domingo, 30 de junho de 2019

UM CONTRATEMPO

Título Original: Contratiempo
Diretor: Oriol Paulo
Ano: 2016
País de Origem: Espanha
Duração: 106min
Nota: 9

Sinopse: Tudo está indo muito bem na vida de Adrián Doria: seu negócio é um sucesso, sua família é linda e sua amante Laura não tem problemas com o fato de manterem seu caso em segredo. Até o dia em que ele desperta num quarto de hotel, depois de ser atingido na cabeça, e encontra Laura morta no banheiro. Como o quarto está trancado por dentro, sem nenhuma maneira de entrar ou sair, ele é imediatamente acusado pelo crime, mas recorre à melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman, para tentar reconstruir o que realmente aconteceu. É quando Doria confessa uma história terrível envolvendo um acidente e a morte de um inocente.

Comentários: O filme faz uso excessivo de "plot twist"? Sim, ele faz! Isso faz com que seja ruim ou perca a força? Não, em nenhum momento. A história é muito bem amarrada, consegue prender o telespectador e brincar com as situações que cria de maneira muito bem elaborada. Alguns podem dizer que ele chega a plagiar o filme Os Suspeitos em alguns momentos, mas acho um argumento completamente desnecessário. O filme é ótimo, serve de maneira perfeita a proposta que cria. O final é surpreendente, mas consegue manter a mesma surpresa ao longo de todo o filme. Poucos filmes conseguem fazer o que este faz de maneira convincente e de forma tão natural. Recomendo!

domingo, 28 de abril de 2019

QUE HORAS SÃO NO SEU MUNDO?

Título Original: Dar Donya ye to Saat Chand Ast?
Diretor: Safi Yazdanian
Ano: 2014
País de Origem: Irã
Duração: 96min
Nota: 8

Sinopse: De uma hora pra outra, Goli decide regressar ao Irã, depois de 20 anos vivendo na França. Ao pousar em Rasht, sua cidade natal, ela é recebida por Farhad, um fabricante de molduras. Ele parece conhecê-la muito bem, mas Goli não tem absolutamente nenhuma lembrança dele.

Comentário: Um filme que precisa de uma maturação depois de assistir, e ainda assim muitas pessoas talvez não consigam digerir tão bem pelo choque cultural envolvido. Um filme com muitos valores, costumes e detalhes que são completamente despercebidos para nós, do ocidente, onde o amor é retratado de uma forma que não estamos habituados. Muitos podem caracterizar Farhad como um louco, stalker ou obcecado, quando na verdade nos é apresentado um amor de uma forma pura de difícil compreensão para o grande público deste lado do globo. Leila Hatami está excelente como sempre e a direção e a narrativa de Safi Yazdanian estão soberbas para o seu filme de estréia, mas é Ali Mosaffa, no papel do enigmático Farhad, que carrega o filme nas costas fazendo com que não saibamos lidar com ele. O trabalho sobre memória e identidade de toda uma cultura que vê seus filhos terem que abandonar um país, que vive momentos difíceis desde a revolução de 1979, para tentar a sorte no exterior, que tendo sucesso ou não, nunca é fácil.

sábado, 27 de abril de 2019

PRIMER

Título Original: Primer
Diretor: Shane Carruth
Ano: 2004
País de Origem: EUA
Duração: 77min
Nota: 9

Sinopse: Aaron (Shane Carruth) e Abe (David Sullivan) são dois jovens engenheiros que realizam experiências científicas em uma garagem. O projeto mais recente em que estão trabalhando é um dispositivo que reduz o peso de um objeto em seu interior, ao bloquear a força da gravidade. A experiência faz com que a dupla realize uma descoberta que pode fazer com que tenha tudo o que quiser.

