domingo, 22 de março de 2020

ONDE FICA A CASA DO MEU AMIGO?

Título Original: Khane-Ye Doust Kodjast?
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1987
País de Origem: Irã
Duração: 83min
Nota: 8

Sinopse: O garoto Ahmad, ao fazer seu dever de casa, percebe que pegou o caderno de seu amigo por engano. Sabendo que o professor exige que as tarefas sejam feitas no caderno, escapa das vistas de sua mãe e parte em busca do colega. Ele vai até uma vila nos arredores com o intuito de encontrá-lo para devolver o caderno.

Comentário: Abbas Kiarostami é um dos maiores diretores da história do cinema, aqui ele mergulha no mundo infantil, onde a pureza, companheirismo e ingenuidade permeiam todo o filme. O filme é simples, com uma bela fotografia e cheio de significados ocultos em cada detalhe. A busca de Ahmad pelo seu colega pode ser facilmente categorizada pela busca humana de tantas outras coisas, mas no cinema de Kiarostami, acho que a simplicidade prevalece em relação a questões complexas. Podemos assistir ao filme com a visão cheia de significados de um adulto ou podemos assistir ao filme com os olhos puros de uma criança, acho que as duas opções contam e é aí que mora a genialidade da película. O filme é o primeiro da Trilogia Koker, que é seguido pelos filmes A Vida e Nada Mais (1991) e Através das Oliveiras (1994).

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

O JORNAL - SEGUNDA TEMPORADA

Título Original: Novine
Diretor: Dalibor Matanic
Ano: 2018
País de Origem: Croácia
Duração: 550min
Nota:10

Sinopse: A corrida presidencial entre a candidata Jelena Krsnik, que luta pela reeleição, contra o ambicioso Ludvig Tomasevic coloca o país no meio de uma guerra política onde o jornal terá que escolher lados.

Comentário: Em muitos aspectos, uma temporada superior a primeira, mas talvez seja devido a similaridade com o cenário político brasileiro. Tomasevic é uma espécie de Bolsonaro croata, enquanto Krsnik é uma Dilma. Blago Antic continua sendo meu personagem favorito, e Tomasevic conquista cada vez mais um espaço no meu ódio mortal. O que chama a atenção é o que Matanic tem de melhor, desenvolvimento de personagens e o anacronismo de cada um na história da própria Croácia e seu problema com os fantasmas do passado. Mario Kardum perdeu bastante espaço na série nesta segunda temporada, mas acredito que voltará na terceira mais forte e buscando vingança, mas foi interessante ver seu relacionamento florescendo com Vanja. Novos personagens tiveram um crescimento ótimo, como Jolic. A trilha sonora continua sendo um ponto forte, assim como a direção contemplativa e fixa nos detalhes de Matanic. A série chegará ao seu fim na terceira temporada, assim como foi planejada pelo diretor e promete fechar como uma das melhores séries que vi nesta última década.


domingo, 19 de janeiro de 2020

SINÔNIMOS

Título Original: Synonymes
Diretor: Nadav Lapid
Ano: 2019
País de Origem: França
Duração: 123min
Nota: 7

Sinopse: Yoav, um jovem israelense, chega a Paris esperando que a França e os franceses o salvem da loucura de seu país. Determinado a extinguir suas origens e se tornar francês, ele abandona a língua hebraica e se esforça de todas as maneiras para encontrar uma nova identidade.

Comentário: O filme é baseado em experiências do próprio diretor, Nadav Lapid, no período em que viveu na França. O filme é esquisito, tem um ritmo que alterna bastante entre o maçante e o estilístico sessentista na nouvelle vague francesa. Começa de maneira eletrizante, levanta um excelente debate sobre o ser imigrante na Europa e encerra de maneira um pouco aberta demais sobre muitos aspectos.Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Não sei se daria o prêmio para ele, mas tem sua relevância. Vivi na Europa recentemente e posso dizer que muito do que é mostrado é bem coerente. O personagem, os lugares, as relações, tudo é denso e raso, como na vida. Vale a pena assistir só se estiver disposto a uma imersão em um estilo de filme bem longe do que nos é bombardeado pelas salas de cinema nos dias de hoje.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

TUNGSTÊNIO

Título Original: Tungstênio
Diretor: Heitor Dhalia
Ano: 2018
País de Origem: Brasil
Duração: 79min
Nota: 7

Sinopse: Um sargento do exército aposentado, um policial e sua esposa e um traficante aparentemente não possuem nada em comum, mas eles vão se unir em prol de um bem maior. Quando pessoas começam a utilizar explosivos para pescar na orla de Salvador, na Bahia, esse grupo fará de tudo para acabar com esse crime ambiental. Mas, na busca dos caminhos que lhes pareçam mais corretos, cada um deles vai passar por mais conflitos pessoais e morais.

