terça-feira, 6 de outubro de 2020

O APARTAMENTO

Título Original: Forushande
Diretor: Asghar Farhadi
Ano: 2016
País de Origem: Irã
Duração: 123min
Nota: 8

Sinopse: Forçado a sair de seu apartamento devido a trabalhos perigosos em um prédio vizinho, Emad e Rana se mudam para um novo apartamento no centro de Teerã. Um incidente ligado ao anterior inquilino vai mudar drasticamente a vida do jovem casal.

Comentário: Depois de faturar o Oscar por A Separação pela categoria de melhor filme estrangeiro, Asghar Farhadi conquistou aqui a segunda estatueta para o Irã (Sim, foi a primeira e a segunda premiação iraniana na história do Oscar respectivamente). O ator, Shahab Hosseini, faturou aqui também o prêmio de melhor ator em Cannes. O filme é muito bom, mas me deixou muito nervoso, como de costume em qualquer dos filmes do Farhadi, mas esse foi o mais incômodo. O amálgama do filme com a peça teatral de Arthur Miller (A Morte do Caixeiro Viajante) é enorme e acho que eu teria aproveitado muito mais se tivesse lido o livro antes de assistir este filme, não que seja obrigatório a leitura, mas faz uma diferença com certeza. É o terceiro filme que assisto do diretor, e apesar deste ser bem acima da média, confesso que preferi os outros dois. A atriz, Taraneh Alidoosti, também esbanja talento. As discussões e o final aberto a inúmeras possibilidades são o de praxe do diretor, ou seja, mais profundo que as Fossas Marianas. Uma curiosidade é que o diretor começou a filmar este filme na Espanha com a atriz Penelope Cruz (que fizeram juntos depois o excelente Todos Já Sabem), mas resolveu voltar para o Irã para realizá-lo em seu país natal.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

ALÉM DA LINHA VERMELHA

Título Original: The Thin Red Line
Diretor: Terrence Malick
Ano: 1998
País de Origem: EUA
Duração: 170min
Nota: 10

Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, fica claro que o resultado da batalha de Guadalcanal influenciará fortemente o avanço japonês no Pacífico. Assim, um grupo de jovens soldados é enviado para lá, trazendo alívio para as esgotadas unidades da marinha. Lá os recém-chegados conhecem um terror que nem imaginavam, mas no meio deste desespero surgem fortes laços de amor e amizade.

Comentário: Difícil escrever sobre este filme que muito provavelmente é o meu filme americano preferido de todos os tempos. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim e completamente menosprezado pelo Oscar para O Resgate do Soldado Ryan (que é legal, mas não chega nem na sujeira da unha deste). Além da Linha Vermelha é o melhor filme de guerra já realizado para mim, seguido de Apocalipse Now. Um filme que simplesmente desmembra em detalhes tudo o que precisamos saber sobre o ser humano com uma das melhores fotografias já feita (Realizada por John Toll). Acho que é daqueles filmes que ou você ama ou você odeia, sem muito meio termo, onde o personagem principal é a guerra e não algum ator específico. Tive o privilégio de assistir no cinema quando estreou, e esta semana assisti pela 4ª vez. Um filme de quase três horas de duração que passa como um raio para mim, nem um pouco cansativo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

SE EU QUISER ASSOBIAR, EU ASSOBIO

Título Original: Eu Când Vreau să Fluier, Fluier
Diretor: Florin Serban
Ano: 2010
País de Origem: Romênia
Duração: 89min
Nota: 7

Sinopse: Silviu, um jovem de 18 anos, está a duas semanas da liberdade, e precisa evitar problemas com outros presos no reformatório onde cumpre pena. Ao saber que sua mãe reapareceu, e pretende levar seu irmão mais novo para morar com ela na Itália, Silviu se desespera e aguarda ansioso o momento de ir embora. Além disso, ele se apaixona por uma estagiária de serviços sociais que trabalha na prisão. Silviu precisa manter o bom comportamento, ou suas chances de salvar sua família e sua paixão serão totalmente destruídas.

Comentário: Ganhador do Grande Prêmio do Juri no Festival de Berlim. O filme cumpre o seu papel e é até acima da média, mas mesmo tendo um excelente momento de plot twist nos seus trinta minutos finais, acaba perdendo um pouco na irrealidade da situação. Os motivos e a maneira de solucionar seus problemas me pareceu um tanto quanto inocente e simplista demais. A direção e o resultado final do filme com um orçamento bem modesto mostra que não é preciso obras superfaturadas para se chegar a um bom filme. As atuações também estão ótimas e transmitem uma naturalidade espontânea. Acho que podiam ter explorado melhor algumas situações para dar mais credibilidade sobre as ações do personagem.  É difícil falar mais sobre o filme sem dar nenhum spoiler, é algo que o telespectador tem que decidir por si mesmo.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

TERRA DE MINAS

Título Original: Under Sandet
Diretor: Martin Zandvliet
Ano: 2015
País de Origem: Dinamarca
Duração: 101min
Nota: 9

Sinopse: Um grupo de jovens prisioneiros de guerra alemães, outrora combatentes nazistas, recebem uma nova tarefa ao fim da Segunda Guerra Mundial: precisam escavar e remover com as próprias mãos 2 milhões de minas terrestres em "terras inimigas", mesmo que alguns deles não tivessem sequer experiência na guerra, para compensar sua contribuição com o regime de Hitler.