Comentário: Eu disse que apareceria algum filme americano por aqui, quando este saísse da curva de filme hollywoodiano comercial e este é digno de ser o primeiro a ser comentado. Talvez o melhor filme de viagem no tempo já feito, seu único defeito é algumas partes do ritmo, tirando isso o filme é perfeito. Shane Carruth é um gênio, prefiro o seu segundo filme, mas este não deixa nada a desejar. Um roteiro brilhante, atuações excelentes e uma história que deixa o telespectador perdido, procurando por respostas. Assisti vários vídeos no Youtube explicando o filme e tenho que concordar que é um filme para se assistir no mínimo três vezes. Uma ficção científica completamente diferente de tudo o que você já viu.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

ÁRVORE DE SANGUE

Título Original: El Árbol de la Sangre
Diretor: Julio Medem
Ano: 2019
País de Origem: Espanha
Duração: 135min
Nota: 9

Sinopse: Um jovem casal desvenda segredos sombrios de seus ancestrais ao escrever a história em comum das famílias de ambos. E um dos dois precisa fazer uma confissão dolorosa.

Comentário: O filme lembra bastante a construção de um romance de Gabriel García Márquez, com várias mudanças de tempo e vários personagens que se interligam. Julio Medem mantém uma direção soberba, mas não achei tão bom quanto o filme Os Amantes do Círculo Polar. Em alguns momentos o filme acaba caindo em um dramalhão ou em cenas de sexo vazias, tirando isso o filme é perfeito. Conseguiu me emocionar e conseguiu transmitir aquilo que queria para mim. O desfecho, ao contrário do que muitas pessoas comentaram, eu achei perfeito, como na vida real, não trás soluções fáceis ou mastigadas, mas sim compreensão ou aceitação de que não temos 100% de respostas e resoluções para tudo. Um ótimo filme perdido pelo catálogo do Netflix.

segunda-feira, 25 de março de 2019

A SEPARAÇÃO

Título Original: Jodaeiye Nader az Simin
Diretor: Asghar Farhadi
Ano: 2011
País de Origem: Irã
Duração: 123min
Nota: 10

Sinopse: Simin e seu marido Nader, estão se preparando para deixar o Irã, com a filha Termeh. Mas Nader, preocupado com seu pai, que sofre de Alzheimer, acaba desistindo da viagem. Decepcionada, Simin, entra com pedido de divórcio, que é negado pela vara de família. Ainda assim, ela decide sair de casa, deixando Termeh, para trás. Sem conseguir lidar com todas essas mudanças, Nader, contrata a jovem Razieh, para cuidar de seu pai doente. Grávida, a moça está trabalhando escondida do marido.

Comentário: O filme ganhou o Oscar e o César de melhor filme estrangeiro e ainda o Urso de Ouro em Berlim. É um belo filme, onde uma intrincada história mostra como a vida é feita de ações e reações. Longe de ser um filme com ritmo lento, o filme é frenético, e faz o telespectador mudar de percepção sobre a história que está assistindo a todo momento, não sabemos em quem acreditar, não sabemos do lado de quem ficar, e é isto que faz deste filme único. Assim como na vida, não existem heróis, não existem vilões, nem certo ou errado, apenas decisões erradas que podem ser catastróficas. As atuações são excelentes, comi todas as minhas unhas durante a película, com cenas que fazem questionarmos nossos próprios valores morais. Farhadi mostra que é um dos grandes diretores contemporâneos ganhando aqui o primeiro de seus dois Oscars, sendo indicado ao Oscar de melhor roteiro original por este, inclusive. Um dos filmes preferidos de uma pessoa muito especial para mim, por isso foi escolhido para estrear este blog.

O BLOG

Faz um tempo que tenho o blog Oráculo Alcoólico, onde resenho filmes dos anos 60. A ideia deste é exatamente a mesma do outro, mas com a diferença de que vou resenhar apenas filmes que não são americanos e que sejam mais contemporâneos, ou seja, que saiam do mainstream Hollywoodiano. Pode ser que apareça algum filme falado em inglês? Pode! Mesmo porque terão filmes de países que falam em inglês, mas que não é os EUA. A ideia é se manter afastado de filmes comerciais, então alguma coisa mais comercial pode aparecer por aqui sim, principalmente se for algum diretor mais autoral como Wes Anderson, Quentin Tarantino, entre outros. Entenderam a ideia, né?

Notas:
1 = Inassistível de tão ruim
2 = Péssimo
3 = Muito Ruim
4 = Ruinzinho
5 = Regular
6 = Legalzinho
7 = Bom
8 = Muito Bom
9 = Ótimo
10 = Perfeito