Comentário: Baseada em uma história em quadrinhos com o mesmo nome do artista Marcello Quintanilha, o filme é bem fiel a obra, com uma excelente direção e atuação competente do elenco. Apesar de tudo isso, o filme não funciona como o quadrinho, pois a narrativa (que no quadrinho é muito mais dinâmica e entrelaçada) no filme acaba dando uma empacada. O narrador é o grande ponto baixo do filme, na obra original ele funciona, mas aqui ele só atrapalha, e atrapalha muito. As imagens são lindas, a edição e toda a parte técnica só mostra como o cinema nacional cresceu muito nos últimos anos. Gostei bastante do filme, e ele é curtinho, compensa muito.

sábado, 23 de novembro de 2019

ANIARA

Título Original: Aniara
Diretores: Pella Kågerman & Hugo Lilja
Ano: 2018
País de Origem: Suécia
Duração: 106min
Nota: 7

Sinopse: Aniara é a história de uma das muitas naves espaciais usadas para transportar a população da Terra para o seu novo planeta natal, Marte. Mas assim como Aniara deixa a Terra em ruínas, ela colide com detritos espaciais e é retirada de seu curso. Os passageiros de Aniara lentamente percebem que nunca poderão voltar; eles continuarão em frente através de um universo vazio e frio para sempre. O vencedor do prêmio Nobel da Suécia, Harry Martinsson, escreveu Aniara em 1956.

Comentário: O filme é muito bom, a produção não fica devendo em nada para um filme de Hollywood, as atuações são competentes e a quantidade de reflexões que nos trás é assustadoramente interessantes. Como fã de Star Trek, discordo de muita coisa colocada no filme como inexorável, pois acredito que a humanidade é altamente adaptável a situações, como também duvido de que o capitão conseguisse ficar no poder por mais de dois anos, ou seja, minhas criticas ao filme são meramente narrativas e de posições, única e exclusivamente, minhas. Acho que ele poderia ter aproveitado mais pontos, mas acabou caindo demais em uma fórmula mais digerível para um público de filme comercial, senti que podia ter ousado mais. Apesar de tudo é um belo filme. A atriz principal (Emelie Jonsson) é cativante e a coadjuvante (Bianca Cruzeiro) parece ter raízes no Brasil.

domingo, 10 de novembro de 2019

UM DOCE OLHAR

Título Original: Bal
Diretor: Semih Kaplanoglu
Ano: 2010
País de Origem: Turquia
Duração: 100min
Nota: 6

Sinopse: Um Doce Olhar mostra a jornada de Yusuf, um garoto turco que está aprendendo a ler e a escrever, e que nas horas vagas ajuda o seu pai, um simples apicultor que guarda as colméias nos galhos mais altos das maiores árvores de uma misteriosa floresta. Mas quando seu pai parte em busca de descobrir porque as abelhas estão sumindo, Yusuf se prepara para viver a sua maior aventura, tentando dar algum sentido à sua vida.

Comentário: Ganhador do Urso de Ouro em Berlim, o filme é tecnicamente impecável, mas não é um filme que flui bem. E por mais que seja cheio de significado, não é um filme fácil de ser assistido. Parado, silencioso, sufocante e contemplativo. Achei o filme um pouco arrastado, pois suas características lembram muito os filmes de Nuri Bilge Ceylan, outro diretor turco, mas nos filmes de Ceylan eu não tive o problema de sentir que o filme estava se arrastando, muito pelo contrário. A falta de entrosamento dos personagens, mesmo sendo parte da narrativa, atrapalha. Bal, o título do filme em turco, significa mel.

sábado, 9 de novembro de 2019

O JORNAL - PRIMEIRA TEMPORADA

Título Original: Novine
Diretor: Dalibor Matanic
Ano: 2016
País de Origem: Croácia
Duração: 590min
Nota: 9

Sinopse: Um magnata da construção assume o controle de um jornal em dificuldades e tenta exercer influência editorial para benefício próprio.

