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segunda-feira, 6 de abril de 2026

UM SENSO DE HISTÓRIA

Título Original: A Sense of History
Diretor: Mike Leigh
Ano: 1992
País de Origem: Inglaterra
Duração: 26min
Nota: 9

Sinopse: Jim Broadbent escreveu e estrelou este curta-metragem dirigido por ninguém menos que Mike Leigh. Como membro da nobreza rural, o 23.º Conde de Leete tem o dever de manter e expandir suas terras. Filmado no estilo e na maneira de um documentário da BBC, Broadbent conta sua história familiar à equipe de filmagem, que aos poucos percebe — assim como nós — que as coisas não são o que parecem.
 
Comentário: Único filme que Mike Leigh dirigiu e que ele não escreveu. O roteiro e a atuação de Jim Broadbent estão simplesmente espetaculares aqui. O curta metragem é uma crítica ferrenha a nobreza britânica, mostrando que a riqueza tem seu lado sombrio. Conheço muito pouco do trabalho do diretor e confesso que adorei tudo que vi dele e aqui não é diferente. Simples e direto, cheio de pormenores e de um sarcasmo ímpar. Vale muito a pena a assistida. O estilo de documentário da BBC serve até para satirizar a própria emissora.

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

A MARQUESA DE SADE

Título Original: Markisinnan de Sade
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1992
País de Origem: Suécia
Duração: 105min
Nota: 7

Sinopse: Uma produção teatral da peça de Yukio Mishima, filmada para a televisão sueca. Começa na França em 1772. Seis mulheres, uma delas Madame de Sade, discutem suas opiniões e sentimentos em relação ao notório Marquês de Sade.
 
Comentário: Depois de anunciar sua aposentadoria do cinema, esta peça interpretada no Royal Dramatic Theatre em Estocolmo e filmada para a televisão foi um dos projetos do mestre Bergman. A peça funciona muito bem, com excelentes interpretações e diálogos afiadíssimos, mas achei que dá uma cansada em certo ponto. Há pontos repetitivos e falta um certo dinamismo no decorrer da história. Talvez com umas pitadas do humor ácido que Bergman costuma usar funcionasse melhor do que ficar muito preso ao texto, e apesar de haver uma discussão feminista nas entrelinhas, ela poderia também ter sido melhor utilizada como o diretor sempre fez. No geral é um bom "filme", merece ser visto por quem é fã do diretor, mas pode ser ignorado para quem quer ver apenas suas obras primas.

domingo, 5 de abril de 2020

A VIDA E NADA MAIS (E A VIDA CONTINUA...)

Título Original: Zendegi Va Digar Hich
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1992
País de Origem: Irã
Duração: 95min
Nota: 8

Sinopse: Um road-movie que mistura crítica social com o registro de uma tragédia. Junto com seu filho, um cineasta faz uma viagem pela região norte do Irã, local atingido por um forte terremoto em 1990, para reencontrar os dois jovens atores de seu filme "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?". No caminho, testemunham diversos acidentes e se defrontam com o caos gerado pelo terremoto. Apesar de desolado, os habitantes da região não se abatem e, ao mesmo tempo em que lutam para resgatar dos escombros o que restou, assistem aos jogos da Copa do Mundo.

Comentário: Segunda parte da Trilogia Koker, do diretor Abbas Kiarostami. O filme segue em uma espécie de metalinguagem em relação ao outro filme e brinca como se fosse um documentário, mas não é. Esta região de Koker sofreu um terremoto bem grave em junho de 1990 e até hoje, em 2020, a região nunca mais conseguiu se recuperar, tanto da miséria como dos destroços. Kiarostami faz de maneira brilhante um filme onde documenta a tragédia, como cria diálogos e relações de uma delicadeza ímpar, levantando questões como religião, problemas sociais e alienação. Farhad Kheradmand, que interpreta o personagem principal, consegue levar o filme muito bem, que é cheio de cenas com significados fortes e tem um desfecho perfeito com o que o filme propõe.