sábado, 11 de novembro de 2023

COMPARTIMENTO Nº6

Título Original: Hytti Nro 6
Diretor: Juho Kuosmanen
Ano: 2021
País de Origem: Finlândia
Duração: 108min
Nota: 8

Sinopse: Enquanto um trem segue seu caminho até o círculo ártico, dois estranhos compartilham uma jornada que mudará suas maneiras de encarar a vida.
 
Comentário: Vencedor do Grand Prix no Festival de Cannes. Um filme bem gostoso de assistir, você vai se envolvendo na relação que vai sendo construída, o personagem Ljoha permanece um enigma em vários aspectos, você quer desvendá-lo e não consegue. Grande acerto do diretor. A personagem principal também tem seu carisma que funciona muito bem. O filme se passar aparentemente no final dos anos 90 (com certeza de 1997 para depois) também foi outra escolha acertada, existe toda uma áurea de nostalgia para pessoas como eu que viveram e sentem saudades de um mundo mais analógico sem a febre do celular. O final é ótimo, as pontas soltas são ótimas, a experiência que fica do filme também é ótima. Enfim, um filme que eu indicaria para todo mundo, mesmo sabendo que tem uns que torceram o nariz. Apesar do filme se passar todo na Rússia, é uma produção finlandesa, inclusive foi a escolha do país para competir no Oscar.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

SUOR

Título Original: Sweat
Diretor: Magnus von Horn
Ano: 2020
País de Origem: Polônia
Duração: 106min
Nota: 8

Sinopse: Três dias na vida da motivadora do fitness Sylwia Zajac, cuja presença nas mídias sociais a tornou uma celebridade. Embora ela tenha centenas de milhares de seguidores, seja cercada por funcionários leais e admirada por conhecidos, o que ela realmente procura é a verdadeira intimidade.
 
Comentário: Mais um dos filmes que foram selecionados para a Palma de Ouro no Festival de Cannes que não ocorreu por conta da pandemia. O filme é muito bom, levanta várias questões interessantes e a maneira como tudo é mostrado também acaba dando uma carga para o filme que poderia muito bem ter ido por um caminho mais fácil. A relação entre a personagem e sua mãe tem várias camadas, o machismo e a misoginia transbordam e a falsidade da vida através de um celular acaba sendo o principal. A atriz está ótima no papel, merecedora de um prêmio de melhor atriz em Cannes caso o festival tivesse sido realizado. Um filme que parece raso se você assistir sem prestar atenção, mas muito profundo. Para uma discussão mais apurada seria necessário spoilers.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

GAZA

Título Original: Gaza
Diretores: Garry Keane & Andrew McConnell
Ano: 2019
País de Origem: Palestina
Duração: 91min
Nota: 9

Sinopse: Um belo retrato dos cidadãos de Gaza, levando vidas significativas além dos escombros de conflitos perenes.
 
Comentário: Indicado para melhor documentário do Festival de Sundance. Avassalador é a melhor palavra para descrever o sentimento de ver essas vidas passando pela nossa tela, tentar entender como é que é possível a humanidade chegar nesse ponto. Mesmo tendo cenas nitidamente ensaiadas (como quando o taxista vai comprar um café, por exemplo) a essência do que realmente importa está ali e não é nem um pouco parte de um script. O comércio local destruído pela falta de energia elétrica, a dificuldade de acesso a água e a condições dignas de sobrevivência. Há quem possa apontar o dedo para o sujeito pobre com 3 esposas e 40 filhos, mas é as mazelas da pobreza não tão diferente do Brasil. As cenas com o enfermeiro e os relatos dele são os melhores e achei os mais autênticos. Um filme necessário neste momento de genocídio que vivemos. Fico pensando quais personagens conseguiram permanecer vivos depois desse cerco de Israel. PS: cadastrei o filme como palestino, apesar de ser uma produção irlandesa, porque não achei que faria sentido um filme cadastrado aqui como irlandês que se passa inteiro em Gaza.

domingo, 5 de novembro de 2023

TRIBUTO AOS PROFESSORES

Título Original: Bozorgdasht-e mo'Allem Ra
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1977
País de Origem: Irã
Duração: 17min
Nota: 6

Sinopse: Neste breve curta do início da carreira de Kiarostami, ele entrevistou professores no Irã para prestar homenagem ao papel da educação na sociedade daquele país.
 