Comentário: Que série! Dirigida e idealizada por Dalibor Matanic, diretor do filme Sol a Pino. A série demora uns dois capítulos até nos familiarizarmos com os personagens, pois são vários. É engraçado como a série brinca com o nosso ódio por alguns personagens. Até metade da temporada torcemos para ver Kardum se foder, depois vemos que existem monstros piores, não que passemos a odiá-lo menos por isso. Mas o mais legal da série, é ver como o jornalismo morreu, como é algo vendido dentro do sistema político e social, onde empresários controlam informações e utilizam a mídia para manipulação do cenário a seu benefício próprio. Uma série que precisa ser assistida pelos brasileiros, que vivem atualmente o mesmo cenário desolador de manipulação de informação. A série terminará na terceira temporada que terminou suas filmagens este mês. Das coisas ótimas escondidas no Netflix.

sábado, 2 de novembro de 2019

OLEG

Título Original: Oleg
Diretor: Juris Kursietis
Ano: 2019
País de Origem: Letônia
Duração: 108min
Nota: 7

Sinopse: Natural da Letônia, Oleg tenta fazer uma carreira real dentro da sua profissão, trabalhando em uma fábrica de carnes em Bruxelas. Por ser de outro país, ele sofre mais dificuldades que o normal para se destacar, o que eventualmente ocasiona em sua demissão. Desolado e desesperado, Oleg acaba se tornando refém da máfia local.

Comentário: O filme consegue prender muito bem, o roteiro é muito bem escrito pelo ritmo que o filme leva, pois quase todo o momento é de tensão e causa um incomodo difícil de manter por quase toda uma película, mas tanto a direção como a história conseguem este feito. A Letônia é um país ortodoxo, portanto existe referências cristãs que não pude pegar muito bem, já que não sou cristão. Uma coisa que me incomodou é que em algumas partes o filme não é muito crível, pois como já vivi como imigrante na Europa, entre imigrantes (inclusive da Letônia e da Polônia, como o filme mostra), tem cenas que são difíceis de acreditar como reais. A atuação de todo elenco é muito bem orquestrada e conseguem proporcionar cenas maravilhosas.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

APENAS 6,5

Título Original: Metri Shesh Va Nim
Diretor: Saeed Roustayi
Ano: 2019
País de Origem: Irã
Duração: 132min
Nota: 10

Sinopse: Policial da força-tarefa antinarcóticos, Samad trabalha numa cidade repleta de viciados. Ele consegue prender Nasser, influente traficante das cercanias, então sentenciado à morte. Mas Samad descobre que o bandido foi, na verdade, forçado a envolver-se com a criminalidade por suas péssimas condições de vida.

Comentário: Este filme é tudo aquilo que o Coringa se propôs em fazer e falhou miseravelmente em fazê-lo. Temos todos os aspectos para fazermos um pré julgamento das condições de Nasser Khakzad, desde o fato de ser uma vítima das condições sociais, quando ao fato da soberba de gastos e destruição de vidas. O filme começa com a visão do policial, quando na metade ele deixa o protagonismo para o traficante, sem nunca cair para nenhum lado tendencioso. O filme me arrancou lágrimas. Ele é cru e direto, não faz rodeios sobre nada, cabe ao espectador juntar as partes que lhe sejam convincentes para formar uma opinião. As atuações e algumas tomadas são grandes espetáculos para todos os sentidos. Um filme que merecia muito mais holofotes, mas não é americano, né? O melhor filme que vi na Mostra de Cinema de São Paulo este ano.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

AURORA

Título Original: Aurora
Diretora: Miia Tervo
Ano: 2019
País de Origem: Finlândia
Duração: 106min
Nota: 10

Sinopse: Aurora é uma manicure solteira que adora sair e beber. O sonho dela é se mudar da Finlândia, mas a falta de dinheiro — por causa do alcoolismo e pelo fato de ter sido despejada — faz com que esse objetivo fique distante. O iraniano Darian, por sua vez, sonha em poder continuar morando na Finlândia, mas precisa do visto permanente para ele e a filha de nove anos. Uma noite, os dois se conhecem. ele quer se casar com ela, mas Aurora tem outra ideia: por três mil euros, ela o ajuda a encontrar uma esposa Finlandesa.

Comentário: Que filme lindo! Quem disse que um filme romântico precisa seguir padrões de Hollywood e ser recheado de clichês? Não que aqui não tenha seus clichês, mas cada um deles são perfeitamente encaixados para nossos corações derreterem que nem manteiga. Pelo menos o meu derreteu. A história dos personagens, a direção (delicada, sensível e frenética), as pitadas de comédia e os temas sérios que aborda fazem desta película uma das melhores que assisti neste ano. Ver a falta de tato das pessoas confundindo o personagem iraniano com árabe e achando que seu país vive em guerra fez eu entender a frustração que minha namorada (iraniana) tem sobre esses assuntos quando as pessoas fazem as mesmas coisas. E ver o problema de Aurora com o álcool, mesmo demônio que eu tive que enfrentar por anos da minha vida, fizeram este filme ter um impacto enorme em mim. O copo de cerveja no aeroporto fez meus olhos encherem de lágrimas. A atriz Mimosa Willamo é o grande trunfo do filme, entre as melhores atuações do ano para mim, mas a direção e o emprenho do ator Amir Escandari não ficam muito atrás.