domingo, 21 de fevereiro de 2021

EU INTERIOR

Título Original: Inner Self
Diretor: Mohammad Hormozi
Ano: 2019
País de Origem: Irã
Duração: 15min
Nota: 8

Sinopse: Uma jovem violinista tem uma apresentação a fazer, contudo é impedida de entrar no local pois não está com uma roupa formal culturalmente usada por mulheres islâmicas. Na recepção, à espera para conseguir uma vestimenta emprestada, testemunha outras mulheres na mesma situação e diversos momentos de tensão.

Comentário: Não sei porque o título original não consta em farsi, mas segui o padrão do IMDB. O filme tenta passar em seu curto espaço de tempo como é viver como uma mulher no Irã, o clima de tensão é apenas uma metáfora para o clima de explosão eminente que ronda o país. É interessante como detalhes minúsculos (como o cuidado da mulher com a planta) é cheio de significados. Há uma história escondida que não podemos ver em cada personagem que nos é apresentada. Um diretor novo que nos brinda com uma excelente competência, tentar ficar de olho nos próximos trabalho dele.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

BALADA DO AMOR E DO ÓDIO

Título Original: Balada Triste de Trompeta
Diretor: Álex de la Iglesia
Ano: 2010
País de Origem:Espanha
Duração: 105min
Nota: 5

Sinopse: O filme do cineasta espanhol Álex de la Iglesia, inicia durante a Guerra Civil espanhola (1936-39) e vai até meados dos anos 1970, numa sangrenta alegoria de um dos períodos mais sombrios da história da Espanha. A trama narra o conflito entre os palhaços Sergio (Antonio de la Torre) e Javier (Carlos Areces), que apaixonados pela sexy trapezista Natalia (Carolina Bang) desencadeiam um insano e violento duelo por seu amor.

Comentário: O filme começa muito bem, mas é só. Um filme recheado de clichês com um diretor que tenta ficar chocando o telespectador com cenas toscas adolescentes completamente desnecessárias. Tudo no filme é forçado, menos a beleza da Carolina Bang, que apesar da personagem idiota que interpreta, é ela que mantém a gente vidrado no filme até o fim. O diretor se garante na parte técnica, extremamente competente. O figurino também ajuda. Um roteiro que tenta fazer uma alegoria com a sociedade espanhola desde a Guerra Civil, mas que no fundo não passa do típico romance obsessivo dos idos tempos do Supercine na Globo. Se tivessem ficado no começo, com um bando de circenses chutando rabos de fascistas, o filme teria sido muito superior. Eu sempre tenho um pé atrás com a premiação do Festival de Veneza por conta dessas coisas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

CACHORROS

Título Original: Los Perros
Diretor: Marcela Said
Ano: 2017
País de Origem: Chile
Duração: 95min
Nota: 8

Sinopse: Mariana, uma mulher de quarenta e dois anos e de classe alta, desenvolve uma amizade com seu instrutor de equitação, que vive coberto por um passado sombrio.

Comentário: O filme é muito bem construído e reflete tudo o que países que sofreram com a ditadura tem de problemáticos hoje como cicatrizes que se recusam a sarar. Podíamos transferir facilmente a história para o Brasil (Ah, mas no Brasil os militares não foram presos, né? Então não dá... porque o Brasil foi bunda mole até na hora de lidar com isso). A personagem principal é a típica elite podre que representa tudo de tosco da sociedade, cercada de personagens mais toscos ainda. O filme é uma ode pitoresca desse reflexo de dinossauros da ditadura e suas crias e perpetuações contínuas. Achei bem interessante os paralelos e as profundidades nas entrelinhas. Apesar de dar a mesma nota, prefiro o filme anterior da diretora (O Verão dos Peixes-Voadores), achei mais poético e com uma personagem que dava para se identificar. Não é um filme que sairia indicando por aí, é muito de nicho, mas eu gostei.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

CHONGQING BLUES

Título Original: Rizhao Chongqing
Diretor: Xiaoshuai Wang
Ano: 2010
País de Origem: China
Duração: 114min
Nota: 8

Sinopse: Lin, capitão de um barco, volta a casa após 6 meses no mar e é informado da morte do filho de 25 anos, Lin Bo, morto pela polícia. Volta a Chongqing, cidade onde vivia antigamente, para descobrir o que se passou e percebe-se de que quase não conhecia o filho. Compreende então a que ponto a sua ausência pesou na vida do filho.

