitos outros desconfortáveis pedidos, o seu final é de que eles achem tanto seu irmão quanto seu pai e lhe entreguem duas cartas que lhes são entregadas seladas. Nawal sempre foi um mistério para seus dois filhos, e a relação entre eles sempre foi muito difícil. Simon fica com raiva e resiste, mas Jeanne se sente no dever de respeitar o desejo de sua mãe.

Comentário: Todo mundo falava deste filme, fui assistir agora e apesar de ser um bom filme o achei superestimado. Existem vários pontos que me incomodaram, o fato de não revelar onde a ação se passa é quase como colocar todo o Oriente Médio ou país muçulmano no mesmo barco, uma visão muito limitada que o pessoal tem do ocidente. A violência, em muitos momentos, gratuita parece tentar chocar o telespectador, sem tratar dos assuntos de maneira mais esclarecida, pois já que o lugar é meio que fictício, tudo o que está acontecendo no país é tratado de maneira rasa, inclusive para não identificar o lugar. Chega a ser ridículo imaginar que uma mulher fique em uma prisão daquela por quinze anos e é estuprada apenas uma vez (infelizmente a realidade é outra). Mas o pior de tudo foi o plot twist alá Shyamalan do final, completamente desnecessário, eu não entendo essa mania de querer fazer algo mirabolante no final, o filme estava indo muito bem sem nada daquilo. A direção do Villeneuve é ótima, acho que é um diretor que se destaca mais pela parte técnica do que pelos seus filmes: A Chegada é um filme legal, mas acho que por ter lido o conto em que se baseia antes, o filme ficou muito aquém. Blade Runner 2049 é uma porcaria, mas no quesito direção, todos eles tem uma qualidade técnica indiscutível. De resto o filme é bom, a trama que vai se construindo com pedaços do passado se sobrepondo a busca de Jeanne pela verdade é muito bem construída. Se o filme fugisse do padrãozinho hollywoodiano e tentasse algo mais profundo, seria um filme muito melhor. Lógico que para a galera acostumada com filme americano, quando bate de cara com este, parece um filme incrível, dá para entender todo o hype entorno dele.

domingo, 28 de junho de 2020

VIDEODROME: A SÍNDROME DO VÍDEO

Título Original: Videodrome
Diretor: David Cronenberg
Ano: 1983
País de Origem: Canadá
Duração: 89min
Nota: 10

Sinopse: O dono de uma pequena emissora de TV (James Woods) resolve ir atrás de uma atração mais subversiva para atrair audiência, quando conhece uma nova filosofia de programa: o Videodrome, cujos criadores possuem idéias bizarras e não-usuais para seu público.

Comentário: É possível um filme ser datado e atual ao mesmo tempo? A resposta é "SIM!", em um dos melhores filmes de David Cronenberg. Praticamente tudo o que o filme profetiza se torna realidade no mundo em que vivemos hoje, com a diferença que o controle mental não veio do vídeo e sim da Internet que surgiria depois de alguns anos. Um filme subversivo até mesmo para os padrões de hoje em dia, tudo no filme funciona, um roteiro rocambolótico que funciona como em qualquer livro de William Burroughs. Faz o telespectador pensar, coisa que está faltando em qualquer filme comercial nos dias de hoje. Acredito ainda que hoje, em pleno 2020, seria difícil achar astros do escalão de James Woods ou Debbie Harry para embarcar em uma ideia desta. Assistindo de novo recentemente depois de anos, diria que ele está ainda mais assustados agora. É meu amigos, demos passos demais para trás. Morte ao Videodrome! Viva a nova carne!

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

UMA COLÔNIA

Título Original: Une Colonie
Diretora: Geneviève Dulude-De Celles
Ano: 2018
País de Origem: Canadá
Duração: 102min
Nota:  10

Sinopse: Mylia é uma garota de 12 anos que atravessa a zona cinzenta e incômoda da adolescência, constantemente se sentindo inadequada em relação aos colegas da escola. Ela encontra dificuldades no processo de construir sua própria identidade, até que conhece Jimmy, um jovem audacioso que mora em uma reserva vizinha e a encoraja a sair de sua zona de conforto em direção a experiências extraordinárias.

Comentário: Filme vencedor do Urso de Cristal no Festival de Berlin de 2019 e que me tocou profundamente. A diretora é minimalista e já havia ganho dois prêmios pelo seu curta metragem O Corte no Festival de Sundance em 2014. A película é de encher os olhos e fez eu voltar no tempo na minha época de adolescência, mas diferente de todas as minhas outras visitas a este meu passado remoto, desta vez não foi tão ruim. Assim como Mylia, eu nunca me encaixei, assim como ela, eu participava de festas para assistir aos outros se divertirem enquanto eu me perguntava o que diabos eu estava fazendo ali. As metáforas utilizadas para o filme são simplesmente espetaculares, o desfecho é brilhante e fez com que pela primeira vez na minha vida eu agradecesse por ser quem eu sou. O filme teve um enorme impacto em mim, ao sair da sala ouvi uma senhora dizendo que o filme glamorizava a adolescência (coitada!), não entendeu ao filme, porque ele faz exatamente o oposto. Ao longo da minha vida, vi pessoas tão "esquisitas" como eu cair no padrão do mundo comum, se entregar a massa, tentar se encaixar... eu continuo sendo o esquisito e depois desse filme eu agradeço cada segundo da minha história até aqui. Obrigado à diretora, vou continuar pintando fora das linhas.