Comentário: O filme começa com um erro grosseiro de continuidade, onde o general dinamarquês arranca a bandeira de seu país das mãos de um alemão, durante a ação a bandeira desaparece das suas mãos, para milagrosamente aparecer de novo e sumir mais uma vez e assim sucessivamente. Imaginei que ia assistir a um filme mal feito, mas estava completamente enganado, os erros do filme pararam por ali. O filme foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. A fotografia é muito bonita, mas é o roteiro que é poderoso, uma história onde nada é preto no branco, cheia de áreas cinzentas sobre a moralidade da guerra. Há vários clichês ao longo do filme, mas o roteirista consegue usar eles ao seu favor. O personagem do general dinamarquês vivido pelo ator Roland Møller cresce muito durante o filme e nos coloca em situações de identificação mesmo quando não está sendo bonzinho. O ator Louis Hofmann, mais conhecido como o Jonas da série Dark, consegue mostrar que tem potencial como um bom ator, coisa que a série não conseguiu aproveitar. Um excelente filme para entendermos que nem todo alemão era um monstro nazista e que a maioria dos soldados estavam apenas em um fogo cruzado sem entender muito bem porque. Conseguiu me emocionar.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

SEBBE

Título Original: Sebbe
Diretor: Babak Najafi
Ano: 2010
País de Origem: Suécia
Duração: 79min
Nota: 6

Sinopse: A história do jovem de 15 anos Sebastian (Sebbe), que passa suas horas vagas catando lixo e componentes eletrônicos, e com esses detritos ele habilmente constrói novos objetos, inclusive um motor para a sua velha bicicleta. É um garoto tímido e constantemente intimidado pelos seus colegas de classe, quando não pelo seu vizinho que também o agride sexualmente, além da convivência com a sua mãe bipolar, que em certos momentos lhe dá carinho e em outros o insulta.

Comentário: Primeiro longa metragem do diretor iraniano que muito provavelmente vive em exílio na Europa. As atuações são bem interpretadas e toda a parte técnica é muito bem conduzida, mas para por aí. O filme parece forçar situações ao extremo para tentar chocar o espectador sem convencer muito nelas. Me custa a acreditar que o serviço social da Suécia é tão omisso ou que algumas situações de abuso ficariam por isso mesmo. É legal o levantamento da questão bullying no filme, eu mesmo vivi ou assisti situações bem similares na escola, mas o comportamento do personagem de até tentar uma aproximação do agressor foi bem patética. Um filme feito de momentos, mas que não me agradou de forma geral.

domingo, 23 de agosto de 2020

VENTOS DE AGOSTO

Título Original: Ventos de Agosto
Diretor: Gabriel Mascaro
Ano: 2014
País de Origem: Brasil
Duração: 75min
Nota: 6

Sinopse: Um estranho pesquisador de som de ventos alísios chega numa pequena vila costeira. Agosto trás o mar revolto e os ventos fortes. Sua chegada tem impacto na relação de dois jovens habitantes da vila, Shirley e Jeison. O filme narra um sutil duelo entre a vida e a morte, a perda e a memória, o vento e o mar.

Comentário: Acho que fui assistir esperando demais do filme, mas confesso que decepcionou um pouco. O filme é um primor na qualidade técnica, fotografia, direção e até mesmo as atuações se destacam. Parece que estamos vendo mais um documentário sobre o local do que um filme onde atores interpretam, pelo menos em parte. Dandara de Morais é de uma beleza tão natural que já nos conquista já no começo, mas que é muito mal aproveitada pelo roteiro sem um fio narrativo que podia fazer muita mais pelo filme do que fez. Acho que é exatamente o roteiro o ponto fraco do filme, este tipo de roteiro muito aberto e abstrato funciona em alguns filmes, mas neste, para o tipo de lugar e personagens acaba tropeçando. Gostei de assistir, mas tinha um potencial muito maior.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

UM QUARTO EM ROMA

Título Original: Habitación en Roma
Diretor: Julio Medem
Ano: 2010
País de Origem: Espanha
Duração: 107min
Nota: 10

Sinopse: Depois de se conhecerem em um bar em Roma, Natasha e Alba passam a noite juntas. As intensas experiências que conhecerão naquela noite passarão da luxúria à descoberta do amor, em jogos de mentiras, verdades e revelações, tudo em uma belíssima plástica construída pelo diretor Julio Medem.

