domingo, 12 de setembro de 2021

SUBMARINO

Título Original: Submarino
Diretor: Thomas Vinterberg
Ano: 2010
País de Origem: Dinamarca
Duração: 110min
Nota: 7

Sinopse: Uma história sobre dois irmãos separados, marcada por uma infância sombria. Eles foram separados um do outro quando eram jovens depois de uma tragédia que dividiu a família. Hoje, a vida de Nick está encharcada de álcool e atormentada pela violência, enquanto seu irmão mais novo, um pai solteiro, luta como um viciado para dar a seu filho uma vida melhor. Seus caminhos se cruzam, tornando o confronto inevitável, mas a redenção ainda é possível?

Comentário: Filme indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Não sou um grande conhecedor dos filmes do Vinterberg, falha minha, mas lembro de assistir o seu cultuado Festa de Família lá no final dos anos noventa e lembro que foi um filme que mexeu bastante comigo. Este não foi diferente no quesito mexer comigo, mas está longe de chegar perto da obra prima do diretor. O decorrer é lento e de em alguns momentos parece que o filme não nos leva a lugar nenhum e tenta ficar nos chocando com situações que talvez não precisasse, mas o final foi catártico para mim por puro motivo pessoal mesmo. Lágrimas brotaram do meus olhos meio que de maneira inconsciente, de um jeito diferente que de outros filmes. Talvez haja algumas falhas na narrativa, lacunas que poderiam ser mais exploradas, mas o resultado final é acima da média, com excelentes atuações que revezam o protagonismo e com a direção competente do Vinterberg que é a cereja no bolo. As ligações de eventos que se entrelaçam nas duas histórias foi uma sacada muito boa, dá pra ir construindo a linha do tempo das coisas. Talvez o fato de estar morando na Europa e ver tanto usuário de drogas pesadas e injetáveis, que parece ser comum por aqui, tenha me aproximado mais do filme.

domingo, 5 de setembro de 2021

EM PEDAÇOS

Título Original: Aus Dem Nichts
Diretor: Fatih Akin
Ano: 2017
País de Origem: Alemanha
Duração: 106min
Nota: 9

Sinopse: Katia Sekerci é uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco Nuri, e do filho de 7 anos. Um dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada no escritório do marido. Desesperada, Katia decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista.

Comentário: Vencedor dos prêmios de melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro e de melhor atriz no Festival de Cannes, Diane Kruger dá um show aqui de interpretação. Um filme que vale a pena ser visto pelo dedo na ferida que cutuca sobre o racismo velado que ainda existe na Alemanha, se atentem a relação entre a personagem principal e a mãe em algumas cenas, por exemplo. Para um mundo que vê se tornando cada vez mais dividido de novo por questões étnicas e políticas, este filme se torna extremamente necessário, pois são as vidas de inocentes que sempre estarão na linha de frente. Há algumas conveniências para o roteiro chegar onde quer, acho que podiam ter trabalhado mais nisso para o filme merecer um dez. São detalhes que durante o filme não faz a menor diferença, vale muito a assistida e preparem o psicológico. PS: fogo nos fascistas!

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

O PÃO E O BECO

Título Original: Nan va Koutcheh
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1970
País de Origem: Irã
Duração: 10min
Nota: 8

Sinopse: A caminho para casa, de volta da aula, um garoto se depara com um cão nada amigável que impede a sua passagem por um beco. Primeiro filme de Abbas Kiarostami, este curta já mostra, com graça e poesia, a sensibilidade do autor para com os temas que exploraria mais tarde em profundidade.

