sábado, 12 de março de 2022

LICORICE PIZZA

Título Original: Licorice Pizza
Diretor: Paul Thomas Anderson
Ano: 2021
País de Origem: EUA
Duração: 133min
Nota:  10

Sinopse: Gary (Cooper Hoffman) e Alana (Alana Haim) se conhecem por acaso no Vale de San Fernando, em 1973. Apesar de ser dez anos mais novo, Gary não faz questão alguma de esconder seu interesse por Alana, que passa a sentir algo que não consegue compreender pelo rapaz. Ele, precoce, leva uma vida agitada como ator e empreendedor, mas sem deixar de lado as peripécias com os amigos. Ela, em constante conflito consigo mesma e todos que a rodeiam, ainda não encontrou qual rumo seguir. Gary e Alana, enquanto vagam pela ensolarada Califórnia em meio a inúmeros tumultos, serão forçados a confrontar a complexidade traiçoeira do primeiro amor.

Comentário: Os filmes do PT Anderson vão ter sempre um espaço aqui. Esta é uma obra mais "fácil" do diretor, acho que consegue atingir um maior número de pessoas, mas se engana quem acha que é menos densa que seus outros filmes. Podemos ver vários conflitos da batalha que é crescer, se aceitar, e tentar escolher caminhos que nem sempre nos levarão para algum lugar. Muito do filme deve ter algo biográfico do próprio Anderson, do que creseu naquela Los Angeles dos anos 70. O próprio filme me remeteu as aulas sobre a crise do petróleo e fez eu perceber como a instituição de ensino é uma entidade falida, como eu passei tanto tempo na escola e não serviu de praticamente nada, aprendi muito mais vivendo. O filme é sobre isso e muito mais, temos várias referências, como Sean Penn interpretando um William Holden com outro nome. Apesar de tudo isso não deixa de ser uma comédia romântica bobinha, como nos anos 80, que minha irmã tanto adorava. Quando o filme acabou eu me debulhei em lágrimas por motivos pessoais, por me remeter a tanta coisa da minha vida. Acho que é daqueles filmes ame ou odeie... eu amei.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

LA GOMERA - A ILHA DOS ASSOBIOS

Título Original: La Gomera
Diretor: Corneliu Porumboiu
Ano: 2019
País de Origem: Romênia
Duração: 97min
Nota:  8

Sinopse: História de um policial romeno que tem a missão de libertar um empresário desonesto da prisão, que envolve o aprendizado da linguagem local codificada, conhecida como El Silbo.

Comentário: Que filme divertido, me espantou ver tanta gente falando mal. Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes, não se encaixa muito no perfil da premiação e talvez por isso o pessoal tenha torcido o nariz. Tem uma linguagem mais de filmes comerciais, porém é muito bem construído, com um ritmo que nao decepciona e contado de maneira não linear, com um pé em Tarantino, mas nem um pouco pretensioso. Vlad Ivanov está muito bem no papel do policial corrupto e Catrinel Marlon parece saída de um filme do 007. Acho que o final podia ter ficado mais aberto, em um estilo "Antes do Amanhecer", talvez o desfecho fechado seja o pior que o filme entrega, mas valeu a assistida para mim. Belíssima trilha sonora!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

UM HERÓI

Título Original: Ghahreman
Diretor: Asghar Farhadi
Ano: 2021
País de Origem: Irã
Duração: 128min
Nota:  10

Sinopse: Rahim está na prisão devido a uma dívida que não pôde pagar. Durante uma licença de dois dias, ele tenta convencer o seu credor a retirar a sua queixa contra o pagamento de parte da soma. Mas as coisas não correm de acordo com o plano.

Comentário: Vencedor do Grand Prix no Festival de Cannes, é um Farhadi em sua melhor forma. O filme consegue debater e criar reflexões sobre diversos assuntos em suas duas horas. É uma crítica a sociedade iraniana, mas também é uma crítica a sociedade imediatista da internet e smartphones, onde a cada momento sua história pode ser alterada. É uma crítica a mídia e a própria sociedade do entretenimento. O filme conseguiu me deixar nervoso como em todos do diretor, e é definitivamente o filme que tem mais a dizer coisas de toda a carreira do mesmo. Os atores estão ótimos e há cenas que vão desde a tensão, humilhação, raiva, agonia... e por aí vai. A parte técnica eu nem preciso dizer, ótimas atuações e um roteiro que trás muitas coisas nas entrelinhas para quem for atento. Não vou falar mais para não dar spoilers. Me espanta o filme ter sido completamente esnobado no Oscar, mas quem é que liga para essa premiaçãozinha?

sábado, 5 de fevereiro de 2022

CÃES NÃO USAM CALÇAS

Título Original: Koirat Eivät Käytä Housuja
Diretor: J.-P. Valkeapää
Ano: 2019
País de Origem: Finlândia
Duração: 100min
Nota:  8

Sinopse: Juha perdeu sua esposa em um acidente de afogamento. Anos depois ele ainda se sente entorpecido e incapaz de se conectar com as pessoas. Conhecer Mona, uma dominatrix, muda tudo..