Comentário: O filme foi indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes e me surpreendeu muito positivamente. Um filme com uma narrativa bem simples, mas que é muito bom na forma de contar sua história. Em nenhum momento senti muita empatia pelo personagem principal, muito bem interpretado por Xueqi Wang, que nada mais foi que um covarde filho da puta que abandonou a família. Mas é neste ponto que o filme coloca o dedo na ferida, para pensarmos o quanto tudo não poderia ter sido responsabilidade dele. Um filme sobre a pancada que a vida da na gente quando erramos feio em nosso passado e é impossível reparar os danos que causamos. Achei que o filme podia enrolar um pouco menos, mas no geral ele funciona muito bem. Direção competente e profundo como as Fossas Marianas.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

NÃO HÁ MAL ALGUM

Título Original: Sheytan Vojud Nadarad
Diretor: Mohammad Rasoulof
Ano:2020
País de Origem: Irã
Duração: 150min
Nota: 10

Sinopse: Quatro histórias que são variações dos temas cruciais da força moral e da pena de morte, que perguntam até que ponto a liberdade individual pode ser expressa sob um regime despótico e suas ameaças aparentemente inevitáveis.

Comentário: Vencedor mais do que merecido do Festival de Berlim, afirmo aqui sem sombra de dúvida de que este é o melhor filme de 2020. Depois do seu bom Um Homem Íntegro, Rasoulof volta a nos brindar com uma verdadeira obra de arte do cinema, não me sentia em êxtase com um filme desde que assisti Os Campos Brancos (do mesmo diretor). São quatro histórias sobre o mesmo tema e é difícil eleger uma melhor. A primeira é um impacto mais pesado que um murro na cara, a segunda trabalha sua tensão, a terceira acerta a consciência e a última é quase um poema lírico que só o diretor sabe fazer. Tudo no filme funciona, a direção é fantástica e chama muito a atenção já que o diretor está proibido de realizar filmes no Irã e até onde sei cumpre pena domiciliar desde que lançou Os Campos Brancos. O filme é uma demonstração da força e da luta contra o governo totalitário do país. Belas atuações e destaque para a cena em que o marido pinta o cabelo da esposa (No Irã as mulheres não podem mostrar o cabelo, então essa cena aparecer no filme foi um baque para mim). Não vou comentar mais para não estragar a experiência. ASSISTAM! Filme mais do que obrigatório!

terça-feira, 6 de outubro de 2020

O APARTAMENTO

Título Original: Forushande
Diretor: Asghar Farhadi
Ano: 2016
País de Origem: Irã
Duração: 123min
Nota: 8

Sinopse: Forçado a sair de seu apartamento devido a trabalhos perigosos em um prédio vizinho, Emad e Rana se mudam para um novo apartamento no centro de Teerã. Um incidente ligado ao anterior inquilino vai mudar drasticamente a vida do jovem casal.

Comentário: Depois de faturar o Oscar por A Separação pela categoria de melhor filme estrangeiro, Asghar Farhadi conquistou aqui a segunda estatueta para o Irã (Sim, foi a primeira e a segunda premiação iraniana na história do Oscar respectivamente). O ator, Shahab Hosseini, faturou aqui também o prêmio de melhor ator em Cannes. O filme é muito bom, mas me deixou muito nervoso, como de costume em qualquer dos filmes do Farhadi, mas esse foi o mais incômodo. O amálgama do filme com a peça teatral de Arthur Miller (A Morte do Caixeiro Viajante) é enorme e acho que eu teria aproveitado muito mais se tivesse lido o livro antes de assistir este filme, não que seja obrigatório a leitura, mas faz uma diferença com certeza. É o terceiro filme que assisto do diretor, e apesar deste ser bem acima da média, confesso que preferi os outros dois. A atriz, Taraneh Alidoosti, também esbanja talento. As discussões e o final aberto a inúmeras possibilidades são o de praxe do diretor, ou seja, mais profundo que as Fossas Marianas. Uma curiosidade é que o diretor começou a filmar este filme na Espanha com a atriz Penelope Cruz (que fizeram juntos depois o excelente Todos Já Sabem), mas resolveu voltar para o Irã para realizá-lo em seu país natal.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

ALÉM DA LINHA VERMELHA

Título Original: The Thin Red Line
Diretor: Terrence Malick
Ano: 1998
País de Origem: EUA
Duração: 170min
Nota: 10

Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, fica claro que o resultado da batalha de Guadalcanal influenciará fortemente o avanço japonês no Pacífico. Assim, um grupo de jovens soldados é enviado para lá, trazendo alívio para as esgotadas unidades da marinha. Lá os recém-chegados conhecem um terror que nem imaginavam, mas no meio deste desespero surgem fortes laços de amor e amizade.