Comentário: Interessante o curta, e triste ao mesmo tempo. É possível ver as raízes conservadoras religiosas intrincadas na educação, assim como ocorre no Brasil hoje, e mostra muito bem alguns pontos importantes do cenário em que ocorreu a ascensão da República Islâmica naquele país com a Revolução de 79, apenas dois anos depois deste filme e que perdura até hoje. Também é possível comparar como a educação é colocada de escanteio em países de terceiro mundo, com má remuneração e a velha história de "ser professor é uma profissão honrada, não para ganhar dinheiro". Como é bom hoje conseguir ler farsi, a grafia do título original está toda errada no IMDB quanto no Filmow (faltando o "Ra" no final que quase não altera o significado).

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

JOYLAND

Título Original: Joyland
Diretor: Saim Sadiq
Ano: 2022
País de Origem: Paquistão
Duração: 127min
Nota: 10

Sinopse: O filho caçula de uma tradicional família paquistanesa consegue um emprego como dançarino de apoio em um burlesco à la Bollywood e rapidamente se apaixona pela obstinada mulher trans que comanda o show.
 
Comentário: Vencedor do Prêmio do Juri da competição Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Por mim podia ter dado a Palma de Ouro fácil para este aqui, confesso que o começo do filme não me prendeu muito, é o desenrolar e o desfecho que despedaça a gente por dentro que faz o filme ter a força que tem. Definitivamente não é um filme sobre um romance queer, é um filme sobre responsabilidade emocional (fator tão em falta na sociedade de hoje), como afetamos as pessoas a nossa volta, como as conexões se estendem entre as pessoas e a fronteira entre o egoísmo, responsabilidade e tantas outras coisas que fazem parte de pessoas e relacionamentos. Um filme complexo, que diz tanta coisa com uma história até que simples, o final martela na cabeça por muito tempo. Sarwat Gilani (a cunhada) é linda demais e dá um show. Ali Junejo e Alina Khan (o casal principal) dão um verdadeiro show, funcionam como tinham que funcionar, mas é Rasti Farooq (como Mumtaz) que rouba o filme inteiro. Diria que em um ano que teve muito, mas muito filme foda mesmo, este aqui talvez seja o melhor. (2022 foi uma surpresa de tanto filme bom).

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

NILSON, FILHO DO CAMPEÃO

Título Original: Nilson, Filho do Campeão
Diretor: Diego Tafarel
Ano: 2021
País de Origem: Brasil
Duração: 16min
Nota: 6

Sinopse:

A vida animal em tempos de trabalhos e afetos precarizados.

 
Comentário: É um curta metragem onde tem muita coisa que funciona e muita coisa que não. Achei o personagem meio creepy, o ator está muito bem no papel. A situação da festa de aniversário é muito boa, mesmo não fazendo o menor sentido um cara fantasiado de bichinho ir animar uma festa de um marmanjo (só faz sentido se o amigo dele for o maior filho da puta da história), mas todo o clímax do que poderia acontecer depois não acontece ou não é desenvolvido na história. A própria situação do personagem, quem é que vive em uma casa tipo a dele sozinho vestido de bicho fazendo propaganda na rua? Este tipo de trabalho é bico de quem faz outra coisa, eu já fiz e tive uma namorada que fazia (é triste demais). Acho que faltou um pé no realismo das condições de muita coisa, mas não é ruim de assistir por isso, cumpre o papel de maneira satisfatória, mas poderia ter sido bem melhor. Não entendi nada o título.

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

ESTE É O MEU DESEJO

Título Original: Eyimofe
Diretores: Arie Esiri & Chuko Esiri
Ano: 2020
País de Origem: Nigéria
Duração: 116min
Nota: 7

Sinopse: Em Lagos, Nigéria, a tragédia e o destino intervêm quando duas pessoas tentam melhorar a vida de suas famílias.
 
