quinta-feira, 14 de agosto de 2025

NIKITA: CRIADA PARA MATAR

Título Original: Nikita
Diretor: Luc Besson
Ano: 1990
País de Origem: França
Duração: 117min
Nota: 8

Sinopse: Uma bela criminosa, condenada à prisão perpétua pelo assassinato de um policial, recebe uma segunda chance: como uma assassina política secreta controlada pelo governo.
 
Comentário: O filme é muito bom, Besson sabe bem como comandar o ritmo do filme, ele funciona perfeitamente bem dentro da ideia de um filme de ação. Dito isso é preciso que eu prefiro o remake americano, e este talvez seja o único filme que isso aconteça. Talvez seja por conta da memória afetiva de criança, muito provavelmente seja por conta da Nina Simone que conheci assistindo o remake, pode ser por conta da Bridget Fonda que eu tenho uma paixão platônica, mas acredito que há elementos no roteiro do remake que o deixaram mais interessante. Mas falando desse filme, fiquei meio chocado como a participação da Jeanne Moreau é subaproveitada demais, a Anne Parillaud dá um show como Nikita, mas confesso que prefiro o Gabriel Byrne no remake do que o Tchéky Karyo aqui. Uma história simples contada em um ritmo que funciona, no geral é isso.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

O ESTADO DAS COISAS

Título Original: Der Stand der Dinge
Diretor: Wim Wenders
Ano: 1982
País de Origem: Portugal
Duração: 122min
Nota: 8

Sinopse:
 
Comentário: Vencedor do Leão de Ouro e do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Veneza. Era o único filme, dos antigos do diretor, que eu ainda não havia assistido. Há anos eu guardava para ver em algum momento, apesar de achar que está muito aquém das maiores obras do diretor, tem seus grandes momentos. Primeiramente sou suspeito para falar do Patrick Bauchau, que eu amo desde adolescente por causa de uma série que assistia com ele, e na minha opinião ele carrega o filme nas costas. As cenas do filme que ele está gravando são maravilhosas, o estilo retro-futurista faz a gente querer que o Wenders tivesse realmente feito algo assim. Há criticas ao cinema pipoca americano por todos os lados. Há personagens chatos também, que parecem não acrescentar muito, mas adoro esse ritmo lento com várias coisas mal contadas nas entrelinhas. A maior parte do elenco foi emprestada de outro filme (The Territory do diretor Raúl Ruiz) enquanto rodavam em Portugal. Definitivamente um tipo de filme que não se faz mais hoje em dia, infelizmente. Quando começou a tocar X no carro fui teletransportado direto para a minha adolescência, uma banda que fazia anos que não escutava.

OBS: Pelos mesmos critérios que cadastrei o filme "Profissão: Repórter" como um filme da Espanha, cadastrei este como um filme de Portugal, onde se passa a maior parte da película.

domingo, 27 de julho de 2025

O SENHOR DOS MORTOS

Título Original: The Shrouds
Diretor: David Cronenberg    
Ano: 2024
País de Origem: Canadá
Duração: 119min
Nota: 8

Sinopse: Karsh, um empresário inovador e viúvo enlutado, constrói um dispositivo para se conectar com os mortos dentro de uma mortalha de enterro.
 
Comentário: Indicado ao Palma de Ouro no Festival de Cannes. É muito bom ainda ter Cronenberg com seu estilo ainda intacto no meio de tanto lixo na Hollywood atual, não achei o filme tão bom quanto seus últimos, mas é muito acima da média. Acho que o filme vai se enrolando demais na conspiração chinesa (que até agora eu não sei se é em tom de deboche do diretor ou se é realmente uma visão meio ocidental eurocentrista, mas eu fico com a primeira opção, já que é do Cronenberg que estamos falando aqui). De resto o filme tem elementos ótimos, desde o culto à morte ao relacionamento cheio de tensões entre os personagens. Cronenberg ainda consegue ser extremamente necessário para o cinema atual e espero que ainda faça muitos outros filmes. Cassel e Kruger estão ótimos.

sábado, 26 de julho de 2025

UM ATO DE CARIDADE

Título Original: Paziraie Sadeh
Diretor: Mani Haghighi
Ano: 2012
País de Origem: Irã
Duração: 96min
Nota: 10

Sinopse: Um casal iraniano da cidade dirige por uma remota região montanhosa. Eles distribuem sacolas de dinheiro para moradores pobres em troca de pedidos incomuns que o casal faz.
 