Comentário: O filme me lembrou bastante o mexicano Ano Bissexto, apesar de ser uma versão mais pop, pois sua contraparte latina é mais crua, pesada e triste. Não significa que este filme não tenha seus momentos de crueza, peso e tristeza, mas é esteticamente mais bonito, tem um certo padrão de filme americano. As cenas de Juha tentando se prender as memórias da esposa são tristíssimas. Os atores fazem o filme funcionar, a dupla, por mais estranha que pareça conseguiu forjar uma química legal. Há muita coisa que ficou aberta e que podia ser mais bem trabalhada em inúmeros pontos, a relação de Juha com a filha é só uma delas. O desfecho me deixou com sentimentos divididos, mas deu pra entrar no clima. O filme só se perde quanto tenta emular alguns pontos do cinema hollywoodiano, no restante fez um bom filme. Krista Kosonen rouba as cenas em que aparece, uma atriz que merece muito mais do que ser figurante de Blade Runner.

domingo, 30 de janeiro de 2022

ATAQUE DOS CÃES

Título Original: The Power of the Dog
Diretor: Jane Campion
Ano: 2021
País de Origem: Nova Zelândia   
Duração: 128min
Nota:  9

Sinopse: O filme acompanha os irmãos Phil (Benedict Cumberbatch) e George (Jesse Plemons), que são ricos proprietários da maior fazenda de Montana. Enquanto o primeiro é brilhante, mas cruel, o segundo é a gentileza em pessoa. Quando George secretamente se casa com a viúva local Rose (Kirsten Dunst), o invejoso Phil faz tudo para atrapalhá-los.

Comentário: O filme tem mais camadas do que cebolas, são camadas em cima de camadas, cada personagem é um universo único cheio de ramificações e isso assusta. É impossível entender todos os detalhes de suas ações e emoções, exatamente como no mundo real, eu nunca tinha visto isso no cinema elevado em um grau tão exorbitante assim, pelo menos não que eu me lembre. A gente só consegue fechar alguns buracos com nossa imaginação, mas fazendo isso continuamos sem certeza de nada. Achei a personagem da Kirsten Dunst meio exagerada no filme e só fui identificar o Keith Carradine depois. Todo mundo falando da atuação do Cumberbatch, que realmente é incontestável de boa, mas para mim Kodi Smit-McPhee rouba a cena, o garoto mais conhecido por interpretar o Noturno dos X-Men nos filmes mais recentes da franquia simplesmente foi espetacular. Parte técnica eu nem preciso falar aqui, foi um show a parte.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

O LAGO DO GANSO SELVAGEM

Título Original: Nan Fang Che Zhan De Ju Hui      
Diretor: Yi'nan Diao
Ano: 2019
País de Origem: China
Duração: 111min
Nota:  8

Sinopse: Quando o líder de uma gangue de motoqueiros decide fugir da guerra sangrenta entre gangues em que estava envolvido, ele conhece uma mulher que o entende perfeitamente. Uma prostituta, e ela daria qualquer coisa para recuperar sua liberdade. Ambos em um momento sem saída, eles se unem e apostam com o destino uma última vez na vida.

Comentário: Belo filme indicado ao Palma de Ouro no Festival de Cannes. O diretor brinca com vários gêneros que vão de ação, drama, noir e romance. A parte técnica é perfeita e o ritmo ajuda bastante. É engraçado como durante a película esquecemos completamente que o personagem principal não é bem um mocinho, mas sim um criminoso sem muitos escrúpulos, e este é um trunfo bem interessante do filme, pois ele manipula intencionalmente a percepção do espectador. As atuações são ótimas, mas é um filme de imagens, mesmo quando a iluminação é escura. Há alguns clichês durante todo o filme, mas o ritmo ajuda a amenizar isso. Gostei bastante. 

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

O SILÊNCIO DO RIO

Título Original: El Silencio Del Río
Diretor: Francesca Canepa
Ano: 2020
País de Origem: Peru
Duração: 13min
Nota:  7

Sinopse: Acompanhamos o mundo onírico de um menino de 9 anos, morador de uma casa flutuante no rio Amazonas, que quer ser um contador de histórias. Para ele, a alma do pai está confundida, pois dorme durante o dia e vive durante a noite, momento que sai para pescar. Nesta fabulação, os mistérios dos sonhos são mesclados com a vivência cotidiana. Em uma noite, o filho sai a procura do pai.
 
