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quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

O CROCODILO

Título Original: Il Caimano
Diretor: Nanni Moretti
Ano: 2006
País de Origem: Itália
Duração: 108min
Nota: 9

Sinopse: Bruno Bonomo foi um festejado diretor de filmes B. Hoje, porém, não consegue emplacar um projeto, até que chega às suas mãos uma sátira política sobre um primeiro-ministro desonesto. No entanto, as semelhanças da ficção com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi podem fazer com que os investidores desistam do projeto.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor de dois prêmios fora da competição principal no Festival de Cannes. Quando me mudei para a Itália pela primeira vez este filme estava em cartaz nos cinemas, lembro que todo mundo estava comentando sobre ele e agradeço que eu não tenha ido ver naquela época em que sabia muito pouco sobre política mundial, hoje pude aproveitar muito mais. É impressionante como Berlusconi iniciou na política uma era de bufões estúpidos cheio da grana, as diferenças entre ele e o Trump são quase inexistentes, o que faz o filme ainda ter a mesma força que tinha há quase vinte anos em sua estreia, continua tão atual quanto. A direção de Moretti é sempre ótima, mas o elenco aqui se destaca ainda mais, Silvio Orlando está perfeito e a novata Jasmine Trinca, que se tornou uma atriz excepcional, já demonstra força suficiente nas cenas em que aparece. Percebo que o diretor é meio obcecado com narrativas sobre divórcio.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

EM SEGREDO

Título Original: Grbavica
Diretora: Jasmila Zbanic
Ano: 2006
País de Origem: Bósnia e Herzegovina
Duração: 90min
Nota: 7

Sinopse: Mulher e filha adolescente vivem em Sarajevo, no pós-guerra dos Balcãs. Assim como a cidade, tentam reconstruir suas vidas depois da violência que sofreram. A menina pensa que seu pai é um herói de guerra, mas a verdade sobre ele vem à tona.


Comentário: Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Confesso que esperava mais, já que o outro filme que assisti da diretora (Quo Vadis, Aida?) é um dos filmes mais arrebatadores que assisti na minha vida. É muito inferior ao filme mais recente da diretora, há cenas e narrativas que funcionam muito bem, mas há coisas que parecem perdidas e que não acrescentam nada. Filme de estreia da Luna Zimic Mijovic, que chegou até a quebrar a perna fazendo a cena da briga no futebol, ela realmente um dos pontos altos. A história do filme tem muito haver com alguém que me envolvi na minha vida, por isso acho que me tocou mais do que a maioria dos espectadores. O "segredo" do filme é muito óbvio desde o começo, portanto achei desnecessário deixar a revelação só para o final, podiam ter trabalhado mais o debate de tudo. Um bom filme, já mostrava a competência que a diretora iria atingir.

sábado, 18 de março de 2023

QUARTA-FEIRA DE FOGOS DE ARTIFÍCIO

Título Original: Chaharshanbe-soori
Diretor: Asghar Farhadi
Ano: 2006
País de Origem: Irã
Duração: 102min
Nota:  10

Sinopse: Na última quarta-feira antes do solstício da primavera inaugurar o Nowruz, as pessoas soltam fogos de artifício seguindo uma antiga tradição persa. Rouhi, passando seu primeiro dia em um novo emprego, encontra-se no meio de um tipo diferente de fogos de artifício - uma disputa doméstica entre seu novo chefe e sua esposa.
 
Comentário: Resolvi assistir exatamente no Chaharshanbe-soori deste ano (2023), já que o Nowruz (Ano Novo do calendário persa acontece agora segunda feira dia 20 de março). Achei um dos melhores filmes do Farhadi, não pela história em si, mas pela incrível capacidade de transformar um dia cotidiano em uma narrativa frenética que não fica devendo em nada para o Alfred Hitchcock. Quase que um prelúdio do A Separação, mas este é mais mundano, corriqueiro, enquanto o outro é uma crítica mais sagaz a sociedade religiosa do Irã. Elenco está fantástico, os detalhes vão sendo construídos em conta gotas e a tensão é crescente, não é a toa que o diretor já ganhou dois Oscar de filme estrangeiro e coleciona premiações pelo mundo. Um dos meus preferidos dele.

sexta-feira, 10 de março de 2023

O CHEIRO DO RALO

Título Original: O Cheiro do Ralo
Diretor: Heitor Dhalia
Ano: 2006
País de Origem: Brasil
Duração: 100min
Nota:  8

Sinopse: Lourenço é proprietário de uma loja de penhores e se sustenta desenvolvendo um jogo perverso com seus clientes, geralmente em dificuldades financeiras. Tudo muda quando ele conhece uma garçonete e começa a perder o controle de sua vida.

Comentário: Indicado para o Festival de Sundance e ganhador de vários prêmios em festivais nacionais (Festival Internacional de São Paulo, Rio de Janeiro e Prêmio Guarani). Nunca tinha visto, sempre me falaram que eu lembro o Selton Mello neste filme, espero que seja mais de aparência, apesar de já ter me apaixonado por uma bunda. Ok, eu tenho um certo grau de excentricidade, mas o personagem é nojento demais e sei que passa longe de mim neste quesito. Dá raiva! Selton Mello brilha em vários momentos, mas acho que há outros que ele força demais e não funciona, fica meio falso. O filme é bem louco, típico do Mutarelli. Interessante ver que o diretor tem duas obras baseadas em histórias em quadrinhos na sua carreira, gostei mais deste filme, talvez porque não tenha lido. Tungstênio eu li e prefiro mais a HQ mesmo, apesar do trabalho sempre competente do diretor. Paula Braun está uma graça no filme, conquista todo mundo com ou sem a bunda. No geral, gostei bastante, mais pelo nível de ousadia do roteiro do que qualquer outra coisa. Não é algo que vemos com frequência em nenhum cinema mainstream.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

VERMELHO COMO O CÉU

Título Original: Rosso Come Il Cielo
Diretor: Cristiano Bortone
Ano: 2006
País de Origem: Itália
Duração: 96min
Nota: 10

Sinopse: Anos 70. Mirco (Luca Capriotti) é um garoto toscano de 10 anos que é apaixonado pelo cinema. Entretanto, após um acidente, ele perde a visão. Rejeitado pela escola pública, que não o considera uma criança normal, ele é enviado a um instituto de deficientes visuais em Gênova. Lá descobre um velho gravador, com o qual passa a criar histórias sonoras.

Comentário: Baseado na história real de Mirco Mencacci, premiado editor de som do cinema italiano, e vencedor de todos os 19 prêmios a que foi indicado. A película é das coisas mais doces que eu já assisti, apesar dos problemas técnicos de continuidade do filme (Em uma cena Francesca está usando saias, que se transformam em calças e que voltam a ser uma saia quase que de maneira sobrenatural), o filme é de uma leveza e tão simples que é até estranho a forma que ele consegue nos emocionar. O diretor não enrola, conta de maneira rápida tudo aquilo que tem para contar, um filme direto, mas que consegue fazer tudo sem nenhum orçamento exorbitante de Hollywood. As crianças trabalham maravilhosamente bem e a cena final é de tirar uma lágrima. Trilha sonora excelente.