Comentário: Kiarostami era um gênio! Já no primeiro trabalho ele mostra isso. Um curta simples, com a história mais batida e simples possível, mas ainda assim um verdadeiro deleite para os sentidos. O mundo infantil, onde ele mostraria toda a sua maestria no filme "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", nos é introduzido aqui como um aperitivo. Em dez minutos ele consegue nos passar suspense, apreensão, companheirismo, simplicidade, risos... e o que mais estiver disposto a extrair. A vida cíclica, Ouroboros: a serpente que come o próprio rabo, o infinito. Detalhe para a mulher que passa rapidamente com a tradicional vestimenta muçulmana em um Irã pré-revolução, mostrando que a religião está enraizada nas entranhas do país já antes do desastre que foi 1979.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

VERÃO NA CIDADE

Título Original: Summer in the City
Diretor: Wim Wenders
Ano: 1971
País de Origem: Alemanha
Duração: 113min
Nota: 7

Sinopse: O filme de estreia raramente exibido de Wenders e seu projeto de final de curso para a Universidade de Televisão e Cinema de Munique, anuncia a promessa de um verdadeiro autor. Batizado com o nome de uma canção da banda Lovin 'Spoonful e dedicado a The Kinks, o filme de Wenders observa um forasteiro solitário, um ex-presidiário, despejado sem cerimônia em uma sociedade que parece responder com indiferença fria. Enquanto ele vagueia de Munique a Berlim, Wenders observa, “o caminho do herói é uma rota de fuga, impulsionado pela esperança de encontrar um caminho de volta para si mesmo por meio do mero movimento da viagem”.

Comentário: Talvez não tenha todo o brilhantismo do Wenders, mas é o seu primeiro trabalho e já mostra algumas genialidades principalmente na parte técnica. Há tomadas de câmera maravilhosas por todo o filme, a trilha sonora é absurdamente boa e a narrativa tem seus pontos altos. Achei que o filme se estende demais, poderia ter tido alguns desenvolvimentos melhores, mas no geral é um bom filme. Hanns Zischler consegue entrar bem no papel do ex-presidiário calado em constante fuga do seu passado ao mesmo tempo em que o revisita. É interessante por ser meio que um road-movie urbano. Só não entendi que espécie de sinuca era aquela que ele aparece jogando com o próprio diretor. Recomendo só para quem é fã do diretor e quer conhecer toda sua obra.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

MAIS UM ANO

Título Original: Another Year
Diretor: Mike Leigh
Ano: 2010
País de Origem: Inglaterra
Duração: 129min
Nota: 8

Sinopse: Primavera, Verão, Outono e Inverno. É assim que a vida pacata de um casal de meia idade passa calmamente ao sabor dos anos. São felizes e de bem com a vida, contrastando com a frustração de amigos e parentes que os cercam. Mike Leigh encanta de novo, pois retrata com maestria tanto os bem sucedidos, unidos, esperançosos, tanto quanto os fracassados, solitários, sem esperança alguma de felicidade. Mike Leigh faz filme para poucos, àqueles que gostam de se maravilhar com um pouco das banalidades e sutilezas da vida.

Comentário: Uau! indicado ao Palma de Ouro em Cannes, onde faturou o prêmio do juri ecumênico, é com certeza um dos melhores filmes daquele ano e vale muito a assistida. É um filme sobre a vida, sobre as banalidades, sobre as alegrias e tristezas que vem com ela. Personagens completos e outros completamente despedaçados. A vida não trata todo mundo de maneira igual, para alguns ela vem em um nível hard demais. Leslie Manville rouba a cena, mas por mais que seja uma personagem insuportável, há momentos em que dá vontade de abraçá-la e dizer que tudo vai ficar bem, mesmo que seja mentira. A piada interna, que talvez só quem tenha morado na Inglaterra tenha entendido, de que o casal cozinha sua própria comida (acho que isso não existe por aqui) e todo mundo faz questão de comentar. A comida na Inglaterra é horrível, e até hoje não conheci um inglês que cozinhe sua própria comida, é um povo que vive de delivery. Os personagens são profundos demais, mesmo quando não tem muito tempo em tela. Filme acima da média.

sábado, 14 de agosto de 2021

ELLE

Título Original: Elle
Diretor: Paul Verhoeven
Ano: 2016
País de Origem: França
Duração: 130min
Nota: 10

Sinopse: Michèle (Isabelle Huppert) é a executiva-chefe de uma empresa de videogames, a qual administra do mesmo jeito que administra sua vida amorosa e sentimental: com mão de ferro, organizando tudo de maneira precisa e ordenada. Sua rotina é quebrada quando ela é atacada por um desconhecido, dentro de sua própria casa. No entanto, ela decide não deixar que isso a abale. O problema é que o agressor misterioso ainda não desistiu dela.