Comentário: Um filme extremamente real e que me tirou lágrimas, o Julio Medem está virando especialista em fazer isso comigo. Acho que só vai entender o filme, ou sentir o filme, quem já viveu um amor assim. Existem, já vivi amores que duraram anos e já vivi amores que duraram dias... e é bem isso que o filme mostra. É como Robert Jones nos diz em Por Quem os Sinos Dobram, escrito por Ernest Hemingway, "há vidas que duram dias". A certeza de que você vai ir embora e toda aquela lembrança vai ficar lá, em algum lugar perdido neste mundão e no nosso coração para sempre... e a gente ainda sonha que poderia ter durado para sempre. Se você nunca viveu um amor assim, não acho que vá entender o filme, e sinto pena por você. Achei que o filme deveria ter terminado no café da manhã, mas nada que tenha estragado a experiência. Toda a bagagem histórica nas entrelinhas é fantástica, deixa o filme muito mais interessante. O jogo de mentiras e verdades entre elas da um excelente pano para manga para deixar as personagens mais reais, desenvolver os diálogos muito bem. A parte erótica é um mero detalhe no filme, que achei bem delicada, não existe uma apelação ao meu ver. Uma experiência visceral.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

TANGERINAS

Título Original: Mandariinid
Diretor: Zaza Urushadze
Ano: 2013
País de Origem: Estônia
Duração: 83min
Nota: 10

Sinopse: A história de Ivo (Lembit Ulfsak), que com a ajuda do produtor de tangerinas Margus (Elmo Nüganen) e o médico Juhan (Raivo Trass), salva a vida do checheno Ahmed (Giorgi Nakashidze) e do georgiano Niko (Misha Meskhi), em um povoado estoniano da Abecásia no meio da guerra de 1992.

Comentário: Um enredo simples e com atuações marcantes que conseguem de maneira muito sutil desconstruir qualquer tipo de guerra. Um desses filmes que não conseguimos explicar muito bem porque é tão bom, porque tocam não em um sentimento individual, mas em algo que pertence a qualquer ser humano. Como se compartilhássemos  algo como espécie que foi esquecido a muito tempo atrás. O filme foi indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro, mas no ano em que concorreu só tinha filme foda. Destaque para o ator Giorgi Nakashidze, que interpreta Ahmed, o cara conseguiu passar um carisma como poucos atores conseguem. Tão bom quanto um livro de Hemingway sobre a inutilidade da guerra.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O PORTÃO DE PARTIDA

Título Original: The Gate of Departure
Diretor: Karim Hanafy
Ano: 2014
País de Origem: Egito
Duração: 66min
Nota: 6

Sinopse: Uma meditação sobre tristeza, morte e aprisionamento psicológico que dispensa diálogo e narrativa para uma experiência visual que quebra as convenções.

Comentário: É um filme experimental que foge completamente do tipo de narrativa que as pessoas estão habituadas. Me remeteu um pouco da experimentação do filme Cartas Para Paul Morrissey, mas o filme escorrega na falta de um fio condutor na narrativa e isto atrapalha bastante o telespectador. O filme se mostra bastante pessoal para o diretor, que aborda o tema do suicídio da mãe em uma espécie de caleidoscópio de sentimentos auto-biográficos e esta entrega que ele faz vale a assistida. Há momentos poéticos que me lembraram O Espelho do Tarkovski, mas o geral da obra fica bem aquém do mestre russo. É um filme de cenas e sentimento, onde é possível se emocionar em pequenos detalhes. Gostei bastante da parte técnica, assistiria outro filme do diretor para ver sua evolução.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

ENTRE DOIS MARES

Título Original: Between Two Seas
Diretor: Anas Tolba
Ano: 2019
País de Origem: Egito
Duração: 87min
Nota: 8

Sinopse: Uma família de uma área rural no Egito é dividida após um trágico acidente. A busca de uma mãe por redenção, vingança e esperança define os eventos dessa história dramática de uma sociedade esquecida.

Comentário: Primeiro longa metragem do diretor Anas Tolba e vencedor dos prêmios de melhor roteiro e filme narrativo no festival de cinema do Brooklyn. O filme é carregado de uma sensibilidade ímpar, sobre mulheres que são tratadas como mercadorias em uma sociedade machista e doente. A direção é espetacular, o diretor é extremamente talentoso e sabe muito bem aproveitar suas qualidades técnicas. As interpretações também são impecáveis. A narrativa do filme foge bastante do que a galera está acostumada, mas ao mesmo tempo tenta não ser uma narrativa difícil para quem nunca assistiu este tipo de filme sobre uma ótica de um povo completamente diferente de nós. Um filme de esperança, de tragédia, de sentimentos que muitas vezes não conseguimos controlar. O filme foi feito em colaboração com o Conselho Nacional das Mulheres do Egito e da UN Women. Impossível assistir e não ser inundado por vários tipos de sentimentos diferentes. A mensagem religiosa geral é a única coisa realmente que não me desce, mas é a cultura deles, mas existe uma crítica bem construída de algumas pessoas religiosas que é muito boa também.