domingo, 28 de março de 2021

ANO BISSEXTO

Título Original: Año Bisiesto
Diretor: Michael Rowe
Ano: 2010
País de Origem: México
Duração: 88min
Nota: 8

Sinopse: Laura é uma jornalista solteira de 25 anos que vive em um pequeno apartamento na Cidade do México. Depois de uma série de casos amorosos, ela conhece Arturo. Na primeira vez que fazem amor, ela sente algo diferente e fica completamente dominada e envolvida. Eles iniciam então um romance de grande intensidadepassional e sexual, em que prazer, dor e amor se misturam. Com o passar dos dias que ela cuidadosamente marca em seu calendário, os segredos de seu passado vem à tona, levando Arturo aos extremos.

Comentário: Vencedor do prêmio Câmera de Ouro no Festival de Cannes. Pensa em um filme pesado. É claustrofóbico, angustiante e aos poucos vamos entendendo qual o plano da protagonista. Vi algumas pessoas comentando que o filme vale pelas cenas "picantes", mas acho que talvez essas pessoas estejam precisando de um psicólogo. É tudo bem cru, sem trilha sonora, retrata as pessoas como se fossem reais. Mónica Del Carmen, a atriz principal se entrega completamente ao papel em uma das melhores atuações que devo ter visto nos últimos anos. O filme é aquilo que compromete a ser, não é fácil de assistir e não é o tipo de coisa que eu saio indicando por aí, mas para mim valeu a assistida e a reflexão. Acho que há uma história muito bem contada sobre ela e o pai nas entrelinhas, mas só para quem for atento a detalhes.

sábado, 27 de março de 2021

A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS

Título Original: Ahlat Ağaci
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 2018
País de Origem: Turquia
Duração: 188min
Nota: 10

Sinopse: Sinan (Doğu Demirkol) é um jovem apaixonado por literatura que sempre sonhou em se tornar um grande escritor. Ao retornar para o vilarejo em que nasceu, ele faz de tudo para conseguir juntar dinheiro e investir na sua primeira publicação. O problema é que seu pai deixou uma dívida que atrapalhará os seus planos.

Comentário: Oscar Wilde disse: "No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente ou quase nunca os perdoam". Este filme vai bem por este caminho, com personagens dostoiéveskos. Sinan é quase um Raskólnikov, odiei o personagem, seu ego, sua moral, as coisas que pensa e faz (um típico escritor no início de carreira, já estive lá). Mas é um filme de Ceylan, e como tal, não decepciona. Toda a jornada de Sinan é maravilhosa de assistir, o final arrebatador me tirou lágrimas ao pensar no meu próprio pai. É um filme perfeito, os diálogos sobre religião são de aplaudir de pé. Ainda prefiro Sono de Inverno, mas este é tão grandioso quanto. Para mim, não existe um diretor tão completo e perfeito no mundo contemporâneo quanto Nuri Bilge Ceylan, o cinema nunca esteve tão bem.

sexta-feira, 12 de março de 2021

BLACKOUT

Título Original: Blackout
Diretor: Rossandra Leone
Ano: 2019
País de Origem:Brasil
Duração: 18min
Nota: 6

Sinopse: Em um Rio de Janeiro futurista nada parece ter mudado. Abuso de autoridade, violações de direitos, racismo e machismo ainda dão o tom da relação do poder público com a favela. Dessa vez, entretanto, algo parece estar para mudar..

Comentário: O filme é uma ficção científica onde a hacker mais fodona usa um maquinário que parece o Windows 95. Fora algumas situações forçadas e alguns diálogos mecânicos demais o curta acaba crescendo. Acredito que o tipo de arte que foi criada aqui se faz muito necessária no Brasil de hoje e é essa necessidade que torna o curta interessante de ser apreciado. Foi o primeiro trabalho da diretora que espero que não pare por aqui. Vozes assim precisam ser ecoadas no nosso cinema nacional.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

INSANAMENTE FELIZ

Título Original: Sykt Lykkelig
Diretor: Anne Sewitsky
Ano: 2010
País de Origem: Noruega
Duração: 84min
Nota: 8

Sinopse: Kaja é uma dona de casa otimista e descontraída apesar de sua solidão e do fato de que seu marido não tem relações sexuais com ela. Quando Elisabeth e Sigve mudam-se para a residência ao lado, Kaja está impressionada com a sofisticação do casal. Eles são bonitos, eles têm um filho adotivo e nos seus momentos livres cantam em um coro. Um momento indiscreto entre Kaja e Sigve dá ignição a um completo caso extraconjugal. Mas da mesma forma que ela alcança sua libertação sexual, os segredos e verdades inevitavelmente vêm à tona, talvez para o bem de todos.