Comentário: Filme indicado ao Palma de Ouro e ganhador do Globo de Ouro nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Filme Estrangeiro. Fazia tempo que eu não ficava nervoso assim em um filme... PeloamordeDeus!!!! Já começa pesado e depois vai virando um mergulho profundo na sociopatia humana. Teve momentos que me remeteu ao Trama Fantasma, pela relação doentia que os personagens vão criando entre si. Isabelle Huppert é rainha, então nem preciso falar que ela está foda demais no papel. Verhoeven é realmente um diretor de altos e baixos, faz umas coisas maravilhosas e outras desgraças que é melhor esquecer, arrisco a dizer que esta película é sua Magnum opus. O clima de suspense é muito bem construído, ando tentando evitar filmes que me deixam comendo as unhas, mas este valeu cada segundo.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

REFLEXÕES DE UM LIQUIDIFICADOR

Título Original: Reflexões de um Liquidificador
Diretor: André Klotzel
Ano: 2010
País de Origem: Brasil
Duração: 80min
Nota: 7

Sinopse: Um filosófico liquidificador nos conta de sua amizade com Elvira, uma dona de casa que passa por um momento agitado em sua vida. Seu marido, Onofre, desapareceu há alguns dias, e ela decide ir à policia dar queixa do sumiço. Em meio a reflexões sobre a vida e as diferenças entre os objetos e os seres humanos, o liquidificador nos conta como tudo começou.

Comentário: Um filme bizarro que no mínimo merece a assistida. Ana Lúcia Torre da um show de atuação e a voz de Selton Mello caiu como uma luva para o liquidificador, o roteiro parece um livro perdido da autora Vanessa Bárbara com tiradas cômicas e diálogos inteligentes. Aos poucos alguns elementos estranhos vão sendo inseridos na história que vai mudando o rumo sem que você realmente perceba até o desfecho chocante (não é spoiler) que desde o começo você sabe que vai acontecer,  mas consegue te chocar mesmo assim. Parece aquele tipo de filme que pode assistir com sua avó em uma Sessão da Tarde, mas não se engane, não é. Direção competente que prova que não se fazem bons filmes só com orçamentos milionários.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL

Título Original: Absolutely Anything
Diretor: Terry Jones
Ano: 2015
País de Origem: Inglaterra
Duração: 85min
Nota: 6

Sinopse: Neil (Simon Pegg), um professor desiludido com a vida, vê sua vida mudar após ser atropelado por uma van e ser atingido por um raio alienígena que lhe dá poderes mágicos. Com eles, Neil pode fazer tudo que quiser: desde calar a boca de seus alunos até ressuscitar pessoas! O problema é saber utilizar as palavras certas para conseguir o que ele quer. O uso dessas novas habilidades vai gerar uma série de confusões.

Comentário: Último filme do mestre Terry Jones (ele chegou a fazer um documentário depois desse antes de falecer em 2020). Esta película passa longe de fazer jus a um dos emblemáticos membros do Monty Python, acho que o humor do Douglas Adams (escritor) só funciona na escrita, nenhum de seus textos, que são maravilhosos e engraçados, funcionaram para mim quando transpostos para a tela. A química do casal é forçada e não funciona, a personagem da Kate Beckinsale é a típica vizinha gostosa que o nerd merece possuir pelo simples fato de ser o protagonista e a história ser escrita pelo nerd que quer uma vizinha gostosa. Seria bom pra variar se o nerd caísse na real e desse um chega pra lá nela no final. O que funciona é a relação dele com o cachorro (dublado por Robin Williams em seu último papel) e a convenção de alienígenas (dublados pelos membros remanescentes do Monty Python, juntos uma última vez). O filme, como podem notar, serve mais como nostalgia de um tempo em que a comédia era mais engraçada. Simon Pegg (que as pessoas insistem que é a minha cara) continua tendo um carisma como poucos e faz o filme funcionar.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