Comentário: Apesar do clima meio confuso, o curta é muito bonito de se assistir, com cenas que enchem os olhos. O elenco e a qualidade técnica é incontestável, mas parece que faltou algo, talvez uns minutos a mais. Ou seja porque tem tanto para se contar neste curta que eu queria um filme inteiro. Não sei se funcionou em um espaço tão curto de tempo. Queria mais, bem mais. Gostei bastante e vou ficar de olho em futuros projetos desta diretora. Quem sabe ela não trabalhe mais o tema com mais tempo em um futuro próximo? As cenas de noite, apesar de muito escuras deram um tom certo, me encantou.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

JARDIM DAS HORAS

Título Original: Jardim das Horas        
Diretor: Matheus Piccoli
Ano: 2020
País de Origem: Brasil
Duração: 19min
Nota:  8

Sinopse: Numa tarde, uma filha e um pai se reencontram, descobrindo um no outro o que os aproxima e o que os distancia.

Comentário: O curta metragem encanta. É muito bem feito, gostei dos atores, das imagens, enquadramentos e do ritmo. Achei que faltou um pouco mais de emoção, já que é sobre essa doença terrível que é o Alzheimer, algumas situações ficaram mecânicas demais. Faltou explorar mais a relação entre os dois personagens. Ficam perguntas como: Ela mora com ele e só estava fingindo estar de passagem? Qual a relação entre eles antes? Ele teve realmente um filho ou só uma filha? É legal tentar tapar alguns buracos com detalhes que estão soltos nas entrelinhas, outros acho que podiam estar mais explícitos. Vale muito a pena assistir, quero mais curtas e filmes desse diretor.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

COLMÉIA

Título Original: Zgjoi
Diretor: Blerta Basholli
Ano: 2021
País de Origem: Kosovo
Duração: 83min
Nota:  10

Sinopse: O marido de Fahrije está desaparecido desde a guerra em Kosovo. Ela abre seu próprio pequeno negócio para sustentar seus filhos, mas enquanto luta contra uma sociedade patriarcal que não a apoia, ela enfrenta uma decisão crucial.

Comentário: Filme vencedor do Festival de Sundance, demorei para escrever porque até agora coisas ainda martelam na minha cabeça. É um filme simples, mas extremamente forte. Retrato de uma sociedade tão diferente da nossa, de maioria muçulmana e machista. A entrega ao papel de todas as atrizes é impressionante de tão realista. As cenas que mais me chamaram a atenção são os momentos de calmaria e felicidade das mulheres em meio a uma vida tão caótica e triste. Os fantasmas do conflito e as cicatrizes que causam estão presentes em cada segundo da película e consegue passar, dentro do possível, o horror que é a guerra. Um filme sobre o empoderamento que qualquer um que se importa com o feminismo tem que assistir. Agora estou com vontade de provar ajvar, tenho um amigo da Macedônia que confirmou que é uma delícia, procurar em algum mercado.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

VOCÊ NÃO ESTAVA AQUI

Título Original: Sorry We Missed You
Diretor: Ken Loach
Ano: 2019
País de Origem: Inglaterra
Duração: 101min
Nota: 4

Sinopse: Após a crise financeira de 2008, Ricky e sua família se encontram em situação financeira precária. Ele decide adquirir uma pequena van, na intenção de trabalhar com entregas, enquanto sua esposa luta para manter a profissão de cuidadora. No entanto, o trabalho informal não traz a recompensa prometida, e aos poucos os membros da família passam a ser jogados uns contra os outros.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes, é o filme com a nota mais baixa até agora aqui no blog e talvez o texto fique comprido para eu explicar porque. Primeiramente, eu adoro o Ken Loach, mas este entrou para o único filme que assisti dele que não gostei. A nota não é mais baixa pela parte técnica e pelo elenco que se entrega muito bem a proposta, também é válida a discussão que abre contra o neoliberalismo que vem destruindo a forma de trabalho de um modo geral. Se o filme fosse nos Estados Unidos até dava para acreditar em alguma coisa, mas eu moro na Inglaterra, tenho uma merda de emprego de 60 horas semanais em uma empresa multibilionária que eu não vou falar o nome. São tantas coisas no filme que são exageradas, que são forçadas em um dramalhão completamente inexistente que não sei nem por onde começar. No filme vemos uma empresa de entrega cheio de britânicos trabalhando, a equipe que eu trabalho (não é na entrega, mas na expedição de pedido) não tem praticamente nenhum britânico (romenos, lituanos, brasileiros e paquistaneses são uma grande maioria, seguidos de africanos e poloneses), até no quadro de gerentes os nativos são minoria. Dependendo do estado que o funcionário vai trabalhar a empresa seria fechada na hora, sem importar se é a pica das galáxias, as leis trabalhistas são duras aqui. Eu tenho o trabalho que ganha menos e consigo pagar minha dívida no banco no Brasil, todas as contas aqui (aluguel, energia, água, internet, impostos, alimentação e mais um livro que compro por semana) e todas as contas da minha esposa que está em Teerã. Isso tudo com só eu trabalhando, fico imaginando um casal, isso sem contar toda a ajuda que o governo dá para as crianças. Com a minha experiência por aqui não teve como levar o filme a sério, como uma obra realista como muita gente disse em comentários, não passa de um novelão mexicano tipo Maria do Bairro.