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domingo, 21 de maio de 2023

GAROTO DOS CÉUS

Título Original: Walad min al-Janna
Diretor: Tarik Saleh
Ano: 2022
País de Origem: Egito
Duração: 122min
Nota:  7

Sinopse: No primeiro dia de volta após as férias de verão, o grande imã desmaia e morre na frente de seus alunos em uma universidade de prestígio no Cairo. Isso marca o início de uma batalha implacável para que a influência tome seu lugar.
 
Comentário: Vencedor de Melhor Roteiro no Festival de Cannes. O filme é bom, acho que se estende demais para chegar no desfecho e tudo se resolver de uma maneira muito simples. O elenco está muito bem e a parte técnica é competente. Tenho estudado árabe e convivido com muitos muçulmanos no trabalho, e apesar de continuar avesso a qualquer tipo de religião, no aspecto cultural é bastante interessante. Achei interessante como o diretor criticou tanto a religião muçulmana como também o preconceito que ela sofre, mas na balança geral achei o filme com uma visão muito ocidentalizada em certos aspectos. O filme na verdade é uma produção sueca, o diretor é um sueco de pai egípcio e vem fazendo filmes e séries para o mercado americano. Os atores principais são todos de etnias árabes meio que em exílio na Europa, mas como é um filme falado em árabe, que se passa no Egito e com cenas filmadas por lá, cadastrei como um filme egípcio no blog. Fico meio irritado que o único filme de língua árabe concorrendo ao Palma de Ouro nesse ano seja exatamente um filme árabe pasteurizado pela indústria europeia.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O PORTÃO DE PARTIDA

Título Original: The Gate of Departure
Diretor: Karim Hanafy
Ano: 2014
País de Origem: Egito
Duração: 66min
Nota: 6

Sinopse: Uma meditação sobre tristeza, morte e aprisionamento psicológico que dispensa diálogo e narrativa para uma experiência visual que quebra as convenções.

Comentário: É um filme experimental que foge completamente do tipo de narrativa que as pessoas estão habituadas. Me remeteu um pouco da experimentação do filme Cartas Para Paul Morrissey, mas o filme escorrega na falta de um fio condutor na narrativa e isto atrapalha bastante o telespectador. O filme se mostra bastante pessoal para o diretor, que aborda o tema do suicídio da mãe em uma espécie de caleidoscópio de sentimentos auto-biográficos e esta entrega que ele faz vale a assistida. Há momentos poéticos que me lembraram O Espelho do Tarkovski, mas o geral da obra fica bem aquém do mestre russo. É um filme de cenas e sentimento, onde é possível se emocionar em pequenos detalhes. Gostei bastante da parte técnica, assistiria outro filme do diretor para ver sua evolução.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

ENTRE DOIS MARES

Título Original: Between Two Seas
Diretor: Anas Tolba
Ano: 2019
País de Origem: Egito
Duração: 87min
Nota: 8

Sinopse: Uma família de uma área rural no Egito é dividida após um trágico acidente. A busca de uma mãe por redenção, vingança e esperança define os eventos dessa história dramática de uma sociedade esquecida.

Comentário: Primeiro longa metragem do diretor Anas Tolba e vencedor dos prêmios de melhor roteiro e filme narrativo no festival de cinema do Brooklyn. O filme é carregado de uma sensibilidade ímpar, sobre mulheres que são tratadas como mercadorias em uma sociedade machista e doente. A direção é espetacular, o diretor é extremamente talentoso e sabe muito bem aproveitar suas qualidades técnicas. As interpretações também são impecáveis. A narrativa do filme foge bastante do que a galera está acostumada, mas ao mesmo tempo tenta não ser uma narrativa difícil para quem nunca assistiu este tipo de filme sobre uma ótica de um povo completamente diferente de nós. Um filme de esperança, de tragédia, de sentimentos que muitas vezes não conseguimos controlar. O filme foi feito em colaboração com o Conselho Nacional das Mulheres do Egito e da UN Women. Impossível assistir e não ser inundado por vários tipos de sentimentos diferentes. A mensagem religiosa geral é a única coisa realmente que não me desce, mas é a cultura deles, mas existe uma crítica bem construída de algumas pessoas religiosas que é muito boa também.