Comentário: Difícil escrever sobre este filme que muito provavelmente é o meu filme americano preferido de todos os tempos. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim e completamente menosprezado pelo Oscar para O Resgate do Soldado Ryan (que é legal, mas não chega nem na sujeira da unha deste). Além da Linha Vermelha é o melhor filme de guerra já realizado para mim, seguido de Apocalipse Now. Um filme que simplesmente desmembra em detalhes tudo o que precisamos saber sobre o ser humano com uma das melhores fotografias já feita (Realizada por John Toll). Acho que é daqueles filmes que ou você ama ou você odeia, sem muito meio termo, onde o personagem principal é a guerra e não algum ator específico. Tive o privilégio de assistir no cinema quando estreou, e esta semana assisti pela 4ª vez. Um filme de quase três horas de duração que passa como um raio para mim, nem um pouco cansativo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

SE EU QUISER ASSOBIAR, EU ASSOBIO

Título Original: Eu Când Vreau să Fluier, Fluier
Diretor: Florin Serban
Ano: 2010
País de Origem: Romênia
Duração: 89min
Nota: 7

Sinopse: Silviu, um jovem de 18 anos, está a duas semanas da liberdade, e precisa evitar problemas com outros presos no reformatório onde cumpre pena. Ao saber que sua mãe reapareceu, e pretende levar seu irmão mais novo para morar com ela na Itália, Silviu se desespera e aguarda ansioso o momento de ir embora. Além disso, ele se apaixona por uma estagiária de serviços sociais que trabalha na prisão. Silviu precisa manter o bom comportamento, ou suas chances de salvar sua família e sua paixão serão totalmente destruídas.

Comentário: Ganhador do Grande Prêmio do Juri no Festival de Berlim. O filme cumpre o seu papel e é até acima da média, mas mesmo tendo um excelente momento de plot twist nos seus trinta minutos finais, acaba perdendo um pouco na irrealidade da situação. Os motivos e a maneira de solucionar seus problemas me pareceu um tanto quanto inocente e simplista demais. A direção e o resultado final do filme com um orçamento bem modesto mostra que não é preciso obras superfaturadas para se chegar a um bom filme. As atuações também estão ótimas e transmitem uma naturalidade espontânea. Acho que podiam ter explorado melhor algumas situações para dar mais credibilidade sobre as ações do personagem.  É difícil falar mais sobre o filme sem dar nenhum spoiler, é algo que o telespectador tem que decidir por si mesmo.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

TERRA DE MINAS

Título Original: Under Sandet
Diretor: Martin Zandvliet
Ano: 2015
País de Origem: Dinamarca
Duração: 101min
Nota: 9

Sinopse: Um grupo de jovens prisioneiros de guerra alemães, outrora combatentes nazistas, recebem uma nova tarefa ao fim da Segunda Guerra Mundial: precisam escavar e remover com as próprias mãos 2 milhões de minas terrestres em "terras inimigas", mesmo que alguns deles não tivessem sequer experiência na guerra, para compensar sua contribuição com o regime de Hitler.

Comentário: O filme começa com um erro grosseiro de continuidade, onde o general dinamarquês arranca a bandeira de seu país das mãos de um alemão, durante a ação a bandeira desaparece das suas mãos, para milagrosamente aparecer de novo e sumir mais uma vez e assim sucessivamente. Imaginei que ia assistir a um filme mal feito, mas estava completamente enganado, os erros do filme pararam por ali. O filme foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. A fotografia é muito bonita, mas é o roteiro que é poderoso, uma história onde nada é preto no branco, cheia de áreas cinzentas sobre a moralidade da guerra. Há vários clichês ao longo do filme, mas o roteirista consegue usar eles ao seu favor. O personagem do general dinamarquês vivido pelo ator Roland Møller cresce muito durante o filme e nos coloca em situações de identificação mesmo quando não está sendo bonzinho. O ator Louis Hofmann, mais conhecido como o Jonas da série Dark, consegue mostrar que tem potencial como um bom ator, coisa que a série não conseguiu aproveitar. Um excelente filme para entendermos que nem todo alemão era um monstro nazista e que a maioria dos soldados estavam apenas em um fogo cruzado sem entender muito bem porque. Conseguiu me emocionar.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

SEBBE

Título Original: Sebbe
Diretor: Babak Najafi
Ano: 2010
País de Origem: Suécia
Duração: 79min
Nota: 6

Sinopse: A história do jovem de 15 anos Sebastian (Sebbe), que passa suas horas vagas catando lixo e componentes eletrônicos, e com esses detritos ele habilmente constrói novos objetos, inclusive um motor para a sua velha bicicleta. É um garoto tímido e constantemente intimidado pelos seus colegas de classe, quando não pelo seu vizinho que também o agride sexualmente, além da convivência com a sua mãe bipolar, que em certos momentos lhe dá carinho e em outros o insulta.

Comentário: Primeiro longa metragem do diretor iraniano que muito provavelmente vive em exílio na Europa. As atuações são bem interpretadas e toda a parte técnica é muito bem conduzida, mas para por aí. O filme parece forçar situações ao extremo para tentar chocar o espectador sem convencer muito nelas. Me custa a acreditar que o serviço social da Suécia é tão omisso ou que algumas situações de abuso ficariam por isso mesmo. É legal o levantamento da questão bullying no filme, eu mesmo vivi ou assisti situações bem similares na escola, mas o comportamento do personagem de até tentar uma aproximação do agressor foi bem patética. Um filme feito de momentos, mas que não me agradou de forma geral.