Comentário: Vencedor de um prêmio fora da competição principal no Festival de Berlim. Que filmaço! Fui assistir sem esperar muito e o filme entrega tudo. A direção é ótima, a trilha sonora funciona perfeitamente nas cenas e o casal protagonista simplesmente brilham em frente as câmeras. Um filme não muito conhecido dentro do cinema iraniano (minha esposa que é iraniana nunca assistiu e acabei vendo sozinho e amei). Um filme profundo e que consegue ter fortes cargas dramáticas com cenas hilárias e de uma comédia que não força demais os personagens. Senti raiva tanto dele quanto dela em vários momentos do filme ao mesmo tempo que os amei. Roteiro perfeito, pois é muito difícil conseguir manipular tão bem o sentimento do telespectador como ele faz. Merecia ser mais conhecido.

terça-feira, 22 de julho de 2025

KIKA

Título Original: Kika
Diretor: Pedro Almodóvar
Ano: 1993
País de Origem: Espanha
Duração: 114min
Nota: 6

Sinopse: Quando o autor americano Nicholas traz uma cosmetologista chamada Kika para preparar o cadáver de seu filho recém-falecido, ela inadvertidamente reanima o jovem e se apaixona por ele. No entanto, forças conspiram contra o casal, pois Nicholas deseja Kika para si.
 
Comentário: O filme é legalzinho, mas eu sempre digo e repito: Pedro Almodóvar é muito melhor quando faz filmes simples, aqui ele tenta criar algo mirabolante demais, a narrativa perde a força que poderia ter e as situações meio estapafúrdias deixam o filme meio bobo em vários momentos. Verónica Forqué e Victoria Abril se destacam bastante e seguram o telespectador, os figurinos da jornalista Caracortada são talvez o ponto mais alto do filme. Muito abaixo de obras mais relevantes do diretor, a cena de estupro que tenta criar um ambiente de comédia acaba sendo meio tosca. Personagens interessantes mal aproveitados, mas que funcionam bem para passar o tempo. Podia ser bem melhor se fosse mais pé no chão. Acho que o diretor envelheceu como vinho em suas películas.

sábado, 5 de julho de 2025

A MORTE DE DAVID CRONENBERG

Título Original: The Death of David Cronenberg
Diretores: David Cronenberg & Caitlin Cronenberg
Ano: 2021
País de Origem: Canadá
Duração: 1min
Nota: 7

Sinopse: David Cronenberg está em um quarto suavemente iluminado e olha profundamente para a câmera antes de seu olhar se voltar para uma figura imóvel na cama...
 
Comentário: Dirigido pelo diretor e sua filha mais nova, o curta metragem peca exatamente por ser muiiiiito curto. Acho que dava para explorar muito mais reações do diretor encontrando e lidando com seu corpo morto na cama. Mas não deixa de ter uma profundidade esse curtíssimo espaço de tempo que não conta exatamente uma história, mas sim uma certa impressão sobre a morte que não costumamos encarar de frente. Em seus 60 segundos é intenso, como tudo o que o diretor faz.

domingo, 22 de junho de 2025

DISTANTE

Título Original: Uzak
Diretor: Nuri Bilge Ceylan
Ano: 2002
País de Origem: Turquia
Duração: 109min
Nota: 8

Sinopse: Depois que sua esposa o abandona, um fotógrafo tem uma crise existencial e tenta lidar com a visita de seu primo.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do Grande Prêmio do Júri, Melhor Ator e outro fora da competição principal no Festival de Cannes. O filme que finalmente mostrou para a que veio Nuri Bilge Ceylan, peça fundamental inicial do que seria um dos maiores diretores de todos os tempos na minha opinião, todo enquadramento é maravilhoso. É o filme preferido do diretor de um amigo meu, mas acho que ainda faltam elementos que ele viria a trabalhar melhor em seus filmes mais recentes. Mehmet Emin Toprak ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes meses após ter falecido em um acidente de carro 4 meses após seu casamento, ele era primo do diretor, o que tornou o filme uma espécie de testamento de seu talento ainda em ascensão. É interessante a dinâmica dos personagens, você simpatiza e antipatiza de ambos em momentos diferentes do filme, é tudo tão natural, tão simples ao mesmo tempo em que nos diz tanto e também tão pouco sobre eles.