Comentário: Indicado em uma seleção paralela no Festival de Berlim. O título original é uma palavra em iorubá que significa um indivíduo atencioso e amoroso que coloca a necessidade dos outros antes da sua, portanto o título nacional que acabou sendo traduzido direto do título em inglês acaba não tendo o mesmo sentido. A estreia dos irmãos gêmeos é bastante competente e fico no aguardo para futuros filmes deles, o elenco também dão um show. Me espanta um pouco a passividade do povo nigeriano, por mais que eles estejam na merda eles não perdem o controle, não se revoltam, não gritam, não explodem... e isso é um aspecto cultural que pude perceber nos últimos anos, trabalho com vários e dois deles são relativamente bem próximos de mim, sempre me espanto com isso e neste filme pude ver muito disso. Uma triste realidade que chega a ser até um pouco indigesta de assistir. Temiloluwa Ami-Williams que interpreta Rosa está deslumbrante.

terça-feira, 31 de outubro de 2023

O JOELHO DE AHED

Título Original: Ha'berech
Diretor: Nadav Lapid
Ano: 2021
País de Origem: Israel
Duração: 111min
Nota: 10

Sinopse: Um cineasta israelense enfrenta duas batalhas condenadas ao fracasso: uma contra a morte da liberdade, outra contra a morte de uma mãe.
 
Comentário: Vencedor do Prêmio do Juri no Festival de Cannes. Confesso que tinha um pé atrás com o diretor porque nunca consegui me conectar muito bem com seu filme Sinônimos apesar de reconhecê-lo como um filme muito bom. Este porém acabou entrando na minha lista de melhores do ano, senão O melhor. Amei! Tipo de filme que eu gosto, com toda a metalinguagem e crítica ácida (ao estado terrorista de Israel, ao sistema capitalista, a cultura de guerra, a normalização de uma realidade orwelliana ou tantas outras coisas). Nadav Lapid se faz tão necessário e talvez um dos maiores diretores da atualidade. A parte técnica é simplesmente maravilhosa e toda a construção da história com a explosão verborrágica em uma das cenas mais emblemáticas dos últimos anos. Certo, confesso que não é um filme que vá agradar uma grande maioria, mas é daqueles filmes que me conquistam.

LIMBO

Título Original: Limbo
Diretor: Ben Sharrock
Ano: 2020
País de Origem: Escócia
Duração: 104min
Nota: 10

Sinopse: Omar é um jovem músico promissor. Separado de sua família síria, ele está confinado em uma remota ilha escocesa aguardando o destino de seu pedido de asilo.
 
Comentário: Um dos filmes que estava na seleção do Festival de Cannes para a Palma de Ouro do ano que não ocorreu devido a pandemia. Fui assistir sem saber quase nada do filme, sabia que se passava em uma ilha remota da Escócia e só, fui pego completamente de surpresa com um dos melhores filmes daquele ano. Ele é tão simples e ao mesmo tão complexo, tão sério e ao mesmo tempo tão leve, tão deliciosamente fantástico e ao mesmo tempo tão cruelmente real. Eu que moro no Reino Unido não pude deixar de rir com os personagens locais estereotipados, porque é exatamente assim. Tenho estudado árabe neste último ano com um exilado sírio e não pude deixar de me comover com a história. O ator Vikash Bhai, apesar de ser indiano e interpretar um afegão, consegue contagiar em todo momento que aparece em tela e está irreconhecível no papel. Tudo no filme funciona tão bem e acho que é daqueles que dá para indicar para todo mundo. ASSISTAM!

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

COMO APROVEITAR NOSSO TEMPO DE LAZER?

Título Original: Az Oghat-e Faraghat-e Khod Chegouneh Estefadeh Konim?
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1977
País de Origem: Irã
Duração: 18min
Nota: 6

Sinopse: Dois irmãos ociosos são ensinados sobre o processo de pintura para a restauração de uma velha porta. Diante de todos os passos do processo, reflete-se o interesse de Kiarostami pela marcenaria e os trabalhos manuais.
 
Comentário: Outro curta feito para o Instituto para Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens Adultos. Acaba sendo um pouco mais do mesmo que os outros curtas, sem trazer muito nada de novo, como sempre há imagens interessantes, mas foca um pouco mais nos dois irmãos e em técnicas sobre pintura, portanto há menos imagens aleatórias de um Irã pré revolução, que é o que acho que deixa os outros curtas mais interessantes pelo aspecto histórico como um todo. Portando achei este o menos interessante até aqui. Logicamente que há o brilhantismo da técnica narrativa do diretor, que nunca decepciona.