Comentário: Filme vencedor do Festival de Sundance, despretensioso e cativante. Fazia tempo que um filme não me tirava boas risadas, há situações que beiram ao clichê, mas ao mesmo tempo tudo se torna original pela maneira convincente e natural que a direção e as atuações são conduzidas. Todo mundo está muito bem no filme, acho que a relação das crianças devia ter sido abordada pelos adultos em algum momento do filme. Pro final do filme algumas situações forçadas podem não convencer, mas no geral é um filme que merece muito ser assistido e posso indicar pra todo mundo. A diretora dirigiu um episódio da quinta temporada de Black Mirror.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

UNDINE

Título Original: Undine
Diretor: Christian Petzold
Ano: 2020
País de Origem: Alemanha
Duração: 89min
Nota: 10

Sinopse: Undine (Paula Beer) trabalha como historiadora e dá palestras sobre o desenvolvimento urbano de Berlim. Mas quando o homem que ela ama a deixa, o mito antigo a alcança. Undine tem que matar o homem que a trai e voltar para a água.

Comentário: Primeiramente quero dizer que a sinopse não faz jus ao filme, que faturou de maneira merecida o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim. Eu achei o filme perfeito, toda a linha que conecta a mensagem final com os elementos apresentados durante toda a película é de uma maestria ímpar. E esta mesma mensagem tinha sido um assunto que estava rolando na minha cabeça vários dias antes de assistir ao filme. O filme é sobre seguir adiante, assim como Berlim e sua reconstrução, assim como na música stayin' alive, ou simplesmente, assim como no término de um relacionamento (que não deixa de ser o fim de um mundo). Pode ser um assunto batido, mas a maneira como o diretor arquitetou tudo isso me tocou profundamente. Me encantei, chorei, e por fim, passei dias depois ainda pensando no filme. Filme bom é assim, e entendo que talvez nem todo mundo tenha sido tocado da mesma maneira, mas acho difícil que eu vá assistir um filme melhor que este neste ano, e olha que o ano está só começando. Este deve ser o primeiro filme de uma trilogia que aborda mitos germânicos, que venha os próximos.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

EU INTERIOR

Título Original: Inner Self
Diretor: Mohammad Hormozi
Ano: 2019
País de Origem: Irã
Duração: 15min
Nota: 8

Sinopse: Uma jovem violinista tem uma apresentação a fazer, contudo é impedida de entrar no local pois não está com uma roupa formal culturalmente usada por mulheres islâmicas. Na recepção, à espera para conseguir uma vestimenta emprestada, testemunha outras mulheres na mesma situação e diversos momentos de tensão.

Comentário: Não sei porque o título original não consta em farsi, mas segui o padrão do IMDB. O filme tenta passar em seu curto espaço de tempo como é viver como uma mulher no Irã, o clima de tensão é apenas uma metáfora para o clima de explosão eminente que ronda o país. É interessante como detalhes minúsculos (como o cuidado da mulher com a planta) é cheio de significados. Há uma história escondida que não podemos ver em cada personagem que nos é apresentada. Um diretor novo que nos brinda com uma excelente competência, tentar ficar de olho nos próximos trabalho dele.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

BALADA DO AMOR E DO ÓDIO

Título Original: Balada Triste de Trompeta
Diretor: Álex de la Iglesia
Ano: 2010
País de Origem:Espanha
Duração: 105min
Nota: 5

Sinopse: O filme do cineasta espanhol Álex de la Iglesia, inicia durante a Guerra Civil espanhola (1936-39) e vai até meados dos anos 1970, numa sangrenta alegoria de um dos períodos mais sombrios da história da Espanha. A trama narra o conflito entre os palhaços Sergio (Antonio de la Torre) e Javier (Carlos Areces), que apaixonados pela sexy trapezista Natalia (Carolina Bang) desencadeiam um insano e violento duelo por seu amor.

