terça-feira, 28 de julho de 2026

COMO FOTOGRAFAR UM FANTASMA

Título Original: How to Shoot a Ghost
Diretor: Charlie Kaufman
Ano: 2025
País de Origem: Grécia
Duração: 27min
Nota: 10

Sinopse: Dois jovens recém-mortos se encontram nas ruas de Atenas, em meio à paisagem urbana pulsante e aos fantasmas da história. Um tradutor, o outro fotógrafo, eles eram estranhos na vida; na morte, eles lutam com o resíduo de seus anseios e erros. Eles vagam pela cidade juntos, encontrando consolo na difícil beleza da existência e suas consequências.
 
Comentário: 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A GUERRA DOS MUNDOS: PRÓXIMO SÉCULO

Título Original: Wojna Swiatów: Nastepne Stulecie
Diretor: Piotr Szulkin
Ano: 1981
País de Origem: Polônia
Duração: 96min
Nota: 9

Sinopse: Polônia, época de Natal. Um grupo de marcianos hiperinteligentes e sanguinários toma o país e recruta o azarado apresentador de telejornal Iron Idem para ser a voz de sua máquina de propaganda. Mas, quando Iron ousa desviar da linha oficial, ele cria um inimigo ainda maior do que os alienígenas: o próprio Estado.
 
Comentário: Terceiro filme que assisto do diretor e é simplesmente impressionante a estética fotográfica que seus filmes têm. A fotografia estava muito à frente de seu tempo, em nenhum momento parece um filme datado no sentido estético. As narrativas de seus filmes também são elaborados demais, poéticas e audaciosas. Aqui vemos uma releitura do livro de H.G. Wells, mas ao mesmo tempo diferente de tudo o que já fizeram a respeito dele, com um ambiente que parece mesclar com o livro 1984 de Orwell. Krystyna Janda sempre merece uma menção em qualquer comentário de um filme em que faça parte, sempre deslumbrante. Piotr Szulkin merecia ter seu nome lembrado ao lado de grandes nomes da história do cinema, extremamente subestimado.

domingo, 26 de julho de 2026

O SUL

Título Original: El Sur
Diretor: Victor Erice
Ano: 1983
País de Origem: Espanha
Duração: 95min
Nota: 9

Sinopse: Uma mulher reflete sobre sua relação de infância com seu pai, tentando compreender a profundidade de seu desespero e a verdade de seus mitos.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Terceiro filme que assisto do diretor, este assisti na sequência do O Espírito da Colméia, e a qualidade se mantém intacta. Um filme com muito mais coisas nas entrelinhas, sobre cicatrizes que a vida não cura e ficam não resolvidas até o fim da vida. Se você não tem algo do tipo pode se considerar uma pessoa de sorte... ou talvez não. A complexidade da vida tratada com maestria por um dos melhores diretores que descobri nos últimos anos. O filme era para ter o dobro de tempo, mas foi encerrado por falta de orçamento para finalizá-lo pela produção. Erice conseguiu nos entregar um desfecho válido, mas fica aquela vontade de ver o que o diretor planejava para o restante da película, o que o sul traria para o filme. Um diretor que consegue transpor para a tela a vida da forma mais crua de uma maneira poética.

sábado, 18 de julho de 2026

O ESPÍRITO DA COLMÉIA

Título Original: El Espíritu de la Colmena
Diretor: Victor Erice
Ano: 1973
País de Origem: Espanha
Duração: 98min
Nota: 9

Sinopse: Em 1940, após assistir e ser traumatizada pelo filme de Frankenstein, uma sensível menina de sete anos, que mora em uma pequena aldeia espanhola, entra em seu próprio mundo de fantasia.
 
Comentário: Depois de assistir ao seu último filme arrebatador, Fechar os Olhos, já estava querendo me aprodundar mais no cinema de Victor Erice. Este filme foi outra grata surpresa, é excelente também, com várias camadas sobre cada personagem a serem exploradas a cada assistida. Ana Torrent, que interpreta Ana, nos presenteia com um dos trabalhos mais memoráveis de astros mirins. A narrativa demorou para me fisgar, parece que demora para mostrar para o que veio, mas consegue brincar com nossa cabeça e sentimentos como o outro filme que assisti do diretor. Há um diálogo entre fantasia e realidade que remete a própria dinâmica do cinema. A fotografia é linda e a condução meticulosa de Erice vale muito a pena. Uma pena que ele não lance filmes com intervalos menores de tempo.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

FOI APENAS UM ACIDENTE

Título Original: Yek Tasadof-e Sadeh
Diretor: Jafar Panahi
Ano: 2025
País de Origem: Irã
Duração: 103min
Nota: 10

Sinopse: Um mecânico humilde é assombrado pelo tempo em que foi torturado em uma prisão iraniana quando encontra um homem que suspeita ser o seu sádico carcereiro.
 
Comentário: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme é excelente, mas não parece um filme do Panahi, o que tira um pouco a expectativa que eu tinha no filme, lembra mais o cinema de um Rasoulof ou Farhadi. O personagem Hamid, interpretado por Mohamad Ali Elyasmehr rouba todas as cenas em que aparece e faz todo o sentido para mim. Tem coisas para mim que pareciam tão simples de resolver, mas é preciso ser iraniano para entender como os personagens tomam suas decisões. Assisti ao lado da minha esposa e sogra, ambas iranianas, e tive que dizer para elas que os persas são um povo civilizado demais. O final é o que faz o filme ter a força que tem, foi perfeito e dá a mensagem que precisa ser dada, é preciso por toda a civilidade de lado as vezes.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

CÃES DE CAÇA

Título Original: Les Meutes
Diretor: Kamal Lazraq
Ano: 2023
País de Origem: Marrocos
Duração: 94min
Nota: 7

Sinopse: Pai e filho nos subúrbios de Casablanca sobrevivem com pequenos crimes para uma máfia local. Quando um sequestro dá errado, eles devem encontrar uma maneira de se livrar do corpo.
 