sábado, 21 de junho de 2025

O FIM DA VIOLÊNCIA

Título Original: The End of Violence
Diretor: Wim Wenders
Ano: 1997
País de Origem: EUA
Duração: 122min
Nota: 9

Sinopse: Em Hollywood, as vidas de um produtor de cinema de sucesso, sua esposa, um detetive de polícia e um agente de vigilância se cruzam após um sequestro fracassado.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Eu adorava esse filme quando assisti no fim da minha adolescência e passei uns bons anos com esse tique de dizer "defina isso ou defina aquilo". Diria que é o "Cidade dos Sonhos" do Wim Wenders, sua crítica a Hollywood e a sociedade plástica estadunidense. A história é toda entrecortada, parece haver lacunas, parece estar incompleta, cheia de buracos, mas óbvio que são intencionais e adoro este tipo de filme, onde nos força a entender os personagens muito bem construídos e seus detalhes que servem como auto explicação de muita coisa. É o Wenders fazendo um filme nos Estados Unidos debochando da narrativa dos filmes hollywoodianos, não a toa o diretor no filme solta um "porque não vou fazer filmes na Europa?" em um momento chave. Bill Pullman teve seu ano de ouro aqui lançando este e o Estrada Perdida do Lynch. Impressionante também como o filme é visionário sobre o "fim da violência", estado e câmeras por todos os lados.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

TICKETS

Título Original: Tickets
Diretores: Ermanno Olmi, Abbas Kiarostami & Ken Loach
Ano: 2005
País de Origem: Itália
Duração: 105min
Nota: 8

Sinopse: Durante uma viagem de trem da Europa Central para Roma, personagens se conectam por meio de encontros casuais e contam uma história de amor, acaso e sacrifício. Uma única viagem desencadeia muitas mudanças para muitas pessoas.
 
Comentário: Filme muito bom, a primeira história dirigida por Olmi talvez seja a mais sensível, cheia de tons realistas sobre como fantasiamos em amores platônicos ao mesmo tempo que contrasta com a Europa pós-11 de Setembro e a Invasão do Iraque em 2003. É na segunda história dirigida por Kiarostami que acredito que more a maior força do filme, porque nos força a encarar sentimentos conflitantes, principalmente quanto a personagem da viúva e seu desfecho, interessante notar que no ano que o filme foi lançado o serviço obrigatório dos homens no exército foi abolido. A terceira e última é um típico conto Loachiano, com conflitos de realidades entre emigrantes albaneses (em uma época que o problema de imigração na Europa era de outros europeus entrando na União Europeia, a realidade hoje aqui é muiiiiiiito diferente) e torcedores escoceses de futebol, mas que apesar de trazer toda a discussão social que o diretor sempre propõe é também a história mais leve e que carrega até uma pitada de humor e leveza em seu final. Vale muito a assistida.

domingo, 15 de junho de 2025

AINDA ESTOU AQUI

Título Original: Ainda Estou Aqui
Diretor: Walter Salles
Ano: 2024
País de Origem: Brasil
Duração: 137min
Nota: 10

Sinopse: Uma mulher casada com um ex-político durante a ditadura militar no Brasil é obrigada a se reinventar e a traçar um novo destino para si e os filhos depois que a vida de sua família é impactada por um ato violento e arbitrário.
 
Comentário: Indicado ao Leão de ouro e vencedor de outros três prêmios fora da competição principal no Festival de Veneza e Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Fui assistir sem esperar muito, pois sempre fico com o pé atrás quando o filme tem o hype muito alto e havia lido algumas críticas de que o filme era elitista. Amei o filme, a história é contada de uma maneira que dá muito força a narrativa, é tudo muito forte e sensível ao mesmo tempo. Fernanda Torres está uma força da natureza aqui, para quem está acostumado a ver ela fazendo comédia é impressionante vê-la tão entregue ao papel. Quanto ao filme ser elitista, pode até ser, mas acho injusto isso pesar contra, já que é contado por uma família elitista praticamente do mesmo padrão da que eu cresci. Meu primo é o desaparecido político mais jovem desta época (15 anos: preso, torturado e morto) e o fato de sermos uma família elitista não diminui a dor que isto causou como uma bomba na família. A cena da empregada é extremamente realista, porque é exatamente assim que acontece, por mais que sejam pessoas da família, elas estão ali para serem pagas também. O amor existe, mas a realidade é outra, achei a cena de uma realidade crua e até necessária. Filme obrigatório e ditadura nunca mais.