Comentário: O filme começa muito bem, mas é só. Um filme recheado de clichês com um diretor que tenta ficar chocando o telespectador com cenas toscas adolescentes completamente desnecessárias. Tudo no filme é forçado, menos a beleza da Carolina Bang, que apesar da personagem idiota que interpreta, é ela que mantém a gente vidrado no filme até o fim. O diretor se garante na parte técnica, extremamente competente. O figurino também ajuda. Um roteiro que tenta fazer uma alegoria com a sociedade espanhola desde a Guerra Civil, mas que no fundo não passa do típico romance obsessivo dos idos tempos do Supercine na Globo. Se tivessem ficado no começo, com um bando de circenses chutando rabos de fascistas, o filme teria sido muito superior. Eu sempre tenho um pé atrás com a premiação do Festival de Veneza por conta dessas coisas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

CACHORROS

Título Original: Los Perros
Diretor: Marcela Said
Ano: 2017
País de Origem: Chile
Duração: 95min
Nota: 8

Sinopse: Mariana, uma mulher de quarenta e dois anos e de classe alta, desenvolve uma amizade com seu instrutor de equitação, que vive coberto por um passado sombrio.

Comentário: O filme é muito bem construído e reflete tudo o que países que sofreram com a ditadura tem de problemáticos hoje como cicatrizes que se recusam a sarar. Podíamos transferir facilmente a história para o Brasil (Ah, mas no Brasil os militares não foram presos, né? Então não dá... porque o Brasil foi bunda mole até na hora de lidar com isso). A personagem principal é a típica elite podre que representa tudo de tosco da sociedade, cercada de personagens mais toscos ainda. O filme é uma ode pitoresca desse reflexo de dinossauros da ditadura e suas crias e perpetuações contínuas. Achei bem interessante os paralelos e as profundidades nas entrelinhas. Apesar de dar a mesma nota, prefiro o filme anterior da diretora (O Verão dos Peixes-Voadores), achei mais poético e com uma personagem que dava para se identificar. Não é um filme que sairia indicando por aí, é muito de nicho, mas eu gostei.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

CHONGQING BLUES

Título Original: Rizhao Chongqing
Diretor: Xiaoshuai Wang
Ano: 2010
País de Origem: China
Duração: 114min
Nota: 8

Sinopse: Lin, capitão de um barco, volta a casa após 6 meses no mar e é informado da morte do filho de 25 anos, Lin Bo, morto pela polícia. Volta a Chongqing, cidade onde vivia antigamente, para descobrir o que se passou e percebe-se de que quase não conhecia o filho. Compreende então a que ponto a sua ausência pesou na vida do filho.

Comentário: O filme foi indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes e me surpreendeu muito positivamente. Um filme com uma narrativa bem simples, mas que é muito bom na forma de contar sua história. Em nenhum momento senti muita empatia pelo personagem principal, muito bem interpretado por Xueqi Wang, que nada mais foi que um covarde filho da puta que abandonou a família. Mas é neste ponto que o filme coloca o dedo na ferida, para pensarmos o quanto tudo não poderia ter sido responsabilidade dele. Um filme sobre a pancada que a vida da na gente quando erramos feio em nosso passado e é impossível reparar os danos que causamos. Achei que o filme podia enrolar um pouco menos, mas no geral ele funciona muito bem. Direção competente e profundo como as Fossas Marianas.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

NÃO HÁ MAL ALGUM

Título Original: Sheytan Vojud Nadarad
Diretor: Mohammad Rasoulof
Ano:2020
País de Origem: Irã
Duração: 150min
Nota: 10

Sinopse: Quatro histórias que são variações dos temas cruciais da força moral e da pena de morte, que perguntam até que ponto a liberdade individual pode ser expressa sob um regime despótico e suas ameaças aparentemente inevitáveis.

Comentário: Vencedor mais do que merecido do Festival de Berlim, afirmo aqui sem sombra de dúvida de que este é o melhor filme de 2020. Depois do seu bom Um Homem Íntegro, Rasoulof volta a nos brindar com uma verdadeira obra de arte do cinema, não me sentia em êxtase com um filme desde que assisti Os Campos Brancos (do mesmo diretor). São quatro histórias sobre o mesmo tema e é difícil eleger uma melhor. A primeira é um impacto mais pesado que um murro na cara, a segunda trabalha sua tensão, a terceira acerta a consciência e a última é quase um poema lírico que só o diretor sabe fazer. Tudo no filme funciona, a direção é fantástica e chama muito a atenção já que o diretor está proibido de realizar filmes no Irã e até onde sei cumpre pena domiciliar desde que lançou Os Campos Brancos. O filme é uma demonstração da força e da luta contra o governo totalitário do país. Belas atuações e destaque para a cena em que o marido pinta o cabelo da esposa (No Irã as mulheres não podem mostrar o cabelo, então essa cena aparecer no filme foi um baque para mim). Não vou comentar mais para não estragar a experiência. ASSISTAM! Filme mais do que obrigatório!