Comentário: Vencedor do Prêmio do Juri na categoria Um Certo Olhar no Festival de Cannes. O filme é bem legal, mas acho que vai perdendo o ritmo para o final, vai deixando de ser um road movie para se tornar uma espécie de filme com ação desnecessária. Mas vale muito a assistida, a relação do pai com o filho e como as coisas vão se desmembrando e chegando a confusão em que se metem é bem interessante de assistir. Sem contar que o clima de Casablanca combina muito com a atmosfera do filme (foi uma das cidades mais estranhas que já estive). Direção competente demais e até certo ponto me lembrou do filme Foi Apenas um Acidente do Panahi, que foi exatamente o filme que eu assisti depois deste.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

ESTRANHA FORMA DE VIDA

Título Original: Extraña Forma de Vida
Diretor: Pedro Almodóvar
Ano: 2023
País de Origem: Espanha
Duração: 31min
Nota: 7

Sinopse: Depois de 25 anos separados, o rancheiro Silva cavalga pelo deserto para visitar seu velho amigo Jake. No entanto, no dia seguinte, a revelação da conexão dos dois homens com um crime local sugere que há mais no encontro deles.
 
Comentário: Indicado ao prêmio de Melhor Curta no Palma Queer no Festival de Cannes. É um bom curta, mas por um lado é meio americanizado demais e por outro é aquela coisa mirabolante demais do Almodóvar. Como já disse em vários textos anteriores, prefiro o diretor quando ele vai para narrativas mais pé no chão. Os atores convencem em vários momentos e não convence em outros. O mais estranho é pensar nisso como um curta espanhol, foi inteiramente filmado na espanha por um diretor espanhol, mas é um bang bang gay americano falado inteiramente em inglês... depois do Faroeste Spaguetti italiano estaríamos frente e um novo gênero: o faroeste paella? Vale a assistida, mas confesso que não me marcou muito na memória.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O SOL DE YUKI

Título Original: Yuki no Taiyô
Diretor: Hayao Miyazaki
Ano: 1972
País de Origem: Japão
Duração: 5min
Nota: 5

Sinopse: Piloto de série de TV baseado em um mangá original de Tetsuya Chiba, sobre uma garota de 10 anos chamada Yuki. Uma órfã que está sendo adotada por uma família.
 
Comentário: Com certeza minha nota mais baixa em toda a filmografia de Miyazaki, mas como avaliar um trailer? Porque é isso o que este "curta" é, um trailer com cenas desconexas de uma série de TV que nunca aconteceu, então não há uma linha narrativa de um curta metragem e sim uma apresentação de cenas esparsas apresentando os personagens. Então é bem regular, somente quem é fã do diretor vai se interessar em ver e apenas como curiosidade histórica. Mas tenho certeza que se a série tivesse sido produzida seria excelente, porque os personagens cativam mesmo por alguns minutos e sob a genialidade de Miyazaki seria hoje uma joia rara.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

UM SENSO DE HISTÓRIA

Título Original: A Sense of History
Diretor: Mike Leigh
Ano: 1992
País de Origem: Inglaterra
Duração: 26min
Nota: 9

Sinopse: Jim Broadbent escreveu e estrelou este curta-metragem dirigido por ninguém menos que Mike Leigh. Como membro da nobreza rural, o 23.º Conde de Leete tem o dever de manter e expandir suas terras. Filmado no estilo e na maneira de um documentário da BBC, Broadbent conta sua história familiar à equipe de filmagem, que aos poucos percebe — assim como nós — que as coisas não são o que parecem.
 
Comentário: Único filme que Mike Leigh dirigiu e que ele não escreveu. O roteiro e a atuação de Jim Broadbent estão simplesmente espetaculares aqui. O curta metragem é uma crítica ferrenha a nobreza britânica, mostrando que a riqueza tem seu lado sombrio. Conheço muito pouco do trabalho do diretor e confesso que adorei tudo que vi dele e aqui não é diferente. Simples e direto, cheio de pormenores e de um sarcasmo ímpar. Vale muito a pena a assistida. O estilo de documentário da BBC serve até para satirizar a própria emissora.

domingo, 5 de abril de 2026

PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO

Título Original: Pequeno Dicionário Amoroso
Diretor: Sandra Werneck
Ano: 1997
País de Origem: Brasil
Duração: 91min
Nota: 8

Sinopse: Luiza e Gabriel se conhecem por acaso e passam a se amar. Conforme o tempo passa, o sentimento que nutrem um pelo outro modifica, e a relação do casal passa por todas as possíveis fases em uma relação amorosa. Construído através de palavras, em ordem alfabética, o romance deles ilustra a pluralidade de sentimentos dentro de uma relação, e os dilemas da vida a dois..
 
Comentário: Adorei o filme quando assisti lá no começo dos anos 2000, revisitando posso dizer que o filme continua muito bom. Andrea Beltrão e Daniel Dantas são gigantes, atores de primeira grandeza e levam seus papéis com profundidade e leveza. Confesso que não gosto muito do final, mas o desenrolar do filme e a escolha narrativa de como fazê-lo ainda funciona quase 30 anos depois. Tony Ramos tem um papel meio datado e tosco, mas funciona dentro da história. Teve horas que eu quis dar uns tapas na cara do Daniel Dantas e tinha horas que eu o entendia completamente. Quero ver a continuação.