EM UM MUNDO MELHOR

Título Original: Hævnen
Diretor: Susanne Bier
Ano: 2010
País de Origem: Dinamarca
Duração: 117min
Nota: 9

Sinopse: Anton (Mikael Persbrandt) é um médico que trabalha em um campo de refugiados em um lugar qualquer da África. Na Dinamarca, seu país natal, estão sua mulher Marianne (Trine Dyrholm) e seus dois filhos, Elias (Markus Rygaard) e Morten (Toke Lars Bjarke). Paralelamente, acompanhamos a história do garoto Christian (William Jøhnk Nielsen) que emigra para a Dinamarca, ao lado de seu pai Claus (Ulrich Thomsem) logo após a morte da mãe. Dois mundos distintos que irão se cruzar.

Comentário: Vencedor do Oscar e do Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro, um prêmio que acho merecidíssimo. Dos filmes deste ano, achei este o melhor entre todos eles, porque mesmo com uma linguagem mais comercial, consegue abranger uma infinidade de coisas pertinentes para a história e para o espectador: luto, bullying, comportamento social, guerra, vingança, sociopatia, até onde o ser humano chega para romper com seus princípios, e por aí vai... é tanta coisa que o filme passa que posso escrever um texto de páginas. Cópia Fiel, do Kiarostami, por exemplo, tem um roteiro bem mais elaborado em alguns aspectos, mas não conseguiu me atingir como este. E que soco no queixo que é este filme. Ulrich Thomsen, em um papel menor, consegue mostrar o quão gigante é fazendo qualquer coisa. Uma pena que a diretora, que fez recentemente o Caixa de Pássaros para o Netflix, tenha se rendido aos filmes comerciais americanos, podia ter tido uma carreira mais interessante. Um filme forte, pesado e que cumpre muito bem o que propõe. Recomendo.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

JIMMY'S HALL

Título Original: Jimmy's Hall
Diretor: Ken Loach
Ano: 2014
País de Origem: Irlanda
Duração: 109min
Nota: 8

Sinopse: A história de Jimmy Gralton, figura-chave do Grupo de Trabalhadores Revolucionários que deu origem ao atual Partido Comunista Irlandês. Gralton gerou discórdia ao inaugurar um espaço para as pessoas debaterem, aprenderem e sobretudo, dançarem. A trama retoma o período em que o rapaz volta a seu país natal, após ter passado dez anos em Nova York.

Comentário: O filme foi indicado a Palma de Ouro em Cannes, mas chega a ser quase um filme esquecido do Loach, talvez por estar entre os mais reconhecidos Ventos da Liberdade e Eu, Daniel Blake. Temos aqui uma espécie de Footloose na Irlanda dos anos 30, e baseado em fatos reais. Achei que o roteiro se acovarda um pouco ao retratar Jimmy Gralton, que pra quem assiste ao filme não fica muito claro suas convicções políticas. [início da piada] O filme chega a ser extremamente fantasioso ao mostrar uma chuva na Irlanda só pra parte final (quem já morou naquela ilha de lama sabe do que eu estou falando) [fim da piada]. De resto, o filme não trás nada de muito novo, mas críticas e pensamentos que sempre são muito pertinentes, já que a humanidade parece não querer enxergar essas obviedades. Em linhas gerais, como a religião e o pensamento conservador servem como freios para a evolução do próprio ser humano como espécie. Mais um filme denúncia de Loach, quase um Chomsky da sétima arte. PS: Odeio quando não traduzem os títulos, obviamente a película tinha que chamar O Salão de Jimmy, sim!